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terça-feira, 2 de agosto de 2011

MENÇÃO HONROSA: "Abraça-me Enquanto Vives"


ABRAÇA-ME ENQUANTO VIVES

Tanta imensidão no espaço
E a gente querendo abraço.

Tanta tecnologia a nos conectar,
Mas a sede de humanidade continua.
A amizade sempre a nos aproximar,
Integrando o povo desabrigado da rua.

Montamos tantos planos mirabolantes,
Adiando ou reprimindo pequenos gestos;
Economizamos até o simples aperto de mão!
Mal sabemos que vamos ficando distantes
Da essência mesma que nos faz repletos
Do amor desinteressado e sem ilusão.

Abraçar é cumprimentar a alma do próximo,
Renovando o sorriso embotado pela correria.
Os corpos não podem prescindir dessa energia
Tão gratuita, tão universal, tão saudável, tão boa.

Quem abraça distribui sempre algum carinho;
Planta sempre algum amor no coração vizinho;
Compartilha sempre algum pedaço de alegria,
Impedindo que a vida seja tocada pela apatia.

Tanta imensidão no espaço
E a gente querendo abraço.

Mundo veloz, tempo caro, contatos formais,
Mas ninguém quer se manter no isolamento.
Nossa vocação é unir, multiplicar, ajudar, amar,
Abraçando inclusive quem sequer tem alimento.

A arte também necessita abraçar o imponderável:
Cada poema é um abraço entre olhares sensíveis;
Cada rima é uma parceria entre palavras amigas,
Entrelaçadas pela incrível internet do indizível.

Em tempos difíceis de individualismo e competição,
Abraçar constitui o remédio mais potente e eficaz,
Derrubando os muros da indiferença e da exclusão
Para dar espaço à humanidade deixada para trás.

POETA DO SOCIAL (pablodosocial@gmail.com)

OBS.: Poesia selecionada entre as 100 melhores no I Concurso Literário das Farmácias Pague Menos, dedicado à temática do abraço e que recebeu mais de 3.000 inscrições de todo o Brasil. Fui homenageado com Menção Honrosa e a co-autoria na publicação desta coletânia, disponibilizada para download no link: http://portal.paguemenos.com.br/concursoliterario/

DEDICO ESTA HOMENAGEM A TODAS AS PESSOAS SENSÍVEIS QUE JÁ ABRACEI E ABRAÇAREI NA VIDA.

(Fortaleza, Ceará – em 29/05/2011)

PS.: Parafraseando Renato Russo na canção Monte Castelo, "sem poesia eu nada seria" (PR)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Asas de um Voo sem Horizontes

ASAS DE UM VOO SEM HORIZONTES

Por não gostar de ter nascido nesse mundo, assumo e busco renovar sempre a tarefa de ajudar a melhorá-lo, para que eu possa tentar morrer em um tempo mais pleno de amor e esperança para os próximos que virão e passarão por aqui.

Segundo estatísticas correntes, uma criança morre de fome a cada sete segundos. É impossível, para mim, preocupar-me tanto com o meu futuro (ou seja, com os restos de segundos que ainda tenho por viver) diante da consciência presente de um dado tão cruel como este. Seria mais lógico, fácil e necessário nos preocuparmos todos com o passado e nos perguntarmos: “O que fizemos de errado? Porque deixamos este absurdo se naturalizar?"

Que mundo é esse que estamos construindo? Retificando a indagação, sem eufemismos: Que mundo é esse que estamos destruindo? Essa é verdade que quase ninguém quer admitir e difundir. Se não modificarmos radicalmente nossas rotas, nosso último degrau da escada de nossas ambições nos fará dar de cara com o escorregador de nossas próprias ruínas.

A competição tornou-se a obsessão da modernidade. O preconceito tornou-se a regra de julgamento entre os indivíduos. Medimos o valor das pessoas pelo status de sua profissão, pela marca de seu carro, pelo padrão de sua moradia, pela freqüência de suas viagens; enfim, tendemos a (pré)conceituar as pessoas de acordo com o tamanho de sua conta bancária.

A essência do ser humano, a única que realmente importa, continua sendo contaminada pela epidemia das aparências. Dessa gripe quase ninguém escapa. Manter-se imune a ela, infelizmente, virou a exceção. Não me refiro à gripe suína, aviária ou coisa que o valha. Falo da fraqueza de espírito, da fragilidade emocional e da pobreza de sentido que nos atinge.

A mídia mente e desmente a todo instante. A publicidade tenta reduzir-nos à condição de meros consumidores. Democracia e cidadania não passam de retóricas vazias, artigos de utopia. Prosas sem poesia. Ou, o que é pior, poesias sem rima; uma vez que perseguimos uma felicidade material que não se sustenta por muito tempo: desaparece na próxima esquina da vida, para espanto e desespero da platéia que se iludiu com os efeitos desta encenação.

Muitas de nossas famílias levam tão a sério este delírio que a prática do diálogo afetivo, cooperativo e harmonioso é a primeira “vítima” a se divorciar dos lares. Parece piada, mas não duvide da existência de pessoas que encontram eventualmente mais incentivo dentro de seus lares através da “companhia instintiva mas fiel” de animais domésticos - em vez de seus pares (humanos).

Quando se tem a oportunidade de nascer, se desenvolver e crescer de forma minimamente sadia, saber viver se torna um ofício mais fácil. O difícil, no entanto, é saber ficar adulto, envelhecer e morrer. Morrer sem ter lutado pela consecução daquilo que considero ser a parte mais real da vida: nossos sonhos. Sem sonhos, nos movemos para lugar nenhum.

O dinheiro não pode ser idolatrado por ninguém, pois ele é apenas um instrumento de sobrevivência, seja para a manutenção biológica da espécie ou para alimentar a fome psíquica de egos incapazes de se saciar com o bastante. Ao querermos ter sempre mais, corremos o risco de sermos cada vez menos. O capitalismo é uma ilha de abundâncias cercada por um oceano de carências. Sua liberdade só funciona quando a justiça coletiva é ignorada, desligada.

Se você chegou até aqui, mais do que terminar de ler tais linhas, procure sentir o clamor das entrelinhas. O planeta está perdendo a paciência com seus habitantes. Uma revolução precisa emergir do caos; antes que seja tarde, antes que afundemos, antes que fique escuro. Quando abriremos os olhos, sairemos de cima do muro e criaremos coragem para mirar e galgar um horizonte diferente, mil vezes maior do que o diâmetro de nossos umbigos rebaixados?

O convite está novamente feito; e será seguidamente refeito enquanto for necessário, por todos e todas que não suportam mais fabricar esta farsa e financiar este carnaval cotidiano de hipocrisias. A mídia, a religião, a academia, a arte – e tantas outras instâncias mediadoras de nossas representações – raramente contribuem para a semeadura urgente do novo.

Antes fosse apenas caminhar. Pedem-nos para correr. E como a ambição é gigante, os passos precisam ser compridos, elásticos. Parar para respirar interiormente, repensar as prioridades, dialogar consigo mesmo, reciclar os valores, amadurecer as atitudes; tudo isso pode parecer “perda de tempo”, o que não quer dizer que seja necessariamente ruim, negativo e improdutivo.

Quem sabe não esteja aí a matemática da cura do mundo: debitar um pouquinho deste “tempo alucinado e imediatista” em que coexistimos para creditar doses mágicas e estratégicas de sentido ao destino imponderável, atemporal e deveras grandioso da espécie humana; não obstante as derrotas passageiras e críticas perdoáveis.

Para que tanta pressa? Quem pediu autorização à natureza para impor um ritmo tão frenético às organizações humanas e desencadear o crescimento irrefletido do PIB entre os países? Esquecem que o final acumulado e líquido desta corrida, além de frustrante, poderá ser brutalmente suicida. Fomos condicionados a escalar o cume do sucesso material sem saber que estamos voando cada vez mais para pousar (sabe aonde?) no abismo de nossa decadência. O “lucro” que vale mesmo a pena, esse sequer cabe em nossos bolsos.

Essa é a comédia paradoxal de nossa tragédia existencial. Psiu! Riamos baixo para não chorar alto. Complicamos muito a simplicidade. De qualquer forma, saiba que horizontes de luz nos procuram sem cessar, sem cobrar, sem cansar. Vai ver que o defeito está nas asas... (um tanto desafinada por ventos áridos e sombrios). Adiante, irmãos, sorrisos mais fraternos se desenharão em nossos corações!

domingo, 31 de maio de 2009

Um Anúncio Revelador

LANÇO MENSAGEM REPARTIDA EM 28/10/2008 POR UM COLEGA DA REDE 3SETOR (http://br.groups.yahoo.com/group/3setor)

O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:

- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Será que o senhor poderia redigir o anúncio para o jornal?

Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:

'Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda'.

Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.

- Nem penso mais nisso - disse-lhe o homem. - Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!

Às vezes, não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás de miragens e falsos tesouros. Valorize o que você tem, a pessoa que está ao seu lado, os amigos que estão perto de você, o emprego que você conquistou, o conhecimento que você adquiriu, a sua saúde, o sorriso, enfim tudo aquilo que a vida nos proporciona diariamente para o nosso crescimento espiritual.

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."

FONTE: Autoria aparentemente desconhecida

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Fingi ser gari e fiquei invisível

Na sociedade em que vivemos, infelizmente, as pessoas valem pelo que tem e não pelo que são. A aparência alimentada pelo imaginário social dominante sobrepõe-se à essência que dignifica e singulariza nossa personalidade. Isso resulta em relações hipócritas, forjadas pelas conveniências do status quo. Quem tem pouco é como se não tivesse nada. Quem tem uma profissão popular é como se fosse inútil. Quem não ostenta uma boa imagem econômica é como se fosse um cidadão inferior e fracassado; ou pior, é como se não tivesse nome, como se não existisse para praticamente ninguém. Deveríamos, em vez de 8 anos, viver pelo menos 8 dias como gari (ou algo do gênero) para aprendermos a redescobrir o valor universal de toda pessoa humana.

(Comentários reflexivos do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

"A vida é a soma de todas as suas escolhas" Até quando só tomaremos conhecimento do sofrimento alheio se passarmos pela mesma experiência?

TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO. O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.

Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:

'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.

Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.

Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!

sábado, 25 de outubro de 2008

A Professora que Emocionou um Blog

1: Uma professora de escola pública. 2: Um filme para ser assistido com lencinho. 3: Dezoito alunos que tiraram nota dez em redação. 4: Um blog quase como outro qualquer. 5: A internet sempre encurtando distâncias. 6: Lágrimas que transbordam nas entrelinhas. 7: Dedos voluntários que multiplicam lições.

Quando temos uma situação difícil, não podemos deixar que frustrem nossos sonhos
(Tailaine e Zoraide)

Calma, não desistam de ler esse texto. Não se trata de um conto fantástico de Jorge Luís Borges nem de outros escritores com imaginação quilométrica. Tudo que aqui será dito teve lugar no município baiano de Conceição do Coité, que abriga em suas fronteiras 60.835 habitantes (ou coiteenses), segundo nos confidencia o censo populacional de 2007 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (www.ibge.gov.br).

Decidiram estudar a doença para tentar ajudar as vítimas da ADL
(Lucivânia, Antônio Marcos, Geórgia e Jardel)
Mas pulemos maiores detalhes, pois não sou professor, seja de literatura, geografia ou outra matéria escolar. Me chamem apenas de um blogueiro iniciante e idealista. Também podem me considerar seu amigo, pelo menos em potencial, neste mundo virtual. Eis a crônica motivada por uma professora de redação, merecedora da minha mais profunda gratidão. Um lindo exemplo a ser partilhado e celebrado.

Essa história é uma lição de vida que deve ser seguida e imitada por todos
(Edinelma, Rosilene e Wilson)

Em meus tempos de vestibulando, devo contar que a minha criatividade chegou a ser castrada e banalizada por um professor. “Pablo, não inventa. Seja mais objetivo nas redações. Quanto mais você enfeitar as palavras, maior será sua chance de perder pontos”. Parecia um soco em meu estômago cultural, demasiadamente humano.

Os médicos estavam mais preocupados com o dinheiro do que com o aprofundamento nos estudos
(Aline, Itamara e Wenderson)
Entendi o recado daquele indigesto professor. Sua amarga mensagem era: “Faça o mínimo que precisa ser feito para passar no Vestibular”. Aposto que esse suposto educador, lamentavelmente, é daqueles que acham que é proibido sonhar, que defendem impunemente que mudar o mundo é impossível. Mentira. Joguemos suas lições na lata de lixo. Não estudemos para nos tornar gados indo para o matadouro.

Não devemos desistir de lutar nunca, mesmo que pareça ser uma coisa impossível
(Lucileide, Lucicleide e Valdinéia)
Desculpa, professora Selma. Não queria manchar esta narrativa com tristes lembranças de uma década atrás. Por outro lado, você e seus alunos de redação me orgulharam nesta semana. Souberam louvar o nobre ofício do professor, que há poucos dias fez aniversário. Chegaram ao ponto de emocionar, espontaneamente, o meu blog, cujo grito (pacífico; e, se quiser, amoroso) ficou grog de contentamento, ao ver os seis comentários que dezoito alunos seus deixaram entre os dias 21 e 24 de outubro de 2008.

Descobriram a produção de um óleo que prolongou a vida de Lorenzo
(Daniele Santana, Elâine Silva e Rutimeury Almeida)
Óleo de Lorenzo? Sim, esse produto foi a gota d´água. Passou longe quem marcou a opção protetor solar. Nota um para quem imaginou que a água escorrida uma linha atrás vem do mar. Sua fonte vem dos olhos, depois de fazer escala no coração. Parêntesis rápido: eu só dou nota zero para o sistema neoliberal que está causando um naufrágio mundial. Quem não viu, verá. Quem já viu, vale a pena ver de novo (e derramar novas lágrimas). Refiro-me a um filme para ser assistido com lencinho.

E o Oscar redacional deste ano vai para a professora Selma Mascarenhas
(Pablo Robles)

Afinal, o que aconteceu? Pergunta o jornal intitulado “Paulo Freire não morreu”. E o entrevistado assim resume o tratado. Cena I: uma professora de redação passou o filme Óleo de Lorenzo aos seus alunos de redação. Cena II: dezoito alunos se dividiram em equipes, fizeram redações sobre o filme e postaram em meu blog. Cena III: produzi esse texto para homenagear e incentivar esse brilhante gesto educativo. Cena IV: os destinatários dessa mensagem irão reencaminhá-la para todos os seus contatos.

http://gritopacifico.blogspot.com/2008/07/filme-social-o-leo-de-lorenzo_12.html
(Grito Pacífico)
Ao clicar no link acima, seus olhos serão levados ao resumo e às resenhas originais que eu fichei sobre o filme. Abaixo, dispostos verticalmente, cintilam seis resenhas adicionais, impressas pela sensibilidade de dezoito alunos do terceiro ano do ensino médio de uma escola pública da cidade de Conceição do Coité: filha do Estado da Bahia, sobrinha do Estado do Ceará e neta da Região Nordeste do Brasil.

A educação sozinha não transforma a sociedade; sem ela, tampouco a sociedade muda
(Paulo Freire, maior educador brasileiro, 1921-1997)
Enquanto a internet encurta cada vez mais distâncias, há professores, tantas vezes anônimos e geralmente mal remunerados (atenção, governantes e cidadãos) que continuam prolongando exemplos de talento e dedicação, usando a tecnologia como aliada de um país que se espera mais justo, sensível e solidário; bendita seja nossa vontade e maldita seja a omissão de quem ignora essa reflexão somente porque ela não cai no Vestibular – ou então, trocando de refrão ou de estação, não cai nas provas de Concurso Público.

"Me responda, o que eu seria se tivesse seguido o conselho daquele professor impostor?"
(um estudante da vida tentando fugir dos matadouros)

Dedos voluntários (através dos quais você digita) que multiplicam (reenviam pela internet) lições (o exemplo de Selma e seus alunos, documentado nesta crônica). Pronto. Legendando assim, fica bem mais fácil entender o papel de um dos personagens apresentados no primeiro parágrafo, cujo ato (a pedidos) se cumprirá na última (ou penúltima) cena deste enredo.
Cena V (bônus): "A professora Selma distribui, lê e debate esta crônica com seus alunos"
(um pedido feito pela blogosfera à professora Selma)
Um último esclarecimento, que só se aplica a quem não teve dois minutos de paciência para visitar meu blog e conferir a autenticidade desse relato que ora se despede. A maioria das citações que se intercalam entre os parágrafos são amostras ilustrativas de cada comentário (coiteense) ecoado no Grito Pacífico. Desnecessário verbalizar (até porque basta sentir) a existência de lágrimas que transbordam nas entrelinhas – e se denunciam silenciosamente.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

MENSAGEM: Nossos Mundos Virtuais


RECEBI DE UMA AMIGA NO DIA 10/04/2008 ESTA TOCANTE MENSAGEM, QUE NOS FAZ REFLETIR SOBRE AS VIRTUALIDADES QUE COSTUMAM DOMINAR NOSSAS VIDAS E ANESTESIAR NOSSOS SENTIDOS PARA OS DRAMAS REAIS E COTIDIANOS DA SOCIEDADE. SEGUE O CONTEÚDO NA ÍNTEGRA:


Por favor leiam com atenção


Recebendo e Repassando.


Tenha o prazer de ler até o fim... (pense e opte também pelo número 1)


INÍCIO DA HISTÓRIA


Entrei apressado e com muita fome no restaurante.


Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.


Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga,uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:


-Tio, dá um trocado?

- Não tenho, menino.

- Só uma moedinha para comprar um pão.

- Está bem, compro um para você.


Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.


- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?


Percebo que o menino tinha ficado ali.


- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?


Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.


- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.


Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:


- Tio, o que está fazendo?

- Estou lendo uns e-mails.

- O que são e-mails?

- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.


Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:


- É como se fosse uma carta, só que via Internet.

- Tio, você tem Internet?

- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.

- O que é Internet, tio?

- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.

- E o que é virtual, tio?


Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.


- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.


- Legal isso. Gostei!

- Mocinho, você entendeu o que é virtual?

- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.

- Você tem computador?


- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?


Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado.


Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'. Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!


FIM DA HISTÓRIA


Você agora tem duas escolhas:

1 - Enviar esta mensagem aos amigos e amigas

2 - Apagá-la, fazendo de conta que não foi tocado por ela.

Como você pode ver, escolhi a nº 1.


Uma provocação

Para uma reflexão

E uma decisão

Não custa fazermos a nossa parte

Abraço

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

MENSAGEM: Quem São Teus Heróis?

REPRODUZO MENSAGEM ABAIXO, RECEBIDA HOJE DE UMA AMIGA. ANTES, FAÇO UM BREVE COMENTÁRIO:

"Cada audiência tem a mídia que merece. Alguns sabem mais da vida dos participantes dos big brothers (e dos ex-bbbs que se destacaram em outros carnavais) do que dos governantes que melhoraram suas vidas ou das grandes personalidades que revolucionaram positivamente o mundo. Os apresentadores televisivos tem bem menos culpa de quem os assiste religiosamente e sobretudo de quem vota apaixonadamente nestes heróis fabricados e descartáveis. Mas cada povo tem a televisão que merece. Longe de censurar qualquer programação, fica alguma reflexão sobre os diferentes valores que abraçamos no espetáculo da vida."

SEGUE A MENSAGEM TRANSCRITA NA ÍNTEGRA. REFLITAMOS:

“E agora vamos falar com os nossos heróis...”

Saudação (infeliz) usada por Pedro Bial ao se dirigir aos participantes do programa Big Brother Brasil:

Se alguém se encontrar com ele, pergunte-lhe, por favor, qual a definição de “herói” no dicionário dele...

No meu, Herói é uma coisa muito diferente...
Herói é a Dra. Vanessa Remy-Piccolo, jovem pediatra francesa de 28 anos de idade.
Ela que abriu mão do seu conforto para servir na África, como voluntária do programa Médicos sem Fronteiras.

Ela que nos relata que cansou de atender crianças que com um ano de idade pesavam em torno de 3,6 kg, que corresponde ao peso de um recém-nascido.
Herói que relata que muitas mães chegam até ela dizendo que levaram os alimentos doados para casa, mas que seus filhos parecem que desaprenderam a se alimentar e se recusam a abrir a boca.

Herói é Martial Ledecq, cirurgião voluntário do Médicos sem Fronteiras, que, arriscando a própria vida, atende, em meio a bombardeios, os civis feridos num Hospital de Tebnine, sul do Líbano, vítimas de uma recente guerra que de tão nefasta não poupou nem os observadores da ONU, e nem mesmo as equipes de ajuda humanitária internacional.

Herói, meu caro Pedro Bial, é quem, nestes dias desleais em que vivemos, enxerga o sofrimento alheio, e se prontifica a amenizá-lo no que estiver ao seu alcance. Herói são aqueles que abrem mão dos confortos pessoais em prol do coletivo, aqueles plenos de uma vida na qual a paixão sobrepuja a omissão...

Herói é aquele que é solidário, que partilha dons e bens...

Mas há também muitos heróis que falam a nossa língua... E não são as “celebridades” instantâneas do BBB. Embora estejam pertinho da “casa mais vigiada do Brasil”.

Heróis como Jacinta, enfermeira do projeto Meio-fio, promovido pelo Médicos sem Fronteiras no Rio de Janeiro, que examina mãe e filho, moradores de rua. Heróis como a médica Renata, que visita aqueles que nem aos precários serviços de saúde pública têm acesso, como este morador de rua, no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro.

Heróis como o educador Altayr, que partilha seus conhecimentos com uma moradora de rua no centro do Rio de Janeiro. Heróis como a psicóloga Andréa, que, a exemplo da pediatra francesa, semeia saúde e esperança, por onde passa.

Heróis como a enfermeira Eriedna, que aqui atende o Sr. Nilton no núcleo de atendimento do Médicos sem Fronteiras. Heróis como Sr. Nilton, que com o apoio recebido conseguiu encontrar um trabalho, e hoje não mais mora nas ruas. Heróis como Sr. João, um dos moradores de rua atendidos pelo projeto Meio-fio, que relata:

"De manhã eu começo a circular igual a um peru doido. Eu só paro na hora do almoço e depois, à noite, pra dormir. Mas catar latinha não é fácil não. Hoje em dia tem uma concorrência muito grande pelas ruas".

Será que o Sr. João resistiria à tentação de catar as latinhas e garrafas de bebida vazias, com as quais a produção do BBB tenta a todo custo embriagar os participantes do programa nas festas que promove? Sr. João provavelmente juntaria as latas sim, escondidas num canto da casa, para quando a fama instantânea passar...

Quando um cara que já foi dos mais brilhantes repórteres do país, vibra e discute os namoricos, as intrigas e as futilidades do programa BBB como se fossem o assunto mais importante da atualidade, é sinal de que algo está lamentavelmente errado...

É preciso acreditar que um outro mundo é possível.
E pequenos gestos poderão produzir mudanças significativas.

Um ato simples, que certamente poderá resultar em benefícios concretos, será o de iniciar uma campanha de conscientização para que ninguém mais atenda aos apelos melodramáticos de Pedro Bial, e que, ao invés de efetuar ligações para o programa Big Brother, contribua para entidades que atuam em prol de causas sociais.

A cada paredão, com milhões de ligações para o programa, os centavos e centavos pagos formam rios de dinheiro, e engordam ainda mais as já milionárias fortunas dos donos, diretores e apresentadores televisivos...

Se você tem algum amigo, familiar ou conhecido que liga para o programa, aconselhe-o, ao invés, a doar a quantia para algum programa humanitário.

Ao invés de ligar para o Big Brother Brasil, contribua com alguma instituição que realmente precisa de ajuda. E não faltam entidades sérias que contam com o nosso apoio para prosseguir com suas nobres atividades.

Listagem de algumas outras entidades e projetos:

www.unicef.org/brazil/lista_projetos06.htm

Certamente existe alguma instituição de amparo aos necessitados atuando na tua cidade.

Os recursos destas instituições provém, na sua maior parte, do apoio voluntário, - material e humano -, necessitando, portanto, de nosso auxílio e colaboração para que possam fazer diferença e recuperar o valor da vida dos tantos destituídos, excluídos da sociedade.

Quem são os teus heróis? Quem são as tuas heroínas?

Divulgue esta idéia por e-mail.

Vamos deixar a cargo dos familiares dos participantes, que têm interesse particular no assunto, decidir se fulaninho ou fulaninha deve ou não sair do programa.

Colabore com quem realmente precisa de você.