domingo, 27 de abril de 2008

FILME SOCIAL: Alphaville


FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: Alphaville
DIRETOR: Jean-Luc Godard
GÊNERO: Ficção Científica
ANO: 1965
PAÍS: França
DURAÇÃO: 100 min
ELENCO: Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamiroff, Howard Vernon, Laszlo Szabo.

SINOPSE

"Filme que se passa em uma sociedade futurista, em uma cidade chamada Alphaville. As coisas se complicam quando o computador Alpha 60 toma o controle do local, abolindo os sentimentos dos seres humanos. É quando um detetive é enviado para tentar encontrar o criador do poderoso computador e convencê-lo a destruir a máquina. O filme não oferece um grande apelo visual, mas está carregado de idéias do diretor, e ainda tem uma história intrigante sobre um futuro aterrorizante dominado pelas máquinas. Venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim."

FONTE: http://www.ocinefilo.com.br

COMENTÁRIOS DIVERSOS

“Este genial filme de ficção de Godard coloca diretamente o problema das sociedades de controle e desnuda a natureza essencialmente vampiresca de todo o Estado, seja despótico, totalitário, fascista ou democrático. (...) Godard não narra a aventura apenas de uma suposto Estado doente e totalitário. Não há Estado que não se constitua como produtor de doença e como um grande sugadouro das forças vitais do homem. Sua memória central; sua lógica binária e dicotômica de inclusão e exclusão; sua ciência integradora de focos dispersos de poder e suas técnicas de controle da vida por produção de desejo; sua linguagem higienizante; seus frios e vingativos dispositivos de codificação e de justiça; seus filtros, ordens e hierarquias invertidas, cálculos e determinação de um campo prescrito de possibilidades; suas cadeias de transmissão de sentenças de morte; suas rações e provimentos diários de dispersão, confusão e esgotamento; tudo isso faz a atualidade desse filme de 1965. (...)”

FONTE: http://escolanomade.org/ - Cinema Nômade

“Uma das principais qualidades da obra foi seu pioneirismo em misturar "Sci-Fi" mais "Noir", tornando-o uma ficção surreal e altamente poética. (..) Tudo se passa em uma cidade pertencente a outra galáxia, com o nome de Alphaville. Nela toda a sociedade é comandada por um tirano supercomputador denominado Alpha 60. Tal máquina comanda uma “sociedade técnica, como a dos cupins e formigas”, governando de forma cruel e arbitrária, deixando seus habitantes como legítimos zumbis, completamente alienados e sem sentimentos. Godard se cercou de elementos literários encontrados em "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley e principalmente do livro "1984", de George Orwell. Um futuro autoritário com restrição vocabular e um super-olho onipresente. A bíblia de Alphaville é um dicionário e esse passa por constantes alterações, com objetivo de oprimir a população e mantê-la ignorante. Para o supercomputador, pessoas normais não têm lugar nessa cidade e não merecem viver (...). Outra grande qualidade que vale salientar são os belíssimos diálogos e a sociedade ignorante montada pelo cineasta. Filme imprevisível e denso, com caráter sublime e futurista.”

FONTE: http://www.cineplayers.com/

"O anacronismo impera nesta ficção, que serve mais como análise da humanidade do que mero escapismo. (...) Pessoas são proibidas de ter emoções, mulheres são exploradas e a lei é regida por uma grande máquina chamada "Alpha 60". (...) Em Alphaville, as mulheres viram meros objetos nas mãos masculinas, não se comprometendo afetuosamente com os diversos parceiros. Pra falar a verdade, não sabem nem o que significa "carinho" e "amor". Elas são como dicionários com defeitos de fabricação, desconhecendo vocábulos simples, pura e simplesmente porque nunca foram estimuladas a aprendê-los. É aí que entra "Alpha 60", controlando e administrando informações. Alguém lembra do conceito de ditadura e a falta de liberdade de expressão? (...) Numa terra onde a população local solta, instantaneamente, um "vou bem, obrigado, de nada", não é de se espantar sua extrema artificialidade. Contudo, em nosso mundo globalizado (...) a tendência é nos tornarmos "alphavilleanos". Assim, a ficção pode ser apenas um detalhe a ser modificado. (...) Este é um clássico da crítica à estrutura social e comportamento humano (...)."

FONTE: http://cinematoca.blogspot.com/

“Na Alphaville de Godard, não há subjetividade, não há arte, não há liberdade, não há comportamento imprevisível. Há apenas a ditadura da lógica, apenas seres humanos sem expressão, aos quais progressivamente se proíbe o uso até mesmo de certas palavras, como consciência e amor. Seus habitantes são pessoas que se cumprimentam com um “estou muito bem, obrigado”, isto é, com aquilo que se esperaria de resposta, como que voltados para si mesmos. Qualquer semelhança com os diálogos frios, formais e pré-determinados entre vizinhos/colegas de trabalho que se encontram no elevador não é mera coincidência. O mesmo se pode dizer da semelhança entre o comportamento promíscuo/submisso das mulheres do filme e a instrumentalização corrente do elemento feminino, mero meio para obter prazer ou para que sua utilização na publicidade venda determinado produto. (...) Por que Alphaville exclui da linguagem conceitos como “arte” ou “consciência”? Porque, como Lemmy Caution provou, aquele sistema não os suporta – confrontado com a poesia, implode, deixando suas crias desnorteadas após tanto tempo de alienação. Alphaville não suporta questionamento; tudo são explicações postas, exteriores e inquestionáveis (é proibido dizer “por quê?”; deve-se sempre dizer “porque”).”

FONTE: http://filmes.seed.pr.gov.br

4 comentários:

brilhanteideia disse...

brilhanteideia - amigo pablo - brilhantes abraços pra você

João disse...

Pablo,

Jean-Luc Godard é um dos grandes realizadores Franceses,tem feito filmes que são polémicos e assim importantes para a reflexão social.

Este que não o vi ainda,desperta-me a atenção para algo que pode no futuro ser uma realidade totalitária,onde a opressão ao ser humano exista de outras formas diferentes,mas no fundo iguais ao passado.

Excelente artigo Pablo,ele é um alerta para uma existência desumanizada se continuarmos num caminho de fascinação tecnológica sem a valorização do Ser Humano.

Abraço amigo,
joao

Anônimo disse...

O que falar quanto a Lorenzo? Bem...a ele, parabéns, por ter vencido algo que diziam ser "incurável", mas enquanto aos pais do garoto? Se nós imaginássemos no lugar dele, talvez teríamos inveja do mesmo, pois não é todo pai e mãe que dedicaria tanto tempo de estudo que buscasse conhecimento acerca da doença que se passava com o filho, sendo eles capazes de esquecer o trabalho, afazeres, família, esquecendo até mesmo deles próprios para poder salvar o filho.
Os médicos estavam mais preocupados com o dinheiro do que com o aprofundamento nos estudos que breve, serviriam para salvar outras vidas.
A persistência sempre dá bons resultados quando há chance. Uma maneira de melhorar a saúde de Lorenzo, ou pelo menos dar de volta o que a doença levara dele. Foi encontrado de uma maneira simples do óleo extraído do azeite de oliva, que ficou conhecido como o "Óléo de Lorenzo" que devolveu a vida a milhares de pessoas e até hoje da resultado fazendo com quem tem a doença viva normal, graças a ele e as seus pais e a todos que acreditavam que isso seria possível.

Colégio - Polivalente de C. do Coité
Série - 3º B
Componentes: Aline, Itamara e Wenderson
Disciplina: Redação
Professora: Selma

Margareth Bravo disse...

Meu caro amigo!
Vi recentemente esse filme, que é fascinante e visionário. Uma antevisão dos tempos atuais lamentavelmente. Em muito lembra o comportamento americano, eu estou ok e você está ok? A obra ficcional se aproxima muito da realidade num tempo em que ter ou parecer é mais importante do que ser. Mesmo assim sou otimista, acredito que que podemos usar o sistema contra ele mesmo, e que o mal acaba por engolir a si próprio, um exemplo disso é a onda de intercomunicação na internet, que tem promovido amizades, casamentos,manifestos, comunidades, informação, utilidade pública, redes socias entre outros benefícios. A rede vai caçar e peneirar o que não serve, como no caso da pedofilia. Assim seja!!!
abraço