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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Perguntas que silenciam hipocrisias

[Essa crônica refere-se ao texto-denúncia reproduzido na postagem anterior Um Vivo (de Cultura) na Roda (de Censura). Convém, portanto, lê-la antes.]

Saber perguntar é mais sábio do que saber responder, até porque somos mais feitos de dúvidas do que de certezas” (Pablo Robles)

Eduardo, considero que sua participação valeu a pena e foi muito importante para aqueles que acreditam na ética pública e na integridade do jornalismo, cujos valores se expressam e tentam se reafirmar cada vez mais nos meios alternativos de informação, educação e reflexão.

Confesso não ter muito tempo e paciência para ouvir os noticiários da grande mídia – grande apenas no poder econômico, mas pequena em sua legitimidade moral. Por outro lado, interessa-me saber os bastidores essencialmente ideológicos que sustentam e manipulam ocultamente o véu retórico das aparências enganadoras.

Se a TV Cultura negou-lhe suas perguntas e, quando, na única vez que não o fez, distorceu maliciosamente aspectos específicos dela (ou seja, a referência explícita à gestão do Serra), isso significa dizer que tal emissora se portou - e possivelmente já vem há longo tempo se portando - como uma TV Censura, merecedora de CPIs de todos os gêneros.

Se todos os brasileiros e brasileiras conscientes de seu papel transformador junto ao mundo socialmente construído pela própria humanidade pudessem doar pelo menos uma hora de seu dia para participações deliberadamente voluntárias como essa que você tão bem protagonizou em conjunto com os outros dois twitters, nosso país veria aumentada e distribuída ao máximo a “remuneração” da justiça, da cidadania, do altruísmo e da solidariedade.

Mas não parece nada disso que a oligarquia do PSDB e seus tentáculos midiáticos propõem e desejam para os ouvintes, leitores e interlocutores do Brasil. Reforço essa hipótese citando uma de suas twittadas (@eduguim) que eu (@pablorobles) acabei de ver na condição mesma de seu recente seguidor no Twitter. Ei-la: “Será possível que as mais de 70 CPIs em SP são todas oportunistas e só as do PSDB são sérias? O sr. acredita nisso?

Suas perguntas, mesmo quando abafadas e eventualmente recosturadas pela “TV Censura”, contribuíram notadamente para espalhar reflexões, acordar consciências e silenciar hipocrisias. Saiba que sua presença na emissora, dinamizada online via Twitter e engrandecida depois pelo texto-denúncia postado em seu blog Cidadania.com (http://edu.guim.blog.uol.com.br/) são um exemplo digno de que as grandes árvores são frutos de pequenas sementes.

Constata-se que a mídia tradicional ainda vigente, não poupando nem a TV Cultura, quer entregar novamente o poder às elites que privatizaram o patrimônio nacional e concentraram suas riquezas em detrimento das maiorias. Essa sim, é a mídia que está, acima de tudo, se “lixando para o povo”. Porém, é preciso avisá-la que o povo tem o direito de pensar, de criar e de se comunicar por si mesmo – sem correntes, mordaças e filtros repressivos.

Afinal, cada formiguinha plantada no universo da internet, na forma de blogs, sites, listas de discussão, redes sociais e mecanismos vários, constituem potencialmente outras vozes; capazes de mobilizar novas atitudes na direção de um país mais justo e um mundo melhor. Enquanto os grandes noticiários alardeiam o aquecimento global, sofremos cotidianamente de "esfriamentos locais", cuja cura passa pelo resgate da sensibilidade coletiva.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pela Renovação e Moralização do Judiciário


Quando passo nas ruas e vejo corpos quase agonizando sem nome, sem futuro e sem nenhum tipo de amparo (seja público e tampouco privado), sinto-me um cidadão infeliz por viver numa sociedade onde milhões de pessoas (para não sair do país) não têm acesso aos direitos mínimos necessários para gozarem de uma vida digna e justa; enfim, humana.

Por outro lado, esse sentimento recorrente de impotência social tem seus momentos de consolação quando vejo, escuto, leio e sobretudo sinto que em todo lugar e época existem - bem como existiram e existirão - pessoas que se mobilizam para melhorar o mundo, o Brasil e (neste caso) suas instituições vitais, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

Mesmo sendo uma partícula qualquer diluída em um universo incognoscível, sei que, inclusive como blogueiro amador em órbita na constelação virtual da internet, tenho alguma possibilidade de me expressar, agir e contribuir para um planeta melhor. Mais que isso: carrego em minha consciência a certeza de que não estou (estamos) sozinhos. Você também pode de alguma forma se mexer, divulgando ao máximo esta iniciativa entre todas e todos.

O Grito Pacífico apóia espontaneamente esse movimento de renovação e moralização do Judiciário!!!

Criado bem recentemente, na última semana de abril, como plataforma comunicativa da campanha nacional e mobilização suprapartidária baseada no atual lema GILMAR DANTAS: SAIA ÀS RUAS E NÃO VOLTE AO STF, o blog saiagilmar.blogspot.com já está de parabéns. A repercussão, que não podia ser maior, precisa se multiplicar a cada dia:

1) Em cada Estado, Cidade e recanto democrático do Brasil
2) Em cada mídia alternativa (blogs e sites independentes)
3) Nas diversas manifestações, protestos e atos públicos
4) Nos debates constantes em salas de aula e universidades
5) Em cada rede sócio-virtual (como Orkut, Twitter e MSN)
6) Nas pautas das ONGs, sindicatos, movimentos e igrejas
7) Na distribuição massiva de cartazes, adesivos e panfletos
8) Na circulação contínua de e-mails, notícias e informações
9) Nos variados meios artísticos (com música, poesia e teatro)
10) Na pressão e controle social exercido junto aos políticos

"Uma sociedade civil omissa não passa de uma massa servil" (Pablo Robles)

OBS.: Sugiro gentilmente a republicação como quiser desta postagem.

ECO extraordinário do Grito Pacífico, mudando o mundo com você...


O POVO PODE DESTITUIR GILMAR. É UM DIREITO CONSTITUCIONAL.

FONTE: http://www.saiagilmar.blogspot.com - 08/05/2009

Sim! Nós, o povo brasileiro, podemos tirar Gilmar Mendes do STF por direito constitucional. Porque, de acordo com a Constituição Federal, art. 1., parágrafo único: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Isto é, a CF nos garante o exercício do poder diretamente, nas ruas! Povo Brasileiro, Saia às Ruas!


MANIFESTO DO MOVIMENTO SAIA ÀS RUAS

LUZ EM NOSSA DEMOCRACIA INACABADA

FONTE: http://www.saiagilmar.blogspot.com - 08/05/2009

Há 30 anos o Brasil iniciou um processo árduo de transição democrática. Combatemos a ditadura militar a custa de sacrifício, sangue e lágrimas. O povo brasileiro, de maneira direta e contundente, disse não à opressão, não à desigualdade radical, não à pobreza. O símbolo de nossa vitória foi a Constituição de 1988, que estabeleceu as bases de um novo País. Um País que valoriza a participação social, que condena a discriminação de gênero, de raça e de classe. Queremos resgatar o espírito das Diretas! Uma democracia viva é aquela com o povo nas ruas!

O Judiciário é alicerce dos poderes de nossa República. O Supremo, como Corte Constitucional, representa isso em seu grau máximo. Entretanto, o que vimos no último ano foi uma “destruição” na imagem e na credibilidade do Judiciário. O presidente Gilmar Mendes conseguiu colocar a Suprema Corte do País contra o sentimento que está nas ruas! Além disso, contraria o pensamento do próprio tribunal que deixa de decidir como um colegiado e causa um prejuízo ao conjunto do Judiciário Brasileiro que passa a ficar desacreditado.

Nos últimos meses, temos sofrido calados ao dar-nos conta de que algumas das nossas conquistas mais nobres estão sendo ameaçadas. Sofremos porque percebemos que a Justiça ainda trata pobres e ricos de maneira desigual. Sofremos porque notamos que os privilégios de classe e o preconceito contra os movimentos sociais persistem na mais alta corte do Brasil. Nós nos sentimos traídos por quem deveria zelar – e não destruir – (por) nossa democracia: o Presidente do Supremo Tribunal Federal!

Ao libertar o banqueiro Daniel Dantas e criminalizar os movimentos populares, o Ministro Gilmar Mendes revela a mesma mentalidade autoritária contra a qual lutamos nos últimos 30 anos. O Brasil já não admite a visão achatada da lei, aplicada acriticamente para oprimir os mais fracos. O Brasil já não atura palavras de ordem judiciais – como “estado de direito”, “devido processo legal” ou “princípio da legalidade” – apresentadas como se fossem mandamentos divinos para calar o povo. Já não há espaço no Brasil para um Judiciário das elites, um Judiciário das desigualdades.

Sabemos que nossa luta não será fácil. No passado recente, lutamos contra a ditadura do Executivo e, a duras penas, vencemos. Lutamos contra a opressão ao Legislativo e pela liberdade da sociedade civil organizada e a nossa força também prevaleceu. Mas não conseguimos por fim ao autoritarismo judicial, hoje encarnado na postura do Ministro Gilmar Mendes. Mantivemos, no centro da democracia brasileira, a mão forte de uma instituição que oprime, que desagrega, que exclui. Chegou a hora de retomar a terceira batalha. O Judiciário ainda não completou sua transição para a democracia e a maior prova disso são as posturas do ministro Gilmar Mendes que ofendem e indignam a vontade da população.

O ministro Gilmar Mendes representa um autoritarismo e uma polêmica partidária-ideológica que não coadunam com a nova luz democrática que as ruas querem para este tribunal. Você se lembra de algum partido político que lançou uma nota em apoio a algum presidente do Supremo em outro momento desse país como fez o DEM? Como esse ministro irá julgar agora os processos contra esse partido? Essa partidarização das questões nas quais o ministro Gilmar Mendes está envolvido mina sua credibilidade como juiz isento e imparcial.Sua saída indicaria renovação e o fim de atitudes coronelistas e suspeitas infindáveis que recaem sobre ele (ver abaixo “SUSPEITAS QUE RECAEM SOBRE GILMAR MENDES”)

Por isso, a voz das ruas está pedindo a saída do presidente do STF Gilmar Mendes. Não admitimos mais a presença de juízes que não tenham imparcialidade, integridade moral, espírito democrático-republicano e reputação ilibada para decidir nesta corte. Uma nova luz, democrática e ética deve surgir no STF!

Nas ruas e nos campos, nas capitais e no interior deste País, milhões de brasileiros escondem uma dor cortante dentro de si. Nossa dor é uma dor moral, que nos corrói a alma e nos aperta o coração. Sofremos por nossa democratização inacabada expressada no presidente do Supremo que, a pretexto de defender direitos individuais, criminaliza movimentos sociais e beneficia banqueiros poderosos. A garantia dos direitos individuais não pode tornar-se desculpa para a impunidade reinante. Já que a soberania emana do povo, perguntem às ruas! Ministro Gilmar Mendes, você nos envergonha como povo! Precisamos de ministros que sejam respeitados pela maioria da população e tenham reputação ilibada. Precisamos de mentes que, além de técnicas, sejam democráticas e éticas.

É por isso que estamos aqui, em uma vigília por um novo amanhecer, para devolver ao Brasil a liberdade que nos tentam roubar. Não haverá uma nova luz sobre o Judiciário, enquanto não terminarmos a luta que o povo brasileiro começou há 30 anos. Chegou a hora de concluir a transição democrática, de sair às ruas e iluminar a nossa história com novo choque de liberdade. O povo já tirou o Collor e tirará Gilmar Mendes!


SAIA ÀS RUAS GILMAR MENDES E NÃO VOLTE AO STF! VIVA O POVO BRASILEIRO!

COM VELAS ACESAS, MANIFESTANTES PROTESTAM CONTRA GILMAR MENDES

FONTE: http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2009/05/06/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=106031/noticia_interna.shtml - 06/05/2009

Cerca de 300 representantes de movimentos sociais e partidos políticos promoveram na noite de hoje (6), na Praça dos Três Poderes, uma manifestação pacífica pela saída do ministro Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).

O movimento recebeu o nome de Gilmar Dantas: saia s ruas e não volte ao STF, em alusão aos habeas corpus concedidos por Mendes ao banqueiro Daniel Dantas, quando este foi preso na Operação Satiagraha, e a uma frase usada pelo ministro Joaquim Barbosa em recente discussão com Mendes no plenário do tribunal.

Os manifestantes acenderam velas ao redor de uma bandeira brasileira e em toda a extensão da praça, além de entoarem refrões contra o presidente do STF.

O Judiciário brasileiro ainda não é transparente e a gente acha que tem que ser iluminado. Para isso tem que ter novas figuras. O ministro Gilmar Mendes representa uma parcialidade que não se coaduna com o seu cargo, afirmou o cientista político João Francisco Araújo, idealizador do movimento. Fazemos um convite para que ele [Mendes] se retire [do STF], acrescentou Araújo.

O PSOL apoiou a manifestação, com parlamentares presentes e militantes segurando faixas com a inscrição Xô Gilmar Mendes. A deputada federal Luciana Genro (RS) ressaltou que a simbologia do protesto já seria significativa, mesmo que a saída de Mendes da presidência do STF não aconteça.

É muito importante essa consciência, que vem se desenvolvendo na sociedade, de que o Supremo não é intocável. De que aqueles homens e mulheres que lá estão têm que prestar contas sociedade de seus atos e não podem ficar isolados numa redoma de vidro, distantes da opinião pública, disse Luciana.

No momento do protesto, Gilmar Mendes e vários outros ministros participavam no STF da cerimônia de lançamento do Anuário da Justiça. Do salão em que as autoridades se encontravam era possível avistar a manifestação, ouvir gritos e apitos.

A assessoria de imprensa do STF informou que Mendes não iria se pronunciar novamente em relação ao protesto. Pela manhã, em evento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mendes disse que não se incomodava com eventuais manifestações contrárias á sua gestão. No fim do ano passado, Mendes chegou a afirmar, em uma entrevista coletiva, que "os protestadores contra a atuação dele não enchem uma Kombi.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

EXEMPLO: De Mendigo a Bancário

CEGADOS PELA ONDA DE NEGATIVISMO QUE SACODE A GRANDE MÍDIA E RESPINGA SUAS ÁGUAS CONTAMINADAS NA MENTE ÀS VEZES AMORFA E POR DEMAIS COMPLACENTE DOS TELESPECTADORES, CARECEMOS DE EXEMPLOS DE SUPERAÇÃO. ESSE É UM DELES. O EX-MENDIGO ENCONTROU FORÇAS, SABE-SE LÁ DE ONDE, PARA PASSAR EM UM CONCURSO PÚBLICO, MESMO QUANDO A FOME ERA A ÚNICA MATÉRIA QUE ELE SABIA DE COR E O SOFRIMENTO CERCAVA QUASE SEM TRÉGUA A SUA ROTINA DIÁRIA. PORÉM, NO FUNDO DE TANTA AMARGURA, A ESPERANÇA RESISTIU E VENCEU. (PABLO ROBLES)


TÍTULO DA MATÉRIA: Ubirajara calcula

Por Urariano Mota - 28/07/2008

FONTE: Carta Capital - Sociedade

http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=1598


Quase ninguém acreditou. Um morador de rua, um mendigo, passar no concurso do Banco do Brasil? Mas Ubirajara Gomes da Silva existe, é de carne e osso, mais ossos que carne, ao menos até ser aprovado pelo BB. Com 1,74 metro de altura, chegou a pesar 50 quilos.

Aos 27 anos, mulato, olhar zen, postura zen, Silva fala mansamente, às vezes é quase difícil entendê-lo. Tem o segundo grau, que conseguiu em exames do supletivo. Mas é diplomado em matéria de sofrer. Filho de uma garçonete com um ex-policial, que não o reconheceu como filho. Sobre essas coisas, digamos, menos materiais, ele não gosta de falar. Dói mais que a fome.

– Essa prova que eu fiz agora foi até no Dia dos Pais, 12 de agosto, ele diz.

– Você já chorou muito?

– Já. Já chorei tanto, que eu não tenho mais lágrimas.

– Por quê?

– Falta de mãe, de família. De pai. (Longo silêncio.) Bira saiu de casa para morar com a avó. Passou a levar surras. Fugiu para as ruas, aos 15 anos. Quando tinha 17, soube que sua mãe falecera, soube apenas, mas não pôde ir ao velório. Nos 12 anos em que morou nas ruas, dos 15 aos 27, conta que certa vez ficou 30 dias sem comer.

– Como é que alguém consegue?

– Passando... Eu passei 30 dias sem comer, mas tomando água, comendo muito pouco, 30 dias sem me alimentar. Eu vivia dormindo, era muito sonolento, minha pressão caía, e o pessoal falava, “ele só quer dormir. É a vida que ele quer”. O pessoal me chamava de preguiçoso, de doido...

– E você se acostumou a passar fome?

– Me acostumei assim, não é? Não é que eu me acostumei. Me acostumei porque não tinha. Mas não me acostumei de achar aquilo uma coisa legal... me acostumei por causa de não ter mesmo, de não ter de onde ganhar.

– Como é que você conseguia comer?

– É interessante esse negócio de comida, porque eu pegava 1 real, todos os dias, ia lá no Mercado da Madalena e comprava uma fatia pequenininha de bolo-de-rolo e um copo de coca. Isso pela manhã. À tarde, normalmente eu não comia.

– E como é que você conseguia estudar com fome?

– Eu me alimentava muito de glicose, de coisas doces. Café muito doce. Não sei se você sabe, quando se come glicose, alguma coisa doce, ajuda a raciocinar. Em obediência ao senso comum, pergunto:

– Você estudou pro concurso do Banco do Brasil como?

– Três dias antes.

– Mas o que você vinha estudando antes?

– Português, matemática. Assim, eu fui com a bagagem que eu tinha. Eu não estudei muito não.

– E como é que você estudava português e matemática?

– Eu faço assim, ó. Eu até brinco. Eu não sou exemplo de estudo não. Porque eu sou um cara que eu pego assim: 10 regras de matemática, boto lá e fico estudando. Aí jogo 10 regras de português... uma coisa que não tem nada a ver. Quando eu estou achando uma coisa muito chata, ou está muito difícil, pulo pra outra coisa.

– E onde você pega essas 10 regras de português?

– Tem um programa, um site muito bom chamado “Só Português”, tem outro, “Só Matemática”. Tem os testes do PCI, concursos, que são muito bons. Ali tem testes, provas, aí eu saio fazendo. Então a gente sai de uma dificuldade e entra em outra. Programa, site, como assim? Como pode um sem-teto, um cara que não tem o que comer, acessar a internet?

– Se eu pegasse 5 reais, eu me perguntava: o que eu vou fazer? Por exemplo, eu ia tomar café, que custa 1 real, e sobravam 4. Ia entrar na internet, que eu ia precisar, já virou mania. Quando não tinha dinheiro, ia em lugares gratuitos. Quando eu pagava internet, eu ficava sem almoço ou sem tirar uma carteira de estudante...

Assim esclarecido, sabedor de que a vontade é a sua ferramenta, voltamos:

– Seu amigo Carlos Eduardo chama a atenção para o fato de que entre 19 mil candidatos no Recife, apenas 171 não levaram ponto de corte em conhecimento bancário. Como é que você sabia conhecimento bancário sem ter apostila?

– Eu gosto muito de ler sobre banco, a parte de economia dos jornais. Procurava saber algumas coisas, tipo commodities, taxa Selic, ouro...

– Tudo a ver com a sua realidade...

– Não, nada a ver. Obrigado pela ironia.

Peço-lhe desculpa. Bira é zen, mas responde de pronto. Assim como se diz, no meio do povo, que “a dor ensina a parir”, ele pensa rápido e reage. Quando não tinha casa, ele se abrigava na porta de uma farmácia, de madrugada, encolhido em um batente de 1 metro de comprimento. E porque a dor é mestra eficiente, procurou conhecimento com os instrumentos que a sua necessidade criou. Ele não tem gramática – formal, em livro –, mas fala com boa sintaxe, léxico e prosódia. Não tem livro didático de matemática, mas não errou uma só questão de juros na prova. Ele, que era o próprio “não tem”, o que fez? Criou a sua didática, a sua gramática, a sua matemática, assim como um faminto acha o caminho do pão.

– Eu deixei de estudar em escola em 1995, quando saí de casa. Em 2001 voltei para a sala de aula. Pra comer, sabemos. Voltou para a sala de aula para ter direito à merenda da noite. Mas na hora procuramos saber o método que usou para o concurso.

– Matemática, como todo conhecimento, é uma construção. Como você pode pegar aqui e ali? No concurso do Banco do Brasil houve questões de juros compostos.

– Ah, juros eu sei bem.

– E como é que você fez isso sem livro?

– Ah, é porque livro... eu lhe digo, eu sou autodidata e sou aquele cara que aprende fazendo.

– Mas fazendo a partir de que exemplos, a partir de que didática?

– Depende. Eu pergunto... Eu conheço um cara que está fazendo Engenharia. Ele se aborreceu comigo, porque ele estava tentando me ensinar um problema, e eu fiz os cálculos sem fazer cálculos. Mentalmente. Ele ficou com muita raiva. Quase quebra a cadeira na minha cabeça. Ele me disse: “Eu faço Engenharia esse tempo todinho, eu passo duas folhas para dar um resultado zero. Você pega e faz de cabeça?”
Natural. Quem não tem, faz da própria cabeça um algoritmo e um caderno. O improvisado professor disso não sabia. E até conhecer Bira, eu também não. Estamos todos envenenados pelos métodos formais, e julgamos que a mente se pauta pela ordem do á-bê-cê. Ele, que é tido como exceção, é apenas um ser como qualquer um de nós, quando não se curva.

– Quem é você?

– Sou um cara teimoso, persistente... na medida do possível, sagaz, eu acho. A gente tenta, tenta, tenta, tem objetivo.

– Se você tivesse de enviar uma palavra para as pessoas que se encontram em uma situação difícil, na rua, o que você diria?
– Lutem.

Ubirajara Gomes da Silva é um homem.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

MENSAGEM: O Mistério da Bananas


O MISTÉRIO DAS BANANAS INTOCÁVEIS*

“(...) Se você identifica alguma forma complicada de executar determinada tarefa, pergunta ao gerente do setor: “Por que isso é feito assim?” Ele responde, sem pensar: “Não sei, isso sempre foi feito assim.” Esse gerente está com o freio de mão puxado e também está puxando o freio de mão da empresa.

A resposta dele lembra a história do cientista que pendurou vários cachos de bananas no alto de uma jaula. Nessa jaula, havia cinco macacos e uma escada. Durante a experiência, quando um macaco tentava subir pela escada para pegar as bananas, o cientista jogava uma forte ducha gelada nos demais e os macacos ficavam apavorados, enfurecidos, descontrolados, pulando de um lado para o outro. Depois de certo tempo, com a repetição do banho geral em cada tentativa, os macacos passaram a agredir aquele que tentasse subir na escada, até o dia em que todos os macacos desistiram de subir pela escada e abandonaram a idéia de comer as bananas.

Para dar prosseguimento ao teste, um dia o cientista substituiu um dos macacos por outro que não havia passado pela experiência. Assim, quando esse novo macaco tentava subir pela escada, no mesmo instante, levava uma surra dos demais. Naquele momento da experiência, o homem já não jogava mais a ducha fria. Não existia mais mangueira e as bananas estavam lá, à disposição, só que os macacos não chegavam mais perto da escada nem deixavam que o outro subisse.

O cientista passou a substituir um a um, todos os macacos e, cada vez que ele fazia isso, esse outro símio, que não sabia da história da ducha, tentava subir na escada, e era surrado pelos demais. Um dia, finalmente, os cinco macacos do início da experiência tinham sido substituídos. Mesmo assim, os que estavam na jaula continuavam surrando todo novo indivíduo que tentasse subir na escada. Eles nem sabiam por que agiam daquela maneira; não sabiam que um dia alguém tinha jogado uma ducha gelada em outros macacos. Eles não sabiam de nada, mas não mudavam seu comportamento simplesmente porque naquela jaula aquilo sempre tinha sido feito assim.

Neste momento, muitos gerentes, supervisores, superintendentes, chefes em geral, estão parados, feito macacos de laboratório, olhando para as bananas no teto e ignorando todo tipo de escada que apareça. Eles estão paralisados, com medo de mudar o que “sempre foi feito assim”, com medo de apanhar dentro da jaula. Empresas não devem ser jaulas, devem ser janelas (...).”

*Título criado didaticamente por mim. Texto reproduzido na íntegra e extraído do livro O Poder das Idéias, do autor e empreendedor Ricardo Bellino,pela Editora Campus (págs. 96-7).

MEU COMENTÁRIO REFLEXIVO

Acredito que essa historinha se repete frequentemente em nosso cotidiano; em múltiplas versões, ambientes e situações. Porém, sabe-se que o conformismo e muitas resistências culturais (individuais, coletivas e organizacionais) constituem grandes obstáculos para a geração de novos padrões de desenvolvimento e felicidade. Que esta mensagem nos convide a rever nossas rotinas, paradigmas e (pré)conceitos... suscitando novas perguntas, novos caminhos, novas respostas, novos valores, novos sonhos, novas relações, novos resultados, novas mudanças, novas verdades, novos horizontes... rumo àquilo que temos, somos e podemos de melhor, tanto para os próprios seres humanos como para todos os outros seres vivos (macacos e não-macacos).

domingo, 9 de dezembro de 2007

REFLEXÃO: Soprando nos Ventos Sociais

TRANSCRIÇÃO DE E-MAIL ENVIADO EM 02/12/2007.
(contendo, na ocasião, mensagem em powerpoint, de onde extraí a letra acrescida ao final)


"Quantas vezes um homem pode virar a cabeça fingindo que simplesmente não enxerga? A resposta, meu amigo, está soprando no vento" (Bob Dylan).

O mês de dezembro começa a bocejar em nossos corações, mobilizando o processo de transição para um novo ano. Novos planos, novas resoluções e novas sementes começam a germinar o metabolismo da chegada de um novo ciclo de 365 dias (...). Enquanto a fome, a miséria, a exclusão e toda a injustiça social que alimenta este absurdo não for extirpada de nossa civilização, muitas canções, mensagens, poesias, protestos e também lágrimas (amargadas de tristeza mas suavizadas pela esperança) precisarão ser globalizadas por e-mail, ecoadas na consciência e convertidas em gestos.

Tenham um bom domingo, um bom início de dezembro e um bom sopro de reflexão social... "remédio" esse recomendado para todas as idades (dos que tem menos de 0 anos aos que tem mais de 100 anos), todos os tempos (do preguiçoso mês de janeiro ao festivo mês dezembro, incluindo os dias úteis e os aparentemente inúteis) e todas as ideologias (desde as que se inclinam para a esquerda às que se desviam para a direita, sem excetuar cada ângulo tangenciado entre essa escala de valores).

Fiquem à vontade para repassar esse e-mail para outros olhares, outros ouvidos, outros sentidos; alongando, democratizando e energizando essa corrente "em nome da vida e pela vida, com todos e para todos".

Fraternalmente, Pablo Robles


"A fome é um fenômeno geograficamente universal, a cuja ação nefasta nenhum continente escapa. Toda a terra dos homens foi, até hoje, a terra da fome. As investigações científicas, realizadas em todas as partes do mundo, constataram o fato inconcebível de que dois terços da humanidade sofre, de maneira epidêmica ou endêmica, os efeitos destruidores da fome" (Josué de Castro).


BLOWIN' IN THE WIND

Composição: Bob Dylan

(TRADUÇÃO)

SOPRANDO NO VENTO

Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo de um homem?
Sim e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim e quantas vezes precisarábalas de canhão voar
Até serem para sempre abandonadas?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Quantos anos pode existir uma montanha
Antes que ela seja lavada pelo mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Até poder ver o céu?
Sim e quantos ouvidos precisará um homem ter
Até que ele possa ouvir o povo chorar?
Sim e quantas mortes custará até que ele saiba
Que gente demais já morreu?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

FONTE: http://letras.terra.com.br/