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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Abençoada seja a Gentileza


ABENÇOADA SEJA A GENTILEZA

O amor tudo pode,
Quando a vida explode
De luz, magia e humanidade.
Haja poesia para aliviar a cidade.

Contudo, a agitação do cotidiano
Atropela muitas vezes a gentileza.
Como tem fragilidade nossa Fortaleza!
Como falta ternura no conviver humano!

Entre um bom-dia e um boa-noite,
Possibilidades e limites escorrem.
Ora a cordial simpatia, ora o risco do açoite.
Civilidades se encolhem perante brutalidades.
No subterrâneo do mundo, povoam maldades.
Guerreiros tombam, mas os ideais renascem.

De repente, absurdos vão e mistérios vem...
Notas de desencanto turvam nosso coração:
O sorriso murcha, o choro espreita, falta lenço.
É duro perder alguém que tanto acreditava no bem.
Desesperos trafegam na contramão do bom senso,
Enquanto a compreensão tenta recuperar a direção.

A barbárie não se divorciou da modernidade.
O que não quer dizer que a utopia se acabou.
A ousadia exterior passa pela reforma interior.
Não deixe que a indiferença e a impunidade
Destruam a tua confiança e força de vontade.
Abençoado seja quem por aqui passou e lutou.

( Pablo Robles - POETA DO SOCIAL )

PS.: Em tempos de Páscoa 2012, uma reflexão sobre a falta de gentileza e a perda brutal de pessoas simples e sonhadoras (ver poesia anterior Exemplos Imorredouros).

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Exemplos Imorredouros


EXEMPLOS IMORREDOUROS*

Quem luta pelo bem nunca vai embora.
Sempre se pereniza com seu exemplo para quem fica.
Nessa hora triste, a humanidade chora.
O drama da violência nos assola, estarrece e sacrifica.

Carlos Henrique Costa Guilherme foi a vítima da vez.
A maldade assusta e a solução vai muito além do xadrez.
Uma grande liderança socioambiental mudou de plano,
Deixando entre amigos e admiradores sua fé no humano.

Os parceiros, ativistas e catadores perderam uma referência:
Um geógrafo que lapidou sua vida com engajada coerência.
Nesse momento em que nossos corações murcham de tristeza,
A providência divina o acolhe e segue semeando sua grandeza.

A missão que ele empunhava e de alguma forma ainda o fará,
Também é sua, nossa, da sociedade, do governo e da cidadania.
Precisamos manter acesa a utopia, apesar da sombra de cada dia.
Que o luto desta perda enobreça as lutas travadas no Brasil e Ceará.

( Por Pablo Robles – POETA DO SOCIAL )

*Meus pêsames poéticos pelo ativista Carlos Guilherme: 1968 – 2012.

PS.: "Sou viramundo virado pelo mundo do sertão, mas inda viro esse mundo em festa, trabalho e pão" (uma das citações preferidas dele, extraída da música Vira-Mundo, de Elis Regina. A propósito, Carlos, dentre outras iniciativas, fundou o Instituto Ambiental Viramundo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Por mais tolerância nos corações

Abro o noticiário na internet para ver repercussões saudáveis (quer da situação ou oposição) sobre a posse da Dilma e deparo-me com comentários "doentes", incitando o assassinato de nossa atual presidenta. Ela que inclusive enfatizou no seu discurso a união nacional, estendendo a mão a todos os políticos de qualquer sigla para erradicar a miséria, consolidar o sistema de saúde, valorizar os professores, combater o crack e tantas outras prioridades dignas de qualquer país desenvolvido ou perto de chegar lá, como o nosso.

Eis o link da triste notícia: http://www.blogcidadania.com.br/2011/01/jovens-pregam-assassinato-de-dilma-no-twitter/

Há brincadeiras que escondem os preconceitos mais funestos e ódios mais ameaçadores. Repasso essa mensagem em caráter de alerta com a convicção de que práticas (mesmo virtuais) de cunho nazista não podem ser toleradas. Sequer combinam com a tradição pacífica do Brasil e a índole igualmente serena que inspira este blog. Espero que vocês, caso tenham oportunidade, em seus ambientes educativos, conversas juvenis, debates em grupos organizados, dentre outros espaços, ajudem a comentar e refletir sobre esta grave questão.

A propósito, um dos comentaristas da referida notícia nos lembra que "Todo tipo de crime na web pode ser denunciado aqui http://www.safernet.org.br/site/ ou aqui no Ministério Público Federal http://denuncia.pf.gov.br/

Oremos pela paz a partir de nossos corações, abençoando com doses de ternura e tolerância o novo ano que desponta...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Consistências e Precariedades

A Consistência das Crises e a Precariedade de Respostas

O debate das eleições presidenciais começa aos poucos a engrenar. Chegou a hora de conhecermos melhor as propostas, biografias, pontos de vista, ideologias sócio-políticas, motivações partidárias e bastidores institucionais de cada candidato ou candidata. Aliás, deveria inverter a seqüência, pois duas dentre as três candidaturas mais bem posicionadas são de mulheres. Isso seria um indicador de novidade? Um sinal de surpresa? Provavelmente sim. Se mudanças e avanços pairam no ar, retrocessos e mesmices ameaçam tudo desmanchar.

A mídia televisiva, felizmente, já não reina sozinha. E quando tenta publicar sua opinião privada (pautada pelos empresários de comunicação), o povo já não engole tão cegamente as versões maquiavelicamente forjadas pelos jornalistas escravizados pela vontade de seus patrões. Ou seja, a opinião pública, hoje em dia, tornou-se menos homogênea, menos previsível e menos manipulável. O povo pode não entender de macroeconomia, mas tem – muitas vezes - sensibilidade suficiente para perceber as mudanças microeconômicas que afetam seu bolso.

É mais do que sabido que os problemas, inclusive os de longe, não podem mais ser assistidos de camarote, nem escondidos tão facilmente debaixo do tapete como se fazia outrora. Por exemplo, jorra-se descontroladamente petróleo no Golfo do México, mas as magnitudes dessa tragédia não recebem a devida atenção e seriedade da mídia, diferentemente dos casos de violência envolvendo pessoas famosas, que viram espetáculos à parte. “Desde o dia 20 de abril e até a quinta-feira passada o poço jogou nas águas do Golfo entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo, no que se tornou a maior catástrofe ecológica da história dos EUA.”, alerta uma matéria recente do Portal Ig.

E se uma tragédia do tipo ocorresse no quintal da Venezuela, toda a cobertura seria negativamente amplificada e ganharia colorações forçosamente políticas, pois imagino que a imagem do presidente deste país seria atacada sem piedade pelos mesmos EUA e suas marionetes apaniguadas (como a TV Globo e a revista Veja), arrastando no rodapé das reportagens, por tabela labiríntica, fulanos, sicranos e beltranos (de nossa política doméstica).

Primeiro detalhe: os EUA protagonizaram a crise econômica internacional iniciada em 2008, cujas seqüelas em cascata vieram a jorrar estragos na economia grega (as pátrias do saudoso José Samarago e da atual campeã do Mundo de Futebol que se cuidem). Segundo detalhe: os EUA continuam jorrando soldados impotentes para o Afeganistão e Iraque, enterrando no fundo da lama da política internacional estadunidense o último Nobel da Paz. Eis a equação silenciosa do caos, em uma versão tríplice/tridimensional para não causar cegueira sistêmica: crise ecológica + crise econômica + crise militar = crise ética do paradigma “imperial”.

A voz norte-americana está cada vez mais desautorizada a governar o mundo, assim como a voz da mídia tradicional está cada vez mais enfraquecida para tanger os rebanhos de sua audiência, apesar da eloqüência dos apresentadores de plantão. A América Latina e a mídia alternativa ganharam maior respeito e influência no imaginário dos povos e cidadãos que tentam reciclar sentidos, costurar respostas e reajustar sua missão coletiva neste mundo carcomido por um rodízio renovável de crises. Aquelas que citei, obviamente, foram só uma amostra, das mais visíveis. As crises social, acadêmica e espiritual, por outro lado, caminham na surdina, metabolizando outras incógnitas e inspirando outros pesadelos.

Se há esperanças, devemos mergulhar e transcender nelas para ajudar a desmascarar e salvar o mundo... dos governos desgovernados, dos indivíduos descoletivizados, da identidade submissa das nações, das comunicações desumanas, das candidaturas suicidas, das relações insensíveis, dos prêmios inglórios, dos saberes impotentes, das crenças omissas, das palavras calculadamente inúteis, das propostas retoricamente vazias e até dos medos da desesperança.

sábado, 13 de março de 2010

Quem está mais doente: CUBA ou EUA?

Contra fatos não existem argumentos. Esse conhecido adágio aplica-se com folga ao texto abaixo, mais que esclarecedor, do sociólogo Emir Sader. Munido de uma pergunta reveladora atrás da outra, o texto vai limpando nossa vista entrevada pelas hipocrisias exaustivamente pipocadas pela mídia de apenas um lado que tenta fabricar e governar nossas posições ideológicas e convições pessoais.

Uma ilha comunista, libertada há mais de 50 anos dos grilhões capitalistas dos EUA, deveria ser, no mínimo, respeitada e analisada com mais sensibilidade e imparcialidade pela opinião pública estrangeira e pelos jornalistas subservientes que apenas alardeiam feito papagaios o mantra imposto ditatorialmente pelos patrões empresariais. Há dezenas de coisas historicamente muito mais sérias para os críticos se indignarem. O texto desdobra muito bem uma série ampla de barbáries.

Duvido, por exemplo, que na sociedade mais igualitária de Cuba, onde saúde e educação são tão importantes quanto respirar e se alimentar, cidadãos sem compaixão invadiriam escolas para assassinar a torto e a direito seus colegas. Pois nos EUA, nesse lugar civilizado, democrático e aparentemente mais feliz, isso já aconteceu várias vezes. Se é um país tão cheio de virtudes assim, porque demonstram tanta violência para com os seus? (Sem falar do terrorismo de Estado perpetrado por sua política externa, tema que merecia todo um blog para ser melhor abordado.)

Afinal, quem está mais doente: CUBA ou EUA?

Comentários do GRITO PACÍFICO, mudando o mundo com você


OS FARISEUS E A DIGNIDADE

Por Emir Sader - 12/03/2010
Fonte: www.cartamaior.com.br - Blog do Emir


O que sabem os leitores dos diários brasileiros sobre Cuba? O que sabem os telespectadores brasileiros sobre Cuba? O que sabem os ouvintes de rádio brasileiros sobre Cuba? O que saberia o povo brasileiro sobre Cuba, se dependesse da mídia brasileira?

O que mais os jornalistas da imprensa mercantil adoram é concordar com seus patrões. Podem exorbitar na linguagem, para badalar os que pagam seu salários. Sabem que atacar ao PT é o que mais agrada a seus patrões, porque é quem mais os perturba e os afeta. Vale até dar espaco para qualquer mercenário publicar calúnias contra o Lula, para, depois jogá-lo de volta na lata do lixo.

No circo dessa imprensa recentemente realizado em São Paulo, os relatos dizem que os donos das empresas – Frias, Marinhos – tinham intervenções mais discretas, – ninguem duvida das suas posiçõoes de ultra-direita -, mas seus empregados se exibiam competindo sobre quem fazia a declaração mais extremista, mais retumbante, sabendo que seriam recolhidas pela mídia, mas sobretudo buscando sorrisinho no rosto dos patrões e, quem sabe, uns zerinhos a mais no contracheque no fim do mês.

Quem foi informado pela imprensa que há quase 50 anos Cuba já terminou com o analfabetismo, que mais recentemente, com a participação direta dos seus educadores, o analfabetismo foi erradicado na Venezuela, na Bolívia e no Equador? Que empresa jornalística noiticiou? Quais mandaram repórteres para saber como países pobres ou menos desenvolvidos conseguiram o que mais desenvolvidos como os EUA ou mesmo o Brasil, a Argentina, o México, náo conseguiram?

Mandaram repórteres saber como funciona naquela ilha do Caribe, pouco desenvolvida economicamente, o sistema educacional e de saúde universal e gratuito para todos? Se perguntaram sobre a comparação feita por Michael Moore no seu filme "Sicko" sobre os sistemas de saúde – em particular o brutalmente mercantilizado dos EUA e o público e gratuito de Cuba?

Essas empresas privadas da mídia fizeram reportagens sobre a Escola Latinoamericana de Medicina que, em Cuba, já formou mais de cinco gerações de médicos de todos os países da América Latina e inclusive dos EUA, gratuitamente, na melhor medicina social do mundo? Foi despertada a curiosidade de algum jornalista, econômico, educativo ou não, sobre o fato de que Cuba, passando por grandes dificuldades econômicas – como suas empresas não deixam de noticiar – não fechou nenhuma vaga nem nas suas escolas tradicionais, nem na Escola Latinoamericana de Medicina, nem fechou nenhum leito em hospitais?

Se dependesse dessas empresas, se trataria de um regime “decrépito”, governado por dois irmãos há mais de 50 anos, um verdadeiro “goulag tropical”, uma ilha transformada em prisão.

Alguém tentou explicar como é possivel conviver esse tipo de sociedade igualitária com a base naval de Guantánamo? Se noticiam regularmente as barbaridades que ocorrem lá, onde presos sob simples suspeita, são interrogados e torturados – conforme tantas testemunhas que a imprensa se nega em publicar – em condições fora de qualquer jurisdição internacional?

Noticiam que, como disse Raul Castro, sim, se tortura naquela ilha, se prende, se julga e se condena da forma mais arbitrária possível, detidos em masmorras, como animais, mas isso se passa sob responsabilidade norteamericana, desse mesmo governo que protesta por uma greve de fome de uma pessoa que – apesar da ignorância de cronistas da família Frias – não é um preso, mas está livre, na sua casa?

Perguntam-se por que a maior potência imperial do mundo, derrotada por essa pequena ilha, ainda hoje tem um pedaco do seu territorio? Escandalizam-se, dizendo que se “passou dos limites”, quando constatam que isso se dá há mais de um século, sob os olhos complacentes da “comunidade internacional”, modelo de “civilização”, agentes do colonialismo, da escravidão, da pirataria, do imperialismo, das duas grandes guerras mundiais, do fascismo?

Comparam a “indignação” atual dos jornais dos seus patrões com o que disseram ou calaram sobre Abu-Graieb? Sobre os “falsos positivos” (sabem do que se trata?) na Colômbia? Sobre a invasao e os massacres no Panamá, por tropas norteamericanas, que sequestraram e levaram para ser julgado em Miami seu ex-aliado e então presidente eleito do país, Noriega, cujos 30 anos foram completamente desconhecidos pela imprensa? Falam do muro que os EUA construíram na fronteira com o México, onde morre todos os anos mais gente do que em todo tempo de existência do muro de Berlim? A ocupação brutal da Palestina, o cerco que ainda segue a Gaza, é tema de seus espacos jornalisticos ou melhor calar para que os cada vez menos leitores, telespectadores e ouvintes possam se recordar do que realmente é barbarie, mas que cometida pela “civilizada” Israel – que ademais conta com empresas que anunciam regularmente nos orgãos dessas empresas – deve ser escondida? Que protestos fizeram os empregados da empresa que emprestou seus carros para que atuassem os servicos repressivos da ditadura, disfarçaados de jornalistas, para sequestrar, torturar, fuzilar e fazer opositores desaparecerem? Disseram que isso “passou de todos os limites” ou ficaram calados, para não perder seus empregos?

Mas morreu um preso em Cuba. Que horror! Que oportunidade para bajular os seus patrões, mostrando indignação contra um país de esquerda! Que bom poder reafirmar diante deles que se se foi algum dia de esquerda, foi um resfriado, pego por más convivências, em lugares que não frequentam mais; já estão curados, vacinados, nunca mais pegarão esse vírus. (Um empregado da família Frias, casado com uma tucana, orgulha-se de ter ido a todos os Foruns Econômicos de Davos e a nenhum Fórum Social Mundial.
Ali pôde conhecer ricaços e entrevistá-los, antes que estivessem envoldidos em escândalos, quebrassem ou fossem para a prisão. Cada um tem seu gosto, mas não dá para posar como “progressista”, escolhendo Davos a Porto Alegre.)

Não conhecem Cuba, promovem a mentira do silêncio, para poder difamar Cuba. Não dizem o que era na época da ditadura de Batista e em que se transformou hoje. Não dizem que os problemas que têm a ilha é porque não quer fazer o que fez o darling dessa midia, FHC, impondo duro ajuste fiscal para equilibrar as finanças públicas, privatizando, favorecendo o grande capital, financeirizando a economia e o Estado. Cuba busca manter os direitos universais a toda sua população, para o que trata de desenvolver um modelo econômico que não faça com que o povo pague as dificuldades da economia. Mentem silenciando sobre o fato de que, em Cuba, não há ninguem abandonado nas ruas, de que todos podem contar com o apoio do Estado cubano, um Estado que nunca se rendeu ao FMI.

Cuba é a sociedade mais igualitária do mundo, a mais solidária, um país soberano, assediado pelo mais longo bloqueio que a história conheceu, de quase 50 anos, pela maior potência econômica e militar da história. Cuba é vítima privilegiada da imprensa saudosa do Bush, porque se é possivel uma sociedade igualitária, solidária, mesmo que pobre, que maior acusação pode haver contra a sociedade do egoísmo, do consumismo, da mercantilizacao, em que tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra?

Como disse Celso Amorim, o Ministro de Relações Exteriores do Brasil: os que querem contribuir a resolver a situação de Cuba tem uma fórmula muito simples – terminem com o bloqueio contra a ilha. Terminem com Guantanamo como base de terrorismo internacional, terminem com o bloqueio informativo, dêem aos cubanos o mesmo direito que dão diariamente aos opositores ao regime – o do expor o que pensam. Relatem as verdades de Cuba no lugar das mentiras, do silêncio e da covardia.

Diante de situações como essa, a razão e a atualidade de José Martí:

“Há de haver no mundo certa quantidade de decoro,
como há de haver certa quantidade de luz.
Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros
que têm em si o decoro de muitos homens.
Estes são os que se rebelam com força terrível
contra os que roubam aos povos sua liberdade,
que é roubar-lhes seu decoro.
Nesses homens vão milhares de homens,
vai um povo inteiro,
vai a dignidade humana…

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

HAITI: a pátria circunstancial dos EUA

"O compromisso com o Haiti não é novo nem circunstancial", disse recentemente o governo brasileiro em uma nota na qual informa que essa é a terceira vez que Lula viaja ao país, o qual já visitou em agosto de 2004 e em maio de 2008, o que "confirma a prioridade conferida ao Haiti pela política externa brasileira".

Fui um pouco “oportunista”, pois decidi começar esta crônica com um parágrafo ao qual eu nunca fui explicitamente chamado, retirado a propósito desta notícia ("Lula chega ao Haiti para expressar apoio e assinar acordos"), que acabei de ler no Portal Ig. Aproveitando meu momento “cafajeste”, cometerei um novo “pecado”, se bem que atenuado o suficiente para ser logo perdoado, pois a nova referência que evoco consiste em uma outra crônica minha sobre o mesmo assunto: "Militarizando o desserviço ao Haiti".

Façamos agora um exercício hipotético de turismo patriótico. Imagine-se acordando brasileiro, no transcorrer do dia se tornando norte-americano para depois dormir haitiano. É possível assumir nacionalidades diferentes como quem muda de roupa? Até as máscaras bonitinhas que camuflam nossas eventuais intenções mesquinhas precisam de um tempo mínimo para decantarem, se ajustarem e se acostumarem com os padrões dominantes de hipocrisia que se prestam a dissimular.

Vamos dar um zoom na frase primeira e central que motivou esse texto: “o compromisso com o Haiti não é novo vem circunstancial”. Em outras palavras, o Brasil não tem essa mania cinematográfica (hollyudiana mesma, literalmente falando, e belicamente também) de se arvorar na condição pop de superpaís, de superpotência aventureira que sai distribuindo bases militares mundo afora a pretexto, por exemplo, de proteger e vigiar os mares alheios contra monstros terroristas e ocasionalmente atômicos que ameacem perturbar as fronteiras “modernamente democráticas” dos países aliados; como Israel no Oriente Médio e Colômbia na América Latina.

Como todo super-herói tem poderes extraordinários e se acha imbuído de missões as mais diversas - ainda que novas e circunstanciais, frise-se bem -, os EUA nunca mais seriam os mesmos se não tivessem estendido seus tapetes altruístas e caridosos para o Haiti, duramente vitimado por um terremoto cujos impactos parecem ter sacudido espiritualmente o coração de toda a diplomacia norte-americana. (Vale acrescentar que essa triste sina do Haiti, como o escritor Eduardo Galeano relembrou, remonta às políticas sujas e invasivas que os mesmos EUA já aprontaram.)

Pois bem, a reação dos EUA foi olímpica, peremptória, esplendorosa, digna do Oscar do Oportunismo, sequer se lembrando de dialogar com a ONU e planejar melhor as coisas com a missão brasileira que já vinha liderando as operações por lá: instituíram um fundo Clinton-Bush (usando o nome indigesto do Bush) para arrecadar donativos, se apossaram do espaço aéreo para controlar do jeito deles a ajuda estrangeira e, o que foi efetivamente controverso, mandaram 12.000 soldados para “passear” no Haiti, como se o povo nativo fosse apático e não tivesse braços para acolher os feridos e pernas para avançar no enfrentamento de seus dramas, contando necessariamente com o suporte já estabelecido (e que passaria por emergencial ampliação) de vários organismos e serviços humanitários, incluindo relevantes ações cubanas de saúde.

Essa é a lição de ética (geralmente pelo avesso) que aprendemos com os EUA. Surge (ou fabrica-se) uma propagação de epidemia (como a gripe suína), suas indústrias de remédio são as primeiras a “ajudar” e lucrar. Quando sentem cheiro de petróleo no ar, rasgam soberanias de países frágeis para com novos negócios “cooperar” e lucrar. Quando algum presidente não lhes diz amém e ousam remar na maré oposta ao neo-liberalismo, dão uma aula-show de anti-jornalismo, visando “desinformar” e lucrar.

Portanto, em vez de terem mobilizado um “exército verde” de ambientalistas sérios e competentemente autorizados a evitar o fracasso da Conferência do Clima ocorrida ano passado em Copenhage, na Dinamarca; os EUA valeram-se da “sorte geopolítica” trazida pela fúria da natureza contra o Haiti, e, da noite para o dia, metamorfosearam-se (como se iluminados provisoriamente por um mandato divino imperial) em seus superanjos salvadores, carregando nessa travessia pseudocivilizatória as asas manchadas sabe-se lá com quantos interesses inconfessáveis, diabólicos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Militarizando o desserviço ao Haiti

MILITARIZANDO O DESSERVIÇO AO HAITI

Meu grito, nunca calado, hoje, embalado pelo novo ano e refeito de alguns hiatos pessoais, volta a esgoelar-se, mais sedento de paz e sobretudo mais cônscio de que, enquanto houver injustiças, vozes não poderão dormir, para denunciar o silêncio da omissão... seja ela real, virtual, mundial, local e - a propósito - haitiana.

Lula anunciou, no evento do Fórum Social Mundial ocorrido recentemente em Porto Alegre, que irá ao Haiti no final de fevereiro. Propôs inclusive um ano de solidariedade a este país. O mês de janeiro, enfim, derramou-se em choros de dor, lágrimas de luta, gestos de fraternidade, explosões de compaixão.

Para a mídia (convencional), o assunto Haiti praticamente saiu de pauta. Esta mídia parece ter cumprido seu objetivo ideológico: divulgar o caos para justificar medidas de ordem. E em matéria de botar ordem na casa - ou no mundo ocidental - o super Tio Sam foi convocado. No entanto, este império em declínio meteu os pés pelas mãos, pela enésima vez.

Imagine-se dentro de uma imensa casa, quando de repente um incêndio ameaça a vida de seus familiares e amigos mais caros. Você pede ajuda desesperada aos vizinhos, no entanto, em vez de trazerem prioritariamente uns 12 bombeiros, enviam-lhe de forma oportunista mais 12 litros de combustível. Os filhos e amigos dos amigos que sobreviveram jamais entenderam a loucura da "solução" indicada para o acidente.

Não vou lembrar o que todos já sabem. Nem é sadio ficar contabilizando sangue. Mas vou atentar para a reflexão de que, por trás do fatídico terremoto natural e involuntário que se abateu sobre o já historicamente abatido Haiti, um terremoto político e voluntário sacudiu - como tantas vezes o faz - o bom-senso do governo norte-americano.

Como o trecho abaixo noticia, o Tio Sam bateu a porta na cara (sinta-se coração) de seus sobrinhos enfermeiros. Em vez de curativos, as malas de primeiros-socorros enviadas ao pobre Haiti estavam pesadas de equipamentos bélicos, carregadas por 12.000 soldados ianques, que por lá tem chegado e "ocupado" novamente o país, à revelia oficial da ONU, da missão brasileira no Haiti e do senso humano de paz (e justiça).

E por que fazem isso? O último Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça (onde Lula recebeu, representado pelo Min. Celso Amorim, o prêmio - inédito nos 40 anos deste Fórum - de Estadista Global), foi marcado por um alerta revelador: a economia norte-americana registra recuperação estatística mas ainda padece de recessão humana. Ou seja, o desemprego por lá (na mansão do Tio Sam) continua feio, insolúvel. E as contas do novo orçamento deles bateram o déficit recorde de 1,5 trilhão de dólares (fico até tonto só em digitar esta cifra).

Vou arriscar um palpite. O seu também vale. Por que salvar um país como o Haiti em um mês se você pode salvá-lo a prestação, em doze meses, ou dozes anos, com doze vezes mil soldadinhos americanos ociosos para trabalhar e girar a engrenagem meio carcomida da economia (nada econômica) dos EUA. Eles globalizaram as empresas (civis ou não), espalhando pelo mundo multinacionais famintas e bases militares antipáticas. Enfraqueceram com suas doutrinas neoliberais o papel e a força dos Estados-Nação (os quais hoje tentam se ressuscitar no xadrez geopolítico da América Latina e dos outros tabuleiros do planeta), tudo em nome do lucro fácil, concentrado e sutil, sem leis, transparências e “burocracias”.

No entanto, quando surge uma nova oportunidade de faturarem (nos vários sentidos lícitos e ilícitos do termo, como é o caso daqueles espertinhos que estão traficando criancinhas órfãs), os EUA, acima do bem e do mal, contra tudo e todos, rasgam sem pudor a bíblia de Adam Smith que cultuam da boca para fora: burocratizam a ajuda humanitária, burocratizam a cooperação internacional, burocratizam a reconstrução emergencial do Haiti, e ainda ousam burocratizar nossa livre capacidade de se indignar – sejamos enfermeiros(as) ou não.

Grito Pacífico - "mudando o mundo com você"


Michael Moore: Vergonha dos democratas

Fonte brasileira: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/michael-moore-vergonha-dos-democratas/ - 02/02/2010

Michael Moore: "Os Democratas envergonham-me"

Fonte original: Democracy Now, via Esquerda.Net - 31/01/2010

Amy Goodman: Hoje entrevistamos Michael Moore, um dos realizadores de cinema independente mais famosos do mundo. Nestes últimos vinte anos, Moore tem sido um dos realizadores mais provocadores, bem sucedidos e politicamente activos. Podemos destacar da sua cinematografia, entre outros, títulos como "Roger and me" (Roger e Eu), "Fahrenheit 9/11", "Bowling for Columbine" - que lhe granjeou o prémio da Academia - e "Capitalism: A Love Story" (Capitalismo: Uma História de Amor), o seu filme mais recente.

(...) Tive a oportunidade de o entrevistar... Comecei com uma pergunta sobre a situação no Haiti.

Michael Moore: O mais espantoso acerca "da resposta norte-americana" - conforme disse - foi a reacção individual, de cada norte-americano. Mobilizaram-se no próprio dia do terramoto, doaram com mensagens de telemóvel para a Cruz Vermelha, ofereceram-se como voluntários, queriam ajudar. As campanhas de recolha de donativos começaram nesse mesmo instante.

Quando se deu o terramoto eu estava em Miami. Testemunhei este esforço. Sobretudo por parte da comunidade haitiana e de outras comunidades do Sul da Flórida. Houve até o caso de um médico de Fort Lauderdale, proprietário de um avião, que não esperou por autorizações oficiais. Chegou ao aeroporto, saltou para o cockpit, foi ao Haiti, trouxe todos os feridos que podia - cerca de quinze pessoas - e levou-os para o hospital de Fort Lauderdale. Eu pensei então, "Meu Deus, porque é que não assistimos a isto todos os dias?"

Mas a resposta do governo, digamos, foi desajeitada, soou mais uma vez a "Somos demasiado poderosos para falhar". Que é o mesmo que dizer, "Somos demasiado poderosos para sermos bem sucedidos". Pelo menos foi assim que deram a entender.

Mas também lhe digo: de imediato, e em poucas horas, Barack Obama tentou organizar uma resposta, o que contrasta, e muito, com o que assistimos durante os mandatos de Bush, como no caso do Katrina e de outras tragédias do género. De tal modo que me recordo de me ter sentido bastante satisfeito com esta reacção.

Mas depois, no segundo e no terceiro dia, quando se percebeu que não estava a chegar ao Haiti qualquer ajuda significativa e que nessa altura era mais importante resolver a situação dos norte-americanos que lá estavam, na Embaixada, no Hotel Montana, etc. etc... Com certeza, é natural ocuparmo-nos primeiro dos nossos compatriotas, mas eu esperava que estivéssemos ali para ajudar toda a gente e que ninguém fosse considerado mais humano do que o seu semelhante.

Amy Goodman: Não sabia de um grupo de enfermeiras que queria ir - ou seria mais do que um grupo?

Michael Moore: Meu Deus... O Sindicato Nacional dos Enfermeiros. Esse é o episódio mais triste de todos. Espero que quem me esteja a ouvir, e a ver, reaja e faça pressão sobre a administração Bush. O Sindicato Nacional dos Enfermeiros...

Amy Goodman: ...A administração Obama?

Michael Moore: Sim, a de Obama. O que é que eu disse? A...

Amy Goodman: Administração Bush.

Michael Moore: Certo, certo. Já estamos a pressioná-los. Já não estão entre nós. Mas isso não era só freudiano, este é o meu estado de espírito. Porque eu não aceito a agradável diferença entre as administrações Bush e Obama, é ilusória. À primeira vista, se compararmos a actualidade com o que aconteceu nos últimos oito anos, tudo nos parece fantástico, mas na essência, na prática... Não lhe consigo dizer o quanto estou desiludido.

E o que sucedeu com o Sindicato Nacional dos Enfermeiros revela o empenho deste corpo de profissionais. Quantos estavam dispostos a partir imediatamente para o Haiti? Quase doze mil enfermeiros, note bem, doze mil enfermeiros deste país estão dispostos a seguir para o Haiti. E um enfermeiro poderia cuidar de muitas pessoas. Imagine então quantas pessoas poderíamos ajudar se pudéssemos enviar doze mil enfermeiros devidamente equipados. E esta oferta já foi feita há muitos, muitos dias, está a perceber?

Amy Goodman: A quem?

Michael Moore: À administração Obama, pela dirigente do sindicato. Ela entrou em contacto com o governo e foi ignorada, de início ninguém lhe respondeu. Mas lá acabaram por encaminhá-la para alguém que não tinha qualquer poder de decisão. Então, depois de tudo isto, ela contactou-me e disse-me "Você saberá, porventura, como poderemos chegar até ao presidente Obama?"Eu respondi, "É patético o facto de vocês serem forçados a ligar-me, quer dizer, vocês são o maior sindicato de enfermeiros. Tanto quanto sei asseguram a vice-presidência da AFL-CIO [Federação Americana do Trabalho - Congresso de Organizações Industriais], e mesmo assim não conseguem que a Casa Branca vos autorize o envio de doze mil enfermeiros para o Haiti? Não sei o que fazer por vocês... Não sei, vou ligar também".

O que é certo é que até hoje pouco mais foi feito. É angustiante. E é só um exemplo do que se passa. Na última semana você fez a cobertura deste estado de coisas quando lá esteve - falharam redondamente.

sábado, 1 de agosto de 2009

Campanha Contra Golpe em Honduras

Amigos do Twitter, da blogosfera e da internet, desde já, obrigado por passarem aqui e ajudarem a multiplicar este pedido para a Avazz.

Para quem ainda não conhece o trabalho da Avazz, vejam o breve anexo ao final e acessem sua apresentação geral neste link: http://secure.avaaz.org/po/about.php

Indignado com a omissão da mídia e a impotência da comunidade internacional, elaborei por livre e espontânea iniciativa esta sugestão de texto para cada um de vocês também enviarem ao e-mail de contato da Avazz: info@avaaz.org.
O título do e-mail pode ser o desta postagem: "Campanha Contra Golpe em Honduras"

FAVOR PARTICIPAR E DIVULGAR !!!

O pouquinho que cada um pode fazer significa realmente muito para todo o mundo!

PS.: Observo que, até esta data (01 de Agosto de 2009, às 20h30), não identifiquei no site da Avazz em português (http://www.avaaz.org/po/) nenhuma iniciativa explícita nesse sentido. Caso já exista alguma em curso, pois que o e-mail a ser enviado agora por você sirva de reforço e visibilidade ainda maior para esta problemática; ou melhor, para esta causa, especialmente da América.

[ INÍCIO DO TEXTO PROPOSTO ]

SOLICITAÇÃO URGENTE DE CAMPANHA PARA EQUIPE DO AVAZZ (incluindo Ricken, Alice, Pascal, Ben, Veronique, Paul, Graziela, Brett, Raluca, Luis, Raj, Milena, Paula, Iain, Taren e Margaret).

Continuamos muito preocupados com a persistência do golpe em Honduras e os efeitos desestabilizadores que essa situação tem causado para o povo, a democracia e a economia do país. Sem falar dos conflitos internos, das dezenas de mortes e da série de detenções de que se tem notícia através dos meios alternativos, já que a mídia tradicional da América tem minimizado bastante a gravidade desta crise. O golpe perdura há mais de um mês e as negociações para a volta do presidente legítimo Manuel Zelaya têm se mostrado lentas, insuficientes e infrutíferas, apesar da corajosa e determinada capacidade de mobilização e resistência demonstrada pelos grupos, organizações e cidadãos que apoiam Zelaya.
Face ao exposto, solicita-se com urgência que a equipe do AVAAZ promova uma petição contra o golpe e em defesa da democracia em Honduras, conscientizando e sensibilizando os milhões de internautas para a adesão e divulgação de mais uma importante campanha em prol de um mundo mais justo, pacífico e sustentável.

Aguardamos gentilmente o retorno desta demanda.

Parabéns por sua missão e obrigado por sua atenção!

<<< Seu nome e sobrenome >>>

<<< Sua cidade, estado e país >>>

[ FIM DO TEXTO PROPOSTO ]


ANEXO: ESCLARECIMENTO SOBRE O TRABALHO DE MILITÂNCIA E ABRANGÊNCIA DA AVAZZ.

FONTE: Trecho extraído do informe de resultados da Avazz que recebi em 31 de julho de 2009, através do e-mail intitulado "Como o cyberativismo está mudando o mundo".

As petições, campanhas de captação, manifestações e lobby político que a nossa comunidade está fazendo está tendo um impacto incrível. A Avaaz cresceu mais de 50.000 pessoas por semana, tendo agora mais de 3,6 milhões de cidadãos engajados em todos os países do mundo. Nós somos realmente globais, operando em 14 línguas, já temos 25.000 membros em Singapura, 35.000 na África do Sul, 130.000 na Itália, 50.000 no México... Nunca antes houve uma comunidade como a nossa, capaz de responder rapidamente a questões globais e mobilizar de forma eficaz o poder da sociedade civil global para as maiores necessidades e preocupações da humanidade -- isto é um grande motivo de esperança!

Nesta jornada emocionante, estamos ansiosos pelas próximas 10 semanas, e 10 meses, e 10 anos juntos!

Com esperança,

Ricken, Alice, Pascal, Ben, Veronique, Paul, Graziela, Brett, Raluca, Luis, Raj, Milena, Paula, Iain, Taren, Margaret e toda a equipe Avaaz

PS - para ver os destaques das campanhas da Avaaz em 2007 e 2008, e deixar um comentário, clique aqui:
http://secure.avaaz.org/po/report_back_2

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Golpe em Honduras via Twitter

O GOLPE EM HONDURAS VIA TWITTER

A vida virtual também é feita de novidades e mudanças. Calma, não estou decretando o silêncio do Grito Pacífico, mas justificando porque não postei ainda nada sobre o golpe em Honduras: minhas vozes de desabafo e repúdio a esta crise na América Central foram canalizadas através do Twitter. A propósito, o meu é www.twitter.com/pablorobles. Fiquem à vontade para me seguir, assim como eu posso passar a seguir algum de vocês.

Reproduzo aqui, em ordem cronológica, todos os meus [48] Tweets relacionados a esta problemática. Transcrevi todos, na íntegra e sem exceção. Para nossa infelicidade, antes de ontem a ditadura golpista de Honduras completou um mês. Por isso, as reações, gritos e mobilizações deverão continuar; apoiando, incentivando e compondo a resistência popular que continua ativamente em marcha em prol do restabelecimento da democracia.

Não tenho nenhuma pretensão jornalística ao listar a memória de meus Tweets sobre o golpe em Honduras. Porém, acredito que tais registros, ainda que movidos espontaneamente pelo calor da emoção e pelas fibras da indignação, possam ajudar a resgatar e informar um pouquinho sobre o triste absurdo que perdura em Honduras. Milhares de "twitteiros" estão militando à sua maneira. Tento ser apenas uma voz diluída na esperança da multidão por um mundo melhor e mais justo.

Sigamos adelante, hermanos e hermanas!!!


28 de junho de 2009:

[1] Clipe #thriller, do #MichaelJackson, é reeditado politicamente em #Honduras: o “patriotismo” neoliberal prendeu o presidente #ManoelZelaia

[2] Mr #Obama, o q fará nesta tarde: torcer p/ os EUA no futebol enquanto brinca de matar moscas ou vai repudir à altura o golpe em #Honduras ?

[3] RT @_arles Embaixadores da Venezuela, Cuba e Nicarágua foram seqüestrados e sofreram violência dos militares golpistas em #honduras

[4] RT @AdroaldoPortal #honduras América do Sul contra o golpe: Lula, Morales, Chávez e Cristina já condenaram ação militar

[5] Legislativo de #Honduras nomeia substituto para a presidência, mas nenhuma nação reconhece formalmente esse atentado à democracia

[6] #Globo e a cambada do PIG começam a anunciar que #Honduras "elegeu" novo presidente (mesmo com todas as nações do mundo contra)

[7] Noticiário vergonhoso da #FolhaOnline: "Presidente do Congresso de Honduras assume e diz que não houve golpe" http://bit.ly/g1b0J

29 de junho de 2009:

[8] Todos os embaixadores leais à democracia real devem deixar imediatamente #Honduras p/ isolá-la politicamente do mapa e a normalidade voltar

30 de junho de 2009:

[9] Hola, blog de un periodista experiente con noticias sobre nuestra Latinoamerica, incluso la crisis en Honduras: www.pedroayres.blogspot.com

1 de julho de 2009:

[10] Vamos ver até onde vai a truculência obsoleta dos militares golpistas de #Honduras qdo Zelaya voltar ao país respaldado pelo resto do mundo

3 de julho de 2009:

[11] RT @GbastidasChavez: "A mi me conmovió que la 'Pichu' (hija de Zelaya) tuviera un 'chavito' (muñeco de Chavez) en su cuarto"

[12] Se colocassem um site para denunciar o golpe de #Honduras, os acessos seriam 1.000.000 de vezes menores do que o de #MichaelJackson

5 de julho de 2009:

[13] Manifestantes esperam Zelaya em #Honduras: http://bit.ly/4xCh1P

[14] ''Zelaya amigo, o povo está contigo'', gritavam os manifestantes, que prometem continuar as mobilizações até o retorno de Zelaya à #Honduras

[15] RT @eduguim #Nicarágua nega que esteja mobilizando exército contra #Honduras e diz que "CNN se uniu aos golpoistas"

[16] Nestes dias... meu país é #Honduras, meu continente é América Central, me sinto cidadão da democracia progressista e Zelaya é meu ídolo

[17] #Honduras O sangue começou a jorrar em Tegucigalpa, alguns manifestantes inocentes já caíram mortos, a barbárie golpista armou uma emboscada

[18] @guizovermelho pensei que houvesse nascido numa época pós-ditaduras, mas a onda progressista iniciada na Am. Latina já chegou na Am. Central

[19] Parabéns a cobertura da Telesur, todo latinoamericano mereceria acessá-la na TV aberta, RT @emerluis Telesur é a AlJazeera da América Latina

[20] @juliolirace os jornalistas e meios de comunicação que enfrentaram a repressão golpista e não calaram a voz da verdade estão de parabéns

[21] Omissão do Terra: ainda sequer deram destaques às duas mortes em #Honduras (ainda bem q nunca tive nem terei e-mail desse portal golpista)

[22] Se a sociedade civil de #Honduras e América não impedir este golpe, voltaremos a ser vítima servil do recrudescimento das piores ditaduras

[23] @laurafwx a ditadura do #futebol e outras alienações de domingo assustariam os lares se falassem de #Honduras (omissão = cumplicidade)

[24] Novo teste para o ambíguo Obama: RT @ritaloureiro Zelaya reivindica uma posição firme das grandes potências econômicas, como EUA #Honduras

[25] #Chávez exortar os militares dignos de #Honduras a limparem a boca de seus fuzis sujos de sangue e apoiarem #Zelaya e a vontade do povo

[26] Amanhã, o programa Café com Presidente será novamente amargo, #Lula precisa voltar a repudiar o golpe em #Honduras e fazer mais pressão

10 de julho de 2009:

[27] Missão descumprida: intermediação da Costa Rica fracassa e o golpe em #Honduras sigue adelante, para o infortúnio de nuestra America

21 de julho de 2009:

[28] ZELAYA ESTÁ EM #HONDURAS. Começa marcha p/ retomada da democracia http://bit.ly/TBbKj

[29] Dados da Cruz Vermelha contabilizam mais de 50 hondurenhos assassinados e cerca de 1000 lideranças oposicionistas presas e desaparecidas.

22 de julho de 2009:

[30] Querid@s Muchach@s, favor divulgar e apoiar este blog http://hondurasurgente.blog... Pela volta da democracia em #Honduras

24 de julho de 2009:

[31] A esperança de democracia volta a ventilar sobre #Honduras Zelaya, irmanado pela determinação e dignidade do povo, volta a pisar em seu país

[32] Se a mãe de Zelaya tivesse twitter, eu seguiria ela agora e ainda faria Follow Friday para ela, saludos para el pueblo de #Honduras

[33] Repressão dos golpistas de #Honduras transformam Dpto. de El Paraíso em pesadelo de sangue http://bit.ly/7bq3u

25 de julho de 2009:

[34] Mídia patrocinou golpe em #Honduras: http://bit.ly/namJj

[35] Como acá, 3 famílias de #Honduras controlam os 4 jornais diários de circulação nacional e 1 só família domina as redes de televisão e rádio

26 de julho de 2009:

[36] É muita cumplicidade: Senadores dos EUA reúnem-se com golpista de #Honduras http://www1.folha.uol.com.b...

[37] "Nomes dos 3 senadores [dos EUA] não foram informados e não foi permitida presença da imprensa nesse encontro [c/ Michelletti]"Link anterior

[38] Golpe em #Honduras e participação dos #EUA - Gestos cúmplices de senadores dizem mais que retórica de Obama. Veja meus 2 ups anteriores

[39] Cruz Vermelha é usada pelos golpistas de #Honduras para transportar bombas lacrimogêneas, em vez de feridos... http://bit.ly/UanqN

[40] @negroso Es lamentable que organizaciónes humanitarias como Cruz Roja estean a servicio de los imperios golpistas. Denunciémos!

[41] O governo do Canadá (aliado umbilical dos EUA) poderá reconhecer governo golpista de #Honduras http://www.ciranda.net/spip...

[42] RT @eddaraga estamos al borde de un colapso... nuestros compatriotas estan a sufriendo casi 60 horas de estado de sitio!!! #Honduras

[43] Jornalistas do twitter/internet e do mundo real...#Honduras vive um genocídio silencioso. Não se calem, divulguem tudo que for necessário.

[44] RT @somdoroque A maioria dos países dizem ser contra o golpe de #Honduras e no entanto não fazem nada de concreto para essa novela acabar

27 de julho de 2009:

[45] RT @eddaraga: Me partio el alma cuando señora indigena de 55 años dijo q la habian ultrajado y la amenazaron con echarle gasolina y quemarla

[46] Enquanto a Radio Globo de #Honduras tenta transmitir com independência a verdade dos fatos, a TV Globo daqui é a maior mentira do Brasil

29 de julho de 2009:

[47] @MagazineBrasil O discurso de Obama é lindo, o problema são os bastidores reais entre os conservadores dos EUA e os golpistas de #Honduras

[48] "Micheletti só se sustenta com armas" http://bit.ly/k9wvO (E COM... a omissão dos EUA, o silêncio da MÍDIA e a preguiça da ONU) #Honduras

domingo, 28 de junho de 2009

A Mídia Pensa Que Não Pensamos

Gostei da referência à degradação SER > TER > PARECER...
(e por aí vai: OMITIR, MENTIR, MANIPULAR etc etc etc
até o INVADIR, AGREDIR, MATAR...)
E nessa "arte" muitas "bondosas democracias" não cansam de dar o pior exemplo para o mundo e a soberania dos outros países, seja aqui na América Latina seja lá no Oriente Médio.

Afinal, os problemas do mundo também passam (e como passam) pela incoerência dos valores humanos. A grande maioria tece discursos altruístas e solidários mas não consegue reconhecer e abrir mão de suas atitudes e condicionamentos egoístas, plantados por uma sociedade moralmente primitiva e suicida.

1) Sobre a mídia: eles inventam a doença e divulgam sintomas artificiais para depois venderem o remédio que só interessa a eles.

2) Quando o Peru massacrou índios como baratas, a mídia não mostrou nem uma gota de sangue. Agora, cada morto no Irã tá valendo mais que nos EUA.

3) Já no Iraque, dezenas de civis continuam morrendo em atentados toda semana. A "democracia" petrolífera importada dos EUA foi a bomba raiz.

Comentários do Grito Pacífico, mudando o mundo com você


O QUE A MÍDIA QUER QUE VOCÊ PENSE

Por Laerte Braga (texto recebido pelo mesmo por e-mail)

Quem que preste o mínimo de atenção ao noticiário dos grandes veículos de comunicação vai constatar que o nome do criminoso Daniel Dantas desapareceu do cenário. Permanecem o do delegado Protógenes Queiroz e do juiz De Sanctis sendo massacrados pela suposta assepsia da mídia em pequenas notícias aparentemente isentas.

Sobre a gravação que não houve - ninguém viu só a revista VEJA, porta-voz oficial do crime legalizado - de uma conversa entre o criminoso Gilmar Mendes (presidente um departamento das empresas de Dantas, A STF DANTAS INCORPORATION LTD) e outro criminoso Heráclito Fortes (o senador que empregava a filha de FHC em seu gabinete) nem se toca no assunto.

São fatos para serem esquecidos. Daniel Dantas entrou na muda, não fala nada e Protógenes e De Sanctis viraram os bandidos da história. Gilmar Mendes continua recebendo pela porta dos fundos do seu gabinete e estacionando seu carro cujo combustível é pago com dinheiro público, em vaga reservada a deficiente físico.

Nas várias operações feitas pela Polícia Federal e que desmantelaram quadrilhas que iam de ministros de tribunais superiores, a desembargadores, senadores, deputados, prefeitos, grande empresários, banqueiros, latifundiários, as quadrilhas de sempre, uma delas ganhou destaque nacional pela imagem que proporcionou.

A do ex-prefeito da cidade mineira de Juiz de Fora, Alberto Bejani, recebendo a propina paga pelos empresários de transportes coletivos de sua cidade e estabelecendo as condições para os meses seguintes. O fato foi divulgado à larga no principal jornal de tevê do País, o jornal da mentira que alguns chamam de JORNAL NACIONAL.

Bejani continua solto, é candidato a deputado e o atual prefeito de Juiz de Fora Custódio Matos é só uma reprodução da corrupção ampla, geral e irrestrita que permanece intocada. Com um pouco mais de sofisticação por ser tucano.

O presidente Lula tem em mãos medida provisória aprovada pelo Congresso que ratifica a grilagem de bandidos na Amazônia e no Pantanal brasileiros, tudo sacramentado pela senadora/bandida Kátia Abreu, do DEM. A medida permite que extensões de terra do tamanho de cidades como Rio ou São Paulo sejam legalizadas depois de tomadas pelos latifundiários - a senadora é latifundiária - e registradas em marmeladas de certidões falsas em cartórios de tabeliões criminosos. Qual não é?

O veto ou não a essa negociata sem tamanho e que compromete a própria soberania nacional, a integridade de nosso território, pasmem-se, depende de acordos políticos, do toma lá dá cá e tudo passando pelas mãos do senador José Sarney, quadrilheiro que opera no Maranhão e no Paraná e segundo Lula "pela sua história não pode ser tratado como homem comum". Nessa lógica Al Capone também não.

O governador de São Paulo, José Serra, notório corrupto, indivíduo - para usar expressão do antigo jargão do noticiário policial dos jornais das décadas de 50/70 - de má catadura e sem caráter algum, está promovendo a liquidação do seu estado naquele negócio de privatizar, terceirizar e tirar o corpo fora de qualquer problema, mas engordando o caixa dois para sua campanha eleitoral. Uma das providências que Serra tomou, por exemplo, foi a de assinar milhares de revistas da Editora ABRIL, a que edita VEJA, em troca do direito de bater a carteira de cada paulista e ainda tentar chegar à presidência para estender seus limites de punguista político.

E assim o tresloucado que governa Minas, Aécio Neves. A corrupta que governa o Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. O governador dos muros Sérgio Cabral e nem estou tocando na barbárie da semana passada quando os pistoleiros de Serra, fardados de policiais militares, espancaram, prenderam, torturaram e seqüestraram professores, funcionários e estudantes da USP - Universidade de São Paulo - que o governador/criminoso quer privatizar.

Isso é irrelevante para a mídia à medida que quem paga os "nossos comerciais", os "comerciais do plim plim" são eles os bandidos.

O escândalo do Senado, vamos usar essa expressão, cumpre o papel de "imprensa sadia" no contexto do espetáculo que promovem para fugir da realidade e criar esse institucional falido, pois num dado momento é fácil generalizar sobre senadores, tanto quanto criar o sentimento que Congresso é um custo, um peso, sem ganho algum, abrindo espaço a continuidade das práticas corruptas dos que em tese são denunciados. Caso de Kátia Abreu. Ou de José Sarney. Ou de Fernando Gabeira, paladino da moral e dos bons costumes pego com a boca na botija das passagens cedidas a amigos e etc e tal.

Em meio a tudo isso há um espaço de cinco ou seis minutos para que cada cidadão tome conhecimento do novo modelo de automóvel que pode ser comprado em trocentas prestações, sem entrada. Ou da roupa que coloca o ser no topo mesmo que o estômago esteja roncando e pior, que cria o vazio interior em cada cidadão ou cidadã na esteira de uma indignação fingida, hipócrita e cuidadosamente planejada para você não saiba nada além daquilo que interessa a eles. Por via das dúvidas um monte de marcas de sabão em pó daqueles que tiram qualquer mancha.

E assim é o noticiário internacional. O jornal THE WASHINGTON POST, como o próprio nome indica editado em Washington - responsável pela investigação de dois jornalistas que resultou na renúncia de Richard Nixon - trouxe um artigo de um ex-secretário (ministros por lá são chamados de secretários) do governo Ronald Reagan, um dos mais estúpidos da história dos EUA, revelando os verdadeiros motivos que levam países como os Estados Unidos, Grã Bretanha (protetorado norte-americano na Europa), Itália (bordel particular de Sílvio Berlusconi) e outros, a criar a imagem de barbárie e violência no Irã por conta da vitória do candidato Mahamoud Ahmadinejad.

Não interessava aos donos do mundo. A mídia cumpre o papel de mostrar uma realidade que não existe já que a vitória do presidente - reeleito - foi por larga margem de votos e confirmada pelas instâncias superiores daquele país.

Mas é preciso demonizar o Irã, satanizar Ahmadinejad. Contrariam os interesses dos principais acionistas dos EUA. O estado terrorista de Israel através da AIPAC - AMERICAN ISRAEL PUBLIC AFFAIRS COMMITTEE - com milhões de sionistas/judeus organizados e com vastos recursos para comprar parlamentares naquele país, moldar boa parte da mídia segundo seus interesses (bancos e empresas, muitas delas falidas na crise e salvas com dinheiro do contribuinte), vendendo a idéia de sionistas/judeus sofredores e palestinos terroristas, enquanto roubam terras palestinas, seqüestram, torturam, estupram, matam, prendem e sacam de instrumentos religiosos para se auto proclamarem o povo eleito para dirigir o mundo.

Defender um noticiário isento, livre, um debate amplo sobre todas as questões que dizem respeito ao Brasil - nosso caso - sua inserção no resto do mundo e junto a esse mundo globalizado é o mínimo que se pode fazer e não significa que se esteja querendo importar esse ou aquele modelo. Essa ou aquela solução.

Somos o Brasil, somos brasileiros e brasileiras, temos nossas características de País de múltiplas culturas, não somos um País de brancos de olhos azuis como querem e estamos, gradativamente, sendo transformados em seres aculturados e adoradores de McDonalds e outras coisas mais. A própria língua portuguesa hoje já não é falada por exemplo, em várias áreas da Miami brasileira, a Barra da Tijuca. É que lá as senhoras levam suas cachorrinhas ao cabeleireiro de helicóptero para evitar o stress do trânsito de mortais comuns.

A mídia vende um show. Um espetáculo. Vende ilusão. Vende a mentira dos donos. Essa mentira como diz Débort ("A sociedade do espetáculo", Contraponto, Rio), o espetáculo, "não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediadas por imagens".

Ou, "a primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou , no modo de definir toda realização humana, uma evidente degradação do ser para o ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados acumulados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo ter efetivo deve extrair prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldado por ela. Só lhe é permitido aparecer naquilo que ela não é".

E, aí, "à medida que a necessidade se encontra socialmente sonhada, o sonho se torna necessário. O espetáculo é o sonho mau da sociedade moderna aprisionada, que só expressa final, o seu desejo de dormir. O espetáculo é o guarda desse sono".

Não é difícil entender a constatação da OMS - Organização Mundial de Saúde - porque a depressão será a segunda maior causa de mortes a partir do ano 2020, logo após as doenças cárdio/vasculares.

O "paraíso ilusório", a "cisão consumada no interior do homem".

Se achar que "prozac" não resolve, quem sabe Edir, o Macedo. E tome Faustão.

E nunca se esqueça de olhar embaixo da cama antes de dormir ou trancar bem as portas e janelas, pois lá pode estar escondido um "terrorista" iraniano, ou palestino, pior, um senador padrão José Sarney, ou um governador José Serra. Nesses casos não adianta chamar o 190, é deles.

Por via das dúvidas deixe a GLOBO ligada e se encontrar um desses comece a rezar o pai nosso deles. "Wall Street nossa de cada dia..." Pendure uma cruz de Davi, ao lado da suástica, na entrada da casa. E se algum deles perguntar alguma coisa diga apenas yes y love the Globe. Ajoelhe-se, volte-se para o PROJAC e invoque a proteção de William Bonner. Se quiser pode até colocar, é bom, aumenta a garantia, um retratinho dele sobre a cama, na parede.

sábado, 16 de maio de 2009

Assim estamos com o mito Obama

Assim estamos com o mito Obama

Passados os cem dias iniciais de Obama na Casa Branca e enquanto o espetáculo da gripe suína despontava, negociações sujas de lama começaram a mostrar melhor o cheiro do caráter de Obama: verniz progressista de pop-star com essência mais conservadora que o mundo pensava.

Não é à toa que no começo do mês mais de 100 civis do Afeganistão foram atingidos pelo “espirro” letal dos bombardeiros americanos. Para que autorizar os soldados norte-americanos a combaterem na lama, no chão a chão? Só se fosse para arriscarem morrer ou pelo menos arranharem os broches do Obama que alguns iludidos devem ostentar em suas fardas.

Vamos acompanhar a metamorfose ambulante do sujeito político mais poderoso do planeta, tomando emprestado notícias publicadas na internet pela Folha de S. Paulo:

Era uma vez (em 27/01/2009)
"Após Guantánamo, Obama terá de lidar com prisão no Afeganistão"
“Bastaram 48 horas na Casa Branca para que o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenasse o fechamento do polêmico centro de detenção da base militar americana em Guantánamo”

Perceberam o entusiasmo da matéria que futuramente se revelaria etérea?
(mas então...)

Não muito tempo depois (em 15/05/2009)
Obama anuncia manutenção dos tribunais para suspeitos de terrorismo

Percebam que, como informa essa mesma matéria, o mito Obama se desfez duas vezes em uma única semana, para o desespero dos crédulos de todas as democracias:
“Esta é a segunda decisão controversa de Obama em menos de uma semana. O presidente rejeitou a divulgação das fotos de torturas cometidas por agentes americanos contra prisioneiros no Iraque e Afeganistão alegando que as imagens colocam em risco os soldados americanos.”

O que podemos aprender com essa frustrante notícia?

Lanço uma hipótese pedagógica:

Obama, ao decidir manter os tribunais criminosos, parece que não leu nem o prefácio do livro do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (Veias abertas da América Latina), entregue pessoalmente por Hugo Chavez no encontro de Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago.

As veias mudaram (em grande parte) de endereço e agora o sangue do imperialismo vaza das artérias do Afeganistão, como vimos, e também das tubulações desumanas do Iraque, onde os atentados pipocam tão corriqueiramente que a mídia ocidental ou esquece vez por outra de noticiá-los ou já deve estar enjoada de tanto mostrá-los.

Pois bem - voltando a falar de literatura - não faltaram ilustres escritores que, embarcando no sedutor otimismo falsamente inspirado por Obama, reforçassem a dica venezuelana, como foi o caso de José Saramago:
"Agora só nos falta ver como aproveitará Barack Obama a leitura das veias abertas. Bom aluno parece ser", conclui o Nobel português.

Ah, entendi... acho que matei a charada: os “professores pragmáticos” (leia-se assessores) de Obama negaram-lhe a oportunidade de ler previamente o livro Ensaio sobre a cegueira, de Saramago, pré-requisito indispensável para tornar o pop-star menos míope.

E por ter a honra de mencionar o Galeano, despeço-me com as palavras afiadas dele, mil vezes mais precisa do que a pontaria daqueles disparos no Afeganistão:

"Os cinco principais fabricantes de armas são os encarregados da paz do mundo... Assim estamos! [inclusive com o mito Obama, acrescentaria eu]".

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Novelinha" da Globo é desmascarada

Telespectadores não têm cara de palhaço e não é sempre que a Rede Globo, com suas histórias malcontadas, consegue fazer o Brasil de bobo. A emissora armou uma encenação para culpabilizar o MST e tentar minar (pela enésima vez) este movimento social perante a opinião pública. Tirando as balas truculentas que atingiram alguns integrantes do MST, pode-se dizer que o "tiro" midiático da Globo saiu pela culatra. A Globo não teve a "competência" de comprar, usar e calar todos os atores dessa sua novelinha de final infeliz e motivação criminosa. Palmas para o repórter Victor Haor, cuja consciência sentiu mais fundo, falou mais alto e ficou mais leve.

(Comentários do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

CAIU A FARSA DA GLOBO SOBRE O CONFLITO COM O MST

Por MAX COSTA

FONTE: Texto circulado pela Rede 3 Setor no dia 26/04/2009 (http://br.groups.yahoo.com/group/3setor)

Desde o início, a história estava mal contada. Um novo conflito agrário no interior do Pará, em que profissionais do jornalismo teriam sido usados como escudo humano pelo MST e mantidos em cárcere privado pelo movimento, em uma propriedade rural, cujo dono dificilmente tinha seu nome revelado. Quem conhecia e acompanhava um pouco da história desse conflito sabia que isso se tratava de uma farsa. A população, por sua vez, apesar de aceitar a criminalização do MST pela mídia e criticar a ação do movimento, via que a história estava mal contada.

As perguntas principais eram: Como o cinegrafista, utilizado como escudo humano - considero aqui a expressão em seu real sentido e significados -, teria conseguido filmar todas as imagens? Como aconteceu essa troca de tiros, se as imagens mostravam apenas os "capangas" de Daniel Dantas atirando? Como as equipes de reportagem tiveram acesso à fazenda se a via principal estava bloqueada pelo MST? Por que o nome de Daniel Dantas dificilmente era citado como dono da fazenda e por que as matérias não faziam uma associação entre o proprietário da fazenda e suas rapinagens?

Para completar, o que não explicavam e escondiam da população: as equipes de reportagem foram para a fazenda a convite dos proprietários e com alguns custos bancados - inclusive tendo sido transportados em uma aeronave de Daniel Dantas - como se fossem fazer aquelas típicas matérias recomendadas, tão comum em revistas de turismo, decoração, moda e Cia (isso sem falar na Veja e congêneres).

Além disso, por que a mídia considerava cárcere privado o bloqueio de uma via? E por que o bloqueio dessa via não foi impedimento para a entrada dos jornalistas e agora teria passado a ser para a saída dos mesmos? Quer dizer então que, quando bloqueamos uma via em protesto, estamos colocando em cárcere privado, os milhares de transeuntes que teriam que passar pela mesma e que ficam horas nos engarrafamentos que causamos com nossos legítimos protestos?

Pois bem, as dúvidas eram muitas. Não apenas para quem tem contato com a militância social, mas para a população em geral, que embora alguns concordassem nas críticas da mídia ao MST, viam que a história estava mal contada. Agora, porém, essa história mal contada começa a ruir e a farsa começa a aparecer. Na tarde de ontem, o repórter da TV Liberal, afiliada da TV Globo, Victor Haor, depôs ao delegado de Polícia de Interior do Estado do Pará. Em seu depoimento, negou que os profissionais do jornalismo tenham sido usados como escudo humano pelos sem-terra, bem como desmentiu a versão - propagada pela Liberal, Globo e Cia. - de que teriam ficado em cárcere privado.

Está de parabéns o repórter - um trabalhador que foi obrigado a cumprir uma pauta recomendada, mas que não aceitou mais compactuar com essa farsa. Talvez tenha lhe voltado à mente o horror presenciado pela repórter Marisa Romão, que em 1996 foi testemunha ocular do Massacre de Eldorado dos Carajás e não aceitou participar da farsa montada pelos latifundiários e por Almir Gabriel, vivendo desde então sob ameaças de morte.

A consciência deve ter pesado, ou o peso de um falso testemunho deva ter influenciado. O certo é que Haor não aceitou participar até o fim de uma pauta encomendada, tal quais os milhares de crimes que são encomendados no interior do Pará. Uma pauta que mostra a pistolagem eletrônica praticada por alguns veículos de comunicação e que temos o dever de denunciar.

MAX COSTA

Jornalista/Belém

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Brasil deveria oficializar seu repúdio a Israel

Segue um artigo corajoso, lúcido e direto que apela diretamente à consciência dos governantes e cidadãos brasileiros. A péssima notícia é que, no momento em que faço esse comentário, a contabilidade sangrenta do genocício nazi-sionista contra Gaza já está beirando a marca de 1000 vítimas, fato que duplica a urgência reivindicada pelo texto e amplia incotestavelmente sua legitimidade. Nem as alas conservadoras e subservientes têm o direito de fazer vista grossa frente à esta barbárie. Os discursos vagos devem ser convertidos em atitudes concretas. O Brasil já não é mais tão capacho dos EUA como antigamente. Chegou a hora dos parlamentares, intelectuais e forças progressistas de nosso país repudiarem diplomaticamente a arrogância cínica e criminosa de Israel. Como as palavras abaixo deixam claro: a questão não é ser cúmplice do Hamas; o que não se pode admitir é ver o extermínio de um povo de camarote, como se o terrorismo de Estado perpetrado tivesse lugar em outro planeta.

(Comentários indignados do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

PELO IMEDIATO ROMPIMENTO COM ISRAEL!

Por Maurício Thuswohl

FONTE: Agência Carta Maior - 07/01/2009
LINK: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4069&boletim_id=513&componente_id=8910

“Muitas crianças palestinas estão morrendo e quase nenhuma criança israelense foi morta. Por quê? Porque nós cuidamos das nossas crianças.” (Shimon Peres, presidente de Israel, em 6 de janeiro de 2009)

De acordo com os dados divulgados periodicamente pela ONG internacional Save the Children, foi ultrapassada na terça-feira (6) a marca de 100 crianças palestinas assassinadas desde o início da última onda de agressões perpetrada por Israel. No mesmo dia, ataques aéreos israelenses destruíram três escolas da ONU na Faixa de Gaza, deixando cerca de 30 mortos. Horas antes, uma bomba caiu sobre uma casa onde cerca de 20 jovens recebiam de dois militantes dos Hamas treinamento de primeiros-socorros para ajudarem parte das milhares de vítimas palestinas. Não houve sobrevivente.

Ocorridos num único dia de combate, em meio aos milhares de episódios estarrecedores vividos em Gaza na última semana, esses eventos mereceram o repúdio internacional e fizeram crescer a pressão sobre o governo israelense para um cessar-fogo imediato. Respaldado pelo sólido apoio político e diplomático dos Estados Unidos, no entanto, os falcões-de-guerra israelenses, até o momento em que escrevo estas linhas, admitiram apenas a abertura de um “corredor humanitário” durante três horas por dia para que comida e medicamentos finalmente cheguem aos palestinos.

Face à impotência do Conselho de Segurança da ONU e ao bloqueio das discussões exercido pelos EUA, a tentativa de costura de uma solução que leve ao fim imediato das hostilidades sobrou para a União Européia. Capitaneados pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, os esforços europeus, no entanto, têm encontrado maior eco junto aos países árabes, Egito à frente, do que propriamente junto a Israel, que, como faz nos últimos 60 anos, mantém postura de arrogância e desprezo em relação à via diplomática multilateral.

Os países árabes, por sua vez, também repetem o velho cenário que se divide entre os regimes aliados dos Estados Unidos, liderados pela Arábia Saudita, e os regimes inimigos declarados ou velados de Israel, como Síria e Jordânia, entre outros. A história ensina que, na hora em que Israel resolve atacar com A maiúsculo, nenhum dos dois lados da elite árabe costuma mover uma palha em favor de palestinos, libaneses ou quem quer que seja.

Qual papel deve assumir o Brasil, postulante a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, diante dessa paralisia? O melhor e mais corajoso caminho a ser seguido é o imediato rompimento de relações diplomáticas com o governo assassino de Israel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem diante de si a oportunidade de fazer valer todo o capital político acumulado no cenário internacional ao longo dos últimos seis anos e indicar claramente que a construção de um novo patamar de entendimento entre as nações, desejo manifesto de seu governo, não mais tolerará demonstrações unilaterais e desproporcionais de força militar.

É possível romper relações com Israel sem declarar apoio ao Hamas ou abandonar a posição neutra em relação ao conflito palestino-israelense. O que não dá mais é para assistir calado ao extermínio de um povo. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como bem demonstrou o governo da Venezuela. No mesmo dia em que foi ultrapassada a marca de 100 crianças palestinas mortas, o presidente Hugo Chávez declarou o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países e expulsou de Caracas o embaixador de Israel. Para justificar seu ato, Chávez afirmou que “Israel está promovendo um holocausto na Faixa de Gaza”.

Seguir o mesmo caminho da Venezuela consolidaria o papel político de liderança entre os países emergente exercido pelo Brasil no cenário diplomático internacional. Significaria também, mesmo que isso traga pouca conseqüência prática e imediata para quem está recebendo bomba na cabeça, um importante gesto de solidariedade do “mundo real” face ao martírio do povo palestino. Lula, se tomar essa atitude corajosa, mais uma vez colocará a política externa de seu governo a serviço da construção de um mundo menos injusto.

A simpatia do presidente brasileiro pela causa palestina não é segredo para ninguém. Em entrevista ao jornal Valor publicada na segunda-feira (5), o assessor especial de Política Externa da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, classificou a ofensiva israelense em Gaza como “terrorismo de Estado”. Em nota assinada por seu presidente, Ricardo Berzoini, o PT também condenou a ofensiva israelense e rechaçou o argumento de “autodefesa” utilizado por Israel. O rompimento temporário com Israel nas atuais circunstâncias seria, portanto, um caminho natural e coerente para o governo Lula.

Maurício Thuswohl é jornalista.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Enquanto Palestina sangra, o mundo dorme

Meu blog precisou redigir e acrescentar mais uma postagem este ano, infelizmente para denunciar uma violência sem fim imune a qualquer explicação sensata.
(Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

Enquanto Palestina sangra, o mundo dorme

Palestina está revivendo acordada os piores pesadelos de um mundo sonolento e omisso.

Enquanto a imensa maioria verá alegremente fogos de artifício no céu durante a passagem do ano, a população civil de Gaza, incluindo crianças inocentes e mulheres indefesas, verá rajadas de mísseis sangrando os horizontes de suas vistas, de suas esperanças ou até de seus lares. A estratégia belicista de Israel começou há vários meses, buscando minar e fragilizar ao máximo a infra-estrutura, a economia e os programas de ajuda humanitária dirigidos a Gaza.

Só podia ser piada de final de ano: ao noticiar a escalada brutal da violência neste conflito, depois de atualizar corriqueiramente os ouvintes das incontáveis baixas palestinas, o apresentador pareceu frisar solenemente que “quatro cidadãos israelenses” também haviam sido mortos, demonstrando no tom da abordagem um constrangimento sutilmente maior, como se a vida de uma pessoa da Palestina valesse dez ou cem vezes menos do que alguém de Israel.

Muitos judeus oprimidos no passado se tornaram declaradamente opressores, como se o racismo genocida nazista tivesse reencarnado e recrudescido em Tel Aviv. Com penosos agravantes: uma ONU ajoelhada perante o veto arrogante dos EUA, uma mídia explicitamente tendenciosa e uma comunidade internacional complacente. De cada dez chefes de Estado que condenam os ataques de Israel, alguns setores da impressa escolhem a dedo os três discursos mais dóceis.

Mas é claro que todo mundo irá se mexer. Talvez quando a cifra palestina ganhar um quarto algarismo, superando as mil vítimas. O engraçado é que, para tentar salvar as montadoras norte-americanas da crise neoliberal, Obama não se faz de rogado e move todas as palhas que está a seu alcance. Agora, chamado a se posicionar com mais atitude frente ao extermínio de Gaza, ele prefere jogar golfe, limitando-se a dizer que ainda não assumiu o governo dos EUA.

Haja remédios e gazes para aliviar as dores e feridas de Gaza. Viver nesta região, tão abençoada pelas heranças cristãs, é como comprar a passagem antecipada para o inferno. Os povos de lá não precisam assistir filmes de guerra, pois Israel já os contratou para as cenas reais do abate. A comida palestina tem gosto de pólvora, temperada pelos estilhaços que por um triz não explodiram mais uma localidade civil, sitiada e novamente ameaçada como tantas outras.

Palestina está revivendo acordada os piores pesadelos de um mundo sonolento e omisso.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

CAMPANHAS: Aprender sem Medo

EM ALGUMA ESCOLA, ENQUANTO UMA MAIORIA TENTA APRENDER, UMA MINORIA PODE ESTAR SENDO VÍTIMOS DE MAUS TRATOS, QUER SEJAM FÍSICOS, VERBAIS OU PELO MENOS PSICOLÓGICOS. O QUE ME ALARMOU NESSA NOTÍCIA FOI A INFLUÊNCIA NEGATIVA DESTE PROBLEMA NAS TAXAS FUTURAS DE SUICÍDIO. SE O ESTUDANTE É OPRIMIDO E ESVALORIZADO NO PERÍODO ÁUREO DE SUA FORMAÇÃO BÁSICA, AS CICATRIZES DESSA REJEIÇÃO, SE NÃO FOREM SUPERADAS COM O TEMPO, TENDERÃO A PERSEGUI-LO E COMPROMETER SUA AUTO-ESTIMA DURANTE TODA A VIDA.
(Comentário de Pablo Robles)

Aprender sem medo

FONTE: http://www.rets.org.br - 10/10/2008
Por Cristina Bodas, coordenadora de Comunicação da Plan Brasil, em São Paulo

A cada dia, aproximadamente um milhão de crianças sofrem algum tipo de violência nas escolas em todo o mundo. E nenhum país está imune. Esses são alguns dos resultados de uma pesquisa conduzida pela Plan, uma das maiores e mais antigas organizações não-governamentais de desenvolvimento. O relatório é parte da campanha “Aprender Sem Medo” lançada em outubro em diversos países com o objetivo de promover um esforço global para acabar com a violência nas escolas.

Além da quantidade alarmante de vítimas, a pesquisa indica que a violência não afeta apenas a personalidade, a saúde física e mental e o futuro potencial da criança, mas traz também danos irreparáveis para a família, a comunidade e a economia nacional. O levantamento retrata a situação mundial em relação a três principais temas vivenciados nas escolas: violência sexual, castigo corporal e bullying.

Alguns dados mundiais alarmantes indicam que: meninas sofrem mais com violência sexual; meninos são mais atingidos pelo castigo corporal; vítimas de violência na escola têm maior tendência a cometer suicídio; muitas vítimas morrem devido a ferimentos, complicações de gravidez indesejada ou Aids; garotas vítimas de bullying têm oito vezes mais chances de serem suicidas.

No Brasil, especificamente, a pesquisa mostrou que: 84% de 12 mil estudantes de seis estados reportaram suas escolas como violentas; cerca de 70% desse universo afirmaram terem sido vítimas de violência escolar; um terço dos estudantes afirmou estar envolvido em bullying, seja como agressor ou vítima; quando questionadas a respeito de castigo corporal, crianças brasileiras de 7 a 9 anos disseram que a dor nem sempre é só física. Declararam sentir “dor no coração” e “dor de dentro”.

Com o relatório e a campanha “Aprender Sem Medo”, a Plan – juntamente com parceiros nacionais e internacionais – quer mostrar que toda a violência contra crianças pode e deve ser evitada. Uma escola isenta de violência é o direito de cada criança. "Todos nós temos um papel a desempenhar, quer como indivíduos, governos ou ONGs: temos de garantir que as crianças possam ir à escola sem medo ou ameaça de violência e recebam uma educação de qualidade em um ambiente seguro. ‘Aprender Sem Medo’ pode ser uma campanha da Plan, mas é responsabilidade de todos”, afirma o assessor de Educação da Plan Brasil, Charles Martins.

A estratégia mundial da campanha está baseada em: persuadir os governos a tornar ilegal todas as formas de violência contra as crianças na escola e fazer com que essas leis sejam cumpridas; trabalhar com os dirigentes escolares e professores para criar escolas livres de violência e promover métodos alternativos à disciplina de castigos corporais; criar uma dinâmica de mudança global, incluindo aumento dos recursos de doadores internacionais e governos para combater a violência nas escolas de países em desenvolvimento.
Bullying

No Brasil, a campanha terá como principal foco o bullying escolar, incluindo o cyber bullying, e suas implicações para a educação. Definido como “o desejo consciente e deliberado de maltratar uma outra pessoa ou colocá-la sob tensão”, o termo bullying começou a ser estudado por pesquisadores brasileiros mais intensamente a partir da década de 1990 devido ao alto índice de crianças e adolescentes que sofriam maus-tratos praticados por colegas, professores ou funcionários da escola.

As vítimas de bullying geralmente perdem o interesse pela escola e passam a faltar às aulas para evitar novas agressões. Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer de depressão e, nos casos mais graves, estão sob um risco maior de abuso de drogas e de suicídio. Apesar da ampla divulgação sobre o problema, dos 66 países pesquisados pela Plan, apenas cinco (Coréia, Noruega, Sri Lanka, Reino Unido e EUA) possuem leis que proíbem o bullying nas escolas.

A partir do lançamento da campanha, a Plan iniciará uma mobilização de parceiros (outras ONGs, governos, escolas) e da sociedade civil para começar a implementação do programa em escolas a partir do próximo ano letivo. No Brasil, a Plan já conta com o apoio da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, uma rede social que articula mais de 200 entidades de todo o país.

A Plan é uma organização não-governamental de desenvolvimento centrado na criança e no adolescente. Sem qualquer vinculação política ou religiosa, foi fundada em 1937 e hoje está presente em mais de 60 países. No Brasil atua desde 1997, principalmente nos estados de Pernambuco e Maranhão. Cerca de 1,5 milhão de crianças e adolescentes participam dos programas da Plan em todo o mundo, sendo mais de 75 mil somente no Brasil. Atualmente, a organização desenvolve no país cerca de 50 projetos nas áreas de educação, saúde, promoção de direitos, participação comunitária e segurança alimentar e nutricional.