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sábado, 7 de julho de 2012

POESIA: Vote Também na Participação

VOTE TAMBÉM NA PARTICIPAÇÃO

Os tempos da política intensiva chegaram.
Candidatas e candidatos levantam bandeiras.
Campanhas e marqueteiros tecem estratégias.
Pseudocidadãos espalham tolices e asneiras.

Como se discutir política fosse perder tempo.
Como se fazer política nas ruas, bares e lares
Fosse pregar no deserto e caminhar no vazio.
O abismo da omissão preenche os não-lugares.

O que somos hoje depende do que decidimos ontem.
Mesmo que as escolhas coletivas tenham sido terceirizadas.
Mesmo que a utopia tenha sido abortada do nosso existir.
Mesmo que nosso único dilema seja consumir ou não consumir.

Desconfie dos discursos inertes, imagens floridas e promessas fáceis.
Saiba confrontar valores, trajetórias, realizações e demais bastidores.
Nem todo político é ladrão e nem toda política redunda em corrupção.
As crises que abatem o mundo jamais serão resolvidas por procuração.

Participação popular, controle social e transparência pública são essenciais
Para que nossos sonhos reencarnem mundos melhores e menos desiguais.

( por Pablo Robles – POETA DO SOCIAL )

Poesia Especial em homenagem ao início das campanhas políticas municipais.

PS.: Caro leitor e navegante, esta poesia é um primeiro convite à participação nas eleições municipais. Mesmo que você não goste da política partidária, saiba que a política partidária influencia sua vida e seu cotidiano coletivo muito mais do que você imagina. Se puder, ajude a divulgar esta poesia em seus e-mails, blogs, facebooks, twitters e demais redes sociais. E quem trabalha com comunidades, estudantes e públicos sociais, fique também à vontade para utilizarem em suas atividades, aulas, projetos, formações, boletins e demais iniciativas. Até a véspera da eleição, outras poesias e escritos ganharão participação, especialmente em meu blog (www.gritopacifico.blogspot.com) e facebook (Pablo Robles). Obrigado! e abraços J

terça-feira, 17 de abril de 2012

CRÔNICA: Mulheres políticas e sociedades fragilizadas

Mulheres políticas e sociedades fragilizadas

No dia em que uma mulher lá de cima (Hilary), de uma potência em decadência (EUA), visita uma mulher aqui de baixo (Dilma), de uma potência em afirmação (Brasil), uma mulher aqui do lado (Cristina), de um país (Argentina) dinâmico, hermoso e destemido (inclusive no resgate democrático das verdades sobre os crimes da ditadura que assombraram outrora a política latino-americana; matéria que as “elites” daqui prefeririam incinerar em vez de reconstituir), presenteia-nos com um gesto firme, altivo e politicamente legítimo.

Pois bem, nossa presidente vizinha de um país hermano reivindicou e legalizou a soberania mínima na gestão das riquezas nacionais de seu petróleo e gás; ideologias e sectarismos à parte, um Estado não existe só pra reagir (aos mercados e interesses estrangeiros), mas também para agir (a favor do povo e aspirações das maiorias).

O grande desafio que nos cabe está nesse pequeno e grande detalhe que oscila entre os instintos privatistas de liberdade e as necessidades estatizantes de proteção: sociedade. Nossa ditadura política se foi, mas deixamos que outras ditaduras entrassem em campo, como a da mídia, a da publicidade e a da indústria enlatada de práticas de lazer descoladas do cheiro cotidiano, de nossas identidades locais e das aventuras e desventuras comunitárias.

Quando sermos menos servil e efetivamente mais civil, uma outra sociedade edificará nossos lares, semeará novos valores e inspirará as gerações vindouras, nos colocando de mãos dadas com toda a humanidade que muitas vezes não conseguimos desenvolver e partilhar, intoxicados que ainda estamos por um modelo de sociedade (civil) e representatividade (política) que não cuida bem de sua gente, de suas instituições e de seus recursos, sejam eles naturais ou industriais, científicos ou morais, e materiais ou espirituais.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Exemplos Imorredouros


EXEMPLOS IMORREDOUROS*

Quem luta pelo bem nunca vai embora.
Sempre se pereniza com seu exemplo para quem fica.
Nessa hora triste, a humanidade chora.
O drama da violência nos assola, estarrece e sacrifica.

Carlos Henrique Costa Guilherme foi a vítima da vez.
A maldade assusta e a solução vai muito além do xadrez.
Uma grande liderança socioambiental mudou de plano,
Deixando entre amigos e admiradores sua fé no humano.

Os parceiros, ativistas e catadores perderam uma referência:
Um geógrafo que lapidou sua vida com engajada coerência.
Nesse momento em que nossos corações murcham de tristeza,
A providência divina o acolhe e segue semeando sua grandeza.

A missão que ele empunhava e de alguma forma ainda o fará,
Também é sua, nossa, da sociedade, do governo e da cidadania.
Precisamos manter acesa a utopia, apesar da sombra de cada dia.
Que o luto desta perda enobreça as lutas travadas no Brasil e Ceará.

( Por Pablo Robles – POETA DO SOCIAL )

*Meus pêsames poéticos pelo ativista Carlos Guilherme: 1968 – 2012.

PS.: "Sou viramundo virado pelo mundo do sertão, mas inda viro esse mundo em festa, trabalho e pão" (uma das citações preferidas dele, extraída da música Vira-Mundo, de Elis Regina. A propósito, Carlos, dentre outras iniciativas, fundou o Instituto Ambiental Viramundo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Questões para (Re)pensar a América Latina

10 CONVITES PARA (RE)PENSAR A AMÉRICA LATINA HOJE:
ALGUMAS QUESTÕES CULTURAIS, ACADÊMICAS E SÓCIO-INSTITUCIONAIS*.

Aspectos Culturais

Que fatores mobilizam nossa identidade latino-americana?

Como a mídia, a literatura e o turismo, dentre outras áreas relevantes, poderiam catalisar, de forma sustentável e solidária, nossos sentimentos e atitudes regionais de pertencimento?

Que responsabilidades regionais cabem ao Brasil como potência emergente e futura nação desenvolvida?

Aspectos Acadêmicos

Como ampliar e diversificar as pesquisas e intercâmbios regionais?

Como a ciência política e a antropologia, ambas ancoradas na sociologia, poderão constituir eixos transversais de teorização e subsidiar linhas conjuntas de intervenção?

Como reinterpretar as categorias tradicionais como classe, trabalho, partido e nação, frente à afirmação de categorias mais fluidas como grupos, culturas, identidades e projetos?

Aspectos Sócio-institucionais

Quem bandeiras sociais teriam forças para aglutinar e fortalecer os atores e movimentos sociais latino-americanos?

Como as agências e organismos internacionais de financiamento e cooperação, juntamente com grandes empresas de base regional, poderiam se engajar mais na causa sócio-cultural da integração latino-americana?

Em que medidas as redes e plataformas coletivas da sociedade civil, notabilizadas pelo Fórum Social Mundial, poderão ir além do horizonte do denuncismo e apontar agendas mais consistentes e convergentes em prol da concretização do esperado outro mundo?

Reflexão Inacabada

Quando as veias abertas da América Latina cicatrizarão suas feridas para fecundar novos paradigmas de união, autonomia e felicidade?

* Apontamentos feitos por ocasião de minha participação na Mesa de Debates “Construindo uma agenda de pesquisa: o desafio de (re)pensar a América Latina em tempos contemporâneos”, um evento promovido pela RUPAL (Rede Universitária de Pesquisadores da América Latina), como parte da VIII Semana de Humanidades (UFC/UECE). A atividade ocorreu no Centro de Humanidades da UECE, em 05/05/2011.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Pela autonomia do Oriente Médio

Quantas ditaduras ainda sangrarão a face política do mundo?

Por que os EUA e as mídias que lhes são subservientes, incrustadas aqui e ali hipocritamente, se fazem tão implacáveis contra regimes nacionalistas como os de Cuba e da Venezuela, não perdoando o mínimo deslize, para em compensação, com cinismo cinematográfico, passarem a mão na cabeça das ditaduras que eles consideram do “bem”, por se ajustarem “como que de quatro” aos seus interesses econômicos, militares e geopolíticos?

Viva a democracia que urge respirar e irradiar no Oriente Médio, inspirada com a queda do ditador egípcio e convidada a fazer valer a autodeterminação política, cultural e ideológica desta região, quer seus heróis sejam islâmicos ou não.

(comentários iniciais do Grito Pacífico, mudando o mundo com você e sem Mubarak)


Texto Recomendado: A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DAS DITADURAS

FONTE: http://www.blogcidadania.com.br/2011/02/a-insustentavel-leveza-das-ditaduras/ - 11/02/2011.

Após quase três semanas de luta, dezenas de milhões de egípcios conseguiram fazer renunciar um dos ditadores “do bem” da direita mundial, Hosni Mubarak, encastelado no poder havia trinta anos. Um déspota contra quem nunca se ouviu ou leu um milésimo do que a imprensa internacional não pára um só dia de dizer contra Cuba ou contra o Irã.

De repente, de algumas semanas para cá, no entanto, a ditadura egípcia entrou no noticiário e não saiu mais. Não era mais possível esconder que um dos tentáculos dos Estados Unidos no Oriente Médio estava se putrefazendo em alta velocidade.

Mas a questão que me acorre à mente diante de um desfecho da crise institucional no Egito que muitos – este blogueiro incluído – duvidaram de que pudesse ocorrer é sobre a natureza das ditaduras, sobre como vão levando as sociedades sobre as quais se abatem a um ponto de esgotamento como esse a que chegou o país do Oriente Médio.

Ditaduras são insustentáveis. Podem durar décadas valendo-se da força, mas não conseguem se manter indefinidamente. Vejam o caso da ditadura egípcia. Nem o apoio americano ou da grande mídia internacional foi suficiente para impedir que o povo colocasse um ponto final naquilo. E não foi por falta de tentativas.

Mubarak, a mídia e os EUA tentaram enrolar o mundo com aquela tal de transição “lenta, gradual e segura” que já foi imposta ao Brasil, mas no Egito não rolou. Na manhã de hoje, já se falava em uma mobilização de VINTE MILHÕES de pessoas. Além disso, o país estava paralisado. Nada funcionava. Imaginem tudo parar por quase três semanas.

Nesse momento, lembro-me de Cuba. Jamais houve nada parecido por lá. Não se tem nem notícia de repressão de manifestações contra o governo. Figuras isoladas promovem greves de fome que são recebidas com frieza pela população, apesar de a mídia lhes dar extrema visibilidade, como se tais ações tivessem alguma representatividade.

O regime cubano não cai e não é contestado pelo povo. Por que? Os cubanos não saem às ruas porque são covardes? A repressão em Cuba seria maior do que em qualquer outra nação supostamente submetida a ditadura? Não creio. O que me parece é que não há, naquele país, um sentimento de que vive sob regime ditatorial.

Acima de tudo, portanto, o que se deve extrair do que aconteceu no Egito é um modus operandi de luta pela liberdade que promete infernizar ditaduras nos quatro cantos da Terra. O povo mostrou que tem o poder. Que é só sair as ruas e se recusar a permitir que o país funcione sob o jugo de ditadores.

Ditaduras não têm base popular e, assim, não têm o peso de governos legitimamente constituídos, ungidos pelo desejo das maiorias democráticas. Essa “leveza” das ditaduras, portanto, é o que as torna insustentáveis, como o Egito acaba de mostrar ao mundo, para desespero de todos aqueles aos quais as ditaduras beneficiam.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sobre as forças que nos tornam irmãos

UMA MENSAGEM PARA CATADORAS E CATADORES...


...SOBRE CONFIANÇA, AMOR E UNIÃO: AS FORÇAS QUE NOS TORNAM IRMÃOS.

Fiquei muito feliz ao saber que vocês continuam unidos e estão se preparando com muita esperança para criarem a organização de vocês.

Muitos catadores e catadoras gostariam de estar no seu lugar; sendo capacitados, orientados e encorajados a reciclarem aquilo que temos de mais potente em nossas mentes: a confiança. Confiança em si mesmos, confiança nos sonhos que brotam da alma e confiança na capacidade das instituições, redes e políticas de cooperarem para o bem comum do planeta.

Muitos de vocês ainda não sabem ler como gostariam. Isso é o de menos. Muitas (talvez milhões) das pessoas que têm formação universitária em alguma coisa, de tanto lerem e não fazerem nada, desaprenderam a sentir. E quem não consegue sentir, torna-se um analfabeto na linguagem do amor.

Há muita luz no mundo (sobretudo em tempos de Natal e Reveillon), mas é quase tudo artificial demais. Seja a luz que falta no mundo, acendendo com sua união o sonho de uma humanidade diferente, com relações mais solidárias e valores mais íntegros. Dentre outras tarefas, vocês existem para, com o espírito de dignidade e determinação que inspira seus passos e lutas, ensinarem a sociedade a transformarem os resíduos do capitalismo predador em alavancas de projeção e consolidação de um outro mundo; possível, necessário e urgente.

Muita gente tropeçou no meio do caminho, antes de ver a luz sorrir no futuro da vida terrena que não continuou. Hoje vocês estão colhendo frutos importantes e renovados desses dolorosos embates históricos. Quando você chora, as lágrimas que caem não são apenas suas; são de todo um povo explorado, marginalizado e excluído (e bote literalmente nisso!) – é na verdade uma multidão, irmanada pelas pegadas esculpidas com o suor e o sangue geracionais de milhares de milhares de índios e negros; cujos corpos tombaram no passado, mas cujos exemplos nunca deixarão de viver e iluminar os movimentos sócio-ambientais do presente.

Quem tem confiança na mente, amor no coração e união no dia-a-dia, tem (e sobretudo vivencia) a mais linda poesia; feita para celebrar, a cada instante e oportunidade, a alegria da vida e a força da mudança. Parabéns, catadoras e catadores do Serviluz, de Fortaleza e do Brasil, agigantado com os avanços inegáveis do Governo Lula e o engajamento contínuo da sociedade civil, desafiada a se reinventar institucionalmente para conquistar patamares mais firmes de sustentabilidade.

Que a Presidenta Dilma seja a Dilma que o povo espera e que o Sol do trabalho edificante e da justiça coletiva vos acompanhe sempre, em toda jornada de coleta, separação e comercialização de materiais recicláveis, mesmo quando o silêncio da vizinhança e a escuridão da noite ameaçarem enfraquecer suas energias.

(PS.: Dedico essa mensagem aos catadores do Serviluz e aos demais grupos do Projeto Cataforte - Fortalecimento do Associativismo e Cooperativismo dos Catadores de Materiais Recicláveis, executado no Ceará pela Cáritas).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Diplomacia dos EUA em apuros

Estou com escritos pendentes para postar devido à correria de final de semestre letivo, mas não posso deixar de difundir esta notícia, que tem despertado a injusta fúria da diplomacia internacional. Wikileaks tem feito vir à tona documentos que revelam os bastidores da política internacional, destacando nesse momento comunicados de embaixadores estadunidenses.

Concordo que nem tudo pode ser revelado, pois na minha leiga compreensão devem existir assuntos de extrema gravidade estratégica que mereçam a alcunha de segredos de Estado. Porém, a grande maioria dessas informações sigilosas que vêm circulando reflete apenas as visões, interesses e argumentos de alguns setores sobre os negócios e relações mundiais.

Já que se defende tanto a liberdade de imprensa, se deveria pelo menos respeitar a difusão dessas informações, portadoras de relevância histórica para a compreensão das motivações diplomáticas que tornam nosso planeta, apesar de tanta abundância alimentícia e riqueza científico-tecnológica, uma selva global de concentrações econômicas e exclusões sociais.

(Comentários introdutórios do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)


POR DENTRO DO WIKILEAKS

Por Natália Viana* - 01/12/2010

FONTE: http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/por-dentro-do-wikileaks

Fui convidada por Julian Assange e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que interessam ao nosso país. Para esse fim, o Wikileaks decidiu elaborar conteúdo próprio também em português, com matérias fresquinhas sobre os documentos da embaixada e consulados norte-americanos no Brasil.

Por trás dessa nova experiência está a vontade de democratizar ainda mais o acesso à informação. O Wikileaks quer ter um canal direto de comunicação com os internautas brasileiros, um dos maiores grupos do mundo, e com os ativistas no Brasil que lutam pela liberdade de imprensa e de informação. Nada mais apropriado para um ano em que a liberdade de informação dominou boa parte da pauta da campanha eleitoral.

Buscando jornalistas independentes, Assange busca furar o cerco de imprensa internacional e da maneira como ela acabada dominando a interpretação que o público vai dar aos documentos. Por isso, além dos cinco grandes jornais estrangeiros, somou-se ao projeto um grupo de jornalistas independentes. Numa próxima etapa, o Wikileaks vai começar a distribuir os documentos para veículos de imprensa e mídia nas mais diversas partes do mundo.

Assange e seu grupo perceberam que a maneira concentrada como as notícias são geradas – no nosso caso, a maior parte das vezes, apenas traduzindo o que as grandes agências escrevem – leva um determinado ângulo a ser reproduzido ao infinito. Não é assim que esses documentos merecem ser tratados: “São a coisa mais importante que eu já vi”, disse ele.

Não foi fácil. O Wikileaks já é conhecido por misturar técnicas de hackers para manter o anonimato das fontes, preservar a segurança das informações e se defender dos inevitáveis ataques virtuais de agências de segurança do mundo todo.

Assange e sua equipe precisam usar mensagens criptografadas e fazer ligações redirecionados para diferentes países que evitam o rastreamento. Os documentos são tão preciosos que qualquer um que tem acesso a eles tem de passar por um rígido controle de segurança. Além disso, Assange está sendo investigado por dois governos e tem um mandado de segurança internacional contra si por crimes sexuais na Suécia. Isso significou que Assange e sua equipe precisam ficar isolados enquanto lidam com o material. Uma verdadeira operação secreta.

Documentos sobre Brasil

No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.

Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo.

O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo – espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical – também no jornalismo.

Impressões

A reação desesperada da Casa Branca ao vazamento mostra que os Estados Unidos erraram na sua política mundial – e sabem disso. Hillary Clinton ligou pessoalmente para diversos governos, inclusive o chinês, para pedir desculpas antecipadamente pelo que viria. Para muitos, não explicou direto do que se tratava, para outros narrou as histórias mais cabeludas que podiam constar nos 251 mil telegramas de embaixadas.

Ainda assim, não conseguiu frear o impacto do vazamento. O conteúdo dos telegramas é tão importante que nem o gerenciamento de crise de Washington nem a condenação do lançamento por regimes em todo o mundo – da Austrália ao Irã – vai conseguir reduzir o choque.

Como disse um internauta, Wikileaks é o que acontece quando a superpotência mundial é obrigada a passar por uma revista completa dessas de aeroporto. O que mais surpreende é que se trata de material de rotina, corriqueiro, do leva-e-traz da diplomacia dos EUA. Como diz Assange, eles mostram “como o mundo funciona”.

O Wikileaks tem causado tanto furor porque defende uma ideia simples: toda informação relevante deve ser distribuída. Talvez por isso os governos e poderes atuais não saibam direito como lidar com ele. Assange já foi taxado de espião, terrorista, criminoso. Outro dia, foi chamado até de pedófilo.

Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos.

O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela “pode gerar insegurança” ou “atrapalhar o andamento das coisas”. A imprensa simplesmente não tem esse direito.

É por isso que, enquanto o Wikileaks é chamado de “irresponsável”, “ativista”, “antiamericano” e Assange é perseguido, os cinco principais jornais do mundo que se associaram ao lançamento do Cablegate continuam sendo vistos como exemplos de bom jornalismo – objetivo, equilibrado, responsável e imparcial. Uma ironia e tanto.

*Natália Viana é jornalista e colaboradora do Opera Mundi

domingo, 17 de outubro de 2010

PORQUE SOU DILMA 13

PORQUE SOU DILMA 13

Poderia dedicar intermináveis linhas para comparar os avanços e resultados do governo Lula em relação ao seu antecessor FHC. Ambos tiveram o mesmo tempo como presidente. O de melhor educação formal foi o que menos fez para o povo. Aquele que nem inglês fala direito reposicionou o Brasil no mapa do mundo, perante os países e idiomas de todos os quadrantes.

Infelizmente, vivemos tempos efêmeros, líquidos, descartáveis. Somos bombardeados por informações curtas, rápidas e episódicas; e o que é pior, nem sempre imparciais, isentas e éticas. Falar e divulgar a verdade pode aborrecer o patrão e causar sua demissão e sua conseqüente exclusão do “mercado”. Noticiar coisas boas não dá lucro. Tragédias parecem mais eficentes.

Diante desses dois fatos (Lula/PT objetivamente melhor que FHC/PSDB; e uma mídia que, por informar mal, acaba nos deseducando e despolitizando), como entender a campanha Dilma x Serra e avaliar a qualidade da cidadania brasileira? Em vez de debatermos propostas e de discutirmos projetos estratégicos de país, nos deixamos infectar e hipnotizar por boatos.

O boato não é nada mais nada menos que a principal arma utilizada pela campanha Serra. A arma mais medíocre, mais primitiva, mais covarde. As eleições desse ano, como tantas vezes fizeram com o Lula, estão sendo pautadas pela tragédia. Uma voz aqui e acolá tenta elevar o nível, mas o grosso da estratégia do Serra “do bem” é espalhar o mal e associá-lo à Dilma.

Como toda tragédia tem sua face cômica, vamos a ela: a mulher do “bonzinho” Serra mordeu a própria língua e sua máscara de “virtude maternal” caiu: a Mônica Serra, quem diria, após revelações de uma ex-aluna sua e repercussões na mídia alternativa, assumiu já ter abortado, conforme noticiou a própria Folha de São Paulo (jornal tradicionalmente pró-Serra e anti-Lula): http://mariafro.com.br/wordpress/?p=20474. O feitiço voltou como bumerangue ao feiticeiro.

Quem opta por fazer valer conscientemente seu voto - partindo friamente da realidade coletiva do país e não dos fantasmas individuais do medo impregnados nas entranhas de preconceito que se nutrem dos farelos de egoísmo que pairam na moralidade humana - prefere a Dilma, mesmo que essa adesão não seja automática e desprovida de criticidade, como professou o PSOL e emendou um editorial do Brasil de Fato cujo diagnóstico foi ecoado por Emir Sader: “Dilma não é o governo dos nossos sonhos. Serra é o governo dos nossos pesadelos”.

Eu deveria saltar nesse testemunho o fator Marina Silva, pois acho muito ambígua e contraditória a postura do PV, que vem sendo assediado pelo PSDB em troca de alguns Ministérios caso Serra vença. Ver o Serra citando Chico Mendes soa tão oportunista e patético quanto se FHC viesse a citar o Che Guevara para seduzir os jovens da geração passada. Para quem votou em Marina para enriquecer o debate político no segundo turno, viu que o tiro até agora está saindo pela culatra, conforme argumentei no princípio do texto.

De qualquer forma, devemos aguardar os posicionamentos finais da Marina quanto ao duelo Dilma x Serra. De antemão, cabe a ressalva de que a neutralidade geralmente é omissa e pode chegar a ser burra, no sentido da incoerência histórica e biográfica. E por falar em neutralidade, o que penso do voto nulo, o clássico voto de protesto? Começo com a tese mais pragmática que minha essência idealista consegue tolerar: existe a opção do país ser presidido por ninguém, pelo nada, pelo acaso? Não existe: alguém (oxalá uma mulher) será eleito(a) para tal.

Sobre essa questão, escutemos o Código Eleitoral Brasileiro (Lei nº 4.737/art. 224) diz que: “se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias”. Quando se espalhou essa cláusula, houve quem achasse equivocadamente que os novos candidatos teriam que ser outros, mas isso não procede.

Sou pessoalmente socialista, e tenho mobilizado essa minha inclinação política através dos trabalhos sociais que desenvolvo há 11 anos em ONGs, dos escritos (em verso e prosa) que posto em meu blog e das frases reflexivas que ponho nas redes sociais da internet, como twitter, orkut/facebook e MSN. A propósito, um dos meus sonhos é que, a partir dos meus 50 anos de idade, eu possa encontrar mais tempo e melhores condições para me dedicar de forma mais atenta e livre à minha produção escrita e quem sabe fecundar algum romance. Mas se eu “abortar” antes algum livro solo de poesias (sociais), por favor, não me denunciem.

Cara pálida, mas o que o parágrafo anterior tem a ver com a Dilma e o voto nulo? Calma, eu explico. Tem a ver com minha atitude regular, contaste e radical de "protesto" contra o sistema capitalista. Quem já mergulhou no meu blog, se banha facilmente com essa minha orientação. Mas isso me impede de usar cartão de crédito? Não. De buscar negociar serviços e projetos sociais remunerados para sobreviver? Também não. Afinal, respiramos capitalismo.

Igualmente, respiramos o atual modelo republicano, presidencialista e representativo que compete à democracia política brasileira. Como poderia votar nulo se pago impostos e gero receitas para usufruir de bens e serviços públicos, desde o ônibus que pego para trabalhar, passando pelo Programa Luz para Todos que reduz minha taxa de aluguel até a atual faculdade pública de Ciências Sociais que curso na UFC, como estudante da primeira turma noturna que foi aberta (semestre 2009.1) – ampliação essa favorecida pelo governo Lula.

Desculpem se estiquei demais o texto. Tenho esse problema crônico e cíclico de TPM (Tensão de Prolixidade Máxima). Mas toda justificativa pública deve ser minimamente fundamentada em princípios, experiências e atitudes. Face ao exposto, declaro que Sou Dilma e a desejo como Presidente do Brasil. O que não significa dizer que me calarei e me acomodarei quando ela for eleita e alegrar a maioria das mulheres, homens, jovens e idosos do país. Termino este manifesto pessoal, independente e suprapartidário com a seguinte reflexão:

Esses regimes são liberais: não recorrem essencialmente à coerção, mas a uma espécie de semi-adesão indolente da população. Esta acabou finalmente sendo penetrada pelo imaginário capitalista: a finalidade da vida humana seria a expansão ilimitada da produção e do consumo, o suposto bem-estar material etc. Em conseqüência disso, a população fica totalmente privatizada. O slogan metrô-trabalho-cama [métro-boulot-dodo] de 1968 transformou-se em carro-trabalho-Tv. A população não participa da vida política: votar uma vez a cada cinco ou sete anos em alguém que não se conhece, sobre problemas que não se conhece e que o sistema faz tudo para impedir que você conheça não é participar. Mas para que haja uma mudança, para que haja realmente autogoverno, é decerto preciso mudar as instituições para que as pessoas possam participar da direção dos assuntos comuns; mas também é sobretudo preciso que mude a atitude dos indivíduos com relação às instituições e à coisa pública, a res publica, o que os gregos chamavam ta koina (os assuntos comuns). Pois, hoje, dominação de uma oligarquia e passividade e privatização do povo são apenas os dois lados de uma mesma moeda

(CORNELIUS CASTORIADIS, extraído do livro “Uma Sociedade à Deriva”, pág. 16)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Conservadorismo de São Paulo

O autor foi muito feliz, preciso e claro nesse artigo. São Paulo afirma e reafirma cada vez mais o título de capital brasileira do conservadorismo, do deixa tudo como está que é melhor para nós e pior para eles, incapazes de suarem individualmente e construírem riquezas materiais como a elite empreendedora que ambiciona continuar liderando, supostamente, a marcha do Brasil (contra o povo e apesar do povo). Não enxergam que a abundância de uns (sudestinos, sulistas) foi erguida e exacerbada sobre a exploração de outros (nordestinos, nortistas). É claro que a solução não é incitar e belicizar as desigualdades regionais. Mas é preciso reconhecê-las para superá-las, não é?

(Comentários introdutórios do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)


SÃO PAULO É UM REDUTO DO CONSERVADORISMO?

Por Altamiro Borges

FONTE: http://altamiroborges.blogspot.com/2010/08/sao-paulo-e-um-reduto-do.html - 19/08/2010

Até agora, as sondagens eleitorais dos quatro maiores institutos de pesquisa confirmam a tese de que São Paulo, o principal centro industrial e financeiro do país e que concentra a maior fatia do eleitorado brasileiro (22,3%), tornou-se o reduto do conservadorismo nativo. Enquanto na maior parte do Brasil, Dilma Rousseff, que expressa a continuidade do ciclo progressista aberto pelo presidente Lula, dispara nas pesquisas, neste estado a situação ainda é desvantajosa.

Forte hegemonia demotucana

Apesar da queda na diferença, José Serra, o candidato das elites, mantém folgada vantagem nas sondagens para a sucessão presidencial. Ele aposta todas suas fichas no estado para garantir sua ida ao segundo turno. Já o direitista Geraldo Alckmin, cria do regime militar e seguidor do Opus Dei, pode vencer o pleito para o governo estadual já no primeiro turno. Caso esse prognóstico se confirme, os demotucanos obterão a quinta vitória consecutiva em São Paulo.

Em 2006, PSDB e DEM fizeram barba e cabelo. É certo que o “picolé de chuchu” perdeu votos entre o primeiro e o segundo turno, fato inédito na história; mas o bloco conservador-neoliberal consolidou a sua hegemonia no estado. Elegeu o governador em primeiro turno e uma expressiva bancada de deputados federais e estaduais. Nas eleições municipais de 2008, o DEM conquistou a prefeitura da capital e o PSBD foi vitorioso em importantes cidades do interior paulista.

O paraíso dos rentistas

Quais as razões desta forte hegemonia dos demotucanos no estado, que destoa do restante do país no qual se verifica uma tendência mais progressista nas eleições. No livro “Os ricos no Brasil”, o economista Marcio Pochmann revela que São Paulo se transformou no paraíso de rentistas e das camadas médias abastadas. O Estado, que já foi a locomotiva industrial do país e hoje mais se parece com um cemitério de fábricas, é o principal centro da oligarquia financeira. Das 20 mil famílias que especulam com os títulos da dívida pública, quase 80% reside em São Paulo.

Esta elite preconceituosa mora em condomínios de luxo, desloca-se em helicópteros (a segunda maior frota do mundo) e carros blindados (a maior frota do planeta), e consome em butiques de luxo, como a contrabandista Daslu. Ela não tem qualquer identidade ou compromisso com a nação, estando totalmente apartada da realidade de penúria dos brasileiros. Ela ainda influência uma ampla camada média, que come mortadela e arrota caviar. Estas são as principais bases de sustentação e apoio do bloco neoliberal e de movimentos golpistas e racistas, como o “Cansei”.

Direita enraizada no poder

No outro extremo, como apontam vários livros recentes sobre sindicalismo, o violento processo de desindustrialização do Estado, que resultou em desemprego, informalidade e precarização do trabalho, golpeou a combativa classe operária e fragilizou os seus sindicatos, enfraquecendo a influência política das forças mais vinculadas às lutas dos trabalhadores. Nas eleições de 2006, por exemplo, a bancada de deputados ligada ao sindicalismo perdeu terreno no estado. Estes dois fatores objetivos, entre outros, explicariam a forte hegemonia dos neoliberais em São Paulo.

Há também causas subjetivas. A direita paulista domina todos os poderes no estado. É maioria na Assembléia Legislativa, conseguindo abortar mais de 70 pedidos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs); tem forte peso no Poder Judiciário, com a nomeação de vários representantes das elites; conta com o apoio da mídia, que concentra no estado as matrizes dos seus impérios e garante blindagem ao tucanato e ódio aos setores oposicionistas. E há ainda os erros das próprias forças progressistas, que são tímidas e ineficientes no combate ao neoliberalismo no estado.

Laboratório e palanque dos neoliberais

Estes e outros fatores transformaram São Paulo no laboratório e também o principal palanque dos neoliberais no país. Daqui operam as maiores referências da direita “moderna”, como FHC, Geraldo Alckmin e José Serra, e as mais poderosas entidades empresariais, como a federação das indústrias (Fiesp) e a dos banqueiros (Febraban). Daqui se irradiam as manipulações da mídia, com as redações da revista Veja, dos jornais Folha e Estadão e das maiores emissoras de TV. Toda a orquestração para barrar as mudanças no Brasil parte atualmente de São Paulo.

As eleições de 2010 indicarão se as mudanças promovidas pelo governo Lula poderão fazer ruir a hegemonia demotucana no estado. O aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores, alavancado pela valorização do salário mínimo, os programas sociais, como Bolsa Família, que já beneficia mais de um milhão de famílias paulistas, e a geração de emprego podem abalar o domínio dos conservadores em São Paulo. Mas isto depende do poder de convencimento da militância social.

sábado, 24 de abril de 2010

Pela ética das pesquisas eleitorais

O tempo (mais ou menos bendito e nem sempre humanamente útil) às vezes ousa calar um pouco os clamores deste blog, mas ele deve continuar gritando, com sopro renovado e delicadamente ousado, para tentar difundir miligramas de informação e reflexão social nesse Brasil e mundo ainda tão turbulento e desigual.

Silêncios recentes laconicamente desculpados, não sem constrangimento sincero, faço uso deste espaço para ajudar a divulgar uma grandiosa iniciativa cidadã empreendida pelo Movimento dos Sem Mídia (MSM), uma ONG fundada em 2007 e que reúne blogueiros comprometidos com a comunicação cidadã, emancipadora e solidária.

O Presidente do MSM, Eduardo Guimarães, postou em seu blog Cidadania.com (http://edu.guim.blog.uol.com.br/) informações sobre uma representação expedida pelo Movimento dos Sem Mídia, em prol de maior transparência, integridade e seriedade dos principais institutos de pesquisa eleitoral que atuam no país.

Transcrevo a seguir o texto contido no blog em referência a esta ação. Acessem o link mencionado para observarem a íntegra do documento e colocarem lá o seu relevante comentário de apoio a fim de respaldar esta representação - que no momento em que finalizo esta postagem já reuniu em torno de 1300 adesões. Colabore!

Acrescento que a mobilização desta iniciativa foi, por exemplo, amplificada no blog Viomundo - espaço de grande visibilidade na mídia alternativa - neste link: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/eduardo-guimaraes-em-defesa-de-pesquisas-transparentes.html. Se possível, faça o mesmo através de suas redes e listas de contatos. Merecemos neste ano campanhas políticas à altura de nossos desafios.

Apóie a Representação do MSM

(Atualizado às 14h35m de 24 de abril de 2010)

Reproduzo, abaixo, a íntegra da Representação que o Movimento dos Sem Mídia fez à Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo investigação das pesquisas de intenção de voto para presidente da República feitas neste ano pelos quatro mais importantes institutos de pesquisa do país – Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi.

Além disso, o MSM pede que a Justiça monitore e eventualmente audite todas as pesquisas sobre a sucessão presidencial que venham a ser divulgadas até o fim do processo eleitoral deste ano.

Pouco importa qual é a sua posição política ou a sua ideologia. Se você quer eleições limpas, coloque um comentário neste post declarando seu apoio à Representação do MSM à Justiça Eleitoral. É preciso pôr nome e sobrenome, cidade, estado e profissão. Pede-se, também, que seja um comentário curto.

A lista de assinaturas virtuais nesta Representação será remetida à Justiça Eleitoral como forma de lhe dar maior representatividade. Contudo, seu apoio não implicará em qualquer responsabilidade de sua parte, sendo esta tão somente do Movimento dos Sem Mídia e do seu presidente, o signatário deste blog.

terça-feira, 2 de março de 2010

ALTERCOM: Associação da Mídia Alternativa

Outra mídia é necessária e uma organização nacional para esse fim está nascendo, prometendo fazer contraponto ao poderio desproporcional da grande mídia elitista e conservadora.

A caminhada será longa e os obstáculos desafiadores. A bandeira que impulsionou esta associação é fruto do acúmulo de debates da Conferência Nacional de Comunicação.

Uma boa e inovadora característica da Altercom é que ela abrirá espaço para a representação de blogueiros que estão ajudando a descentralizar a informação.

Devemos divulgar esta iniciativa, apoiar seus passos e perenizar sua missão!

(Comentários do Grito Pacífico - mudando o mundo com você)


Criada a Altercom -- associação da "outra" mídia

por Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador

Fonte: http://www.rodrigovianna.com.br - 01/03/2010

Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação.

Esse foi o nome aprovado no sábado, para a entidade que deve reunir editoras, sites, produtoras de vídeo, de rádio, revistas, jornais, blogueiros, agências de comunicação e tantos outros que não se sentem representados pelo condomínio comandado por Abril/Globo/Folha/Estadão, nem tem peso econômico para atuar junto às grandes teles.

O nome fantasia da nova associação será ALTERCOM.

A entidade é fruto de quase seis meses de debate. Mais que tudo, é fruto da experiência concreta.

A ALTERCOM surgiu como resultado das articulações inciadas durante a Confecom - Conferência Nacional de Comuncação.

Como já escrevi aqui, um grupo de pequenos empresários da comuncação conseguiu eleger uma bancada de 20 delegados por São Paulo, para participar da Confecom. O grupo, conhecido como G-20, não se alinhava nem com as teles (conglomerados milionários que chegaram ao Brasil recentemente, e também estão em guerra contra os velhos barões da mídia), nem com o setor tradicional de jornais/revistas e radiodifusão no Brasil.

O G-20 ajudou a aprovar muitos princípios importantes na Confecom - incluindo a criação do "Conselho Nacional de Comunicação".

A turma do G-20 percebeu, então, que havia espaço e necessidade para se criar uma entidade que articulasse permanentemente esse setor.

No último sábado, o G-20 ficou maior. Um grupo de 40 ou 50 pessoas (o pessoal da "CartaMaior" deve divulgar depois um balanço mais detalhado) se reuniu em São Paulo e tomou a decisão de criar a entidade, que terá uma dupla função: defender as posições políticas e os interesses econômicos dos pequenos empresários (alguns nem tão pequenos assim) e dos empreendedores individuais da comunicação.

Defender as posições políticas significa participar do debate nacional. Exemplo: se a ABERT (que representa a Globo) ou a ANER (que representa a Abril, basicamente) divulgam uma carta criticando a Confecom, por atentar contra a "liberdade de expressão", nosa entidade poderia fazer o contraponto, em nomes dos empresários e empreendedores que não se alinham com o grande capital.

A defesa dos intereses econômicos significa luta para que a repartição das verbas públicas de publicidade seja mais justa, ajudando a incentivar uma diversidade maior de vozes no Brasil. Num segundo momento, pode significar também uma articulação para que os pequenos conquistem parte da verba dos grandes anunciantes privados - por que, não?

Alguns dos presentes na reunião do último sábado propuseram que a entidade trouxesse em seu nome a marca da "midia alternativa". Queriam que a entidade fosse a Associação da Midia Alternativa. O argumento é que essa marca "alternativa" é usada no mundo todo, e seria também uma referência à "imprensa alternativa" (jornais como Opinião, Movimento, Pasquim, Em Tempo, EX, e tantos outros) que cumpriu papel importante na passagem dos nos 70 para os 80 no Brasil.

Mas a maioria preferiu manter essa marca de "alternativo" fora do nome, por entender que poderia trazer a impressão de algo precário, sem qualidade. No Brasil atual, quando falamos em "alternativo", muita gente pensa em algo feito de improviso, sem muita técnica.

Sabemos que não é uma visão justa. Mas a maioria preferiu deixar claro que esse grupo não reúne gente amadora, mas um pessoal disposto a comprar a briga com os grandes - de forma séria, competente, e profissional sempre que possivel.

De toda forma, a referência ao "alternativo" de outros tempos (que muito nos orgulha) ficou implícita na sigla - ALTERCOM.

O "alter" pode ser lido também como "outro", diferente. E aí há uma associação direta com a idéia do "outro mundo é possível" - tão presente no Forum Social Mundial.

Não vou me adiantar mais. Até porque tudo isso deve constar da carta de princípios e do estatuto da entidade - que devem estar prontos em 15 dias. Aí, nova assembléia será convocada, para aprovação oficial da ALTERCOM.

A idéia é que dela façam parte revistas (como "Caros Amigos" e "Fórum"), sites (como "CartaMaior"), editoras (como "Boitempo" e "Paulinas"), webTVs (como "allTV"), jornais do interior (como "ABCD Maior"), além de agências de comunicação e produtoras de conteúdo para cinema, teatro, rádio. Todas essas são empresas constituídas, de forma convencional, com CNPJ, funcionários, sede, contrato em cartório. O que as diferencia é o conteúdo que oferecem, e o posicionamento polítco de seus proprietários.

Mas a ALTERCOM vai abrir espaço também - e aí, parece-me, está um grande diferencial da nova associação - para centenas de "empreendedores" individuais surgidos nos últimos anos no Brasil. Quase todos são blogueiros (como esse "Escrevinhador") que ajudaram a quebrar a lógica da comunicação verticalizada.

Blogueiros como Eduardo Guimarães ("Cidadania.com"), Marcelo Salles ("Fazendo Media") e Luiz Carlos Azenha ("VioMundo") já avisaram que vão participar da ALTERCOM.

Quem se associar pagará uma pequena contribuição (certamente, haverá valores diferenciados para "empresas" e "empreendedores individuais").

A ALTERCOM pretender ser uma entidade nacional, aberta. Pode ser um embrião para muitas experiências inovadoras. Tenho certeza.

Em 20 ou 30 dias, ela deve estar funcionando oficialmente, com registro em cartório, site, escritório de representação.

Blogueiros de todo o país que quiserem participar devem ficar atentos. Em duas semanas, teremos mais novidades.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

OPINANDO: Por uma oposição menos "suja"

Exponho abaixo o comentário que fiz sobre o texto "Por que Serra deverá concorrer", redigido e postado por Eduardo Guimarães, nos primeiros minutos do dia 28/02/2010, no seu blog http://edu.guim.blog.uol.com.br, que por sinal lhes recomendo.

A tese sobre a qual me posiciono refere-se ao entendimento de que a oposição precisa do Serra para continuar existindo e que todo governo de situação precisa de uma oposição atuante que o fiscalize.


"Tendo a discordar em parte com o teor de sua reflexão.

Oposição política é saudável e sempre necessária, mas ela deve ser mais qualificada; em outras palavras, jogar menos sujo.

O estilo Serra e a postura de sua mídia, que também é a mídia que pauta grandemente a opinião média do brasileiro, não ajudam em nada a garantir e fazer valer uma oposição digna, à altura da democracia política que merecemos.

Além disso, o "controle político" não se resume apenas à intervenção partidária. Em uma perspectiva pública e coletiva mais ampla, a sociedade civil como um todo, através de suas associações, movimentos e grupos organizados, deve participar ativamente, mesmo que indiretamente, da fiscalização do poder executivo, de forma a evitar desmandos e inibir totalitarismos."

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Militarizando o desserviço ao Haiti

MILITARIZANDO O DESSERVIÇO AO HAITI

Meu grito, nunca calado, hoje, embalado pelo novo ano e refeito de alguns hiatos pessoais, volta a esgoelar-se, mais sedento de paz e sobretudo mais cônscio de que, enquanto houver injustiças, vozes não poderão dormir, para denunciar o silêncio da omissão... seja ela real, virtual, mundial, local e - a propósito - haitiana.

Lula anunciou, no evento do Fórum Social Mundial ocorrido recentemente em Porto Alegre, que irá ao Haiti no final de fevereiro. Propôs inclusive um ano de solidariedade a este país. O mês de janeiro, enfim, derramou-se em choros de dor, lágrimas de luta, gestos de fraternidade, explosões de compaixão.

Para a mídia (convencional), o assunto Haiti praticamente saiu de pauta. Esta mídia parece ter cumprido seu objetivo ideológico: divulgar o caos para justificar medidas de ordem. E em matéria de botar ordem na casa - ou no mundo ocidental - o super Tio Sam foi convocado. No entanto, este império em declínio meteu os pés pelas mãos, pela enésima vez.

Imagine-se dentro de uma imensa casa, quando de repente um incêndio ameaça a vida de seus familiares e amigos mais caros. Você pede ajuda desesperada aos vizinhos, no entanto, em vez de trazerem prioritariamente uns 12 bombeiros, enviam-lhe de forma oportunista mais 12 litros de combustível. Os filhos e amigos dos amigos que sobreviveram jamais entenderam a loucura da "solução" indicada para o acidente.

Não vou lembrar o que todos já sabem. Nem é sadio ficar contabilizando sangue. Mas vou atentar para a reflexão de que, por trás do fatídico terremoto natural e involuntário que se abateu sobre o já historicamente abatido Haiti, um terremoto político e voluntário sacudiu - como tantas vezes o faz - o bom-senso do governo norte-americano.

Como o trecho abaixo noticia, o Tio Sam bateu a porta na cara (sinta-se coração) de seus sobrinhos enfermeiros. Em vez de curativos, as malas de primeiros-socorros enviadas ao pobre Haiti estavam pesadas de equipamentos bélicos, carregadas por 12.000 soldados ianques, que por lá tem chegado e "ocupado" novamente o país, à revelia oficial da ONU, da missão brasileira no Haiti e do senso humano de paz (e justiça).

E por que fazem isso? O último Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça (onde Lula recebeu, representado pelo Min. Celso Amorim, o prêmio - inédito nos 40 anos deste Fórum - de Estadista Global), foi marcado por um alerta revelador: a economia norte-americana registra recuperação estatística mas ainda padece de recessão humana. Ou seja, o desemprego por lá (na mansão do Tio Sam) continua feio, insolúvel. E as contas do novo orçamento deles bateram o déficit recorde de 1,5 trilhão de dólares (fico até tonto só em digitar esta cifra).

Vou arriscar um palpite. O seu também vale. Por que salvar um país como o Haiti em um mês se você pode salvá-lo a prestação, em doze meses, ou dozes anos, com doze vezes mil soldadinhos americanos ociosos para trabalhar e girar a engrenagem meio carcomida da economia (nada econômica) dos EUA. Eles globalizaram as empresas (civis ou não), espalhando pelo mundo multinacionais famintas e bases militares antipáticas. Enfraqueceram com suas doutrinas neoliberais o papel e a força dos Estados-Nação (os quais hoje tentam se ressuscitar no xadrez geopolítico da América Latina e dos outros tabuleiros do planeta), tudo em nome do lucro fácil, concentrado e sutil, sem leis, transparências e “burocracias”.

No entanto, quando surge uma nova oportunidade de faturarem (nos vários sentidos lícitos e ilícitos do termo, como é o caso daqueles espertinhos que estão traficando criancinhas órfãs), os EUA, acima do bem e do mal, contra tudo e todos, rasgam sem pudor a bíblia de Adam Smith que cultuam da boca para fora: burocratizam a ajuda humanitária, burocratizam a cooperação internacional, burocratizam a reconstrução emergencial do Haiti, e ainda ousam burocratizar nossa livre capacidade de se indignar – sejamos enfermeiros(as) ou não.

Grito Pacífico - "mudando o mundo com você"


Michael Moore: Vergonha dos democratas

Fonte brasileira: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/michael-moore-vergonha-dos-democratas/ - 02/02/2010

Michael Moore: "Os Democratas envergonham-me"

Fonte original: Democracy Now, via Esquerda.Net - 31/01/2010

Amy Goodman: Hoje entrevistamos Michael Moore, um dos realizadores de cinema independente mais famosos do mundo. Nestes últimos vinte anos, Moore tem sido um dos realizadores mais provocadores, bem sucedidos e politicamente activos. Podemos destacar da sua cinematografia, entre outros, títulos como "Roger and me" (Roger e Eu), "Fahrenheit 9/11", "Bowling for Columbine" - que lhe granjeou o prémio da Academia - e "Capitalism: A Love Story" (Capitalismo: Uma História de Amor), o seu filme mais recente.

(...) Tive a oportunidade de o entrevistar... Comecei com uma pergunta sobre a situação no Haiti.

Michael Moore: O mais espantoso acerca "da resposta norte-americana" - conforme disse - foi a reacção individual, de cada norte-americano. Mobilizaram-se no próprio dia do terramoto, doaram com mensagens de telemóvel para a Cruz Vermelha, ofereceram-se como voluntários, queriam ajudar. As campanhas de recolha de donativos começaram nesse mesmo instante.

Quando se deu o terramoto eu estava em Miami. Testemunhei este esforço. Sobretudo por parte da comunidade haitiana e de outras comunidades do Sul da Flórida. Houve até o caso de um médico de Fort Lauderdale, proprietário de um avião, que não esperou por autorizações oficiais. Chegou ao aeroporto, saltou para o cockpit, foi ao Haiti, trouxe todos os feridos que podia - cerca de quinze pessoas - e levou-os para o hospital de Fort Lauderdale. Eu pensei então, "Meu Deus, porque é que não assistimos a isto todos os dias?"

Mas a resposta do governo, digamos, foi desajeitada, soou mais uma vez a "Somos demasiado poderosos para falhar". Que é o mesmo que dizer, "Somos demasiado poderosos para sermos bem sucedidos". Pelo menos foi assim que deram a entender.

Mas também lhe digo: de imediato, e em poucas horas, Barack Obama tentou organizar uma resposta, o que contrasta, e muito, com o que assistimos durante os mandatos de Bush, como no caso do Katrina e de outras tragédias do género. De tal modo que me recordo de me ter sentido bastante satisfeito com esta reacção.

Mas depois, no segundo e no terceiro dia, quando se percebeu que não estava a chegar ao Haiti qualquer ajuda significativa e que nessa altura era mais importante resolver a situação dos norte-americanos que lá estavam, na Embaixada, no Hotel Montana, etc. etc... Com certeza, é natural ocuparmo-nos primeiro dos nossos compatriotas, mas eu esperava que estivéssemos ali para ajudar toda a gente e que ninguém fosse considerado mais humano do que o seu semelhante.

Amy Goodman: Não sabia de um grupo de enfermeiras que queria ir - ou seria mais do que um grupo?

Michael Moore: Meu Deus... O Sindicato Nacional dos Enfermeiros. Esse é o episódio mais triste de todos. Espero que quem me esteja a ouvir, e a ver, reaja e faça pressão sobre a administração Bush. O Sindicato Nacional dos Enfermeiros...

Amy Goodman: ...A administração Obama?

Michael Moore: Sim, a de Obama. O que é que eu disse? A...

Amy Goodman: Administração Bush.

Michael Moore: Certo, certo. Já estamos a pressioná-los. Já não estão entre nós. Mas isso não era só freudiano, este é o meu estado de espírito. Porque eu não aceito a agradável diferença entre as administrações Bush e Obama, é ilusória. À primeira vista, se compararmos a actualidade com o que aconteceu nos últimos oito anos, tudo nos parece fantástico, mas na essência, na prática... Não lhe consigo dizer o quanto estou desiludido.

E o que sucedeu com o Sindicato Nacional dos Enfermeiros revela o empenho deste corpo de profissionais. Quantos estavam dispostos a partir imediatamente para o Haiti? Quase doze mil enfermeiros, note bem, doze mil enfermeiros deste país estão dispostos a seguir para o Haiti. E um enfermeiro poderia cuidar de muitas pessoas. Imagine então quantas pessoas poderíamos ajudar se pudéssemos enviar doze mil enfermeiros devidamente equipados. E esta oferta já foi feita há muitos, muitos dias, está a perceber?

Amy Goodman: A quem?

Michael Moore: À administração Obama, pela dirigente do sindicato. Ela entrou em contacto com o governo e foi ignorada, de início ninguém lhe respondeu. Mas lá acabaram por encaminhá-la para alguém que não tinha qualquer poder de decisão. Então, depois de tudo isto, ela contactou-me e disse-me "Você saberá, porventura, como poderemos chegar até ao presidente Obama?"Eu respondi, "É patético o facto de vocês serem forçados a ligar-me, quer dizer, vocês são o maior sindicato de enfermeiros. Tanto quanto sei asseguram a vice-presidência da AFL-CIO [Federação Americana do Trabalho - Congresso de Organizações Industriais], e mesmo assim não conseguem que a Casa Branca vos autorize o envio de doze mil enfermeiros para o Haiti? Não sei o que fazer por vocês... Não sei, vou ligar também".

O que é certo é que até hoje pouco mais foi feito. É angustiante. E é só um exemplo do que se passa. Na última semana você fez a cobertura deste estado de coisas quando lá esteve - falharam redondamente.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ARTIGO: O Desafio Social da Profissionalização

O DESAFIO SOCIAL DA PROFISSIONALIZAÇÃO EM TEMPOS DE MUDANÇA

Tendo em vista a ampliação e legitimação crescente de seus resultados, as organizações e movimentos da sociedade civil vêm sendo desafiados a se profissionalizar, por meio da estruturação, do fortalecimento, da sistematização e do aprimoramento dos seguintes processos básicos ou dimensões transversais de funcionamento:

- Práticas de gestão e planejamento;
- Estratégias de atuação comunitária;
- Sistemas de monitoramento e avaliação;
- Capacidades de parceria e articulação;
- Poder de influência em espaços públicos;
- Mecanismos de sustentabilidade financeira.

Tais aspectos compõem o tema abrangente do desenvolvimento institucional, que ainda não recebe a devida atenção por parte de muitas entidades e atores sociais, acostumados que estavam, muitas vezes, a receber financiamentos com maior facilidade, disponibilidade e liberdade para gastá-los onde, quando e como achassem mais convenientes.

No entanto, os tempos mudaram e as responsabilidades também. As organizações não-governamentais consolidaram-se e difundiram-se, no Brasil e no mundo, como agentes fundamentais e imprescindíveis para a solução dos problemas sociais, ambientais e culturais cada vez mais complexos e desafiadores que afetam grande parte da humanidade.

O enfrentamento desses desafios e a construção de alternativas, evidentemente, requerem a participação conjunta, permanente e diferenciada dos demais setores organizados, que incluem o investimento dos governos, a colaboração das empresas, a cooperação das universidades, a representação dos partidos e o amparo das instituições multilaterais.

Mudar o mundo! Esse é o lema maior que inspira e aglutina uma multidão de profissionais, militantes e voluntários que não aceitam e se reconhecem no tipo de sociedade egoísta, violenta, insensível e excessivamente competitiva que impera entre nós e ameaça nosso futuro comum. Combater as desigualdades, preconceitos e injustiças de toda ordem! Essa é (ou deveria ser), em última instância, a razão de ser das associações civis, fundações privadas, entidades religiosas e cooperativas solidárias que integramos ou conhecemos.

Começamos falando da necessidade de profissionalização social e de repente paramos na questão da missão da sociedade organizada frente às crises do planeta, cujo caos se reflete no cotidiano do nosso bairro, da nossa comunidade e às vezes dentro do próprio lar. Isso foi para ajudar a mostrar que não há contradição entre sermos organizados e sermos indignados, entre zelarmos pela gestão interna e cuidarmos da atuação externa.

Pelo contrário, o desenvolvimento técnico-institucional e a militância sócio-ambiental devem caminhar de mãos dadas e passos firmes. As competências executivas (que alguns chamam equivocadamente de burocracia) e as lutas políticas (que às vezes não passam de interesses eleitoreiros) podem e devem buscar – sempre – eliminar seus aparentes antagonismos, partilhar seus sonhos, somar suas forças e multiplicar seus impactos.

sábado, 1 de agosto de 2009

Campanha Contra Golpe em Honduras

Amigos do Twitter, da blogosfera e da internet, desde já, obrigado por passarem aqui e ajudarem a multiplicar este pedido para a Avazz.

Para quem ainda não conhece o trabalho da Avazz, vejam o breve anexo ao final e acessem sua apresentação geral neste link: http://secure.avaaz.org/po/about.php

Indignado com a omissão da mídia e a impotência da comunidade internacional, elaborei por livre e espontânea iniciativa esta sugestão de texto para cada um de vocês também enviarem ao e-mail de contato da Avazz: info@avaaz.org.
O título do e-mail pode ser o desta postagem: "Campanha Contra Golpe em Honduras"

FAVOR PARTICIPAR E DIVULGAR !!!

O pouquinho que cada um pode fazer significa realmente muito para todo o mundo!

PS.: Observo que, até esta data (01 de Agosto de 2009, às 20h30), não identifiquei no site da Avazz em português (http://www.avaaz.org/po/) nenhuma iniciativa explícita nesse sentido. Caso já exista alguma em curso, pois que o e-mail a ser enviado agora por você sirva de reforço e visibilidade ainda maior para esta problemática; ou melhor, para esta causa, especialmente da América.

[ INÍCIO DO TEXTO PROPOSTO ]

SOLICITAÇÃO URGENTE DE CAMPANHA PARA EQUIPE DO AVAZZ (incluindo Ricken, Alice, Pascal, Ben, Veronique, Paul, Graziela, Brett, Raluca, Luis, Raj, Milena, Paula, Iain, Taren e Margaret).

Continuamos muito preocupados com a persistência do golpe em Honduras e os efeitos desestabilizadores que essa situação tem causado para o povo, a democracia e a economia do país. Sem falar dos conflitos internos, das dezenas de mortes e da série de detenções de que se tem notícia através dos meios alternativos, já que a mídia tradicional da América tem minimizado bastante a gravidade desta crise. O golpe perdura há mais de um mês e as negociações para a volta do presidente legítimo Manuel Zelaya têm se mostrado lentas, insuficientes e infrutíferas, apesar da corajosa e determinada capacidade de mobilização e resistência demonstrada pelos grupos, organizações e cidadãos que apoiam Zelaya.
Face ao exposto, solicita-se com urgência que a equipe do AVAAZ promova uma petição contra o golpe e em defesa da democracia em Honduras, conscientizando e sensibilizando os milhões de internautas para a adesão e divulgação de mais uma importante campanha em prol de um mundo mais justo, pacífico e sustentável.

Aguardamos gentilmente o retorno desta demanda.

Parabéns por sua missão e obrigado por sua atenção!

<<< Seu nome e sobrenome >>>

<<< Sua cidade, estado e país >>>

[ FIM DO TEXTO PROPOSTO ]


ANEXO: ESCLARECIMENTO SOBRE O TRABALHO DE MILITÂNCIA E ABRANGÊNCIA DA AVAZZ.

FONTE: Trecho extraído do informe de resultados da Avazz que recebi em 31 de julho de 2009, através do e-mail intitulado "Como o cyberativismo está mudando o mundo".

As petições, campanhas de captação, manifestações e lobby político que a nossa comunidade está fazendo está tendo um impacto incrível. A Avaaz cresceu mais de 50.000 pessoas por semana, tendo agora mais de 3,6 milhões de cidadãos engajados em todos os países do mundo. Nós somos realmente globais, operando em 14 línguas, já temos 25.000 membros em Singapura, 35.000 na África do Sul, 130.000 na Itália, 50.000 no México... Nunca antes houve uma comunidade como a nossa, capaz de responder rapidamente a questões globais e mobilizar de forma eficaz o poder da sociedade civil global para as maiores necessidades e preocupações da humanidade -- isto é um grande motivo de esperança!

Nesta jornada emocionante, estamos ansiosos pelas próximas 10 semanas, e 10 meses, e 10 anos juntos!

Com esperança,

Ricken, Alice, Pascal, Ben, Veronique, Paul, Graziela, Brett, Raluca, Luis, Raj, Milena, Paula, Iain, Taren, Margaret e toda a equipe Avaaz

PS - para ver os destaques das campanhas da Avaaz em 2007 e 2008, e deixar um comentário, clique aqui:
http://secure.avaaz.org/po/report_back_2

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Convite à Cooperação que vem da Colméia

Conheci há poucos dias uma iniciativa brilhante de organização, cooperação e ajuda mútua em rede, tendo como plataforma fundante de encontro, interação e ação o seguinte site/portal: http://coolmeia.ning.com

Já me tornei uma abelha desta construção. Precisamor produzir e beber juntos o mel da mudança; adoçando nossas vidas de justiça, amor, esperança, paz, felicidade, saúde, harmonia, fraternidade, tolerância e altruísmo.

Divulgo na íntegra o documento que plasma com esplender os valores iniciais desta iniciativa em consolidação e difusão... Parabéns aos idealizadores e a todos e todas que estão edificando e alimentando a Coolmeia!!!

Carta de Princípios da Coolmeia

Parágrafo Primeiro – Acreditamos que através da participação, cooperação e compartilhamento de conhecimento podemos fazer a diferença em nossas vidas, das pessoas que conosco se relacionam e no ambiente em que vivemos

Parágrafo Segundo – Muito mais do que um agregador de idéias, soluções e histórias, buscamos ser uma ferramenta de mudança social e ambiental. Quer seja ajudando a orientar um consumo mais consciente, ensinando como melhorar sua comunidade, como lutar contra a pobreza material, cultural ou física (doenças) ou lhe apoiando no desenvolvimento de seus próprios projetos éticos e altruístas, fornecemos as informações e os meios para que você possa começar e seguir sua caminhada

Parágrafo Terceiro – Acreditamos que mudar o mundo não necessariamente entra em conflito com a vida que queremos. Tornar nosso consumo mais sensato, melhorar a vida de outras pessoas e ser mais gentil com o planeta nos levará a uma vida muito mais saudável, feliz, excitante e plena de significados

Parágrafo Quarto – Estamos vivendo a Era do Despertar Individual, um momento no tempo em que muitas pessoas (as que já despertaram) não querem mais um Messias, e em seu âmago se incomodam com lideranças. Estão cada vez mais conscientes que precisam (e podem) se auto-gerir e cada uma quer, de fato, ser responsável pelas mudanças que urgem.

Parágrafo Quinto - A busca da verdade é um complexo caminho de idas e vindas, onde devemos usar o conhecimento atual para produzir novos conhecimentos, com uma única certeza: de que o que sabemos "com certeza" agora, amanhã poderá ser somente uma ilusão. Devemos saber usar o novo conhecimento adquirido para voltar atrás e verificar nossas antigas idéias e crenças, evitando sempre cair no perigoso Mito do Eu Já Sei Tudo.

Parágrafo Sexto – A Coolmeia trata de encontros entre indivíduos imbuídos na tarefa comum de enfrentar os grandes desafios do nosso tempo. Enquanto ficamos anestesiados, sentados em frente aos nossos televisores com telas cada vez maiores e tecnológicas, o aquecimento global transformou-se de previsão a fato, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem em pobreza extrema enquanto uma pequena porcentagem utiliza sistemas que exploram indivíduos e o ambiente para aumentarem suas riquezas, milhões de crianças morrem devido a doenças passíveis de prevenção e má nutrição e, em boa parte do mundo, a violência, a corrupção, o terrorismo e a opressão são realidades diárias.

Parágrafo Sétimo – Vivemos um Ponto de Mutação na História da Civilização Humana, um momento em que grandes lideranças morais e a responsabilidade de toda uma geração está sendo posta à prova.

Parágrafo Oitavo - Nos organizamos de forma a produzir um Compêndio de Soluções a ser utilizado por quem ousar iniciar esta jornada de renascimento. A Coolmeia não mostrará somente o que já existe e é possível, mas também nos ajudará a imaginar uma nova casa, uma nova comunidade, uma nova aldeia global. Podemos pintar um novo mundo, não com uma visão catastrófica como hoje se nos apresenta, mas com uma outra, cheia de esperança, graças ao nosso ímpeto humanista.

Parágrafo Nono – Acreditamos que, enquanto os meios de comunicação de massa não refletirem em sua pauta – ou somente o fizerem em horários restritos e de forma insuficiente – temos a missão de divulgar ações concretas que estão sendo realizadas em nosso país e em todo mundo por pessoas que já conseguiram desvincular-se da ótica da produção capitalista e estão produzindo Capital Social, bens, serviços, espaços e atitudes que possam ser compartilhados por todos e não por uma seleta minoria de escolhidos

Parágrafo Décimo – Somos um grupo de visionários unidos pela tarefa de encontrar, compartilhar, discutir informações e montar em conjunto recomendações de iniciativas práticas a serem implementadas por indivíduos ou grupos de pessoas em suas casas, instituições ou comunidades. Somos um processo contínuo, que começou juntamente com o primeiro homem, há milhões de anos, e que não tem fim, posto que não possui raízes mas mesmo assim ininterruptamente espalha suas sementes prevendo a colheita de uma nova cultura.

Parágrafo Décimo-Primeiro – As ferramentas, modelos e ideias para construir um brilhante futuro para todos já estão entre nós. Suas peças estão fragmentadas e espalhadas, esperando um trabalho lento, porém sistemático de agregação, síntese e compreensão, trabalho esse ao qual a Coolmeia se propõe

Parágrafo Décimo-Segundo – Somos pessoas que, passo a passo, estamos nos tornando a mudança que queremos ver no mundo. Somos seres sociais, compartilhadores de conhecimento e sentimento, pensamos globalmente e agimos localmente. Somos uma “não-entidade” instituinte vibrante, capaz de influenciar positivamente o mundo à sua volta

Parágrafo Décimo-Terceiro – A Coolmeia é também uma máquina de busca, em que você poderá encontrar não somente assuntos mas também pessoas e organizações que lidam com assuntos criticamente importantes para o bem-estar de cada um de nós. Ao encontrar o que ou quem você procura, torna-se também um ponto de encontro para o debate e aperfeiçoamento contínuo das vivências que perfazem esta nova forma de viver e existir

Parágrafo Décimo-Quarto – Fazemos um convite contínuo a mudanças em nossas vidas cotidianas e trazemos a consciência de quão poderosos somos como indivíduos, da mesma forma que não esquecemos o quanto precisamos uns dos outros. Nossas decisões devem, necessariamente, levar em conta O OUTRO. Atualmente, utilizamos o planeta, uma pessoa, um dia, uma decisão a cada tempo, sem considerar as conseqüências. Somos entretanto mais de seis bilhões de consumidores do planeta, diariamente. E nossas decisões e escolhas são insustentáveis. Não estamos deixando para as gerações seguintes o mesmo que ganhamos de nossos pais: estamos lhes deixando com menos a cada geração. São eles quem pagarão nossas dívidas.

Parágrafo Décimo-Quinto – Não achamos justo que outras pessoas paguem nossas dívidas, portanto trabalhamos para planejar estilos de vida que utilizem apenas um planeta para nossa sobrevivência. Assim, o planejamento familiar deixa de ser um problema individual ou estatal, e passa a ser uma questão global, mas que deve ser enfrentada localmente, em cada família, escola ou grupo de jovens ou adultos. Queremos pagar nossas dívidas ainda em vida.

Parágrafo Décimo-Sexto – Pessoas que vivem em barracos e choupanas podem comparar a qualidade material de suas vidas com a dos passageiros dos jatos que voam sobre eles. Como regra, eles também querem um carro, um computador com banda larga, roupas confortáveis e uma casa na praia. Precisamos criar um sistema que distribua prosperidade a todos, sem entretanto aumentar nossa pegada ecológica. Este é um desafio épico sobre o qual vamos nos debruçar

Parágrafo Décimo-Sétimo – Vivemos em um mundo em que o número de pessoas trabalhando para inventar, usar e compartilhar ferramentas, modelos e idéias para transformar o mundo está crescendo substancialmente. Para vencer a batalha contra um mundo em decomposição (social, moral, ecológica) precisamos apenas garantir que este Movimento, estas Iniciativas que hoje se encontram fragmentadas, transformem-se em um fluxo composto de milhões de pessoas comprometidas em fazer a sua parte ao adotar boas ideais, encontrar novas soluções em seu trabalho ou campo de atuação e viver e compartilhar o que aprenderam

Parágrafo Décimo-Oitavo – Cada um de nós tem uma parcela de responsabilidade. Cada um de nós pode ser um motor deste Movimento que está mudando o mundo, e a melhor parte é que não é necessário que prometamos lealdade irrestrita a um líder supremo ou que nos unamos misticamente a um culto ou sistema de crenças. Precisamos apenas que milhões de nós façam o melhor ao pensar por si mesmos e compartilhem o que já aprendemos

Parágrafo Décimo-Nono – A Coolmeia não busca ser a detentora de todas as respostas. Apenas deseja compartilhar soluções já tentadas por outras pessoas para que cada um possa se inspirar e repeti-la localmente ou então criar sua própria solução para os problemas da sua vida, da sua casa, seu trabalho ou sua comunidade

Parágrafo Vigésimo - Acreditamos que seja possível inclinar outras pessoas à mudança através do exemplo. Se organizamos nossas vidas pessoais de forma a estar fazendo as coisas certas e, fazendo assim, temos uma vida maravilhosa, estamos agindo como representantes da ideia de que ser verde pode ser inteligente. Uma das maiores barreiras mentais às mudanças de comportamento é a ideia de que a mudança pode ser desconfortável. Mas sabemos também que, cada vez que desenhamos nossas vidas de modo a causar menos impacto, damos suporte a boas iniciativas e tornamos nossas vidas mais confortáveis, bonitas e excitantes, estamos mandando uma mensagem poderosa a todos em nossa volta

Parágrafo Vigésimo-Primeiro - Boas intenções são fantásticas, mas somente a paixão muda o mundo. Comece fazendo coisas fáceis e então passe às coisas mais desafiadoras nas quais acredita e com as quais sente prazer. Quer seja seguindo os exemplos ou dando exemplos, sempre será parte de uma troca entre você, a humanidade e o ambiente que nos cerca

Parágrafo Vigésimo-Segundo – A Coolmeia não cresce continuamente com a ajuda de pessoas que sabem tudo, mas com um grupo de pessoas que trabalham para encontrar uma forma de fazer a diferença juntos. É um ponto de partida para decidir como nossa vida pode valer a pena. Descobrir qual é nossa tarefa nesta vida, para que fomos até aqui chamados é uma tarefa que somente cada um de nós poderá responder. A Coolmeia, entretanto, lhe providenciará ideias para que você possa repensar sua própria vida e também providenciará abordagens para a mudança. Desde a instalação de um sistema de compostagem em sua casa ou apartamento, a aquisição do hábito de consumir alimentos orgânicos até mudanças mais amplas como levar sua carreira a uma nova direção ou mobilizar seus vizinhos para aperfeiçoar sua comunidade, VOCÊ será o melhor juiz para arbitrar como aplicar estas idéias em sua própria vida

Parágrafo Vigésimo-Terceiro – Existe um universo inteiro de “abelhas-humanas” buscando compartilhar informações e ideias, crescendo em número dia a dia. Encontre seus aliados e suas inspirações e compartilhe conosco o que você aprendeu. É disso que tudo se trata: apreender, aprender, compartilhar, cooperar.

Parágrafo Vigésimo-Quarto – Precisamos de melhores ferramentas, modelos e idéias para mudar o mundo para melhor. Quanto mais pessoas tiverem acesso a estas ferramentas, modelos e idéias, melhor suas próprias idéias se tornarão e mais idéias se tornarão disponíveis. Qualquer um pode se juntar à conversação, e quanto mais pessoas o fizerem, melhor ela se tornará. Quanto melhor a conversação, e quanto mais pessoas utilizarem as ferramentas, mais excitante nossa aventura se tornará, e maiores as chances de sucesso.

Parágrafo Último – Considere isso um convite para juntar-se à aventura. Que tipo de futuro você criará?

domingo, 26 de julho de 2009

Grandes mudanças passam pelos valores

A pergunta que abre o texto abaixo deveria ser uma prece diária para todo brasileiro. Mas ela deveria ser feita junto com outra: O que precisamos mudar para termos um Brasil melhor? Duas perguntinhas em nada inéditas, mas que expressam bem o convite indispensável para reformarmos o país e a nós mesmos.

Fala-se muito em crise econômica, ambiental etc. Mas isso é só a ponta do iceberg de uma crise muito mais profunda na qual todos nós estamos de alguma forma mergulhados e geralmente sequer nos damos conta: é a crise de valores. A pesquisa noticiada traz um grande alento: o povo já começa a intuir e apontar tal necessidade.

Essa é a ferida que deve ser olhada, tratada e curada. Se não revisarmos, burilarmos e elevarmos nossos padrões morais, éticos, espirituais, interpessoais e sócio-afetivos (enfim, tudo aquilo que reflita nossos valores), em pouquíssimas décadas a dor da humanidade será crônica e o país afundará junto com o planeta.

Comentários do Grito Pacífico, mudando o mundo com você


O QUE PRECISA MUDAR NO BRASIL PARA TERMOS UMA VIDA MELHOR?

Por Ricardo Young - 24/07/2009

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4624

O que precisa mudar no Brasil para termos uma vida melhor? Esta pergunta foi feita pelo escritório brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD Brasil) pela internet e em sete audiências públicas para escolher o tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil, que deve sair no início de 2010. Quinhentos mil brasileiros de todas as idades, faixa social, sexo e escolaridade deram sua resposta, por internet ou nas audiências. Além disso, graças às parcerias com a TIM e a Natura, mais de dois milhões de brasileiros foram mobilizados por SMS e um milhão de mulheres, pela rede de revendedoras.

Foi uma metodologia inédita no mundo, mais uma reflexão do que uma pergunta, revelando as grandes áreas de preocupação dos brasileiros.

O resultado surpreendeu os pesquisadores do PNUD. E a nós, também: a “receita” dos brasileiros para uma vida melhor, de acordo com a pesquisa, passa por “valores” como respeito, responsabilidade e justiça. Honestidade, paz, consciência e ausência de preconceito também foram largamente citadas.

Flávio Comim, diretor do PNUD Brasil, aponta a forma como a pesquisa foi conduzida como fundamental para se chegar a este resultado. Uma pergunta aberta - o que precisa mudar no Brasil para termos uma vida melhor ? - permitiu às pessoas expressar suas opiniões mais profundas. Por isso, o tema dos valores aflorou. Explicando: as respostas diretas dadas pelas pessoas mencionavam educação, saúde, segurança e emprego como as grandes vertentes para uma vida melhor. Só que, por meio de uma avaliação transversal destas respostas, a equipe de pesquisadores percebeu que a “fala oculta” trazia preocupações com os valores que organizam a sociedade. Por exemplo, quando havia menção à melhoria na educação, os participantes preocupavam-se com a falta de formação em valores nas escolas, muito mais do que com a falta de qualidade do ensino formal. No quesito violência, a ênfase recaía sobre as agressões contra as pessoas em detrimento daquelas contra a propriedade (como roubo), com forte inquietação a respeito da violência doméstica. De um modo geral, as pessoas acham que a sociedade lida com os conflitos mais prosaicos de forma violenta.

Interessante desta pesquisa é verificar que as reivindicações objetivas apresentaram conexão com o déficit de valores. E que este déficit, para os entrevistados, começa em casa!

Outro recorte que aparece é a atenção cada vez maior dada às atitudes dos atores sociais, como empresas e políticos. No caso do setor produtivo, quanto maior o comprometimento real das empresas com “valores” como direitos fundamentais da pessoa (combate ao trabalho escravo, respeito aos direitos trabalhistas, bom ambiente profissional) menor tende a ser a rejeição por parte da sociedade. Quanto aos políticos, bem, precisaremos verificar o resultado das urnas em 2010.

As respostas levaram o PNUD ao desenvolvimento de um novo conceito de valor: nem só ético, nem só moral, nem só financeiro. Valor vinculado ao dia-a-dia das pessoas. E este será o tema do relatório que a entidade publicará no início de 2010.

Se a sociedade brasileira expôs como preocupação maior os valores como justiça, respeito e responsabilidade, é possível que o país realmente se transforme em menos tempo do que se imagina. Mais uma vez, fica evidente que as empresas engajadas no movimento da responsabilidade social têm um papel importante a desempenhar nesta transformação: precisam aprofundar cada vez mais a transparência e os valores em sua própria gestão, disseminá-los para a cadeia produtiva e, com isso, dar exemplo para outros atores sociais.

Sem justiça, não existe democracia nem Estado de Direito. E, sem Estado de Direito, os negócios também não funcionam adequadamente, pois voltaremos ao território do vale-tudo.

Que os empresários saibam entender o profundo recado enviado pelos brasileiros, por meio desta pesquisa do PNUD, e adotem práticas cada vez mais transparentes, baseadas em crescimento econômico, justiça social e equilíbrio ambiental.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pela Renovação e Moralização do Judiciário


Quando passo nas ruas e vejo corpos quase agonizando sem nome, sem futuro e sem nenhum tipo de amparo (seja público e tampouco privado), sinto-me um cidadão infeliz por viver numa sociedade onde milhões de pessoas (para não sair do país) não têm acesso aos direitos mínimos necessários para gozarem de uma vida digna e justa; enfim, humana.

Por outro lado, esse sentimento recorrente de impotência social tem seus momentos de consolação quando vejo, escuto, leio e sobretudo sinto que em todo lugar e época existem - bem como existiram e existirão - pessoas que se mobilizam para melhorar o mundo, o Brasil e (neste caso) suas instituições vitais, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

Mesmo sendo uma partícula qualquer diluída em um universo incognoscível, sei que, inclusive como blogueiro amador em órbita na constelação virtual da internet, tenho alguma possibilidade de me expressar, agir e contribuir para um planeta melhor. Mais que isso: carrego em minha consciência a certeza de que não estou (estamos) sozinhos. Você também pode de alguma forma se mexer, divulgando ao máximo esta iniciativa entre todas e todos.

O Grito Pacífico apóia espontaneamente esse movimento de renovação e moralização do Judiciário!!!

Criado bem recentemente, na última semana de abril, como plataforma comunicativa da campanha nacional e mobilização suprapartidária baseada no atual lema GILMAR DANTAS: SAIA ÀS RUAS E NÃO VOLTE AO STF, o blog saiagilmar.blogspot.com já está de parabéns. A repercussão, que não podia ser maior, precisa se multiplicar a cada dia:

1) Em cada Estado, Cidade e recanto democrático do Brasil
2) Em cada mídia alternativa (blogs e sites independentes)
3) Nas diversas manifestações, protestos e atos públicos
4) Nos debates constantes em salas de aula e universidades
5) Em cada rede sócio-virtual (como Orkut, Twitter e MSN)
6) Nas pautas das ONGs, sindicatos, movimentos e igrejas
7) Na distribuição massiva de cartazes, adesivos e panfletos
8) Na circulação contínua de e-mails, notícias e informações
9) Nos variados meios artísticos (com música, poesia e teatro)
10) Na pressão e controle social exercido junto aos políticos

"Uma sociedade civil omissa não passa de uma massa servil" (Pablo Robles)

OBS.: Sugiro gentilmente a republicação como quiser desta postagem.

ECO extraordinário do Grito Pacífico, mudando o mundo com você...


O POVO PODE DESTITUIR GILMAR. É UM DIREITO CONSTITUCIONAL.

FONTE: http://www.saiagilmar.blogspot.com - 08/05/2009

Sim! Nós, o povo brasileiro, podemos tirar Gilmar Mendes do STF por direito constitucional. Porque, de acordo com a Constituição Federal, art. 1., parágrafo único: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Isto é, a CF nos garante o exercício do poder diretamente, nas ruas! Povo Brasileiro, Saia às Ruas!


MANIFESTO DO MOVIMENTO SAIA ÀS RUAS

LUZ EM NOSSA DEMOCRACIA INACABADA

FONTE: http://www.saiagilmar.blogspot.com - 08/05/2009

Há 30 anos o Brasil iniciou um processo árduo de transição democrática. Combatemos a ditadura militar a custa de sacrifício, sangue e lágrimas. O povo brasileiro, de maneira direta e contundente, disse não à opressão, não à desigualdade radical, não à pobreza. O símbolo de nossa vitória foi a Constituição de 1988, que estabeleceu as bases de um novo País. Um País que valoriza a participação social, que condena a discriminação de gênero, de raça e de classe. Queremos resgatar o espírito das Diretas! Uma democracia viva é aquela com o povo nas ruas!

O Judiciário é alicerce dos poderes de nossa República. O Supremo, como Corte Constitucional, representa isso em seu grau máximo. Entretanto, o que vimos no último ano foi uma “destruição” na imagem e na credibilidade do Judiciário. O presidente Gilmar Mendes conseguiu colocar a Suprema Corte do País contra o sentimento que está nas ruas! Além disso, contraria o pensamento do próprio tribunal que deixa de decidir como um colegiado e causa um prejuízo ao conjunto do Judiciário Brasileiro que passa a ficar desacreditado.

Nos últimos meses, temos sofrido calados ao dar-nos conta de que algumas das nossas conquistas mais nobres estão sendo ameaçadas. Sofremos porque percebemos que a Justiça ainda trata pobres e ricos de maneira desigual. Sofremos porque notamos que os privilégios de classe e o preconceito contra os movimentos sociais persistem na mais alta corte do Brasil. Nós nos sentimos traídos por quem deveria zelar – e não destruir – (por) nossa democracia: o Presidente do Supremo Tribunal Federal!

Ao libertar o banqueiro Daniel Dantas e criminalizar os movimentos populares, o Ministro Gilmar Mendes revela a mesma mentalidade autoritária contra a qual lutamos nos últimos 30 anos. O Brasil já não admite a visão achatada da lei, aplicada acriticamente para oprimir os mais fracos. O Brasil já não atura palavras de ordem judiciais – como “estado de direito”, “devido processo legal” ou “princípio da legalidade” – apresentadas como se fossem mandamentos divinos para calar o povo. Já não há espaço no Brasil para um Judiciário das elites, um Judiciário das desigualdades.

Sabemos que nossa luta não será fácil. No passado recente, lutamos contra a ditadura do Executivo e, a duras penas, vencemos. Lutamos contra a opressão ao Legislativo e pela liberdade da sociedade civil organizada e a nossa força também prevaleceu. Mas não conseguimos por fim ao autoritarismo judicial, hoje encarnado na postura do Ministro Gilmar Mendes. Mantivemos, no centro da democracia brasileira, a mão forte de uma instituição que oprime, que desagrega, que exclui. Chegou a hora de retomar a terceira batalha. O Judiciário ainda não completou sua transição para a democracia e a maior prova disso são as posturas do ministro Gilmar Mendes que ofendem e indignam a vontade da população.

O ministro Gilmar Mendes representa um autoritarismo e uma polêmica partidária-ideológica que não coadunam com a nova luz democrática que as ruas querem para este tribunal. Você se lembra de algum partido político que lançou uma nota em apoio a algum presidente do Supremo em outro momento desse país como fez o DEM? Como esse ministro irá julgar agora os processos contra esse partido? Essa partidarização das questões nas quais o ministro Gilmar Mendes está envolvido mina sua credibilidade como juiz isento e imparcial.Sua saída indicaria renovação e o fim de atitudes coronelistas e suspeitas infindáveis que recaem sobre ele (ver abaixo “SUSPEITAS QUE RECAEM SOBRE GILMAR MENDES”)

Por isso, a voz das ruas está pedindo a saída do presidente do STF Gilmar Mendes. Não admitimos mais a presença de juízes que não tenham imparcialidade, integridade moral, espírito democrático-republicano e reputação ilibada para decidir nesta corte. Uma nova luz, democrática e ética deve surgir no STF!

Nas ruas e nos campos, nas capitais e no interior deste País, milhões de brasileiros escondem uma dor cortante dentro de si. Nossa dor é uma dor moral, que nos corrói a alma e nos aperta o coração. Sofremos por nossa democratização inacabada expressada no presidente do Supremo que, a pretexto de defender direitos individuais, criminaliza movimentos sociais e beneficia banqueiros poderosos. A garantia dos direitos individuais não pode tornar-se desculpa para a impunidade reinante. Já que a soberania emana do povo, perguntem às ruas! Ministro Gilmar Mendes, você nos envergonha como povo! Precisamos de ministros que sejam respeitados pela maioria da população e tenham reputação ilibada. Precisamos de mentes que, além de técnicas, sejam democráticas e éticas.

É por isso que estamos aqui, em uma vigília por um novo amanhecer, para devolver ao Brasil a liberdade que nos tentam roubar. Não haverá uma nova luz sobre o Judiciário, enquanto não terminarmos a luta que o povo brasileiro começou há 30 anos. Chegou a hora de concluir a transição democrática, de sair às ruas e iluminar a nossa história com novo choque de liberdade. O povo já tirou o Collor e tirará Gilmar Mendes!


SAIA ÀS RUAS GILMAR MENDES E NÃO VOLTE AO STF! VIVA O POVO BRASILEIRO!

COM VELAS ACESAS, MANIFESTANTES PROTESTAM CONTRA GILMAR MENDES

FONTE: http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2009/05/06/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=106031/noticia_interna.shtml - 06/05/2009

Cerca de 300 representantes de movimentos sociais e partidos políticos promoveram na noite de hoje (6), na Praça dos Três Poderes, uma manifestação pacífica pela saída do ministro Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).

O movimento recebeu o nome de Gilmar Dantas: saia s ruas e não volte ao STF, em alusão aos habeas corpus concedidos por Mendes ao banqueiro Daniel Dantas, quando este foi preso na Operação Satiagraha, e a uma frase usada pelo ministro Joaquim Barbosa em recente discussão com Mendes no plenário do tribunal.

Os manifestantes acenderam velas ao redor de uma bandeira brasileira e em toda a extensão da praça, além de entoarem refrões contra o presidente do STF.

O Judiciário brasileiro ainda não é transparente e a gente acha que tem que ser iluminado. Para isso tem que ter novas figuras. O ministro Gilmar Mendes representa uma parcialidade que não se coaduna com o seu cargo, afirmou o cientista político João Francisco Araújo, idealizador do movimento. Fazemos um convite para que ele [Mendes] se retire [do STF], acrescentou Araújo.

O PSOL apoiou a manifestação, com parlamentares presentes e militantes segurando faixas com a inscrição Xô Gilmar Mendes. A deputada federal Luciana Genro (RS) ressaltou que a simbologia do protesto já seria significativa, mesmo que a saída de Mendes da presidência do STF não aconteça.

É muito importante essa consciência, que vem se desenvolvendo na sociedade, de que o Supremo não é intocável. De que aqueles homens e mulheres que lá estão têm que prestar contas sociedade de seus atos e não podem ficar isolados numa redoma de vidro, distantes da opinião pública, disse Luciana.

No momento do protesto, Gilmar Mendes e vários outros ministros participavam no STF da cerimônia de lançamento do Anuário da Justiça. Do salão em que as autoridades se encontravam era possível avistar a manifestação, ouvir gritos e apitos.

A assessoria de imprensa do STF informou que Mendes não iria se pronunciar novamente em relação ao protesto. Pela manhã, em evento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mendes disse que não se incomodava com eventuais manifestações contrárias á sua gestão. No fim do ano passado, Mendes chegou a afirmar, em uma entrevista coletiva, que "os protestadores contra a atuação dele não enchem uma Kombi.

domingo, 26 de abril de 2009

Iniciativas e Livros que Fazem Diferença


O ser humano, mesmo quando economicamente carente, não perde (necessariamente) sua fome de leitura. Talvez, através do mundo mágico da leitura, tais pedientes possam descobrir emoções novas, ausentes na vida real; e confidenciar sorrisos íntimos para sua alma, tão digna de alimento cultural quanto qualquer outro par da espécie humana.

(Iniciativa aplaudida pelo Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

VALE MAIS QUE UM TROCADO

Por Rodrigo Ratier

FONTE: http://revistaescola.abril.uol.com.br/gestao-escolar/diretor/vale-mais-trocado-432764.shtml

"É preciso saber viver..."

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi.

CAMINHO LIVRE: A cada livro oferecido em vez de esmola, um leitor descoberto.

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.