Mulheres políticas e sociedades fragilizadas
No dia em que uma mulher lá de cima (Hilary), de uma potência em decadência (EUA), visita uma mulher aqui de baixo (Dilma), de uma potência em afirmação (Brasil), uma mulher aqui do lado (Cristina), de um país (Argentina) dinâmico, hermoso e destemido (inclusive no resgate democrático das verdades sobre os crimes da ditadura que assombraram outrora a política latino-americana; matéria que as “elites” daqui prefeririam incinerar em vez de reconstituir), presenteia-nos com um gesto firme, altivo e politicamente legítimo.
Pois bem, nossa presidente vizinha de um país hermano reivindicou e legalizou a soberania mínima na gestão das riquezas nacionais de seu petróleo e gás; ideologias e sectarismos à parte, um Estado não existe só pra reagir (aos mercados e interesses estrangeiros), mas também para agir (a favor do povo e aspirações das maiorias).
O grande desafio que nos cabe está nesse pequeno e grande detalhe que oscila entre os instintos privatistas de liberdade e as necessidades estatizantes de proteção: sociedade. Nossa ditadura política se foi, mas deixamos que outras ditaduras entrassem em campo, como a da mídia, a da publicidade e a da indústria enlatada de práticas de lazer descoladas do cheiro cotidiano, de nossas identidades locais e das aventuras e desventuras comunitárias.
Quando sermos menos servil e efetivamente mais civil, uma outra sociedade edificará nossos lares, semeará novos valores e inspirará as gerações vindouras, nos colocando de mãos dadas com toda a humanidade que muitas vezes não conseguimos desenvolver e partilhar, intoxicados que ainda estamos por um modelo de sociedade (civil) e representatividade (política) que não cuida bem de sua gente, de suas instituições e de seus recursos, sejam eles naturais ou industriais, científicos ou morais, e materiais ou espirituais.
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terça-feira, 17 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Questões para (Re)pensar a América Latina
10 CONVITES PARA (RE)PENSAR A AMÉRICA LATINA HOJE:
ALGUMAS QUESTÕES CULTURAIS, ACADÊMICAS E SÓCIO-INSTITUCIONAIS*.
Aspectos Culturais
Que fatores mobilizam nossa identidade latino-americana?
Como a mídia, a literatura e o turismo, dentre outras áreas relevantes, poderiam catalisar, de forma sustentável e solidária, nossos sentimentos e atitudes regionais de pertencimento?
Que responsabilidades regionais cabem ao Brasil como potência emergente e futura nação desenvolvida?
Aspectos Acadêmicos
Como ampliar e diversificar as pesquisas e intercâmbios regionais?
Como a ciência política e a antropologia, ambas ancoradas na sociologia, poderão constituir eixos transversais de teorização e subsidiar linhas conjuntas de intervenção?
Como reinterpretar as categorias tradicionais como classe, trabalho, partido e nação, frente à afirmação de categorias mais fluidas como grupos, culturas, identidades e projetos?
Aspectos Sócio-institucionais
Quem bandeiras sociais teriam forças para aglutinar e fortalecer os atores e movimentos sociais latino-americanos?
Como as agências e organismos internacionais de financiamento e cooperação, juntamente com grandes empresas de base regional, poderiam se engajar mais na causa sócio-cultural da integração latino-americana?
Em que medidas as redes e plataformas coletivas da sociedade civil, notabilizadas pelo Fórum Social Mundial, poderão ir além do horizonte do denuncismo e apontar agendas mais consistentes e convergentes em prol da concretização do esperado outro mundo?
Reflexão Inacabada
Quando as veias abertas da América Latina cicatrizarão suas feridas para fecundar novos paradigmas de união, autonomia e felicidade?
* Apontamentos feitos por ocasião de minha participação na Mesa de Debates “Construindo uma agenda de pesquisa: o desafio de (re)pensar a América Latina em tempos contemporâneos”, um evento promovido pela RUPAL (Rede Universitária de Pesquisadores da América Latina), como parte da VIII Semana de Humanidades (UFC/UECE). A atividade ocorreu no Centro de Humanidades da UECE, em 05/05/2011.
ALGUMAS QUESTÕES CULTURAIS, ACADÊMICAS E SÓCIO-INSTITUCIONAIS*.
Aspectos Culturais
Que fatores mobilizam nossa identidade latino-americana?
Como a mídia, a literatura e o turismo, dentre outras áreas relevantes, poderiam catalisar, de forma sustentável e solidária, nossos sentimentos e atitudes regionais de pertencimento?
Que responsabilidades regionais cabem ao Brasil como potência emergente e futura nação desenvolvida?
Aspectos Acadêmicos
Como ampliar e diversificar as pesquisas e intercâmbios regionais?
Como a ciência política e a antropologia, ambas ancoradas na sociologia, poderão constituir eixos transversais de teorização e subsidiar linhas conjuntas de intervenção?
Como reinterpretar as categorias tradicionais como classe, trabalho, partido e nação, frente à afirmação de categorias mais fluidas como grupos, culturas, identidades e projetos?
Aspectos Sócio-institucionais
Quem bandeiras sociais teriam forças para aglutinar e fortalecer os atores e movimentos sociais latino-americanos?
Como as agências e organismos internacionais de financiamento e cooperação, juntamente com grandes empresas de base regional, poderiam se engajar mais na causa sócio-cultural da integração latino-americana?
Em que medidas as redes e plataformas coletivas da sociedade civil, notabilizadas pelo Fórum Social Mundial, poderão ir além do horizonte do denuncismo e apontar agendas mais consistentes e convergentes em prol da concretização do esperado outro mundo?
Reflexão Inacabada
Quando as veias abertas da América Latina cicatrizarão suas feridas para fecundar novos paradigmas de união, autonomia e felicidade?
* Apontamentos feitos por ocasião de minha participação na Mesa de Debates “Construindo uma agenda de pesquisa: o desafio de (re)pensar a América Latina em tempos contemporâneos”, um evento promovido pela RUPAL (Rede Universitária de Pesquisadores da América Latina), como parte da VIII Semana de Humanidades (UFC/UECE). A atividade ocorreu no Centro de Humanidades da UECE, em 05/05/2011.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Consistências e Precariedades
A Consistência das Crises e a Precariedade de Respostas
O debate das eleições presidenciais começa aos poucos a engrenar. Chegou a hora de conhecermos melhor as propostas, biografias, pontos de vista, ideologias sócio-políticas, motivações partidárias e bastidores institucionais de cada candidato ou candidata. Aliás, deveria inverter a seqüência, pois duas dentre as três candidaturas mais bem posicionadas são de mulheres. Isso seria um indicador de novidade? Um sinal de surpresa? Provavelmente sim. Se mudanças e avanços pairam no ar, retrocessos e mesmices ameaçam tudo desmanchar.
A mídia televisiva, felizmente, já não reina sozinha. E quando tenta publicar sua opinião privada (pautada pelos empresários de comunicação), o povo já não engole tão cegamente as versões maquiavelicamente forjadas pelos jornalistas escravizados pela vontade de seus patrões. Ou seja, a opinião pública, hoje em dia, tornou-se menos homogênea, menos previsível e menos manipulável. O povo pode não entender de macroeconomia, mas tem – muitas vezes - sensibilidade suficiente para perceber as mudanças microeconômicas que afetam seu bolso.
É mais do que sabido que os problemas, inclusive os de longe, não podem mais ser assistidos de camarote, nem escondidos tão facilmente debaixo do tapete como se fazia outrora. Por exemplo, jorra-se descontroladamente petróleo no Golfo do México, mas as magnitudes dessa tragédia não recebem a devida atenção e seriedade da mídia, diferentemente dos casos de violência envolvendo pessoas famosas, que viram espetáculos à parte. “Desde o dia 20 de abril e até a quinta-feira passada o poço jogou nas águas do Golfo entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo, no que se tornou a maior catástrofe ecológica da história dos EUA.”, alerta uma matéria recente do Portal Ig.
E se uma tragédia do tipo ocorresse no quintal da Venezuela, toda a cobertura seria negativamente amplificada e ganharia colorações forçosamente políticas, pois imagino que a imagem do presidente deste país seria atacada sem piedade pelos mesmos EUA e suas marionetes apaniguadas (como a TV Globo e a revista Veja), arrastando no rodapé das reportagens, por tabela labiríntica, fulanos, sicranos e beltranos (de nossa política doméstica).
Primeiro detalhe: os EUA protagonizaram a crise econômica internacional iniciada em 2008, cujas seqüelas em cascata vieram a jorrar estragos na economia grega (as pátrias do saudoso José Samarago e da atual campeã do Mundo de Futebol que se cuidem). Segundo detalhe: os EUA continuam jorrando soldados impotentes para o Afeganistão e Iraque, enterrando no fundo da lama da política internacional estadunidense o último Nobel da Paz. Eis a equação silenciosa do caos, em uma versão tríplice/tridimensional para não causar cegueira sistêmica: crise ecológica + crise econômica + crise militar = crise ética do paradigma “imperial”.
A voz norte-americana está cada vez mais desautorizada a governar o mundo, assim como a voz da mídia tradicional está cada vez mais enfraquecida para tanger os rebanhos de sua audiência, apesar da eloqüência dos apresentadores de plantão. A América Latina e a mídia alternativa ganharam maior respeito e influência no imaginário dos povos e cidadãos que tentam reciclar sentidos, costurar respostas e reajustar sua missão coletiva neste mundo carcomido por um rodízio renovável de crises. Aquelas que citei, obviamente, foram só uma amostra, das mais visíveis. As crises social, acadêmica e espiritual, por outro lado, caminham na surdina, metabolizando outras incógnitas e inspirando outros pesadelos.
Se há esperanças, devemos mergulhar e transcender nelas para ajudar a desmascarar e salvar o mundo... dos governos desgovernados, dos indivíduos descoletivizados, da identidade submissa das nações, das comunicações desumanas, das candidaturas suicidas, das relações insensíveis, dos prêmios inglórios, dos saberes impotentes, das crenças omissas, das palavras calculadamente inúteis, das propostas retoricamente vazias e até dos medos da desesperança.
O debate das eleições presidenciais começa aos poucos a engrenar. Chegou a hora de conhecermos melhor as propostas, biografias, pontos de vista, ideologias sócio-políticas, motivações partidárias e bastidores institucionais de cada candidato ou candidata. Aliás, deveria inverter a seqüência, pois duas dentre as três candidaturas mais bem posicionadas são de mulheres. Isso seria um indicador de novidade? Um sinal de surpresa? Provavelmente sim. Se mudanças e avanços pairam no ar, retrocessos e mesmices ameaçam tudo desmanchar.
A mídia televisiva, felizmente, já não reina sozinha. E quando tenta publicar sua opinião privada (pautada pelos empresários de comunicação), o povo já não engole tão cegamente as versões maquiavelicamente forjadas pelos jornalistas escravizados pela vontade de seus patrões. Ou seja, a opinião pública, hoje em dia, tornou-se menos homogênea, menos previsível e menos manipulável. O povo pode não entender de macroeconomia, mas tem – muitas vezes - sensibilidade suficiente para perceber as mudanças microeconômicas que afetam seu bolso.
É mais do que sabido que os problemas, inclusive os de longe, não podem mais ser assistidos de camarote, nem escondidos tão facilmente debaixo do tapete como se fazia outrora. Por exemplo, jorra-se descontroladamente petróleo no Golfo do México, mas as magnitudes dessa tragédia não recebem a devida atenção e seriedade da mídia, diferentemente dos casos de violência envolvendo pessoas famosas, que viram espetáculos à parte. “Desde o dia 20 de abril e até a quinta-feira passada o poço jogou nas águas do Golfo entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo, no que se tornou a maior catástrofe ecológica da história dos EUA.”, alerta uma matéria recente do Portal Ig.
E se uma tragédia do tipo ocorresse no quintal da Venezuela, toda a cobertura seria negativamente amplificada e ganharia colorações forçosamente políticas, pois imagino que a imagem do presidente deste país seria atacada sem piedade pelos mesmos EUA e suas marionetes apaniguadas (como a TV Globo e a revista Veja), arrastando no rodapé das reportagens, por tabela labiríntica, fulanos, sicranos e beltranos (de nossa política doméstica).
Primeiro detalhe: os EUA protagonizaram a crise econômica internacional iniciada em 2008, cujas seqüelas em cascata vieram a jorrar estragos na economia grega (as pátrias do saudoso José Samarago e da atual campeã do Mundo de Futebol que se cuidem). Segundo detalhe: os EUA continuam jorrando soldados impotentes para o Afeganistão e Iraque, enterrando no fundo da lama da política internacional estadunidense o último Nobel da Paz. Eis a equação silenciosa do caos, em uma versão tríplice/tridimensional para não causar cegueira sistêmica: crise ecológica + crise econômica + crise militar = crise ética do paradigma “imperial”.
A voz norte-americana está cada vez mais desautorizada a governar o mundo, assim como a voz da mídia tradicional está cada vez mais enfraquecida para tanger os rebanhos de sua audiência, apesar da eloqüência dos apresentadores de plantão. A América Latina e a mídia alternativa ganharam maior respeito e influência no imaginário dos povos e cidadãos que tentam reciclar sentidos, costurar respostas e reajustar sua missão coletiva neste mundo carcomido por um rodízio renovável de crises. Aquelas que citei, obviamente, foram só uma amostra, das mais visíveis. As crises social, acadêmica e espiritual, por outro lado, caminham na surdina, metabolizando outras incógnitas e inspirando outros pesadelos.
Se há esperanças, devemos mergulhar e transcender nelas para ajudar a desmascarar e salvar o mundo... dos governos desgovernados, dos indivíduos descoletivizados, da identidade submissa das nações, das comunicações desumanas, das candidaturas suicidas, das relações insensíveis, dos prêmios inglórios, dos saberes impotentes, das crenças omissas, das palavras calculadamente inúteis, das propostas retoricamente vazias e até dos medos da desesperança.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
HAITI: a pátria circunstancial dos EUA
"O compromisso com o Haiti não é novo nem circunstancial", disse recentemente o governo brasileiro em uma nota na qual informa que essa é a terceira vez que Lula viaja ao país, o qual já visitou em agosto de 2004 e em maio de 2008, o que "confirma a prioridade conferida ao Haiti pela política externa brasileira".
Fui um pouco “oportunista”, pois decidi começar esta crônica com um parágrafo ao qual eu nunca fui explicitamente chamado, retirado a propósito desta notícia ("Lula chega ao Haiti para expressar apoio e assinar acordos"), que acabei de ler no Portal Ig. Aproveitando meu momento “cafajeste”, cometerei um novo “pecado”, se bem que atenuado o suficiente para ser logo perdoado, pois a nova referência que evoco consiste em uma outra crônica minha sobre o mesmo assunto: "Militarizando o desserviço ao Haiti".
Façamos agora um exercício hipotético de turismo patriótico. Imagine-se acordando brasileiro, no transcorrer do dia se tornando norte-americano para depois dormir haitiano. É possível assumir nacionalidades diferentes como quem muda de roupa? Até as máscaras bonitinhas que camuflam nossas eventuais intenções mesquinhas precisam de um tempo mínimo para decantarem, se ajustarem e se acostumarem com os padrões dominantes de hipocrisia que se prestam a dissimular.
Vamos dar um zoom na frase primeira e central que motivou esse texto: “o compromisso com o Haiti não é novo vem circunstancial”. Em outras palavras, o Brasil não tem essa mania cinematográfica (hollyudiana mesma, literalmente falando, e belicamente também) de se arvorar na condição pop de superpaís, de superpotência aventureira que sai distribuindo bases militares mundo afora a pretexto, por exemplo, de proteger e vigiar os mares alheios contra monstros terroristas e ocasionalmente atômicos que ameacem perturbar as fronteiras “modernamente democráticas” dos países aliados; como Israel no Oriente Médio e Colômbia na América Latina.
Como todo super-herói tem poderes extraordinários e se acha imbuído de missões as mais diversas - ainda que novas e circunstanciais, frise-se bem -, os EUA nunca mais seriam os mesmos se não tivessem estendido seus tapetes altruístas e caridosos para o Haiti, duramente vitimado por um terremoto cujos impactos parecem ter sacudido espiritualmente o coração de toda a diplomacia norte-americana. (Vale acrescentar que essa triste sina do Haiti, como o escritor Eduardo Galeano relembrou, remonta às políticas sujas e invasivas que os mesmos EUA já aprontaram.)
Pois bem, a reação dos EUA foi olímpica, peremptória, esplendorosa, digna do Oscar do Oportunismo, sequer se lembrando de dialogar com a ONU e planejar melhor as coisas com a missão brasileira que já vinha liderando as operações por lá: instituíram um fundo Clinton-Bush (usando o nome indigesto do Bush) para arrecadar donativos, se apossaram do espaço aéreo para controlar do jeito deles a ajuda estrangeira e, o que foi efetivamente controverso, mandaram 12.000 soldados para “passear” no Haiti, como se o povo nativo fosse apático e não tivesse braços para acolher os feridos e pernas para avançar no enfrentamento de seus dramas, contando necessariamente com o suporte já estabelecido (e que passaria por emergencial ampliação) de vários organismos e serviços humanitários, incluindo relevantes ações cubanas de saúde.
Essa é a lição de ética (geralmente pelo avesso) que aprendemos com os EUA. Surge (ou fabrica-se) uma propagação de epidemia (como a gripe suína), suas indústrias de remédio são as primeiras a “ajudar” e lucrar. Quando sentem cheiro de petróleo no ar, rasgam soberanias de países frágeis para com novos negócios “cooperar” e lucrar. Quando algum presidente não lhes diz amém e ousam remar na maré oposta ao neo-liberalismo, dão uma aula-show de anti-jornalismo, visando “desinformar” e lucrar.
Portanto, em vez de terem mobilizado um “exército verde” de ambientalistas sérios e competentemente autorizados a evitar o fracasso da Conferência do Clima ocorrida ano passado em Copenhage, na Dinamarca; os EUA valeram-se da “sorte geopolítica” trazida pela fúria da natureza contra o Haiti, e, da noite para o dia, metamorfosearam-se (como se iluminados provisoriamente por um mandato divino imperial) em seus superanjos salvadores, carregando nessa travessia pseudocivilizatória as asas manchadas sabe-se lá com quantos interesses inconfessáveis, diabólicos.
Fui um pouco “oportunista”, pois decidi começar esta crônica com um parágrafo ao qual eu nunca fui explicitamente chamado, retirado a propósito desta notícia ("Lula chega ao Haiti para expressar apoio e assinar acordos"), que acabei de ler no Portal Ig. Aproveitando meu momento “cafajeste”, cometerei um novo “pecado”, se bem que atenuado o suficiente para ser logo perdoado, pois a nova referência que evoco consiste em uma outra crônica minha sobre o mesmo assunto: "Militarizando o desserviço ao Haiti".
Façamos agora um exercício hipotético de turismo patriótico. Imagine-se acordando brasileiro, no transcorrer do dia se tornando norte-americano para depois dormir haitiano. É possível assumir nacionalidades diferentes como quem muda de roupa? Até as máscaras bonitinhas que camuflam nossas eventuais intenções mesquinhas precisam de um tempo mínimo para decantarem, se ajustarem e se acostumarem com os padrões dominantes de hipocrisia que se prestam a dissimular.
Vamos dar um zoom na frase primeira e central que motivou esse texto: “o compromisso com o Haiti não é novo vem circunstancial”. Em outras palavras, o Brasil não tem essa mania cinematográfica (hollyudiana mesma, literalmente falando, e belicamente também) de se arvorar na condição pop de superpaís, de superpotência aventureira que sai distribuindo bases militares mundo afora a pretexto, por exemplo, de proteger e vigiar os mares alheios contra monstros terroristas e ocasionalmente atômicos que ameacem perturbar as fronteiras “modernamente democráticas” dos países aliados; como Israel no Oriente Médio e Colômbia na América Latina.
Como todo super-herói tem poderes extraordinários e se acha imbuído de missões as mais diversas - ainda que novas e circunstanciais, frise-se bem -, os EUA nunca mais seriam os mesmos se não tivessem estendido seus tapetes altruístas e caridosos para o Haiti, duramente vitimado por um terremoto cujos impactos parecem ter sacudido espiritualmente o coração de toda a diplomacia norte-americana. (Vale acrescentar que essa triste sina do Haiti, como o escritor Eduardo Galeano relembrou, remonta às políticas sujas e invasivas que os mesmos EUA já aprontaram.)
Pois bem, a reação dos EUA foi olímpica, peremptória, esplendorosa, digna do Oscar do Oportunismo, sequer se lembrando de dialogar com a ONU e planejar melhor as coisas com a missão brasileira que já vinha liderando as operações por lá: instituíram um fundo Clinton-Bush (usando o nome indigesto do Bush) para arrecadar donativos, se apossaram do espaço aéreo para controlar do jeito deles a ajuda estrangeira e, o que foi efetivamente controverso, mandaram 12.000 soldados para “passear” no Haiti, como se o povo nativo fosse apático e não tivesse braços para acolher os feridos e pernas para avançar no enfrentamento de seus dramas, contando necessariamente com o suporte já estabelecido (e que passaria por emergencial ampliação) de vários organismos e serviços humanitários, incluindo relevantes ações cubanas de saúde.
Essa é a lição de ética (geralmente pelo avesso) que aprendemos com os EUA. Surge (ou fabrica-se) uma propagação de epidemia (como a gripe suína), suas indústrias de remédio são as primeiras a “ajudar” e lucrar. Quando sentem cheiro de petróleo no ar, rasgam soberanias de países frágeis para com novos negócios “cooperar” e lucrar. Quando algum presidente não lhes diz amém e ousam remar na maré oposta ao neo-liberalismo, dão uma aula-show de anti-jornalismo, visando “desinformar” e lucrar.
Portanto, em vez de terem mobilizado um “exército verde” de ambientalistas sérios e competentemente autorizados a evitar o fracasso da Conferência do Clima ocorrida ano passado em Copenhage, na Dinamarca; os EUA valeram-se da “sorte geopolítica” trazida pela fúria da natureza contra o Haiti, e, da noite para o dia, metamorfosearam-se (como se iluminados provisoriamente por um mandato divino imperial) em seus superanjos salvadores, carregando nessa travessia pseudocivilizatória as asas manchadas sabe-se lá com quantos interesses inconfessáveis, diabólicos.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Militarizando o desserviço ao Haiti
MILITARIZANDO O DESSERVIÇO AO HAITI
Meu grito, nunca calado, hoje, embalado pelo novo ano e refeito de alguns hiatos pessoais, volta a esgoelar-se, mais sedento de paz e sobretudo mais cônscio de que, enquanto houver injustiças, vozes não poderão dormir, para denunciar o silêncio da omissão... seja ela real, virtual, mundial, local e - a propósito - haitiana.
Lula anunciou, no evento do Fórum Social Mundial ocorrido recentemente em Porto Alegre, que irá ao Haiti no final de fevereiro. Propôs inclusive um ano de solidariedade a este país. O mês de janeiro, enfim, derramou-se em choros de dor, lágrimas de luta, gestos de fraternidade, explosões de compaixão.
Para a mídia (convencional), o assunto Haiti praticamente saiu de pauta. Esta mídia parece ter cumprido seu objetivo ideológico: divulgar o caos para justificar medidas de ordem. E em matéria de botar ordem na casa - ou no mundo ocidental - o super Tio Sam foi convocado. No entanto, este império em declínio meteu os pés pelas mãos, pela enésima vez.
Imagine-se dentro de uma imensa casa, quando de repente um incêndio ameaça a vida de seus familiares e amigos mais caros. Você pede ajuda desesperada aos vizinhos, no entanto, em vez de trazerem prioritariamente uns 12 bombeiros, enviam-lhe de forma oportunista mais 12 litros de combustível. Os filhos e amigos dos amigos que sobreviveram jamais entenderam a loucura da "solução" indicada para o acidente.
Não vou lembrar o que todos já sabem. Nem é sadio ficar contabilizando sangue. Mas vou atentar para a reflexão de que, por trás do fatídico terremoto natural e involuntário que se abateu sobre o já historicamente abatido Haiti, um terremoto político e voluntário sacudiu - como tantas vezes o faz - o bom-senso do governo norte-americano.
Como o trecho abaixo noticia, o Tio Sam bateu a porta na cara (sinta-se coração) de seus sobrinhos enfermeiros. Em vez de curativos, as malas de primeiros-socorros enviadas ao pobre Haiti estavam pesadas de equipamentos bélicos, carregadas por 12.000 soldados ianques, que por lá tem chegado e "ocupado" novamente o país, à revelia oficial da ONU, da missão brasileira no Haiti e do senso humano de paz (e justiça).
E por que fazem isso? O último Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça (onde Lula recebeu, representado pelo Min. Celso Amorim, o prêmio - inédito nos 40 anos deste Fórum - de Estadista Global), foi marcado por um alerta revelador: a economia norte-americana registra recuperação estatística mas ainda padece de recessão humana. Ou seja, o desemprego por lá (na mansão do Tio Sam) continua feio, insolúvel. E as contas do novo orçamento deles bateram o déficit recorde de 1,5 trilhão de dólares (fico até tonto só em digitar esta cifra).
Vou arriscar um palpite. O seu também vale. Por que salvar um país como o Haiti em um mês se você pode salvá-lo a prestação, em doze meses, ou dozes anos, com doze vezes mil soldadinhos americanos ociosos para trabalhar e girar a engrenagem meio carcomida da economia (nada econômica) dos EUA. Eles globalizaram as empresas (civis ou não), espalhando pelo mundo multinacionais famintas e bases militares antipáticas. Enfraqueceram com suas doutrinas neoliberais o papel e a força dos Estados-Nação (os quais hoje tentam se ressuscitar no xadrez geopolítico da América Latina e dos outros tabuleiros do planeta), tudo em nome do lucro fácil, concentrado e sutil, sem leis, transparências e “burocracias”.
No entanto, quando surge uma nova oportunidade de faturarem (nos vários sentidos lícitos e ilícitos do termo, como é o caso daqueles espertinhos que estão traficando criancinhas órfãs), os EUA, acima do bem e do mal, contra tudo e todos, rasgam sem pudor a bíblia de Adam Smith que cultuam da boca para fora: burocratizam a ajuda humanitária, burocratizam a cooperação internacional, burocratizam a reconstrução emergencial do Haiti, e ainda ousam burocratizar nossa livre capacidade de se indignar – sejamos enfermeiros(as) ou não.
Grito Pacífico - "mudando o mundo com você"
Michael Moore: Vergonha dos democratas
Fonte brasileira: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/michael-moore-vergonha-dos-democratas/ - 02/02/2010
Michael Moore: "Os Democratas envergonham-me"
Fonte original: Democracy Now, via Esquerda.Net - 31/01/2010
Amy Goodman: Hoje entrevistamos Michael Moore, um dos realizadores de cinema independente mais famosos do mundo. Nestes últimos vinte anos, Moore tem sido um dos realizadores mais provocadores, bem sucedidos e politicamente activos. Podemos destacar da sua cinematografia, entre outros, títulos como "Roger and me" (Roger e Eu), "Fahrenheit 9/11", "Bowling for Columbine" - que lhe granjeou o prémio da Academia - e "Capitalism: A Love Story" (Capitalismo: Uma História de Amor), o seu filme mais recente.
(...) Tive a oportunidade de o entrevistar... Comecei com uma pergunta sobre a situação no Haiti.
Michael Moore: O mais espantoso acerca "da resposta norte-americana" - conforme disse - foi a reacção individual, de cada norte-americano. Mobilizaram-se no próprio dia do terramoto, doaram com mensagens de telemóvel para a Cruz Vermelha, ofereceram-se como voluntários, queriam ajudar. As campanhas de recolha de donativos começaram nesse mesmo instante.
Quando se deu o terramoto eu estava em Miami. Testemunhei este esforço. Sobretudo por parte da comunidade haitiana e de outras comunidades do Sul da Flórida. Houve até o caso de um médico de Fort Lauderdale, proprietário de um avião, que não esperou por autorizações oficiais. Chegou ao aeroporto, saltou para o cockpit, foi ao Haiti, trouxe todos os feridos que podia - cerca de quinze pessoas - e levou-os para o hospital de Fort Lauderdale. Eu pensei então, "Meu Deus, porque é que não assistimos a isto todos os dias?"
Mas a resposta do governo, digamos, foi desajeitada, soou mais uma vez a "Somos demasiado poderosos para falhar". Que é o mesmo que dizer, "Somos demasiado poderosos para sermos bem sucedidos". Pelo menos foi assim que deram a entender.
Mas também lhe digo: de imediato, e em poucas horas, Barack Obama tentou organizar uma resposta, o que contrasta, e muito, com o que assistimos durante os mandatos de Bush, como no caso do Katrina e de outras tragédias do género. De tal modo que me recordo de me ter sentido bastante satisfeito com esta reacção.
Mas depois, no segundo e no terceiro dia, quando se percebeu que não estava a chegar ao Haiti qualquer ajuda significativa e que nessa altura era mais importante resolver a situação dos norte-americanos que lá estavam, na Embaixada, no Hotel Montana, etc. etc... Com certeza, é natural ocuparmo-nos primeiro dos nossos compatriotas, mas eu esperava que estivéssemos ali para ajudar toda a gente e que ninguém fosse considerado mais humano do que o seu semelhante.
Amy Goodman: Não sabia de um grupo de enfermeiras que queria ir - ou seria mais do que um grupo?
Michael Moore: Meu Deus... O Sindicato Nacional dos Enfermeiros. Esse é o episódio mais triste de todos. Espero que quem me esteja a ouvir, e a ver, reaja e faça pressão sobre a administração Bush. O Sindicato Nacional dos Enfermeiros...
Amy Goodman: ...A administração Obama?
Michael Moore: Sim, a de Obama. O que é que eu disse? A...
Amy Goodman: Administração Bush.
Michael Moore: Certo, certo. Já estamos a pressioná-los. Já não estão entre nós. Mas isso não era só freudiano, este é o meu estado de espírito. Porque eu não aceito a agradável diferença entre as administrações Bush e Obama, é ilusória. À primeira vista, se compararmos a actualidade com o que aconteceu nos últimos oito anos, tudo nos parece fantástico, mas na essência, na prática... Não lhe consigo dizer o quanto estou desiludido.
E o que sucedeu com o Sindicato Nacional dos Enfermeiros revela o empenho deste corpo de profissionais. Quantos estavam dispostos a partir imediatamente para o Haiti? Quase doze mil enfermeiros, note bem, doze mil enfermeiros deste país estão dispostos a seguir para o Haiti. E um enfermeiro poderia cuidar de muitas pessoas. Imagine então quantas pessoas poderíamos ajudar se pudéssemos enviar doze mil enfermeiros devidamente equipados. E esta oferta já foi feita há muitos, muitos dias, está a perceber?
Amy Goodman: A quem?
Michael Moore: À administração Obama, pela dirigente do sindicato. Ela entrou em contacto com o governo e foi ignorada, de início ninguém lhe respondeu. Mas lá acabaram por encaminhá-la para alguém que não tinha qualquer poder de decisão. Então, depois de tudo isto, ela contactou-me e disse-me "Você saberá, porventura, como poderemos chegar até ao presidente Obama?"Eu respondi, "É patético o facto de vocês serem forçados a ligar-me, quer dizer, vocês são o maior sindicato de enfermeiros. Tanto quanto sei asseguram a vice-presidência da AFL-CIO [Federação Americana do Trabalho - Congresso de Organizações Industriais], e mesmo assim não conseguem que a Casa Branca vos autorize o envio de doze mil enfermeiros para o Haiti? Não sei o que fazer por vocês... Não sei, vou ligar também".
O que é certo é que até hoje pouco mais foi feito. É angustiante. E é só um exemplo do que se passa. Na última semana você fez a cobertura deste estado de coisas quando lá esteve - falharam redondamente.
Meu grito, nunca calado, hoje, embalado pelo novo ano e refeito de alguns hiatos pessoais, volta a esgoelar-se, mais sedento de paz e sobretudo mais cônscio de que, enquanto houver injustiças, vozes não poderão dormir, para denunciar o silêncio da omissão... seja ela real, virtual, mundial, local e - a propósito - haitiana.
Lula anunciou, no evento do Fórum Social Mundial ocorrido recentemente em Porto Alegre, que irá ao Haiti no final de fevereiro. Propôs inclusive um ano de solidariedade a este país. O mês de janeiro, enfim, derramou-se em choros de dor, lágrimas de luta, gestos de fraternidade, explosões de compaixão.
Para a mídia (convencional), o assunto Haiti praticamente saiu de pauta. Esta mídia parece ter cumprido seu objetivo ideológico: divulgar o caos para justificar medidas de ordem. E em matéria de botar ordem na casa - ou no mundo ocidental - o super Tio Sam foi convocado. No entanto, este império em declínio meteu os pés pelas mãos, pela enésima vez.
Imagine-se dentro de uma imensa casa, quando de repente um incêndio ameaça a vida de seus familiares e amigos mais caros. Você pede ajuda desesperada aos vizinhos, no entanto, em vez de trazerem prioritariamente uns 12 bombeiros, enviam-lhe de forma oportunista mais 12 litros de combustível. Os filhos e amigos dos amigos que sobreviveram jamais entenderam a loucura da "solução" indicada para o acidente.
Não vou lembrar o que todos já sabem. Nem é sadio ficar contabilizando sangue. Mas vou atentar para a reflexão de que, por trás do fatídico terremoto natural e involuntário que se abateu sobre o já historicamente abatido Haiti, um terremoto político e voluntário sacudiu - como tantas vezes o faz - o bom-senso do governo norte-americano.
Como o trecho abaixo noticia, o Tio Sam bateu a porta na cara (sinta-se coração) de seus sobrinhos enfermeiros. Em vez de curativos, as malas de primeiros-socorros enviadas ao pobre Haiti estavam pesadas de equipamentos bélicos, carregadas por 12.000 soldados ianques, que por lá tem chegado e "ocupado" novamente o país, à revelia oficial da ONU, da missão brasileira no Haiti e do senso humano de paz (e justiça).
E por que fazem isso? O último Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça (onde Lula recebeu, representado pelo Min. Celso Amorim, o prêmio - inédito nos 40 anos deste Fórum - de Estadista Global), foi marcado por um alerta revelador: a economia norte-americana registra recuperação estatística mas ainda padece de recessão humana. Ou seja, o desemprego por lá (na mansão do Tio Sam) continua feio, insolúvel. E as contas do novo orçamento deles bateram o déficit recorde de 1,5 trilhão de dólares (fico até tonto só em digitar esta cifra).
Vou arriscar um palpite. O seu também vale. Por que salvar um país como o Haiti em um mês se você pode salvá-lo a prestação, em doze meses, ou dozes anos, com doze vezes mil soldadinhos americanos ociosos para trabalhar e girar a engrenagem meio carcomida da economia (nada econômica) dos EUA. Eles globalizaram as empresas (civis ou não), espalhando pelo mundo multinacionais famintas e bases militares antipáticas. Enfraqueceram com suas doutrinas neoliberais o papel e a força dos Estados-Nação (os quais hoje tentam se ressuscitar no xadrez geopolítico da América Latina e dos outros tabuleiros do planeta), tudo em nome do lucro fácil, concentrado e sutil, sem leis, transparências e “burocracias”.
No entanto, quando surge uma nova oportunidade de faturarem (nos vários sentidos lícitos e ilícitos do termo, como é o caso daqueles espertinhos que estão traficando criancinhas órfãs), os EUA, acima do bem e do mal, contra tudo e todos, rasgam sem pudor a bíblia de Adam Smith que cultuam da boca para fora: burocratizam a ajuda humanitária, burocratizam a cooperação internacional, burocratizam a reconstrução emergencial do Haiti, e ainda ousam burocratizar nossa livre capacidade de se indignar – sejamos enfermeiros(as) ou não.
Grito Pacífico - "mudando o mundo com você"
Michael Moore: Vergonha dos democratas
Fonte brasileira: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/michael-moore-vergonha-dos-democratas/ - 02/02/2010
Michael Moore: "Os Democratas envergonham-me"
Fonte original: Democracy Now, via Esquerda.Net - 31/01/2010
Amy Goodman: Hoje entrevistamos Michael Moore, um dos realizadores de cinema independente mais famosos do mundo. Nestes últimos vinte anos, Moore tem sido um dos realizadores mais provocadores, bem sucedidos e politicamente activos. Podemos destacar da sua cinematografia, entre outros, títulos como "Roger and me" (Roger e Eu), "Fahrenheit 9/11", "Bowling for Columbine" - que lhe granjeou o prémio da Academia - e "Capitalism: A Love Story" (Capitalismo: Uma História de Amor), o seu filme mais recente.
(...) Tive a oportunidade de o entrevistar... Comecei com uma pergunta sobre a situação no Haiti.
Michael Moore: O mais espantoso acerca "da resposta norte-americana" - conforme disse - foi a reacção individual, de cada norte-americano. Mobilizaram-se no próprio dia do terramoto, doaram com mensagens de telemóvel para a Cruz Vermelha, ofereceram-se como voluntários, queriam ajudar. As campanhas de recolha de donativos começaram nesse mesmo instante.
Quando se deu o terramoto eu estava em Miami. Testemunhei este esforço. Sobretudo por parte da comunidade haitiana e de outras comunidades do Sul da Flórida. Houve até o caso de um médico de Fort Lauderdale, proprietário de um avião, que não esperou por autorizações oficiais. Chegou ao aeroporto, saltou para o cockpit, foi ao Haiti, trouxe todos os feridos que podia - cerca de quinze pessoas - e levou-os para o hospital de Fort Lauderdale. Eu pensei então, "Meu Deus, porque é que não assistimos a isto todos os dias?"
Mas a resposta do governo, digamos, foi desajeitada, soou mais uma vez a "Somos demasiado poderosos para falhar". Que é o mesmo que dizer, "Somos demasiado poderosos para sermos bem sucedidos". Pelo menos foi assim que deram a entender.
Mas também lhe digo: de imediato, e em poucas horas, Barack Obama tentou organizar uma resposta, o que contrasta, e muito, com o que assistimos durante os mandatos de Bush, como no caso do Katrina e de outras tragédias do género. De tal modo que me recordo de me ter sentido bastante satisfeito com esta reacção.
Mas depois, no segundo e no terceiro dia, quando se percebeu que não estava a chegar ao Haiti qualquer ajuda significativa e que nessa altura era mais importante resolver a situação dos norte-americanos que lá estavam, na Embaixada, no Hotel Montana, etc. etc... Com certeza, é natural ocuparmo-nos primeiro dos nossos compatriotas, mas eu esperava que estivéssemos ali para ajudar toda a gente e que ninguém fosse considerado mais humano do que o seu semelhante.
Amy Goodman: Não sabia de um grupo de enfermeiras que queria ir - ou seria mais do que um grupo?
Michael Moore: Meu Deus... O Sindicato Nacional dos Enfermeiros. Esse é o episódio mais triste de todos. Espero que quem me esteja a ouvir, e a ver, reaja e faça pressão sobre a administração Bush. O Sindicato Nacional dos Enfermeiros...
Amy Goodman: ...A administração Obama?
Michael Moore: Sim, a de Obama. O que é que eu disse? A...
Amy Goodman: Administração Bush.
Michael Moore: Certo, certo. Já estamos a pressioná-los. Já não estão entre nós. Mas isso não era só freudiano, este é o meu estado de espírito. Porque eu não aceito a agradável diferença entre as administrações Bush e Obama, é ilusória. À primeira vista, se compararmos a actualidade com o que aconteceu nos últimos oito anos, tudo nos parece fantástico, mas na essência, na prática... Não lhe consigo dizer o quanto estou desiludido.
E o que sucedeu com o Sindicato Nacional dos Enfermeiros revela o empenho deste corpo de profissionais. Quantos estavam dispostos a partir imediatamente para o Haiti? Quase doze mil enfermeiros, note bem, doze mil enfermeiros deste país estão dispostos a seguir para o Haiti. E um enfermeiro poderia cuidar de muitas pessoas. Imagine então quantas pessoas poderíamos ajudar se pudéssemos enviar doze mil enfermeiros devidamente equipados. E esta oferta já foi feita há muitos, muitos dias, está a perceber?
Amy Goodman: A quem?
Michael Moore: À administração Obama, pela dirigente do sindicato. Ela entrou em contacto com o governo e foi ignorada, de início ninguém lhe respondeu. Mas lá acabaram por encaminhá-la para alguém que não tinha qualquer poder de decisão. Então, depois de tudo isto, ela contactou-me e disse-me "Você saberá, porventura, como poderemos chegar até ao presidente Obama?"Eu respondi, "É patético o facto de vocês serem forçados a ligar-me, quer dizer, vocês são o maior sindicato de enfermeiros. Tanto quanto sei asseguram a vice-presidência da AFL-CIO [Federação Americana do Trabalho - Congresso de Organizações Industriais], e mesmo assim não conseguem que a Casa Branca vos autorize o envio de doze mil enfermeiros para o Haiti? Não sei o que fazer por vocês... Não sei, vou ligar também".
O que é certo é que até hoje pouco mais foi feito. É angustiante. E é só um exemplo do que se passa. Na última semana você fez a cobertura deste estado de coisas quando lá esteve - falharam redondamente.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
Era uma vez a hegemonia do dólar?
O juro líquido brasileiro já deixou de ser o mais salgado do mundo. Os ventos progressistas da América Latina estão preparados e sedentos por isso. Até parte da elite empresarial, como o texto sugere, parece disposta (será mesmo ou é jogo de cena?) a digerir esta idéia anti-hegemônica!!!
Essa medida representaria um divisor de águas na soberania econômica da América Latina. É miragem ou realidade? Falácia ou convicção? O fim do padrão-dólar entre nosotros hermanos é algo impossível ou inevitável???
O Banco Central e seus apaniguados, infelizmente, estão infectados pelo "vírus da resistência". Se as negociações entre os presidentes latino-americanos avançarem com a devida ousadia, o BC terá que elevar o nível de sua "pandemia dolarizada" a índices capazes de deixar o establishment norte-americano de cabelos em pé.
Enquanto Lula provavelmente pautará esse assunto em sua viagem próxima a China (cujas engrenagens alternativas também estão em movimento), os assessores econômicos de Obama - na contra-mão - deverão agir na surdina para estancar a "empolgação" da "atrevida" América Latina. Fiquemos de olho...
Comentários do GRITO PACÍFICO, "mudando o mundo com você"
O FIM DO PADRÃO-DÓLAR NA AMÉRICA LATINA?
por Altamiro Borges*
FONTE: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=55495 - 06/05/2009
Segundo reportagem desta semana no jornal Valor, “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já marcou data para anunciar seus planos ambiciosos para o uso do real nas transações da América do Sul... Na próxima reunião da Unasul, que agrega os países da região, ainda neste semestre, Lula quer apresentar aos parceiros proposta que pode ampliar o uso do real nas relações entre os vizinhos”. Caso a notícia se confirme, será um acontecimento inédito nesta sofrida região, tratada como “quintal dos EUA”, e poderá representar o fim do “império do dólar” no continente.
O estudo desta medida ousada reflete tanto a grave crise econômica dos Estados Unidos, que tem como efeito o derretimento da sua moeda, como o avanço das forças progressistas na América do Sul. Ela seria impensável há alguns atrás, quando os EUA exerciam poder unipolar e gozavam de ampla hegemonia. No mesmo rumo agora defendido pelo Brasil, a China propôs recentemente o fim do padrão-dólar nas transações comerciais e financeiras no mundo. O governo Hugo Chávez também apresentou a proposta da criação do “sucre”, como moeda única na região. A reação do “império do mal” a todas estas propostas tem sido violenta. É o seu poder que está em jogo!
A resistência do Banco do Central
Ainda conforme a reportagem, o mecanismo de substituição do dólar não está pronto e passa por discussões na equipe econômica, “onde, jura-se no Palácio do Planalto, já existe concordância do reticente Banco Central”. Só se a convicção de Lula for muito forte para dobrar as resistências do banqueiro Henrique Meireles, presidente do BC e ex-dirigente do Bank of Boston. Segundo os estudos prévios, os países sul-americanos seriam autorizados a sacar, junto ao BC, uma quantia de reais que seria usada para o comércio com o Brasil ou mesmo para repassar a outros países da continente. “Falta ainda, segundo um graduado assessor de Lula, definir o total que será posto à disposição dos vizinhos. Lula quer que seja uma quantia significativa”, afirma o jornal.
No mês passado, Brasil e Argentina já firmaram acordo de substituição do dólar nas transações comerciais entre os dois países. A medida foi favorável à nação vizinha, altamente dependente dos dólares para os seus negócios, o que se torna um calvário num período de escassez da moeda ianque no mundo. Lula já tem o apoio de Cristina Kirchner e de Hugo Chávez para sua proposta. Os demais países da região, inclusive os alinhados aos EUA, também deverão aderir à iniciativa, como forma, até pragmática, de superar a sua vulnerabilidade. O Brasil tem superávits com todas as nações da América do Sul, com exceção da Bolívia em função das suas exportações de gás.
A desconstrução dos Estados Unidos
Conforme constata o Valor, mesmo a contragosto, a iniciativa brasileira de expandir a circulação do real na região poderá “ser vista como uma medida antiamericana – o que não é – destinada a botar a colherzinha do Brasil na sopa da desconstrução dos EUA como emissor da moeda de troca mundial”. Mesmo assim, o jornal de negócios da burguesia nativa concorda que a medida é cabível. “Se quiser reduzir as fontes de pressão sobre as políticas comerciais dos parceiros sul-americanos e minimizar seus efeitos sobre as vendas de produtos brasileiros na região, o governo tem de buscar mecanismos criativos e menos dependentes do fluxo de dólares para esses países. Lula mandou seus técnicos encontrarem esses mecanismos e conta tê-los em mãos até junho”.
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*Altamiro Borges, Miro é jornalista, Secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)
Essa medida representaria um divisor de águas na soberania econômica da América Latina. É miragem ou realidade? Falácia ou convicção? O fim do padrão-dólar entre nosotros hermanos é algo impossível ou inevitável???
O Banco Central e seus apaniguados, infelizmente, estão infectados pelo "vírus da resistência". Se as negociações entre os presidentes latino-americanos avançarem com a devida ousadia, o BC terá que elevar o nível de sua "pandemia dolarizada" a índices capazes de deixar o establishment norte-americano de cabelos em pé.
Enquanto Lula provavelmente pautará esse assunto em sua viagem próxima a China (cujas engrenagens alternativas também estão em movimento), os assessores econômicos de Obama - na contra-mão - deverão agir na surdina para estancar a "empolgação" da "atrevida" América Latina. Fiquemos de olho...
Comentários do GRITO PACÍFICO, "mudando o mundo com você"
O FIM DO PADRÃO-DÓLAR NA AMÉRICA LATINA?
por Altamiro Borges*
FONTE: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=55495 - 06/05/2009
Segundo reportagem desta semana no jornal Valor, “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já marcou data para anunciar seus planos ambiciosos para o uso do real nas transações da América do Sul... Na próxima reunião da Unasul, que agrega os países da região, ainda neste semestre, Lula quer apresentar aos parceiros proposta que pode ampliar o uso do real nas relações entre os vizinhos”. Caso a notícia se confirme, será um acontecimento inédito nesta sofrida região, tratada como “quintal dos EUA”, e poderá representar o fim do “império do dólar” no continente.
O estudo desta medida ousada reflete tanto a grave crise econômica dos Estados Unidos, que tem como efeito o derretimento da sua moeda, como o avanço das forças progressistas na América do Sul. Ela seria impensável há alguns atrás, quando os EUA exerciam poder unipolar e gozavam de ampla hegemonia. No mesmo rumo agora defendido pelo Brasil, a China propôs recentemente o fim do padrão-dólar nas transações comerciais e financeiras no mundo. O governo Hugo Chávez também apresentou a proposta da criação do “sucre”, como moeda única na região. A reação do “império do mal” a todas estas propostas tem sido violenta. É o seu poder que está em jogo!
A resistência do Banco do Central
Ainda conforme a reportagem, o mecanismo de substituição do dólar não está pronto e passa por discussões na equipe econômica, “onde, jura-se no Palácio do Planalto, já existe concordância do reticente Banco Central”. Só se a convicção de Lula for muito forte para dobrar as resistências do banqueiro Henrique Meireles, presidente do BC e ex-dirigente do Bank of Boston. Segundo os estudos prévios, os países sul-americanos seriam autorizados a sacar, junto ao BC, uma quantia de reais que seria usada para o comércio com o Brasil ou mesmo para repassar a outros países da continente. “Falta ainda, segundo um graduado assessor de Lula, definir o total que será posto à disposição dos vizinhos. Lula quer que seja uma quantia significativa”, afirma o jornal.
No mês passado, Brasil e Argentina já firmaram acordo de substituição do dólar nas transações comerciais entre os dois países. A medida foi favorável à nação vizinha, altamente dependente dos dólares para os seus negócios, o que se torna um calvário num período de escassez da moeda ianque no mundo. Lula já tem o apoio de Cristina Kirchner e de Hugo Chávez para sua proposta. Os demais países da região, inclusive os alinhados aos EUA, também deverão aderir à iniciativa, como forma, até pragmática, de superar a sua vulnerabilidade. O Brasil tem superávits com todas as nações da América do Sul, com exceção da Bolívia em função das suas exportações de gás.
A desconstrução dos Estados Unidos
Conforme constata o Valor, mesmo a contragosto, a iniciativa brasileira de expandir a circulação do real na região poderá “ser vista como uma medida antiamericana – o que não é – destinada a botar a colherzinha do Brasil na sopa da desconstrução dos EUA como emissor da moeda de troca mundial”. Mesmo assim, o jornal de negócios da burguesia nativa concorda que a medida é cabível. “Se quiser reduzir as fontes de pressão sobre as políticas comerciais dos parceiros sul-americanos e minimizar seus efeitos sobre as vendas de produtos brasileiros na região, o governo tem de buscar mecanismos criativos e menos dependentes do fluxo de dólares para esses países. Lula mandou seus técnicos encontrarem esses mecanismos e conta tê-los em mãos até junho”.
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*Altamiro Borges, Miro é jornalista, Secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Greve de Fome do Presidente Boliviano
Um placar absolutamente injusto destoa dessa notícia garimpada e tecida atentamente por Fidel: "Evo propõe 14, a oposição apenas aceita 3". Não se trata de um jogo desigual de beisebol, esporte que encerra informalmente o texto. Refiro-me ao número de legisladores indígenas o acuparem cargos no Parlamento com a reforma eleitoral. Sem entrar em argumentos estatísticos e detalhes constitucionais, sabe-se que a maioria da população indígena, de forte base campesina e popular, guarda traços indígenas. Portanto, é mais do que justo efetivar um espaço político satisfatório para tais povos, dado seu déficit de participação que lhe foi historicamente negado.
Como filho de boliviano que sou, entusiasmado com as mudanças e melhorias em curso na Bolívia, dediquei na postagem seguinte uma crônica sobre este assunto.
(Comentários introdutórios do GRITO PACÍFICO, mudando o mundo com você)
FIDEL CASTRO: Notícias da Bolívia
FONTE: http://www.patrialatina.com.br - Bolívia - 10/04/2009
O prestigio de Evo cresce na Bolívia e no mundo. Cada vez mais recebe o apoio popular apesar da oligarquia contar com quase todos os recursos midiáticos. Uma campanha exemplar de alfabetização acabou com o analfabetismo em tempo recorde; atualmente toda a população tem acesso aos serviços médicos; importantes necessidades históricas do povo boliviano estão a ser atendidas com métodos originários e novos. A economia e as reservas em divisas crescem. Isto enlouquece a oligarquia que no Parlamento bloqueia as eleições convocadas para os finais do presente ano.
A manobra obrigou Evo, o partido dirigente e as massas a adotarem medidas de luta que se caracterizam pela força moral que implicam.
O Presidente Evo Morales, a Coordenadora Nacional a favor da Mudança e a Central Operária Boliviana declararam-se em greve de fome maciça no Palácio de Governo, exigindo respeito à Constituição e à Lei Transitória Eleitoral, demorada durante meses para sabotar as eleições.
Evo Morales declara o seguinte:
“Companheiros das diferentes organizações sociais do país, perante a negligência de um grupo de parlamentares neoliberais, estamos obrigados a defender o mandato do povo.
“Os parlamentares sabiam que em 60 dias deviam aprovar a Lei Transitória Eleitoral.
“Contudo, não querem que seja aprovada uma lei que permita garantir a implementação da Constituição.
“Pedir um novo padrão, é simplesmente dizer que não há eleições nacionais para os finais deste ano, nem eleições nas prefeituras, municipais no ano próximo.
“Por isso, reitero, este esforço de dirigentes sindicais e das autoridades principais, liderando COB e CONALCAM, pela defesa do voto sagrado do povo.
“Numa entrevista coletiva eu explicava como a proposta de alguns senadores dizia que o padrão dos residentes no exterior deve ser aprovado por dois terços no Congresso, quando sabem que esse dois terços não serão atingidos.
“Também não isso é o que diz a Constituição vigente.
“Isso é para que as pessoas residentes no estrangeiro não possam votar.
“Os bolivianos residentes no estrangeiro também têm direito a decidirem o destino do país e quais as autoridades em sua pátria.
“É a defesa do voto.
“O ano passado vieram da Argentina pedindo que esse direito fosse aprovado no Senado, mas não foi aprovado.
“Quando também faziam referência à densidade de população para garantir a circunscrição especial, realmente era para que não exista.
“Pois este esforço também esta a defender as circunscrições especiais do movimento indígena.
“Escutamos por ai alguns meios da imprensa que dizem que o governo, que o presidente esta a fechar o Congresso.
“Não falemos de cerco, melhor pronunciemo-nos em favor de que a lei seja aprovada.
“Apelamos para esta medida em defesa da democracia.
“Os antidemocráticos de antes, agora acham que são grandes defensores da democracia.
“Aqui estão os companheiros que têm dado sua vida e seu tempo em favor da verdadeira democracia.
“Por isso, para assumir uma verdadeira democracia são aprovadas normas no Congresso Nacional.
“No Congresso os parlamentares têm uma das melhores oportunidades para garantir democracia e também transformações profundas no que respeita à estrutura.
“Peço aos parlamentares opositores, fazer juntos a história, todos.
“Há que pensar na igualdade e nas soluções sociais que quer o povo, aqui não deve haver egoísmo, sectarismo.
“Primeiro deve ser o povo, primeiro a pátria e depois os interesse setoriais ou regionais.
“Meus cumprimentos, verdadeiros, por juntos ter assumido a defesa da democracia, do voto do povo, do voto no estrangeiro e de outras reivindicações de caráter estrutural através do esforço da greve de fome.
“Muito obrigado.”
Com este apelo concluiu suas palavras.
Durante o dia iremos conhecendo como se desenvolvem os acontecimentos.
Às 14h25 conversei com Rafael Dausá, nosso Embaixador em La Paz. Quis obter notícias por essa via.
Evo está bom, animado e calmo. Só bebe água. No Palácio está acompanhado por líderes da Central Operária Boliviana e por dirigentes camponeses da Coordenadora Nacional em favor da Mudança. O Congresso é presidido por García Linera, como vice-presidente da Bolívia. Numa comissão se levam a cabo trocas com a oposição oligárquica. Uma questão muito discutida é o número de legisladores indígenas da proposta de Evo sobre a representação dessas comunidades, cumprindo com a Constituição aprovada, sem fixar cifras. Evo propõe 14, a oposição apenas aceita 3. Enviei meus cumprimentos a Evo. Até esse momento não tinham acontecido fatos violentos.
Às 16h01 converso novamente com Dausá. Já tinha transmitido meus comprimentos a Evo, que tinha programado visitar Cuba no dia 9 de abril. Viu-o absolutamente sossegado. Estava a jogar xadrez com seus companheiros. O povo soma-se à greve de fome; esta se estendeu a El Alto, Cochabamba, Santa Cruz, La Paz e outras cidades. Organizações populares telefonam para ele constantemente oferecendo-lhe apoio. A Câmara dos Deputados apóia-o esmagadoramente. Nesse setor do Congresso a vantagem ultrapassa os dois terços necessários. O problema está no Senado, onde a oligarquia era majoritária.
A aprovação da Lei Transitória Eleitoral precisa da maioria em cada Câmara, portanto é-lhe muito fácil bloquear a aprovação no Congresso. No entanto, Evo dispõe de um recurso legal. Entre suas faculdades constitucionais possui a possibilidade de um Supremo Decreto para aprovar a Lei que é discutida. Além disso, nesse caso pode dissolver o Congresso e convocar a eleições parlamentares, porém não deseja fazer isso em seu afã de preservar a unidade do país. Por isso convida constantemente a posição a partilhar os esforços em favor do desenvolvimento do mesmo em benefício de todos os setores da nação. A nível internacional são reconhecidos sua honestidade e seu espírito democrático.
Há uns minutos estava a escutar o debate no Congresso. É incrível o ódio e a insolência dos líderes da oligarquia. Estão treinados no insulto e nas ofensas pessoais. Evo indigna-os, o primeiro indígena na história moderna de nossa América que governa um país que ademais é de origem e costumes ancestralmente indígenas.
Recém foi aprovada na Câmara a disputada Lei por 100 votos a favor e 30 contra. O debate tem lugar na Paz, na sala pertinente do edifício legislativo localizado bem próximo do Palácio de Governo.
Às 18h40 comunico-me novamente com Dausá. Ele me conta que representantes das organizações populares estão chegando à Praça Murillo, frente ao Palácio. Comenta do mesmo modo a insolência dos delineamentos, embora me expressa que nem todos os deputados da oligarquia são tão grosseiros, alguns se comportam corretamente. Também continuam as negociações e talvez durante a noite seja tomada uma decisão.
Escuto pela televisão o debate senatorial que já começa.
A transmissão cessou às 19h20, porque um senador da oposição pediu a suspensão da reunião para negociar, à qual se somaram mais outros senadores. Decorreram duas horas e meia e ainda não tinha sido reiniciada.
Às 20h41 telefonei para Dausá. Evo está bom, comunica-se constantemente com os seus quadros através do telefone celular. Continuam chegando pessoas à Praça Murillo. Nosso Embaixador conhece que as negociações avançam, porém a oposição pede que sejam retiradas as pessoas que se encontram na Praça e que Evo abandone a greve de fome. É difícil que possam conseguir ambas as coisas. Dausá acha que talvez ao finalizar a noite cheguem a um acordo. Prometi telefoná-lo outra vez.
Liguei para Dausá mais duas vezes, às 22h20 e às 22h49.
A primeira ligação coincide com as palavras de García Linera explicando a situação nesse momento. Continua o impasse no Congresso. Explica o que se tinha avançado durante o dia na mesa de negociações. Manifesta seu descontentamento devido à intransigência da minoria senatorial. Continuam a exigir que Evo abandone sua greve de fome e que a gente seja desalojada da Praça Murillo. Já não existem possibilidades de chegar a um acordo hoje quinta-feira. Quiçá na madrugada da sexta-feira, mas não é seguro. Evo bem e tranqüilo. Mantém invariável sua atitude. Na segunda ligação depois de ter feito alguns contatos que estavam pendentes me ratifica o anterior.
É meia-noite e não chegaram a um acordo. A oposição abandonou o Parlamento. Devo entregar este material a Cubadebate para que seja publicado em tempo em nossa imprensa. Não é um jogo de beisebol do Clássico, mas apesar disso deitar-nos-emos tarde demais. Não tenho a menor dúvida de que Evo sairá vitorioso.
Fidel Castro Ruz
Abril 10 de 2009
12h06
Como filho de boliviano que sou, entusiasmado com as mudanças e melhorias em curso na Bolívia, dediquei na postagem seguinte uma crônica sobre este assunto.
(Comentários introdutórios do GRITO PACÍFICO, mudando o mundo com você)
FIDEL CASTRO: Notícias da Bolívia
FONTE: http://www.patrialatina.com.br - Bolívia - 10/04/2009
O prestigio de Evo cresce na Bolívia e no mundo. Cada vez mais recebe o apoio popular apesar da oligarquia contar com quase todos os recursos midiáticos. Uma campanha exemplar de alfabetização acabou com o analfabetismo em tempo recorde; atualmente toda a população tem acesso aos serviços médicos; importantes necessidades históricas do povo boliviano estão a ser atendidas com métodos originários e novos. A economia e as reservas em divisas crescem. Isto enlouquece a oligarquia que no Parlamento bloqueia as eleições convocadas para os finais do presente ano.
A manobra obrigou Evo, o partido dirigente e as massas a adotarem medidas de luta que se caracterizam pela força moral que implicam.
O Presidente Evo Morales, a Coordenadora Nacional a favor da Mudança e a Central Operária Boliviana declararam-se em greve de fome maciça no Palácio de Governo, exigindo respeito à Constituição e à Lei Transitória Eleitoral, demorada durante meses para sabotar as eleições.
Evo Morales declara o seguinte:
“Companheiros das diferentes organizações sociais do país, perante a negligência de um grupo de parlamentares neoliberais, estamos obrigados a defender o mandato do povo.
“Os parlamentares sabiam que em 60 dias deviam aprovar a Lei Transitória Eleitoral.
“Contudo, não querem que seja aprovada uma lei que permita garantir a implementação da Constituição.
“Pedir um novo padrão, é simplesmente dizer que não há eleições nacionais para os finais deste ano, nem eleições nas prefeituras, municipais no ano próximo.
“Por isso, reitero, este esforço de dirigentes sindicais e das autoridades principais, liderando COB e CONALCAM, pela defesa do voto sagrado do povo.
“Numa entrevista coletiva eu explicava como a proposta de alguns senadores dizia que o padrão dos residentes no exterior deve ser aprovado por dois terços no Congresso, quando sabem que esse dois terços não serão atingidos.
“Também não isso é o que diz a Constituição vigente.
“Isso é para que as pessoas residentes no estrangeiro não possam votar.
“Os bolivianos residentes no estrangeiro também têm direito a decidirem o destino do país e quais as autoridades em sua pátria.
“É a defesa do voto.
“O ano passado vieram da Argentina pedindo que esse direito fosse aprovado no Senado, mas não foi aprovado.
“Quando também faziam referência à densidade de população para garantir a circunscrição especial, realmente era para que não exista.
“Pois este esforço também esta a defender as circunscrições especiais do movimento indígena.
“Escutamos por ai alguns meios da imprensa que dizem que o governo, que o presidente esta a fechar o Congresso.
“Não falemos de cerco, melhor pronunciemo-nos em favor de que a lei seja aprovada.
“Apelamos para esta medida em defesa da democracia.
“Os antidemocráticos de antes, agora acham que são grandes defensores da democracia.
“Aqui estão os companheiros que têm dado sua vida e seu tempo em favor da verdadeira democracia.
“Por isso, para assumir uma verdadeira democracia são aprovadas normas no Congresso Nacional.
“No Congresso os parlamentares têm uma das melhores oportunidades para garantir democracia e também transformações profundas no que respeita à estrutura.
“Peço aos parlamentares opositores, fazer juntos a história, todos.
“Há que pensar na igualdade e nas soluções sociais que quer o povo, aqui não deve haver egoísmo, sectarismo.
“Primeiro deve ser o povo, primeiro a pátria e depois os interesse setoriais ou regionais.
“Meus cumprimentos, verdadeiros, por juntos ter assumido a defesa da democracia, do voto do povo, do voto no estrangeiro e de outras reivindicações de caráter estrutural através do esforço da greve de fome.
“Muito obrigado.”
Com este apelo concluiu suas palavras.
Durante o dia iremos conhecendo como se desenvolvem os acontecimentos.
Às 14h25 conversei com Rafael Dausá, nosso Embaixador em La Paz. Quis obter notícias por essa via.
Evo está bom, animado e calmo. Só bebe água. No Palácio está acompanhado por líderes da Central Operária Boliviana e por dirigentes camponeses da Coordenadora Nacional em favor da Mudança. O Congresso é presidido por García Linera, como vice-presidente da Bolívia. Numa comissão se levam a cabo trocas com a oposição oligárquica. Uma questão muito discutida é o número de legisladores indígenas da proposta de Evo sobre a representação dessas comunidades, cumprindo com a Constituição aprovada, sem fixar cifras. Evo propõe 14, a oposição apenas aceita 3. Enviei meus cumprimentos a Evo. Até esse momento não tinham acontecido fatos violentos.
Às 16h01 converso novamente com Dausá. Já tinha transmitido meus comprimentos a Evo, que tinha programado visitar Cuba no dia 9 de abril. Viu-o absolutamente sossegado. Estava a jogar xadrez com seus companheiros. O povo soma-se à greve de fome; esta se estendeu a El Alto, Cochabamba, Santa Cruz, La Paz e outras cidades. Organizações populares telefonam para ele constantemente oferecendo-lhe apoio. A Câmara dos Deputados apóia-o esmagadoramente. Nesse setor do Congresso a vantagem ultrapassa os dois terços necessários. O problema está no Senado, onde a oligarquia era majoritária.
A aprovação da Lei Transitória Eleitoral precisa da maioria em cada Câmara, portanto é-lhe muito fácil bloquear a aprovação no Congresso. No entanto, Evo dispõe de um recurso legal. Entre suas faculdades constitucionais possui a possibilidade de um Supremo Decreto para aprovar a Lei que é discutida. Além disso, nesse caso pode dissolver o Congresso e convocar a eleições parlamentares, porém não deseja fazer isso em seu afã de preservar a unidade do país. Por isso convida constantemente a posição a partilhar os esforços em favor do desenvolvimento do mesmo em benefício de todos os setores da nação. A nível internacional são reconhecidos sua honestidade e seu espírito democrático.
Há uns minutos estava a escutar o debate no Congresso. É incrível o ódio e a insolência dos líderes da oligarquia. Estão treinados no insulto e nas ofensas pessoais. Evo indigna-os, o primeiro indígena na história moderna de nossa América que governa um país que ademais é de origem e costumes ancestralmente indígenas.
Recém foi aprovada na Câmara a disputada Lei por 100 votos a favor e 30 contra. O debate tem lugar na Paz, na sala pertinente do edifício legislativo localizado bem próximo do Palácio de Governo.
Às 18h40 comunico-me novamente com Dausá. Ele me conta que representantes das organizações populares estão chegando à Praça Murillo, frente ao Palácio. Comenta do mesmo modo a insolência dos delineamentos, embora me expressa que nem todos os deputados da oligarquia são tão grosseiros, alguns se comportam corretamente. Também continuam as negociações e talvez durante a noite seja tomada uma decisão.
Escuto pela televisão o debate senatorial que já começa.
A transmissão cessou às 19h20, porque um senador da oposição pediu a suspensão da reunião para negociar, à qual se somaram mais outros senadores. Decorreram duas horas e meia e ainda não tinha sido reiniciada.
Às 20h41 telefonei para Dausá. Evo está bom, comunica-se constantemente com os seus quadros através do telefone celular. Continuam chegando pessoas à Praça Murillo. Nosso Embaixador conhece que as negociações avançam, porém a oposição pede que sejam retiradas as pessoas que se encontram na Praça e que Evo abandone a greve de fome. É difícil que possam conseguir ambas as coisas. Dausá acha que talvez ao finalizar a noite cheguem a um acordo. Prometi telefoná-lo outra vez.
Liguei para Dausá mais duas vezes, às 22h20 e às 22h49.
A primeira ligação coincide com as palavras de García Linera explicando a situação nesse momento. Continua o impasse no Congresso. Explica o que se tinha avançado durante o dia na mesa de negociações. Manifesta seu descontentamento devido à intransigência da minoria senatorial. Continuam a exigir que Evo abandone sua greve de fome e que a gente seja desalojada da Praça Murillo. Já não existem possibilidades de chegar a um acordo hoje quinta-feira. Quiçá na madrugada da sexta-feira, mas não é seguro. Evo bem e tranqüilo. Mantém invariável sua atitude. Na segunda ligação depois de ter feito alguns contatos que estavam pendentes me ratifica o anterior.
É meia-noite e não chegaram a um acordo. A oposição abandonou o Parlamento. Devo entregar este material a Cubadebate para que seja publicado em tempo em nossa imprensa. Não é um jogo de beisebol do Clássico, mas apesar disso deitar-nos-emos tarde demais. Não tenho a menor dúvida de que Evo sairá vitorioso.
Fidel Castro Ruz
Abril 10 de 2009
12h06
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Sim, eu posso (me alfabetizar)
Não adianta reinventar a roda. Por mais que o tempo passe e reviravoltas de toda ordem modulem os ritmos civilizatórios do planeta, a educação continuará sendo a solução das soluções: o remédio mais eficaz, consistente e regenerador para os descalabros que assistimos nos quadrantes de um mundo que ainda abriga (pasmem) 774 milhões de adultos analfabetos, conforme o artigo abaixo noticia. O Brasil, diga-se de passagem, continua escorregando feio nesse quesito, e não é por falta de soluções disponíveis. Este inovador método cubano, altamente reconhecido e premiado pela Unesco, está multiplicando a dignidade social e o sabor cultural pela vida de vários países da América Latina. Seguindo-se a Cuba e Venezuela, Bolívia se tornou, no finalzinho de 2008, o terceiro país da região curado da chaga do analfabetismo. Parabéns ao protagonismo educativo e ao compromisso humanitário de Cuba!
SIM, EU POSSO
Por Iran Barbosa - 25/11/08
FONTE: http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=72146&Itemid=201
Cuba sempre foi exemplo de solidariedade. A ajuda humanitária que presta a outros países nas áreas de saúde, educação, programas de cooperação energética e esporte, segue a linha do herói cubano Jose Martí: Pátria é Humanidade. E que Pátria mais humana tem sido Cuba!
Entre tantas ações humanitárias cabe destacar o método cubano de alfabetização de jovens e adultos "Yo sí, puedo!" (Sim, eu posso!), elaborado pelo Instituto Pedagógico Latino-americano y Caribeño (Iplac), de Cuba, com a finalidade de erradicar o analfabetismo da América Latina e que ganhou da UNESCO, em 2002, 2003 e 2006, o prêmio Rey Sejong. Esse prêmio foi instituído pela UNESCO em 1989 em prol da erradicação do analfabetismo no mundo.
O prêmio foi entregue a Cuba pelo "seu esforço em fazer progredir as possibilidades individuais das pessoas e o potencial da sociedade graças a método de ensino inovador utilizado com êxito em mais de 15 países, entre eles Equador e Venezuela".
O método lançado em 2002, no Haiti, está disponível em português, inglês, francês e espanhol e é adaptado às características sociais, culturais e lingüísticas de cada país, com base num estudo local da realidade social, econômica e cultural.
A proposta metodológica do Sim, eu posso! é constituída de encontros presenciais, em que o processo de ensino-aprendizagem é mediado pela utilização de tecnologias, como aparelhos de TV e vídeo. São 17 fitas, com 65 vídeo-aulas de 30 minutos cada que totalizam 32,5 horas de gravação. Em média são necessários 3 meses para o processo de alfabetização.
No caso do Brasil, todas as 65 vídeo-aulas (disponíveis em VHS e DVD) foram gravadas em português com atores brasileiros, entre eles Chico Diaz, o Átila, da novela A Favorita.
A aprendizagem ocorre pela correspondência entre números e letras, e acontece em três fases: exercícios de coordenação motora, ensino de leitura-escrita e consolidação. Também são utilizados vídeos metodológicos que orientam os monitores, sempre presentes, a conduzir o encontro para que os alfabetizandos aprendam com mais facilidade.
O método é baseado no amplo conhecimento prévio que as pessoas têm dos números, apesar de não saberem ler. A ligação entre número e letra constitui-se em elemento motivador e facilitador da aprendizagem em um curto espaço de tempo.
Outro facilitador do aprendizado é a utilização da multimídia, um eficaz recurso para garantir a percepção e o acúmulo de conhecimento. Isso porque os recursos multimídia estimulam mais sentidos que as simples mídias. A partir do momento em que a pessoa é estimulada em mais de um sentido, a capacidade de processamento e armazenamento das informações aumentam consideravelmente.
Paulo Freire, ao trabalhar materiais audiovisuais como slides, gravuras, foi um dos pioneiros na utilização da linguagem multimídia na alfabetização de adultos. A proposta pedagógica de Paulo Freire, segundo a qual o alfabetizando deve conhecer o texto e o contexto, em um processo dialético, manifesta-se no Sim, eu posso!.
Para os/as alfabetizandos/as, o método cubano é como uma telenovela, que os estimula a assistirem às aulas e retornarem no dia seguinte para assistirem ao "próximo capítulo".
Por ser uma eficaz, rápida e atrativa ferramenta para a alfabetização de jovens e adultos, o Sim, eu posso! está contribuindo, em diversos países, para alcançar, até 2015, uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos.
Esse é um dos seis objetivos do chamado "Compromisso de Dacar", fruto do Fórum de Educação para Todos, realizado em Dacar, Senegal, em 2000, com a participação de 164 países, entre eles o Brasil.
A Venezuela é um bom exemplo da eficácia do método, graças à utilização do Sim, eu posso! e ao esforço do Presidente Chavez e sua equipe, o país atingiu a meta da agenda de Educação para Todos (EPT), relativa à alfabetização de adultos, com 10 anos de antecedência.
Em 2003, a Venezuela tinha 1,5 milhões de analfabetos, em 28 de outubro de 2005, Nicolas Maduro, então Presidente do Congresso, na presença da representante da Unesco, María Luisa Jáuregui, assinou um Ato Congressional, declarando o país Território Livre de Analfabetismo.
Segundo o Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos 2008, publicado anualmente pela UNESCO, há no mundo 774 milhões de adultos analfabetos, três quartos desses analfabetos concentram-se em 15 países, entre eles o Brasil.
Ainda conforme o Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos 2008, as projeções das taxas de alfabetização de adultos, apesar de não serem elaboradas com dados muito atuais (os dados para a projeção 2015 da taxa de alfabetização do Brasil são relativos a 2004 e, no caso da Venezuela, ao Censo de 2001), colocam o Brasil no grupo de países em risco de não alcançar, até 2015, o objetivo 4 – alfabetização de adultos.
Conforme a última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – PNAD, o país permanecia, em 2007, com uma taxa de analfabetismo de jovens e adultos de dois dígitos – 10%. A redução em relação a 2006 foi de apenas 0,4%.
O PNAD também ressalta as desigualdades regionais. No Nordeste a taxa de analfabetismo é o dobro da média nacional, enquanto na Região Sul cai para 5,4%.
Além das desigualdades regionais existe uma distância enorme entre o meio urbano e rural e entre a população em geral e determinados segmentos sociais.
No caso específico dos pescadores/as artesanais, conforme dados do Sistema de Acompanhamento Estatístico-Gerencial do Seguro Desemprego/MTE, a taxa de analfabetismo chega a 42,96%.
O Brasil tem um grande desafio pela frente e sem dúvida a utilização do Sim, eu posso! pode contribuir muito para a redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos, principalmente entre segmentos como o de pescadores, onde o método pode ser aplicado durante o período de defeso, que dura em média 4 meses, ajudando assim a reduzir a taxa de analfabetismo entre a categoria.
*Iran Barbosa é deputado federal (PT-SE), titular da Comissão de Educação e Cultura da Câmara e professor.
SIM, EU POSSO
Por Iran Barbosa - 25/11/08
FONTE: http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=72146&Itemid=201
Cuba sempre foi exemplo de solidariedade. A ajuda humanitária que presta a outros países nas áreas de saúde, educação, programas de cooperação energética e esporte, segue a linha do herói cubano Jose Martí: Pátria é Humanidade. E que Pátria mais humana tem sido Cuba!
Entre tantas ações humanitárias cabe destacar o método cubano de alfabetização de jovens e adultos "Yo sí, puedo!" (Sim, eu posso!), elaborado pelo Instituto Pedagógico Latino-americano y Caribeño (Iplac), de Cuba, com a finalidade de erradicar o analfabetismo da América Latina e que ganhou da UNESCO, em 2002, 2003 e 2006, o prêmio Rey Sejong. Esse prêmio foi instituído pela UNESCO em 1989 em prol da erradicação do analfabetismo no mundo.
O prêmio foi entregue a Cuba pelo "seu esforço em fazer progredir as possibilidades individuais das pessoas e o potencial da sociedade graças a método de ensino inovador utilizado com êxito em mais de 15 países, entre eles Equador e Venezuela".
O método lançado em 2002, no Haiti, está disponível em português, inglês, francês e espanhol e é adaptado às características sociais, culturais e lingüísticas de cada país, com base num estudo local da realidade social, econômica e cultural.
A proposta metodológica do Sim, eu posso! é constituída de encontros presenciais, em que o processo de ensino-aprendizagem é mediado pela utilização de tecnologias, como aparelhos de TV e vídeo. São 17 fitas, com 65 vídeo-aulas de 30 minutos cada que totalizam 32,5 horas de gravação. Em média são necessários 3 meses para o processo de alfabetização.
No caso do Brasil, todas as 65 vídeo-aulas (disponíveis em VHS e DVD) foram gravadas em português com atores brasileiros, entre eles Chico Diaz, o Átila, da novela A Favorita.
A aprendizagem ocorre pela correspondência entre números e letras, e acontece em três fases: exercícios de coordenação motora, ensino de leitura-escrita e consolidação. Também são utilizados vídeos metodológicos que orientam os monitores, sempre presentes, a conduzir o encontro para que os alfabetizandos aprendam com mais facilidade.
O método é baseado no amplo conhecimento prévio que as pessoas têm dos números, apesar de não saberem ler. A ligação entre número e letra constitui-se em elemento motivador e facilitador da aprendizagem em um curto espaço de tempo.
Outro facilitador do aprendizado é a utilização da multimídia, um eficaz recurso para garantir a percepção e o acúmulo de conhecimento. Isso porque os recursos multimídia estimulam mais sentidos que as simples mídias. A partir do momento em que a pessoa é estimulada em mais de um sentido, a capacidade de processamento e armazenamento das informações aumentam consideravelmente.
Paulo Freire, ao trabalhar materiais audiovisuais como slides, gravuras, foi um dos pioneiros na utilização da linguagem multimídia na alfabetização de adultos. A proposta pedagógica de Paulo Freire, segundo a qual o alfabetizando deve conhecer o texto e o contexto, em um processo dialético, manifesta-se no Sim, eu posso!.
Para os/as alfabetizandos/as, o método cubano é como uma telenovela, que os estimula a assistirem às aulas e retornarem no dia seguinte para assistirem ao "próximo capítulo".
Por ser uma eficaz, rápida e atrativa ferramenta para a alfabetização de jovens e adultos, o Sim, eu posso! está contribuindo, em diversos países, para alcançar, até 2015, uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos.
Esse é um dos seis objetivos do chamado "Compromisso de Dacar", fruto do Fórum de Educação para Todos, realizado em Dacar, Senegal, em 2000, com a participação de 164 países, entre eles o Brasil.
A Venezuela é um bom exemplo da eficácia do método, graças à utilização do Sim, eu posso! e ao esforço do Presidente Chavez e sua equipe, o país atingiu a meta da agenda de Educação para Todos (EPT), relativa à alfabetização de adultos, com 10 anos de antecedência.
Em 2003, a Venezuela tinha 1,5 milhões de analfabetos, em 28 de outubro de 2005, Nicolas Maduro, então Presidente do Congresso, na presença da representante da Unesco, María Luisa Jáuregui, assinou um Ato Congressional, declarando o país Território Livre de Analfabetismo.
Segundo o Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos 2008, publicado anualmente pela UNESCO, há no mundo 774 milhões de adultos analfabetos, três quartos desses analfabetos concentram-se em 15 países, entre eles o Brasil.
Ainda conforme o Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos 2008, as projeções das taxas de alfabetização de adultos, apesar de não serem elaboradas com dados muito atuais (os dados para a projeção 2015 da taxa de alfabetização do Brasil são relativos a 2004 e, no caso da Venezuela, ao Censo de 2001), colocam o Brasil no grupo de países em risco de não alcançar, até 2015, o objetivo 4 – alfabetização de adultos.
Conforme a última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – PNAD, o país permanecia, em 2007, com uma taxa de analfabetismo de jovens e adultos de dois dígitos – 10%. A redução em relação a 2006 foi de apenas 0,4%.
O PNAD também ressalta as desigualdades regionais. No Nordeste a taxa de analfabetismo é o dobro da média nacional, enquanto na Região Sul cai para 5,4%.
Além das desigualdades regionais existe uma distância enorme entre o meio urbano e rural e entre a população em geral e determinados segmentos sociais.
No caso específico dos pescadores/as artesanais, conforme dados do Sistema de Acompanhamento Estatístico-Gerencial do Seguro Desemprego/MTE, a taxa de analfabetismo chega a 42,96%.
O Brasil tem um grande desafio pela frente e sem dúvida a utilização do Sim, eu posso! pode contribuir muito para a redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos, principalmente entre segmentos como o de pescadores, onde o método pode ser aplicado durante o período de defeso, que dura em média 4 meses, ajudando assim a reduzir a taxa de analfabetismo entre a categoria.
*Iran Barbosa é deputado federal (PT-SE), titular da Comissão de Educação e Cultura da Câmara e professor.
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Sapatadas na Consciência

Segue a última postagem textual de meu blog em 2008, em tom de retrospectiva política pontuada pelo convite aos Paradigmas da Esperança.
(Grito Pacífico, mudando o mundo com você)
SAPATADAS NA CONSCIÊNCIA
Olho para a Europa e vejo o passado. Olho para a América Latina e vejo o futuro. Os ventos estão soprando a favor de países emergentes como o Brasil. A brisa progressista da mudança está convidando nosso povo a sentir mais orgulho de si mesmo e de seu país. Esse sentimento, no meu olhar jovial da história, foi antecedido por três estágios.
A década de 80 vibrou com a transição democrática que abateu o monstro repressivo da ditadura. A chamada Constituição Cidadã de 1988 foi o estopim da vontade de reconstruirmos uma nação mais livre, madura e plural, disposta a reconhecer legalmente lutas históricas encampadas pela sociedade civil organizada e seus movimentos sociais. Eu tinha apenas 8 anos quando isso aconteceu. Tais luzes pareciam anunciar uma nova era.
Infelizmente, o fardo elitista de arrogância continuou infiltrado na política brasileira, cujas engrenagens do poder não se mostraram em nada simpáticas aos anseios populares expressos em reivindicações ligadas a reforma agrária, educação pública e democratização da mídia. Um sociólogo ideologicamente de araque, em oito anos de conservadorismo burguês, deixou tristes marcas: privatizou nossas esperanças, aprofundou nossas desigualdades e retardou nosso desenvolvimento. O desgoverno desse ex-presidente foi ótimo para as multinacionais estrangeiras, mas péssimo para muitas empresas domésticas.
Em 2002, uma espécie de “Barack Obama brasileiro”, forjado nas lides sindicais, foi eleito por uma multidão desiludida com os rumos da pátria. Mesmo sem erudição intelectual (tão sofisticada quanto inútil), suficientemente espontâneo e seguro a ponto de dar declarações informais a exemplo do “sifú” (para a alegria estúpida dos guardiões do vernáculo polido), buscou recuperar um pouco da auto-estima coletiva, do respeito internacional, da dignidade social, da prosperidade econômica e da memória histórica de nosso país. Não é à toa que sua popularidade atingiu, bem recentemente, recordes olímpicos de aprovação.
Claro que há defeitos e os principais deles, na minha visão pessoal, residem no excesso de paciência frente aos interesses bancários, às manipulações midiáticas e às conivências judiciárias que, respectivamente, oprimem nossas finanças, deturpam nossa comunicação e anulam nossa justiça. São embates que precisariam ser travados.
A boa notícia é que, nos últimos tempos, após rasgar as mordaças costuradas pela mídia oficial, venho tentando pensar com meus botões e me manifestar sem censura pelas vias da blogosfera. Ou seja, naquela época de 88, a rede Globo podia nos fazer de bobo, muito mais facilmente. Agora, levando-se em conta as benesses da globalização consubstanciadas na difusão da internet, podemos buscar - e até veicular - a informação que queremos.
Pois bem, o Brasil vive um momento ímpar em sua trajetória, pois temos a oportunidade, como dizia Mahatma Ghandi, de ser a mudança que queremos ver no mundo. Eu não tenho a menor dúvida do primeiro passo que devemos empreender, mas antes de revelá-lo cabe um alerta: é preciso deixar as picuinhas academicistas de lado e resistir aos debates marxistas, freudianos ou nietzscheanos das estéreis mesas de bar.
Nossa missão nunca foi tão clara e decisiva para o destino sustentável de nossas vidas: precisamos terminar de enterrar o atentado mais terrorista que já se institucionalizou em nossa civilização (pelo menos dentro da minha idade de quase 29 anos). Esse atentado à vida, ao amor, à justiça, à liberdade, à paz, atende pelo desgraçado nome de neoliberalismo. Aposto que se você tiver a idéia de apelidar seu cachorro, seu papagaio, seu hamster, com este maldito nome, “si-fú...”, pobres animaizinhos, eles se matariam de tanto desgosto.
Tampouco será alguém lá de cima do nosso continente, mesmo que seja afro-descendente e banque a pose de super-herói hollywoodiano, que nos salvará sozinho de qualquer catástrofe. Ademais, as peças do tabuleiro geopolítico andam meio deslocadas. Os EUA, juntamente com seus amigos europeus e seu colega japonês, estão colhendo o que plantaram. O protagonismo mundial rumo à transição para outro paradigma, portador de um novo modelo político-econômico, irmanado com os desafios sócio-ambientais do século XXI, está agora na mão dos países emergentes: Brasil, Índia, Rússia e, sobretudo, China.
Convém acrescentar que essa opção, ao ser abraçada sem vacilação, envolve dimensões altamente profundas, que vão desde o revigoramento crítico de linguagens culturais e artísticas como a música, a literatura e o cinema até a ressignificação holística e ecumênica dos valores espirituais e filosóficos que dão sentido à existência, passando radicalmente pela humanização e reintegração sistêmica dos saberes científicos e práticas institucionais que fundamentam a formação intelectual e condicionam a atuação profissional.
Conceitos como lucro, individualismo e competição precisam ser urgentemente revistos, antes que a natureza exploda e a humanidade vire pó. É um absurdo abominável aceitarmos que salários de mega-especuladores financeiros superem com folga o PIB conjunto de pequenos países africanos. Meu Deus, quando seremos verdadeiramente humanos?
Vocês já imaginaram em quantas vezes os faturamentos da indústria armamentista superam os investimentos da política alimentícia??? Não queiram saber, pois senão vocês teriam todo o direito de jogar mil sapatadas em nossa consciência, até o glorioso dia em que a gente acordar da anestesia social e se negar a deixar alguém agonizar fora de um lar.
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domingo, 9 de novembro de 2008
Repassem Carta a Obama
Longe de jogar uma balde de água fria na brisa de entusiasmo acendida por Obama no farol democrático da América Latina, mas os sucessivos erros do passado não podem ser dissolvidos pelo olhar da história, sob pena de que a esperança de um novo futuro se desmanche como uma miragem. A América Latina, ademais, vive uma forte onda democrática nessa última década, como nunca se viu. Essa carta faz um balanço necessário e objetivo de questões que precisam ser mais observadas e inclusive atendidas tanto quanto possível. Só para ilustrar, o Grito Pacífico já se antecipa para votar e assinar embaixo (e também encima e nas laterais) um dos itens desta correspondência: suspensão universal do direito ao veto. Repassem-na solidariamente. (Pablo Robles)
FONTE: Agência Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/)
SEÇÃO: Internacional - 04/11/2008
Nossa Carta a Obama
(Essa carta está aberta a adesões de veículos da pequena grande imprensa alternativa de todo o mundo.)
O seu governo pretende resgatar a imagem dos EUA no mundo e mudar sua relação com a América Latina. É preciso que o sr. saiba que a imagem do seu país no mundo é a imagem da maior potência imperial da história da humanidade. Que à horrível imagem de potência intervencionista no destino de outros países, de exploradora das suas riquezas, ao longo de todo o século passado, se acrescentou no século XXI a política de “guerras humanitárias”, invasões que mal escondem os interesses de exploração e opressão de outros territórios e povos, de que o Iraque e Afeganistão são os exemplos mais recentes.
Não basta retirar as tropas do Iraque imediatamente – embora isso seja um começo indispensável para o resgate proposto. É necessário fazer o mesmo com o Afeganistão, assim como terminar com o apoio à ocupação israelense dos territórios palestinos, reconhecendo o direito à existência de um estado palestino soberano. No caso da América Latina, é imprescindível terminar com a Operação Colômbia, que militariza os conflitos naquele país, e os que ele provoca, com graves riscos de produção de crises regionais, pela dinâmica belicista do Exército e do governo colombiano.
Para demonstrar que mudou de atitude, os EUA devem, sobretudo, terminar definitivamente com o bloqueio a Cuba, desativar sua base de interrogatórios ilegais e torturas na base de Guantanamo e devolver esta incondicionalmente a Cuba, terminando com a prepotente e juridicamente insustentável usurpação de território cubano, que dura já mais de um século. Deve retomar relações normais entre os dois países, respeitando as opções do povo cubano na definição soberana dos seus destinos.
Os EUA devem reconhecer publicamente o grave erro de terem apoiado o golpe militar de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chavez, legitimamente eleito e reeleito pelo povo venezuelano. Devem terminar definitivamente com articulações golpistas nesse país, na Bolívia e no Equador e comprometer-se, publicamente, a nunca mais desenvolver atividades de ingerência nos assuntos internos de outros países.
Se quiserem ter relações cordiais com a América Latina, o novo governo dos EUA devem destruir imediatamente o muro na fronteira com o México, legalizar a situação dos trabalhadores imigrantes nos EUA e favorecer a livre circulação das pessoas, como tem pregado a livre circulação de mercadorias e de capitais.
Além disso, os EUA devem deixar de utilizar organismos internacionais como a OMC, o FMI, o Banco Mundial, para propagar e tentar impor suas políticas, as mesmas que levaram ao fracasso dos governos que seguiram as suas receitas, assim como à crise financeira internacional que hoje grassa no planeta. Os países da América Latina e do Sul do mundo devem ter liberdade para encontrar suas próprias alternativas e soluções à crise, gerada nos EUA, que devem assumir suas responsabilidades e não permitir a exportação de seus efeitos negativos.
Se quiserem voltar a ser respeitados, os EUA devem deixar de tratar de favorecer ou forçar a exportação de sua mídia, de sua indústria cultural, de sua forma de vida, que pode ser boa para os EUA, mas pode ser nefasta para outros países. Essas fórmulas, muitas vezes impostas, favorecem formas ditatoriais de imprensa, formas estereotipadas de ver o mundo, modos consumistas de viver. Que os EUA deixem cada país escolher suas formas de se pensar a si mesmo, de ver o mundo, de viver e de produzir arte e cultura.
Se o sr. quiser fazer um governo diferente, deve abandonar qualquer idéia de querer impor o que os EUA considerem que seja democrático. Que cada país, cada povo, defina seu próprio caminho. Os EUA nem inventaram a democracia, nem são mais democráticos que muitos outros países.
Os EUA devem abandonar suas pretensões de ser um império mundial que zele pela ordem imperialista no mundo. Devem dar espaço para que progrida o espaço de um mundo multipolar, em que todos os países participem das decisões fundamentais. Neste sentido, devem apoiar o fim do direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, devem dar lugar à democratização desse órgão. Devem obedecer as decisões da ONU de terminar o bloqueio à Cuba, em favor do direito do povo palestino a um estado próprio e independente, entre tantas outras decisões, bloqueadas pelo veto norte-americano. Se vetos de outros países há, isso deve ser combatido pela suspensão universal do direito ao veto.
Em suma, se os EUA querem reconquistar o respeito dos outros povos do mundo, se querem resgatar a imagem do seu país que se deteriorou, devem se considerar como um país entre outros, e a eles igual, não como uma potência eleita para a missão de impor a ordem imperial e os interesses capitalistas no mundo. Devem respeitar as decisões que outros povos tomem no sentido de escolher caminhos antiimperialistas e anticapitalistas. Devem assinar o Protocolo de Kyoto, aceitando reduzir suas emissões de gases poluidores, condição básica para iniciar uma nova etapa na luta contra a destruição ambiental no planeta. Devem diminuir seu orçamento militar, revertendo essas verbas para o campo social. Devem combater os monopólios privados da mídia, a indústria tabagista, a da segurança para-militar, devem colocar como seu objetivo principal construir uma sociedade justa, a começar pela de seu próprio país, aquele em que, dentre aquelas do centro do capitalismo, a desigualdade mais cresceu nos últimos anos.
Se o sr. fizer tudo isso, ou pelo menos se mover nessa direção, pensamos que poderá contar com o respeito e com relações cordiais por parte dos governos populares e dos povos da América Latina.
FONTE: Agência Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/)
SEÇÃO: Internacional - 04/11/2008
Nossa Carta a Obama
(Essa carta está aberta a adesões de veículos da pequena grande imprensa alternativa de todo o mundo.)
O seu governo pretende resgatar a imagem dos EUA no mundo e mudar sua relação com a América Latina. É preciso que o sr. saiba que a imagem do seu país no mundo é a imagem da maior potência imperial da história da humanidade. Que à horrível imagem de potência intervencionista no destino de outros países, de exploradora das suas riquezas, ao longo de todo o século passado, se acrescentou no século XXI a política de “guerras humanitárias”, invasões que mal escondem os interesses de exploração e opressão de outros territórios e povos, de que o Iraque e Afeganistão são os exemplos mais recentes.
Não basta retirar as tropas do Iraque imediatamente – embora isso seja um começo indispensável para o resgate proposto. É necessário fazer o mesmo com o Afeganistão, assim como terminar com o apoio à ocupação israelense dos territórios palestinos, reconhecendo o direito à existência de um estado palestino soberano. No caso da América Latina, é imprescindível terminar com a Operação Colômbia, que militariza os conflitos naquele país, e os que ele provoca, com graves riscos de produção de crises regionais, pela dinâmica belicista do Exército e do governo colombiano.
Para demonstrar que mudou de atitude, os EUA devem, sobretudo, terminar definitivamente com o bloqueio a Cuba, desativar sua base de interrogatórios ilegais e torturas na base de Guantanamo e devolver esta incondicionalmente a Cuba, terminando com a prepotente e juridicamente insustentável usurpação de território cubano, que dura já mais de um século. Deve retomar relações normais entre os dois países, respeitando as opções do povo cubano na definição soberana dos seus destinos.
Os EUA devem reconhecer publicamente o grave erro de terem apoiado o golpe militar de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chavez, legitimamente eleito e reeleito pelo povo venezuelano. Devem terminar definitivamente com articulações golpistas nesse país, na Bolívia e no Equador e comprometer-se, publicamente, a nunca mais desenvolver atividades de ingerência nos assuntos internos de outros países.
Se quiserem ter relações cordiais com a América Latina, o novo governo dos EUA devem destruir imediatamente o muro na fronteira com o México, legalizar a situação dos trabalhadores imigrantes nos EUA e favorecer a livre circulação das pessoas, como tem pregado a livre circulação de mercadorias e de capitais.
Além disso, os EUA devem deixar de utilizar organismos internacionais como a OMC, o FMI, o Banco Mundial, para propagar e tentar impor suas políticas, as mesmas que levaram ao fracasso dos governos que seguiram as suas receitas, assim como à crise financeira internacional que hoje grassa no planeta. Os países da América Latina e do Sul do mundo devem ter liberdade para encontrar suas próprias alternativas e soluções à crise, gerada nos EUA, que devem assumir suas responsabilidades e não permitir a exportação de seus efeitos negativos.
Se quiserem voltar a ser respeitados, os EUA devem deixar de tratar de favorecer ou forçar a exportação de sua mídia, de sua indústria cultural, de sua forma de vida, que pode ser boa para os EUA, mas pode ser nefasta para outros países. Essas fórmulas, muitas vezes impostas, favorecem formas ditatoriais de imprensa, formas estereotipadas de ver o mundo, modos consumistas de viver. Que os EUA deixem cada país escolher suas formas de se pensar a si mesmo, de ver o mundo, de viver e de produzir arte e cultura.
Se o sr. quiser fazer um governo diferente, deve abandonar qualquer idéia de querer impor o que os EUA considerem que seja democrático. Que cada país, cada povo, defina seu próprio caminho. Os EUA nem inventaram a democracia, nem são mais democráticos que muitos outros países.
Os EUA devem abandonar suas pretensões de ser um império mundial que zele pela ordem imperialista no mundo. Devem dar espaço para que progrida o espaço de um mundo multipolar, em que todos os países participem das decisões fundamentais. Neste sentido, devem apoiar o fim do direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, devem dar lugar à democratização desse órgão. Devem obedecer as decisões da ONU de terminar o bloqueio à Cuba, em favor do direito do povo palestino a um estado próprio e independente, entre tantas outras decisões, bloqueadas pelo veto norte-americano. Se vetos de outros países há, isso deve ser combatido pela suspensão universal do direito ao veto.
Em suma, se os EUA querem reconquistar o respeito dos outros povos do mundo, se querem resgatar a imagem do seu país que se deteriorou, devem se considerar como um país entre outros, e a eles igual, não como uma potência eleita para a missão de impor a ordem imperial e os interesses capitalistas no mundo. Devem respeitar as decisões que outros povos tomem no sentido de escolher caminhos antiimperialistas e anticapitalistas. Devem assinar o Protocolo de Kyoto, aceitando reduzir suas emissões de gases poluidores, condição básica para iniciar uma nova etapa na luta contra a destruição ambiental no planeta. Devem diminuir seu orçamento militar, revertendo essas verbas para o campo social. Devem combater os monopólios privados da mídia, a indústria tabagista, a da segurança para-militar, devem colocar como seu objetivo principal construir uma sociedade justa, a começar pela de seu próprio país, aquele em que, dentre aquelas do centro do capitalismo, a desigualdade mais cresceu nos últimos anos.
Se o sr. fizer tudo isso, ou pelo menos se mover nessa direção, pensamos que poderá contar com o respeito e com relações cordiais por parte dos governos populares e dos povos da América Latina.
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segunda-feira, 14 de julho de 2008
NOTÍCIA BOA: União Sul-Americana
América do Sul caminha para moeda e Banco Central únicos, diz Lula
FONTE: http://www.votebrasil.com.br/noticia/politica/tema/todos - 26/05/2008
União Sul-Americana de Nações (Unasul) vai tratar do tema. Segundo presidente, ‘é preciso ajudar países economicamente mais frágeis’.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, ao longo do programa de rádio “Café com o presidente”, que foi ao ar na manhã desta segunda-feira (26), que os países da América do Sul caminham para ter, no futuro, moeda e Banco Central únicos. Ele defendeu a criação de um Conselho de Defesa Sul-Americano e ajuda aos países economicamente mais frágeis.
“Nós agora estamos criando o Banco da América do Sul. Nós vamos caminhar para termos um Banco Central único, para ter moeda única. Isso é um processo e não é uma coisa rápida”, afirmou o presidente.
(...)
O presidente está esperançoso com a criação do organismo sul-americano. “Me sinto feliz pelo fato de termos criado a Unasul. Eu lembro quando em 2004, em dezembro, na cidade de Cuzco, Peru, tivemos a idéia de criar uma União Sul-Americana de Nações. Parecia uma coisa impossível porque aqui na América do Sul fomos preparados, doutrinados para acreditar que não daríamos certo em nada, que somos pobres, que brigamos muito e que temos que depender dos EUA e da União Européia. O que aconteceu é que mudou a geopolítica da América do Sul. Mudou em todos os países. Mudou a compreensão de que, juntos, poderemos ser muito mais fortes e soberanos. E que poderemos fazer mais e melhor. Na União Européia, tivemos países que não aceitaram moeda única, que não aceitaram a constituição, e, nem por isso, as pessoas falavam em crise. É uma coisa normal de uma convivência democrática na diversidade”.
Para Lula, a Unasul será um avanço na região. “Isso vai facilitar que a gente negocie com outros blocos em conjunto, que com esse estabelecimento do tratado e da confiança mútua, possamos fazer mais obras de integração. Poderemos fazer mais ferrovias, rodovias, pontes, linhas de transmissão. Ou seja, acho que foi a realização de um sonho. Mas ainda vamos ter que trabalhar muito. O primeiro passo foi dado de forma extraordinária”.
Lula não tem dúvida de que a Unasul será a solução para muitos problemas na América do Sul. “Nós vamos vencendo as barreiras e também os céticos. É importante a gente lembrar o que era a América do Sul poucos anos atrás e o que é agora. Há uma evolução extraordinária. Mesmo a compreensão de setores brasileiros do empresariado, que antigamente não tinham coragem de fazer qualquer investimento nos países na América do Sul, e hoje nós temos dezenas de empresas brasileiras investindo em todos os países da América do Sul. Nós precisamos investir na Bolívia, fortalecer o Paraguai, o Uruguai, que são os países economicamente mais fragéis. Nós temos obrigação de ajudá-los. Porque quanto mais forte economicamente forem os países da América do Sul mais tranqüilidade todos nós vamos ter, mais paz, democracia, comércio, empresas, empregos, renda, desenvolvimento. É isso que nós buscamos para a América do Sul e eu acho que é isso que foi consolidado com a assinatura do tratado”.
FONTE: http://www.votebrasil.com.br/noticia/politica/tema/todos - 26/05/2008
União Sul-Americana de Nações (Unasul) vai tratar do tema. Segundo presidente, ‘é preciso ajudar países economicamente mais frágeis’.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, ao longo do programa de rádio “Café com o presidente”, que foi ao ar na manhã desta segunda-feira (26), que os países da América do Sul caminham para ter, no futuro, moeda e Banco Central únicos. Ele defendeu a criação de um Conselho de Defesa Sul-Americano e ajuda aos países economicamente mais frágeis.
“Nós agora estamos criando o Banco da América do Sul. Nós vamos caminhar para termos um Banco Central único, para ter moeda única. Isso é um processo e não é uma coisa rápida”, afirmou o presidente.
(...)
O presidente está esperançoso com a criação do organismo sul-americano. “Me sinto feliz pelo fato de termos criado a Unasul. Eu lembro quando em 2004, em dezembro, na cidade de Cuzco, Peru, tivemos a idéia de criar uma União Sul-Americana de Nações. Parecia uma coisa impossível porque aqui na América do Sul fomos preparados, doutrinados para acreditar que não daríamos certo em nada, que somos pobres, que brigamos muito e que temos que depender dos EUA e da União Européia. O que aconteceu é que mudou a geopolítica da América do Sul. Mudou em todos os países. Mudou a compreensão de que, juntos, poderemos ser muito mais fortes e soberanos. E que poderemos fazer mais e melhor. Na União Européia, tivemos países que não aceitaram moeda única, que não aceitaram a constituição, e, nem por isso, as pessoas falavam em crise. É uma coisa normal de uma convivência democrática na diversidade”.
Para Lula, a Unasul será um avanço na região. “Isso vai facilitar que a gente negocie com outros blocos em conjunto, que com esse estabelecimento do tratado e da confiança mútua, possamos fazer mais obras de integração. Poderemos fazer mais ferrovias, rodovias, pontes, linhas de transmissão. Ou seja, acho que foi a realização de um sonho. Mas ainda vamos ter que trabalhar muito. O primeiro passo foi dado de forma extraordinária”.
Lula não tem dúvida de que a Unasul será a solução para muitos problemas na América do Sul. “Nós vamos vencendo as barreiras e também os céticos. É importante a gente lembrar o que era a América do Sul poucos anos atrás e o que é agora. Há uma evolução extraordinária. Mesmo a compreensão de setores brasileiros do empresariado, que antigamente não tinham coragem de fazer qualquer investimento nos países na América do Sul, e hoje nós temos dezenas de empresas brasileiras investindo em todos os países da América do Sul. Nós precisamos investir na Bolívia, fortalecer o Paraguai, o Uruguai, que são os países economicamente mais fragéis. Nós temos obrigação de ajudá-los. Porque quanto mais forte economicamente forem os países da América do Sul mais tranqüilidade todos nós vamos ter, mais paz, democracia, comércio, empresas, empregos, renda, desenvolvimento. É isso que nós buscamos para a América do Sul e eu acho que é isso que foi consolidado com a assinatura do tratado”.
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