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domingo, 17 de outubro de 2010

PORQUE SOU DILMA 13

PORQUE SOU DILMA 13

Poderia dedicar intermináveis linhas para comparar os avanços e resultados do governo Lula em relação ao seu antecessor FHC. Ambos tiveram o mesmo tempo como presidente. O de melhor educação formal foi o que menos fez para o povo. Aquele que nem inglês fala direito reposicionou o Brasil no mapa do mundo, perante os países e idiomas de todos os quadrantes.

Infelizmente, vivemos tempos efêmeros, líquidos, descartáveis. Somos bombardeados por informações curtas, rápidas e episódicas; e o que é pior, nem sempre imparciais, isentas e éticas. Falar e divulgar a verdade pode aborrecer o patrão e causar sua demissão e sua conseqüente exclusão do “mercado”. Noticiar coisas boas não dá lucro. Tragédias parecem mais eficentes.

Diante desses dois fatos (Lula/PT objetivamente melhor que FHC/PSDB; e uma mídia que, por informar mal, acaba nos deseducando e despolitizando), como entender a campanha Dilma x Serra e avaliar a qualidade da cidadania brasileira? Em vez de debatermos propostas e de discutirmos projetos estratégicos de país, nos deixamos infectar e hipnotizar por boatos.

O boato não é nada mais nada menos que a principal arma utilizada pela campanha Serra. A arma mais medíocre, mais primitiva, mais covarde. As eleições desse ano, como tantas vezes fizeram com o Lula, estão sendo pautadas pela tragédia. Uma voz aqui e acolá tenta elevar o nível, mas o grosso da estratégia do Serra “do bem” é espalhar o mal e associá-lo à Dilma.

Como toda tragédia tem sua face cômica, vamos a ela: a mulher do “bonzinho” Serra mordeu a própria língua e sua máscara de “virtude maternal” caiu: a Mônica Serra, quem diria, após revelações de uma ex-aluna sua e repercussões na mídia alternativa, assumiu já ter abortado, conforme noticiou a própria Folha de São Paulo (jornal tradicionalmente pró-Serra e anti-Lula): http://mariafro.com.br/wordpress/?p=20474. O feitiço voltou como bumerangue ao feiticeiro.

Quem opta por fazer valer conscientemente seu voto - partindo friamente da realidade coletiva do país e não dos fantasmas individuais do medo impregnados nas entranhas de preconceito que se nutrem dos farelos de egoísmo que pairam na moralidade humana - prefere a Dilma, mesmo que essa adesão não seja automática e desprovida de criticidade, como professou o PSOL e emendou um editorial do Brasil de Fato cujo diagnóstico foi ecoado por Emir Sader: “Dilma não é o governo dos nossos sonhos. Serra é o governo dos nossos pesadelos”.

Eu deveria saltar nesse testemunho o fator Marina Silva, pois acho muito ambígua e contraditória a postura do PV, que vem sendo assediado pelo PSDB em troca de alguns Ministérios caso Serra vença. Ver o Serra citando Chico Mendes soa tão oportunista e patético quanto se FHC viesse a citar o Che Guevara para seduzir os jovens da geração passada. Para quem votou em Marina para enriquecer o debate político no segundo turno, viu que o tiro até agora está saindo pela culatra, conforme argumentei no princípio do texto.

De qualquer forma, devemos aguardar os posicionamentos finais da Marina quanto ao duelo Dilma x Serra. De antemão, cabe a ressalva de que a neutralidade geralmente é omissa e pode chegar a ser burra, no sentido da incoerência histórica e biográfica. E por falar em neutralidade, o que penso do voto nulo, o clássico voto de protesto? Começo com a tese mais pragmática que minha essência idealista consegue tolerar: existe a opção do país ser presidido por ninguém, pelo nada, pelo acaso? Não existe: alguém (oxalá uma mulher) será eleito(a) para tal.

Sobre essa questão, escutemos o Código Eleitoral Brasileiro (Lei nº 4.737/art. 224) diz que: “se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias”. Quando se espalhou essa cláusula, houve quem achasse equivocadamente que os novos candidatos teriam que ser outros, mas isso não procede.

Sou pessoalmente socialista, e tenho mobilizado essa minha inclinação política através dos trabalhos sociais que desenvolvo há 11 anos em ONGs, dos escritos (em verso e prosa) que posto em meu blog e das frases reflexivas que ponho nas redes sociais da internet, como twitter, orkut/facebook e MSN. A propósito, um dos meus sonhos é que, a partir dos meus 50 anos de idade, eu possa encontrar mais tempo e melhores condições para me dedicar de forma mais atenta e livre à minha produção escrita e quem sabe fecundar algum romance. Mas se eu “abortar” antes algum livro solo de poesias (sociais), por favor, não me denunciem.

Cara pálida, mas o que o parágrafo anterior tem a ver com a Dilma e o voto nulo? Calma, eu explico. Tem a ver com minha atitude regular, contaste e radical de "protesto" contra o sistema capitalista. Quem já mergulhou no meu blog, se banha facilmente com essa minha orientação. Mas isso me impede de usar cartão de crédito? Não. De buscar negociar serviços e projetos sociais remunerados para sobreviver? Também não. Afinal, respiramos capitalismo.

Igualmente, respiramos o atual modelo republicano, presidencialista e representativo que compete à democracia política brasileira. Como poderia votar nulo se pago impostos e gero receitas para usufruir de bens e serviços públicos, desde o ônibus que pego para trabalhar, passando pelo Programa Luz para Todos que reduz minha taxa de aluguel até a atual faculdade pública de Ciências Sociais que curso na UFC, como estudante da primeira turma noturna que foi aberta (semestre 2009.1) – ampliação essa favorecida pelo governo Lula.

Desculpem se estiquei demais o texto. Tenho esse problema crônico e cíclico de TPM (Tensão de Prolixidade Máxima). Mas toda justificativa pública deve ser minimamente fundamentada em princípios, experiências e atitudes. Face ao exposto, declaro que Sou Dilma e a desejo como Presidente do Brasil. O que não significa dizer que me calarei e me acomodarei quando ela for eleita e alegrar a maioria das mulheres, homens, jovens e idosos do país. Termino este manifesto pessoal, independente e suprapartidário com a seguinte reflexão:

Esses regimes são liberais: não recorrem essencialmente à coerção, mas a uma espécie de semi-adesão indolente da população. Esta acabou finalmente sendo penetrada pelo imaginário capitalista: a finalidade da vida humana seria a expansão ilimitada da produção e do consumo, o suposto bem-estar material etc. Em conseqüência disso, a população fica totalmente privatizada. O slogan metrô-trabalho-cama [métro-boulot-dodo] de 1968 transformou-se em carro-trabalho-Tv. A população não participa da vida política: votar uma vez a cada cinco ou sete anos em alguém que não se conhece, sobre problemas que não se conhece e que o sistema faz tudo para impedir que você conheça não é participar. Mas para que haja uma mudança, para que haja realmente autogoverno, é decerto preciso mudar as instituições para que as pessoas possam participar da direção dos assuntos comuns; mas também é sobretudo preciso que mude a atitude dos indivíduos com relação às instituições e à coisa pública, a res publica, o que os gregos chamavam ta koina (os assuntos comuns). Pois, hoje, dominação de uma oligarquia e passividade e privatização do povo são apenas os dois lados de uma mesma moeda

(CORNELIUS CASTORIADIS, extraído do livro “Uma Sociedade à Deriva”, pág. 16)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Consistências e Precariedades

A Consistência das Crises e a Precariedade de Respostas

O debate das eleições presidenciais começa aos poucos a engrenar. Chegou a hora de conhecermos melhor as propostas, biografias, pontos de vista, ideologias sócio-políticas, motivações partidárias e bastidores institucionais de cada candidato ou candidata. Aliás, deveria inverter a seqüência, pois duas dentre as três candidaturas mais bem posicionadas são de mulheres. Isso seria um indicador de novidade? Um sinal de surpresa? Provavelmente sim. Se mudanças e avanços pairam no ar, retrocessos e mesmices ameaçam tudo desmanchar.

A mídia televisiva, felizmente, já não reina sozinha. E quando tenta publicar sua opinião privada (pautada pelos empresários de comunicação), o povo já não engole tão cegamente as versões maquiavelicamente forjadas pelos jornalistas escravizados pela vontade de seus patrões. Ou seja, a opinião pública, hoje em dia, tornou-se menos homogênea, menos previsível e menos manipulável. O povo pode não entender de macroeconomia, mas tem – muitas vezes - sensibilidade suficiente para perceber as mudanças microeconômicas que afetam seu bolso.

É mais do que sabido que os problemas, inclusive os de longe, não podem mais ser assistidos de camarote, nem escondidos tão facilmente debaixo do tapete como se fazia outrora. Por exemplo, jorra-se descontroladamente petróleo no Golfo do México, mas as magnitudes dessa tragédia não recebem a devida atenção e seriedade da mídia, diferentemente dos casos de violência envolvendo pessoas famosas, que viram espetáculos à parte. “Desde o dia 20 de abril e até a quinta-feira passada o poço jogou nas águas do Golfo entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo, no que se tornou a maior catástrofe ecológica da história dos EUA.”, alerta uma matéria recente do Portal Ig.

E se uma tragédia do tipo ocorresse no quintal da Venezuela, toda a cobertura seria negativamente amplificada e ganharia colorações forçosamente políticas, pois imagino que a imagem do presidente deste país seria atacada sem piedade pelos mesmos EUA e suas marionetes apaniguadas (como a TV Globo e a revista Veja), arrastando no rodapé das reportagens, por tabela labiríntica, fulanos, sicranos e beltranos (de nossa política doméstica).

Primeiro detalhe: os EUA protagonizaram a crise econômica internacional iniciada em 2008, cujas seqüelas em cascata vieram a jorrar estragos na economia grega (as pátrias do saudoso José Samarago e da atual campeã do Mundo de Futebol que se cuidem). Segundo detalhe: os EUA continuam jorrando soldados impotentes para o Afeganistão e Iraque, enterrando no fundo da lama da política internacional estadunidense o último Nobel da Paz. Eis a equação silenciosa do caos, em uma versão tríplice/tridimensional para não causar cegueira sistêmica: crise ecológica + crise econômica + crise militar = crise ética do paradigma “imperial”.

A voz norte-americana está cada vez mais desautorizada a governar o mundo, assim como a voz da mídia tradicional está cada vez mais enfraquecida para tanger os rebanhos de sua audiência, apesar da eloqüência dos apresentadores de plantão. A América Latina e a mídia alternativa ganharam maior respeito e influência no imaginário dos povos e cidadãos que tentam reciclar sentidos, costurar respostas e reajustar sua missão coletiva neste mundo carcomido por um rodízio renovável de crises. Aquelas que citei, obviamente, foram só uma amostra, das mais visíveis. As crises social, acadêmica e espiritual, por outro lado, caminham na surdina, metabolizando outras incógnitas e inspirando outros pesadelos.

Se há esperanças, devemos mergulhar e transcender nelas para ajudar a desmascarar e salvar o mundo... dos governos desgovernados, dos indivíduos descoletivizados, da identidade submissa das nações, das comunicações desumanas, das candidaturas suicidas, das relações insensíveis, dos prêmios inglórios, dos saberes impotentes, das crenças omissas, das palavras calculadamente inúteis, das propostas retoricamente vazias e até dos medos da desesperança.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

OPINANDO: Por uma oposição menos "suja"

Exponho abaixo o comentário que fiz sobre o texto "Por que Serra deverá concorrer", redigido e postado por Eduardo Guimarães, nos primeiros minutos do dia 28/02/2010, no seu blog http://edu.guim.blog.uol.com.br, que por sinal lhes recomendo.

A tese sobre a qual me posiciono refere-se ao entendimento de que a oposição precisa do Serra para continuar existindo e que todo governo de situação precisa de uma oposição atuante que o fiscalize.


"Tendo a discordar em parte com o teor de sua reflexão.

Oposição política é saudável e sempre necessária, mas ela deve ser mais qualificada; em outras palavras, jogar menos sujo.

O estilo Serra e a postura de sua mídia, que também é a mídia que pauta grandemente a opinião média do brasileiro, não ajudam em nada a garantir e fazer valer uma oposição digna, à altura da democracia política que merecemos.

Além disso, o "controle político" não se resume apenas à intervenção partidária. Em uma perspectiva pública e coletiva mais ampla, a sociedade civil como um todo, através de suas associações, movimentos e grupos organizados, deve participar ativamente, mesmo que indiretamente, da fiscalização do poder executivo, de forma a evitar desmandos e inibir totalitarismos."

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OPINANDO: o povo não é tão bobo

Li o texto linkado abaixo, da autoria do jornalista e blogueiro Azenha.

http://www.viomundo.com.br/opiniao/jose-serra-o-presidente-acidental

Reproduzo, aqui, o comentário que fiz lá no blog dele:


"Acho o texto pessimista e exponho três considerações:

1) Mesmo as pessoas despolitizadas são capazes de pensar um pouquinho antes de votar, nem que seja numa roda de bar entre amigos na véspera da eleição, onde é muito fácil qualquer pessoa minimamente informada mostrar o abismo que separa a Dilma de Lula do Serra de FHC

2) A aparente despolitização não sinaliza necessariamente uma fraqueza política capaz de ameaçar a estabilidade do país. Pode significar também que as pessoas estão economicamente menos aflitas, mais preocupadas competitivamente com suas carreiras e mais confiantes nos rumos gerais que o Brasil está tomando, inclusive mundo afora.

3) Marqueteiros, por mais influentes que sejam, não podem fazer mágicas o tempo todo e lutar contra o “marketing” diário e cotidiano feito pela inquestionável realidade."