quinta-feira, 14 de julho de 2011

POESIA: Ficar de bem no Benfica

Na bebida, tragar mais vida.
Na fumaça, ofuscar a desgraça.

O boêmio é um poeta em movimento,
Um farrista com leveza e sentimento.

O que seriam dos lares se não fossem os bares
Para sublimar as tristezas e festejar as alegrias?

No fundo de cada copo,
Borbulham-se esperanças
E dissolvem-se lembranças:
Metabolismos pueris e ignotos.

Bambas do samba chorando melodias
Que deixam emoções em corda bamba.
Entre batucadas, experiências vão e vêm,
Intensificando noites e transbordando dias.

No meio da multidão, entre olhares e risadas,
Mundos se embrulham e desembrulham,
Enlaçando amizades e abrindo possibilidades
Que se aprofundam ou viram ocas piadas.

A madrugada é o apogeu da vida de muitos...
Enquanto vigias cuidam de empresas fechadas,
Boêmios congestionam as esquinas das cidades
Embriagadas de mistérios, romances ou contos...

As relações tangidas pela rotina são precárias fachadas;
Aquelas regadas com humanidade pavimentam estradas.

( Poesia destinada às amigas e amigos com quem já boemizei e boemizarei no Benfica, onde moro há quase dois anos bem estudados e brindados )

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Indefinições Artísticas do Amor

Na matemática das emoções, os cálculos irracionais são as operações que mais funcionam. Na gramática das relações, o silêncio é a mensagem cúmplice que inspira, conecta e sustenta as declarações. A busca de afeto mobiliza o maior intercâmbio de energias subjetivas do planeta, desencadeando migrações mútuas e oscilantes de aspirações, abstrações e realizações, muito sutis para a química e descoordenadas para a geografia.

Em algumas mulheres a gente encontra inteligência e alegria, não mais que isso; em outras, encontramos beleza e prazer, não mais que isso; algumas ainda oferecem sensibilidade e caráter, não mais que isso. Contudo, quando determinadas combinações femininas se juntam caprichosamente no coração dos homens (ou vice-versa), a felicidade ganha tons especiais, colorindo de amor as experiências da vida, as lembranças da mente e os mistérios da alma.

O menor detalhe para uma pessoa pode significar a maior motivação para outra. Os obstáculos intransponíveis para uns representam degraus naturais para alguns. A palavra que faltou nas primeiras conversas dança com a atitude que restou das últimas promessas. Entre uma palavra e outra, gestos inesperados podem dizer muito mais do que o suficiente. A vida é assim mesmo, deliciosamente vestida de paradoxos e despida de protocolos.

Se é verdade que a alma morreria de tédio sem o oxigênio revigorante da arte, não é menos verdade que a arte logo envelheceria sem o constante rejuvenescimento estético da vontade ética de sentir que dá sentido ao ser amador e amável que humaniza intimamente a (co)existência de homens e mulheres. É por demais estonteante e estúpido querer sistematizar a dinâmica do coração, pois quem muito ousa entendê-lo desaprende a vivê-lo.

O próprio amor, como a arte que de tantas formas tenta expressá-lo, tem o poder mágico de mudar a escala de tudo: abismos e pontes se revezam, tempos e espaços se embaralham, medos e sonhos se confundem... a ordem e o caos tecem rimas quase perfeitas, como se ilusões e realidades fossem prolongamentos alternáveis da arte de se deixar apaixonar pelo amor, se perdendo em seus reversos e se reencontrando em seus versos.

Afinal, racionalizar o subjetivo é tão grave e prejudicial quanto superficializar a essência. Enquanto pensamentos rastejam disciplinadamente, sentimentos voam, farejando e salvando tudo que as certezas dogmáticas e tiranas escondem, limitam e condenam.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

POESIA: Amor Demasiadamente Humano

AMOR DEMASIADAMENTE HUMANO

Amor não fala; exala.
Amor não briga; abriga.
Amor não se atura; cura.
Amor não cega; sossega.

Amor não rotiniza; sintoniza.
Amor não esvazia; se recria.
Amor não se esquiva; cativa.
Amor não afunda; aprofunda.
Amor não ironiza; poetiza.

Amor não domina; ensina.
Amor não aperta; liberta.
Amor não prende; entende.
Amor não priva; incentiva.
Amor não impõe; expõe.

Amor não julga; enxuga.
Amor não contraria; alivia.
Amor não grita; escuta.
Amor não disputa; exulta.
Amor não rivaliza, harmoniza.
Amor não ofende; transcende.

Amor não idealiza; realiza.
Amor não hesita; acredita.
Amor não atropela; espera.
Amor não se apaga; se guarda.
Amor não se encolhe; se recolhe.

Amor não espanta; encanta.
Amor não se rende; surpreende.
Amor não se isenta; se reinventa.
Amor não complementa; incrementa.

Amor não esfria; arrepia.
Amor não sufoca; tateia.
Amor não vacila; cintila.
Amor não desliza; destoa.
Amor não tropeça; se encaixa.
Amor não desconta; desponta.
Amor não planeja; apronta.
Amor não padece; estremece.

(Poesia dedicada ao Dia dos Namorados 2011)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Questões para (Re)pensar a América Latina

10 CONVITES PARA (RE)PENSAR A AMÉRICA LATINA HOJE:
ALGUMAS QUESTÕES CULTURAIS, ACADÊMICAS E SÓCIO-INSTITUCIONAIS*.

Aspectos Culturais

Que fatores mobilizam nossa identidade latino-americana?

Como a mídia, a literatura e o turismo, dentre outras áreas relevantes, poderiam catalisar, de forma sustentável e solidária, nossos sentimentos e atitudes regionais de pertencimento?

Que responsabilidades regionais cabem ao Brasil como potência emergente e futura nação desenvolvida?

Aspectos Acadêmicos

Como ampliar e diversificar as pesquisas e intercâmbios regionais?

Como a ciência política e a antropologia, ambas ancoradas na sociologia, poderão constituir eixos transversais de teorização e subsidiar linhas conjuntas de intervenção?

Como reinterpretar as categorias tradicionais como classe, trabalho, partido e nação, frente à afirmação de categorias mais fluidas como grupos, culturas, identidades e projetos?

Aspectos Sócio-institucionais

Quem bandeiras sociais teriam forças para aglutinar e fortalecer os atores e movimentos sociais latino-americanos?

Como as agências e organismos internacionais de financiamento e cooperação, juntamente com grandes empresas de base regional, poderiam se engajar mais na causa sócio-cultural da integração latino-americana?

Em que medidas as redes e plataformas coletivas da sociedade civil, notabilizadas pelo Fórum Social Mundial, poderão ir além do horizonte do denuncismo e apontar agendas mais consistentes e convergentes em prol da concretização do esperado outro mundo?

Reflexão Inacabada

Quando as veias abertas da América Latina cicatrizarão suas feridas para fecundar novos paradigmas de união, autonomia e felicidade?

* Apontamentos feitos por ocasião de minha participação na Mesa de Debates “Construindo uma agenda de pesquisa: o desafio de (re)pensar a América Latina em tempos contemporâneos”, um evento promovido pela RUPAL (Rede Universitária de Pesquisadores da América Latina), como parte da VIII Semana de Humanidades (UFC/UECE). A atividade ocorreu no Centro de Humanidades da UECE, em 05/05/2011.

terça-feira, 19 de abril de 2011

POESIA: Tempos de Mudança

Tempos de Mudança

Fundir os cacos da alma
Voltar a regar o jardim da mente
Trocar o tapete do sorriso
Aguçar o faro coletivo da gente

Antecipar o futuro através da poesia
Embelezar a vida através do mistério
Reviver o passado através da música
Externar a essência através do silêncio

Captar a sintonia fina da natureza
Fazer as pazes com a sensibilidade
Dialogar sem hipocrisia e estreiteza
Combater os focos de desumanidade

Substituir os jogos em vez das regras
Surpreender alguém com elogios inesperados
Se permitir um pouco tatear às cegas
Emancipar sentimentos outrora racionalizados

Desfazer as teias do negativismo
Inovar as tradições do romantismo
Rasgar a bíblia suicida do consumismo
Driblar os tentáculos do sensacionalismo

Valorizar a dignidade da mão suada
Mudar aquela foto mofada e sem graça
Inaugurar a roupa que estava relegada
Vencer o medo traiçoeiro que te ameaça

Mudar os caminhos para salvar os destinos
Reencarnar a lucidez de desencarnar ilusões
Reaprender a perdoar os próprios desatinos
Democratizar a luz que brilha nas escuridões

(Por Pablo Robles - Poeta do Social)

domingo, 20 de março de 2011

POESIA: Caminhada Social


CAMINHADA SOCIAL*

(versão em português)

Temos que sonhar,
Antes que o futuro desapareça!

Temos que mudar,
Antes que a humanidade adoeça!

Temos que amar,
Antes que a indiferença nos endureça!

Temos que ousar,
Antes que o medo nos enfraqueça!

Temos que sentir,
Antes que a razão enlouqueça!

Temos que nos refundar,
Antes que a essência se empobreça!

Temos que compartilhar,
Antes que a competição prevaleça!

Temos que saber pensar,
Antes que globalizem nossa cabeça!

Temos que nos expressar,
Antes que o mundo nos esqueça!

Temos que praticar,
Antes que a teoria envelheça!

Temos que acreditar,
Antes que o caos nos entristeça!

Temos que nos reciclar,
Antes que o mercado nos apodreça!

Temos que nos iluminar,
Antes que a esperança anoiteça!

Temos que agir,
Antes que a inércia permaneça!

Temos que lutar,
Antes que neutralizem nossa força!

Temos que nos unir,
Antes que o pior fracasso aconteça!

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CAMINATA SOCIAL*

(versão em espanhol)

Tenemos que soñar,
Antes que el futuro desaparezca!

Tenemos que cambiar,
Antes que la humanidad se enferme!

Tenemos que amar,
Antes que la indiferencia nos endurezca!

Tenemos que osar,
Antes que el miedo nos debilite!

Tenemos que sentir,
Antes que la razón enloquezca!

Tenemos que nos refundar,
Antes que a essência se empobrezca!

Tenemos que compartir,
Antes que la competencia prevalezca!

Tenemos que saber piensar,
Antes que globalizen nuestra cabeza!

Tenemos que nos expresar,
Antes que el mundo nos olvide!

Tenemos que practicar,
Antes que la teoría envejezca!

Tenemos que creer,
Antes que el caos nos entristezca!

Tenemos que nos reciclar,
Antes que el mercado nos pudra!

Tenemos que nos iluminar,
Antes que la esperanza anochezca!

Tenemos que agir,
Antes que la inercia permanezca!

Tenemos que luchar,
Antes que neutralizen nuestra fuerza!

Tenemos que nos unir,
Antes que el peor fracaso acontezca!

(PABLO ROBLES - Poeta do Social)

Poesia inspirada no Seminário sobre Desenvolvimento Sustentável, ocorrido em Curitiba, Paraná (Brasil) entre representantes latino-americanos e espanhóis do Movimento Emaús.

terça-feira, 8 de março de 2011

POESIA: Arco-íris soberano

ARCO-ÍRIS SOBERANO

A sociedade tantas vezes tenta
Te diminuir, te humilhar, te derrubar;
Mas tu sabes vencer qualquer tormenta,
Destoando ao longo da história secular.

Sem ti, o amor não conseguiria sorrir;
A força não teria a flexível delicadeza.
A humanidade não teria tamanha beleza
E a vaidosa razão jamais se permitiria sentir.

Tudo fica mais lindo com a tua existência:
A vida, mais leve; o caminho, mais florido;
A canção, mais bela; o poema, mais colorido.
As paixões assumem mais sentido e eloqüência.

Os homens já colonizaram continentes
E ousam até desbravar outros mundos,
Mas os universos femininos profundos
Seguem inacessíveis para tanta gente.

Nos trabalhos, desigualdades imperam.
Tradições patriarcais ainda prevalecem...
De muitos assédios as mulheres padecem...
Preconceitos machistas a elas se impuseram.

O tempo trata de corrigir os absurdos.
As mulheres vêm conquistando seu valor;
A cada geração, ganham mais respeito,
Afirmando sua dignidade e aliviando sua dor.

Feliz do homem evoluído por uma mulher.
Abençoada a arte inspirada pelo seu toque.
Seus exemplos engrandecem multidões a reboque.
Ainda que o chão estremeça, elas continuam de pé.

A mulher é o Sol que nunca se esconde;
A chama que não queima e nem se apaga;
É o arco-íris supremo, de tintas infinitas,
Sob molduras muito mais vibrantes e bonitas.

( Pablo Robles - POETA DO SOCIAL )

Em homenagem ao Dia da Mulher de 2011