sábado, 18 de outubro de 2008

BLOGS: Uma Revolução dentro da Revolução

Aventuro-me a entrar numa seara onde ainda sou quase turista. Mas já deu para formar uma primeira visão nítida sobre o assunto. Li hoje que os blogs só começaram a ganhar popularidade no Brasil em 2000. Ou seja, o objeto deste ensaio, historicamente falando, ainda que seja uma criança, não tem nada de frágil, inofensivo e despretensioso.

O blog é uma criança maiúscula, que vem engatinhando virtualmente os passos gigantes que um futuro cada vez mais próximo lhe reserva. No melhor dos sentidos, os blogs têm personalidades precoces, vozes insubmissas e atitudes imortalizantes.

Instituições tecnicamente complexas - cheias de fórmulas, segredos e regras - inauguraram a Internet. Refiro-me às universidades e forças armadas. Não demorou para que as grandes organizações e empresas em geral passassem a surfar nas ondas desses novos mares, criando e operando sites comerciais ao sabor da globalização.

Pulemos os encantamentos dessa parte, recheada pelas facilidades do e-mail, do bate-papo e tantas outras novidades que nossos avós jamais teriam sonhado. Um navio, nos tempos da exploração marítima européia, poderia levar meses para cruzar os misteriosos oceanos, que assombravam a Península Ibérica e desafiavam as ambições de suas coroas. Na década de 80, aproximadamente meio milênio depois, bits e bytes repetiriam essa mesma travessia em uma velocidade instantânea, estonteante, em um passe de mágica.

Montava-se um microcomputador, instalavam-se o sistema operacional e os aplicativos básicos, acoplava-se um modem conectado à linha telefônica, executavam-se alguns rápidos comandos e pronto: o milagre da revolução chamada internet conectava simultaneamente pessoas e culturas separadas por abismos geográficos. Estava dada a largada para a aposentadoria das cartas manuscritas e a ascensão do império das tecnologias de informação.

No entanto, nós, meros indivíduos, ainda não parecíamos de todo satisfeitos. Alguma mídia precisava ser inventada para acalentar nossos egos pessoais e aplacar nossos instintos comunicativos. Eis que surgem os blogs, anunciando a revolução dentro da revolução. Agora, multidões anônimas – de maneira única, voluntária e personalizada – poderiam fundar suas identidades, carimbar suas marcas e promover suas imagens no mundo virtual.

O que era privilégio das empresas e de poucos indivíduos, se estendeu em uma versão inteligentemente simplificada e extremamente funcional a qualquer cidadão do planeta. Aliás, suponhamos que na China esse texto correria o risco de ser censurado e seu autor advertido. Mas pelo menos entre os países democráticos, as pessoas incluídas digitalmente bastavam ter um mínimo de instrução para criar, livremente, o seu blog - seu cartão-postal online.

Para que ler e debater apenas biografias de celebridades, quando podemos contar e socializar nossas próprias histórias cotidianas? Para que virar espectador passivo da grande mídia quando temos a capacidade autônoma de elaborar e publicar nossa versão e visão sobre os fatos? Para que se restringir às salas de aula das escolas, auditórios das empresas e demais espaços presenciais quando também podemos expor - de forma aberta, massiva e permanente - as nossas idéias, pensamentos e reflexões, além de comentar os escritos e opiniões de terceiros?

Diferentemente dos tradicionais sites institucionais, caracterizados geralmente pela objetividade dos conteúdos abordados e pelas convenções impostas pela linguagem profissional, nos blogs podemos ser nós mesmos, expressar o que pensamos, professar nossas crenças, inventar nossos estatutos, sublimar nossas contradições, celebrar nossos sonhos, exorcizar nossos medos, democratizar nossos segredos, fotografar por escrito nossa sensibilidade, sintonizando múltiplas amizades e zelando pela boa convivência virtual.

Perdoe-me se for empolgação de blogueiro iniciante, admirado por um mundo novo grávido de possibilidades individuais e coletivas, mas recuso a tese de que os blogs sejam mais um modismo, uma febre passageira e curável. Ledo engano! Somos partes de uma revolução dentro da revolução, cujo poder e vocação estão no blog de cada um de nós.

6 comentários:

Designer Vigiado disse...

Olá, Webmaster,
Já há algum tempo venho acompanhando o progresso de seu blog e constato dia a dia
o aumento na qualidade de suas postagens.
Parabéns e continue investindo nele.
Abraços.
Designer Vigiado
http://cidadevigiada.blogspot.com/

Alma Poeta disse...

Obrigada pela visita ao meu blog meu amigo e aproveitando pra dar uma espiadinha no seu...rsrs
Ele é ótimo! Virei sempre ok?
Beijos e um ótimo Domingo!

Dani Santos disse...

Olá, Pablo. Muito bom o seu blog. Gostei principalmente das poesias. Críticas, sensíveis.
Quanto a essa postagem, achei muito interessante a sua opinião. Também estou descobrindo há pouco tempo este espaço de trocas, de compartilhar nossas dores, indignações, alegrias cotidianas, a poesia nossa de todo dia. Um espaço rico,uma trama que vai sendo tecida por infinitos nós e construindo sentidos vários.
Abraço

Catarino disse...

Seu texto ficou muito bom e retrata a verdade sobre os blogs.
Vim retribuir sua visita e comentário deixado no meu blog.

Rodrigo Piva disse...

É isso aí, Pablo. Os blogs têm um espaço muito grande por explorar e crescer. Acredito que com o aumento das pessoas com acesso a internet esse crescimento será gradativo.

Abraços

joao Assis disse...

Pablo,
Essa ferramenta tem um grande poder,que precisamos usar para tentar solucionar alguns problemas desse mundo,devemos estar unidos para somar forças.
Um grande abraço.