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terça-feira, 17 de abril de 2012

CRÔNICA: Mulheres políticas e sociedades fragilizadas

Mulheres políticas e sociedades fragilizadas

No dia em que uma mulher lá de cima (Hilary), de uma potência em decadência (EUA), visita uma mulher aqui de baixo (Dilma), de uma potência em afirmação (Brasil), uma mulher aqui do lado (Cristina), de um país (Argentina) dinâmico, hermoso e destemido (inclusive no resgate democrático das verdades sobre os crimes da ditadura que assombraram outrora a política latino-americana; matéria que as “elites” daqui prefeririam incinerar em vez de reconstituir), presenteia-nos com um gesto firme, altivo e politicamente legítimo.

Pois bem, nossa presidente vizinha de um país hermano reivindicou e legalizou a soberania mínima na gestão das riquezas nacionais de seu petróleo e gás; ideologias e sectarismos à parte, um Estado não existe só pra reagir (aos mercados e interesses estrangeiros), mas também para agir (a favor do povo e aspirações das maiorias).

O grande desafio que nos cabe está nesse pequeno e grande detalhe que oscila entre os instintos privatistas de liberdade e as necessidades estatizantes de proteção: sociedade. Nossa ditadura política se foi, mas deixamos que outras ditaduras entrassem em campo, como a da mídia, a da publicidade e a da indústria enlatada de práticas de lazer descoladas do cheiro cotidiano, de nossas identidades locais e das aventuras e desventuras comunitárias.

Quando sermos menos servil e efetivamente mais civil, uma outra sociedade edificará nossos lares, semeará novos valores e inspirará as gerações vindouras, nos colocando de mãos dadas com toda a humanidade que muitas vezes não conseguimos desenvolver e partilhar, intoxicados que ainda estamos por um modelo de sociedade (civil) e representatividade (política) que não cuida bem de sua gente, de suas instituições e de seus recursos, sejam eles naturais ou industriais, científicos ou morais, e materiais ou espirituais.

segunda-feira, 8 de março de 2010

ANJOS DE SAIA, TE CONVOCAMOS

Precisamos de ti, como a vida da luz!
Mulheres haitianas, iraquianas, palestinas...
Rugas de sofrimento já em rostos de meninas?
Biografias e provações cortejadas pela cruz.

Quantas fúrias sacodem as entranhas do universo?
Mundos divididos pela ambição, pelo ódio, pelo medo.
O choro da natureza descansa em seios femininos.
Entre terremotos físicos e bélicos, escoam-se destinos.
Enquanto isso, casamentos instáveis degeneram cedo.
Vão-se esperanças e sequer ficam os versos!

Terras tremem, sobretudo com as guerras.
Discursos impecáveis tecem loas à democracia.
Dedos sujos de óleo apontam valores modernos.
As lutas por petróleo mancham a nossa utopia.
A política “branca” e masculina está em trevas.
Alternativas sensíveis precisam sair dos cadernos.

A poesia do Obama dissolveu-se na lama.
Enquanto soldados privatizam o Oriente Médio,
Planos afetivos e pacíficos se diluem no tédio
Sofrido por jovens viúvas norte-americanas.

Oh mulheres deste novo e nebuloso século,
Estamos grávidos de soluções mais humanas!
A racionalidade ocidental e patriarcal fracassou.
Chega de omitir, fingir, perambular em círculo!
Aqui no país, a oportunidade feminina chegou?
Corações ousados devem elevar mentes planas.

As teorias da Europa perderam fôlego.
As iniciativas dos EUA caíram em descrédito.
A mídia deste lado ignora a Ásia do outro.
A África ainda rasteja em descompasso trôpego.
A arredia Oceania parece oferecer pouca sintonia.
A América Latina vivencia eras de grande mérito.

Mulheres, tua participação é nossa salvação.
Ensina-nos como se regenera a civilização.
A natureza está ferida e quer ser melhor cuidada.
Oh anjos de saia, abençoem a nossa caminhada!

( Por Pablo Robles - POETA DO SOCIAL )

Em homenagem ao Dia das Mulheres - 08/03/2010

sábado, 7 de março de 2009

MARTINEAU: A Primeira Socióloga Mulher


TRECHO EXTRAÍDO DO LIVRO "SOCIOLOGIA", DA AUTORIA DE ANTHONY GIDDENS, PELA EDITORA ARTMED (4ª EDIÇÃO), PÁG. 33.

"UMA FUNDADORA NEGLIGENCIADA

Embora Comte, Durkheim, Marx e Weber sejam, sem dúvida, figuras fundadoras na sociologia, havia outros pensadores importantes do mesmo período cujas contribuições devem também ser levadas em conta. A sociologia, como muitas áreas acadêmicas, não correspondeu sempre à expectativa de reconhecer a importância de cada pensador cujo trabalho tenha mérito intrínseco. Poucas mulheres ou membros de minorias raciais tiveram a oportunidade de se tornar sociólogos profissionais durante o período ‘clássico` de fins do século XIX e início do século XX. Além disso, os poucos que tiveram a oportunidade de fazer pesquisa sociológica de importância duradoura têm sido freqüentemente negligenciados. Pessoas como Harriet Martineau merecem a atenção dos sociólogos hoje em dia.

Harriet Martineau

Harriet Martineau (1802-1876) tem sido chamada a “primeira socióloga mulher”, mas, como Marx e Weber, não pode ser tomada simplesmente como uma socióloga. Ela nasceu e foi educada na Inglaterra e foi a autora de mais de 50 livros, como também de numerosos ensaios. Martineau agora recebe o crédito de ter introduzido a sociologia na Grã-Bretanha através de sua tradução do tratado fundador da disciplina, Filosofia Positiva, de Comte (Rossi, 1973). Além disso, Martineau realizou um estudo sistemática original da sociedade norte-americana durante sua extensas viagens através dos Estados Unidos nos anos de 1830, que é o tema de seu livro Sociedade na América. Martineau é relevante para os sociólogos hoje por diversas razões.

Primeiramente, ela afirmou que, quando se estuda a sociedade, se deve concentrar em todos os seus aspectos, incluindo instituições-chave políticas, religiosas e sociais. Em segundo lugar, ela insistiu em que uma análise da sociedade deve incluir um entendimento da vida das mulheres. Em terceiro lugar, ela foi a primeira a dirigir um olhar social a questões anteriormente ignoradas, incluindo o casamento, as crianças, a vida doméstica e religiosa, e relações de raça. Como escreveu certa vez, ´o berço, o boudoir e a cozinha são todas excelentes escolas para aprender a moral e as maneiras das pessoas` (Martineau, 1962, p.53). Finalmente, ela afirmou que os sociólogos deveriam fazer mais do que apenas observar, eles deveriam também atuar de forma a beneficiar a sociedade. Como resultado, Martineau foi uma proponente ativa tanto dos direitos das mulheres como da emancipação dos escravos."

(fim da transcrição)

COMENTÁRIOS do Grito Pacífico - Mudando o Mundo com Você

Quase tudo que aprendemos nos bancos escolares emana de uma fonte comum. A história foi escrita (forjada) por homens, brancos e ricos. O texto extraído acima resgata o pioneirismo feminino de Martineau na fundação da Sociologia. Evidentemente, essa omissão à contribuição intelectual das mulheres, seja na administração, na filosofia, na economia, na psicologia, dentre outras áreas, já não impressiona nenhum cidadão ingressado no século XXI.

Devemos, enquanto estudantes ou professores, aprendizes da vida ou mestres do cotidiano, tentar desenterrar os equívocos ideológicos vomitados de geração em geração pela cultura dominante. Espero que os livros didáticos e as enciclopédias do conhecimento disponíveis no século XXII possam fazer jus, minimamente, à brilhante contribuição da mulher para a produção, sistematização e difusão de saber sobre o mundo que nos cerca.

Encerro meus comentários dando um exemplo bem mais cotidiano e muitas vezes imperceptível desta problemática. Qual o nome da rua ou avenida onde você mora? Ou onde seus amigos e amigas moram? A grande maioria de tais títulos certamente rendem tributo às façanhas masculinas: aos feitos heróicos de combatentes, à verve literária de escritores, à ousadia política de estadistas, ao ofício magnânimo de juristas etc. etc. etc.

E as mulheres, o que faziam no passado? Não existiam, não pensavam? Não tentavam observar, estudar e transformar o que achavam errado ou incompleto? Claro que sim. Mas este nosso mundinho demorou milênios para começar a tirar o chapéu para o valor das mulheres, reconhecendo que elas são tão ou mais capazes quanto qualquer homem. Por conta dessa lacuna irracional, muito da genialidade humana ficou presa debaixo do tapete. Mas as mulheres estão esterilizando a poeira do preconceito para respirar o ar da soberania.

POESIA ESPECIAL: Farol Redivivo de Superação

FAROL REDIVIVO DE SUPERAÇÃO

(Poesia Especial em Homenagem ao Dia da Mulher - 08/03/2009)

O amor se agiganta ao percorrer teu coração.
Tua dignidade está acima de qualquer ferida.
Nada contém mais magnetismo que tua mão.
De teu seio provém a luz que eterniza a vida.

Em teu olhar passeiam dores de um passado
Fraturado de hipocrisia, repressão e violência,
Mas tamanho fardo precisa ser transformado,
Derrubando sistemas corroídos pela demência.

Tua voz, aparentemente frágil, ressoa fundo,
Fincando nos horizontes a esperança rediviva.
Tua força supera os preconceitos do mundo,
Encampando a luta por emancipação coletiva.

Tua jornada enfrentou relações machistas,
Valores retrógrados e costumes vigaristas;
Rumo a uma sociedade justa e sem tirania,
Onde as diferenças coexistam em harmonia.

Ensina aos homens como salvamos o planeta,
Plantando utopias e brotando transformação.
Mostra para gente como enterramos a colheita
Maldita de um capitalismo fadado à destruição.

Até teu silêncio se traduz em discreta canção,
Sussurrando acordes de mistério e fascinação.
Teu exemplo é o farol cintilante da superação:
Termômetro fidedigno de povos em evolução.

A humanidade se rejubila com as tuas conquistas.
Tens o direito de exercer e afirmar tua plenitude,
Ainda que a paisagem siga frustrando tuas vistas.
Tuas antigas lágrimas vicejaram pétalas de saúde.

Mulher, como é bom vê-la cada vez mais de pé!
Te enganou quem disse que o céu seria o limite;
É somente uma escala provisória para o infinito.
Aonde teu sorriso brilha... tudo fica mais bonito!

(POETA DO SOCIAL - Pablo Robles)

sábado, 11 de outubro de 2008

POESIA ESPECIAL: Versos e Reversos da Essência Feminina

VERSOS E REVERSOS DA ESSÊNCIA FEMININA

Quantos homens te enganaram?
Quantos filhos te esqueceram?
Quantas eleições te excluíram?
Quantos chefes te exploraram?

Quantas civilizações negaram a tua essência divina?
Quantas opressões destruíram teus sonhos de menina?
Quantas propagandas deturparam a imagem feminina?
Quantos movimentos reverterão essa catastrófica sina?

Tu não precisas rimar para exalar as mais sensíveis poesias
Tu não precisas gritar para evocar autoridade ética e moral
Tu não precisas ter asas para encarnar identidade angelical
Tu não precisas subir ao céu para imitar o Sol e as estrelas

Mulher negra, teu suor derramado te engrandeceu
Mulher índia, teu sangue sacrificado te enobreceu
Mulher branca, tua lágrima reprimida te emancipou
Mulher colorida, tua mistura étnica te universalizou

Mulher camponesa, tuas mãos calejadas viraram rosas
Mulher operária, tuas greves heróicas plantaram ideais
Mulher religiosa, teu fervor infinitizou os limites da fé
Mulher revolucionária, tua luta democratizou a justiça

Mulher afegã, mulher iraquiana, teus algozes
Apenas mudaram de endereço, de continente
Mulher judia, mulher palestina, historicamente
Atada aos grilhões de uma rivalidade assassina

Mulher valente, altaneira, polivalente, guerreira
Que labuta em mil batentes, trincheiras, direções
Mulher maravilha, sereia, cigana, fada, feiticeira
Que hipnotiza os instintos e domestica as paixões

Mesmo quando teu semblante se dilui nas maquiagens
Tua beleza continua intacta, deslumbrante e imperdível
Às vezes teu corpo acaba sendo cotado e comercializado
Mas o mundo, este sim, é bem mais culpado e prostituído

A natureza não imita a arte, mas as mulheres
Tu és uma obra-prima de incalculável grandeza
Tua magia pulsa em todas geometrias e latitudes
Até na química da cozinha e na dança da biologia

Tua mente intuitiva destrona encardidas certezas
Tua barriga ampliada é o berço de inéditas vidas
Produzindo e reproduzindo doçuras e delicadezas
Dissolvendo lógicas amarguradas e outras feridas

Antes que o espaço nos separe e tudo se desvaneça... beija-nos
Com teu amor, tua ternura, tua procura, tua cura, teu esplendor
Antes que o tempo nos esqueça e tudo desapareça... abraça-nos
Em tua virtude, tua lição, tua comunhão, tua missão, tua atitude

( POETA DO SOCIAL )

Em homenagem ao Dia da Mulher em 2008

POESIA ESPECIAL: Sem Você Mulher

SEM VOCÊ MULHER

O arco-íris não tem cor.
O mundo não tem beleza.
O idealismo não tem amor.
A felicidade não tem certeza.

O sorriso não tem graça.
O olhar não tem musicalidade.
A natureza sequer tem vaidade.
A arte se embaça e se despedaça.

O sonho não tem poesia.
A sensibilidade fica cega.
A paixão não tem entrega.
Ao universo falta harmonia.

A lágrima não tem fluidez.
O desabafo não tem leveza.
A tristeza não tem limpidez.
A alegria some na correnteza.

A vida jamais seduz.
A rotina não tem surpresa.
A morte fica carente de luz.
O infinito perde sua grandeza.

O inferno não tem conserto.
O paraíso não tem endereço.
A solidão avança sem desfecho.
O coração se cansa, de rarefeito.

Nada tem consolo e sossego.
Nenhuma virtude tem espelho.
Tudo é descompasso e atropelo.
A alma adoece e envelhece cedo.

A utopia treme de medo.
O vício se enche de pecado.
O milagre se despe de segredo.
Eu nunca sinto Deus ao meu lado.

( POETA DO SOCIAL )

Em homenagem ao Dia da Mulher em 2007