O futebol também pode ser um instrumento de integração humana e solidariedade entre os povos. Apesar da indústria que movimenta as estrelas do futebol ser oligárquica, no sentido estratosférico do termo, a multidão anônima de torcedores que dá popularidade, emoção e repercussão a este esporte têm vocação apaixonadamente democrática.
Pois nenhuma classe, profissão e idade social estão proibidas de colorir e encantar esta festa, usando as cores de cada time e país para desenhar e propagar o arco-íris da alegria, daquela euforia... sem fronteiras, sem preconceitos e, quando sua seleção é campeã, sem limites, uma espécie de orgasmo coletivamente compartilhado e respingado efusivamente entre os sorrisos carnavalescos dos torcedores e torcedoras.
Embora discorde de duas coisas colocadas no começo da notícia que publico (a idéia bem-vinda das frases nos ônibus e a posição acertada de não convocar Neymar e Ganso), achei legal a lista de lemas ludicamente sugeridos para os times da Copa.
Pra frente, Brasil, Bra-Sil, BRASIL; no futebol, na política e na inclusão social; até para que mais e mais revelações de talentos façam revoluções artísticas dentro do campo, das quatro linhas capazes de formar em nossos corações, por obra de efeitos magicamente especiais, geometrias vibrantes de felicidade e identificação coletiva.
FRASES DE PARACHOQUE
http://blogdojuca.uol.com.br/ - 18/05/2010
Por Rafael Klein*
A Fifa deve ser um bom lugar para se trabalhar porque, aparentemente, não tem muito o que se fazer por lá.
Ou vá me dizer que certas bobagens não são frutos do ócio?
A última – e acho que não é tão última assim, porque se não estou enganado já aconteceu na copa passada – é a ideia de que todos os ônibus utilizados pelas seleções no mundial, devem ter frases de incentivo escritas em suas latarias.
Depois, pedem a sei-lá-quem para criar essas frases e o resultado vai do original “Vamos, Suíça”, passando pelo enigmático “Chutando ao estilo Kiwi” até o tocante “Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro!”.
Convenhamos: melhor seria se ao invés desta frase, o ônibus brasileiro levasse o Neymar e o Ganso.
Porém, já que a bobagem está escalada para entrar na copa, é hora de dar uma força, e ficam aqui sugestões mais adequadas aos ônibus de todas as seleções:
África do Sul: Futebol aqui é preto no branco.
Alemanha: A caneca é nossa!
Argélia: Sem essa de nadar, nadar, nadar e morrer nas dunas.
Argentina: Gracias, Dunga.
Austrália: Tirando onda dos adversários.
Brasil: Um ônibus, 10 volantes.
Camarões: Um time meio sem cabeça, mas cheio de pernas.
Chile: Um país inteiro tremendo de esperança.
Coreia do Norte: Vamos bombar nesse mundial!
Coreia do Sul: Vamos nos matar em campo. Mas se o jogo for contra a Coreia do Norte, matamos eles.
Costa do Marfim: Vamos, Elefantes! E ai de quem trombar com a gente.
Dinamarca: Ficaremos com os louros da vitória.
Eslováquia: Perdemos a Tcheca, mas não perdemos a honra.
Eslovênia: Pela milésima vez, não temos nada a ver com a Eslováquia.
Espanha: Não vamos fazer feio: convocaremos a Penélope Cruz.
Estados Unidos: Ê ô, ê ô, o Osama é um terror.
França: Desodorantes podem estar vencidos, o time nunca.
Gana: Gatos em pele de leões.
Grécia: Chuto, logo existo.
Holanda: Ônibus ecológico: fumaça só do lado de dentro.
Honduras: Em busca de um sonho. Ou pelo menos de um presidente.
Inglaterra: Chá com a gente.
Itália: A Copa do Mundo é massa.
Japão: A gente caberia numa van, né?
México: Se buscamos nosso lugar ao sol, porque temos que usar esses malditos sombreros?
Nigéria: Vamos tirar a barriga da miséria.
Nova Zelândia: Mas que diabos da tazmânia estamos fazendo aqui?
Paraguai: Copa do Mundo por apenas R$ 1,99.
Portugal: Seremos campeões em plena Ásia!
Sérvia: Vai dar Zebracovic.
Suíça: Vamos dar um chocolate neles.
Uruguai: Gaúcho é a mãe, tchê.
Ah!, e aproveite que você está aí sem fazer nada (se não não estaria lendo esse texto) e dê a sua sugestão também aí nos comentários.
*Rafael Klein é publicitário.
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Humores e Cores do Futebol
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
O Convite à Cooperação que vem da Colméia
Conheci há poucos dias uma iniciativa brilhante de organização, cooperação e ajuda mútua em rede, tendo como plataforma fundante de encontro, interação e ação o seguinte site/portal: http://coolmeia.ning.com
Já me tornei uma abelha desta construção. Precisamor produzir e beber juntos o mel da mudança; adoçando nossas vidas de justiça, amor, esperança, paz, felicidade, saúde, harmonia, fraternidade, tolerância e altruísmo.
Divulgo na íntegra o documento que plasma com esplender os valores iniciais desta iniciativa em consolidação e difusão... Parabéns aos idealizadores e a todos e todas que estão edificando e alimentando a Coolmeia!!!
Carta de Princípios da Coolmeia
Parágrafo Primeiro – Acreditamos que através da participação, cooperação e compartilhamento de conhecimento podemos fazer a diferença em nossas vidas, das pessoas que conosco se relacionam e no ambiente em que vivemos
Parágrafo Segundo – Muito mais do que um agregador de idéias, soluções e histórias, buscamos ser uma ferramenta de mudança social e ambiental. Quer seja ajudando a orientar um consumo mais consciente, ensinando como melhorar sua comunidade, como lutar contra a pobreza material, cultural ou física (doenças) ou lhe apoiando no desenvolvimento de seus próprios projetos éticos e altruístas, fornecemos as informações e os meios para que você possa começar e seguir sua caminhada
Parágrafo Terceiro – Acreditamos que mudar o mundo não necessariamente entra em conflito com a vida que queremos. Tornar nosso consumo mais sensato, melhorar a vida de outras pessoas e ser mais gentil com o planeta nos levará a uma vida muito mais saudável, feliz, excitante e plena de significados
Parágrafo Quarto – Estamos vivendo a Era do Despertar Individual, um momento no tempo em que muitas pessoas (as que já despertaram) não querem mais um Messias, e em seu âmago se incomodam com lideranças. Estão cada vez mais conscientes que precisam (e podem) se auto-gerir e cada uma quer, de fato, ser responsável pelas mudanças que urgem.
Parágrafo Quinto - A busca da verdade é um complexo caminho de idas e vindas, onde devemos usar o conhecimento atual para produzir novos conhecimentos, com uma única certeza: de que o que sabemos "com certeza" agora, amanhã poderá ser somente uma ilusão. Devemos saber usar o novo conhecimento adquirido para voltar atrás e verificar nossas antigas idéias e crenças, evitando sempre cair no perigoso Mito do Eu Já Sei Tudo.
Parágrafo Sexto – A Coolmeia trata de encontros entre indivíduos imbuídos na tarefa comum de enfrentar os grandes desafios do nosso tempo. Enquanto ficamos anestesiados, sentados em frente aos nossos televisores com telas cada vez maiores e tecnológicas, o aquecimento global transformou-se de previsão a fato, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem em pobreza extrema enquanto uma pequena porcentagem utiliza sistemas que exploram indivíduos e o ambiente para aumentarem suas riquezas, milhões de crianças morrem devido a doenças passíveis de prevenção e má nutrição e, em boa parte do mundo, a violência, a corrupção, o terrorismo e a opressão são realidades diárias.
Parágrafo Sétimo – Vivemos um Ponto de Mutação na História da Civilização Humana, um momento em que grandes lideranças morais e a responsabilidade de toda uma geração está sendo posta à prova.
Parágrafo Oitavo - Nos organizamos de forma a produzir um Compêndio de Soluções a ser utilizado por quem ousar iniciar esta jornada de renascimento. A Coolmeia não mostrará somente o que já existe e é possível, mas também nos ajudará a imaginar uma nova casa, uma nova comunidade, uma nova aldeia global. Podemos pintar um novo mundo, não com uma visão catastrófica como hoje se nos apresenta, mas com uma outra, cheia de esperança, graças ao nosso ímpeto humanista.
Parágrafo Nono – Acreditamos que, enquanto os meios de comunicação de massa não refletirem em sua pauta – ou somente o fizerem em horários restritos e de forma insuficiente – temos a missão de divulgar ações concretas que estão sendo realizadas em nosso país e em todo mundo por pessoas que já conseguiram desvincular-se da ótica da produção capitalista e estão produzindo Capital Social, bens, serviços, espaços e atitudes que possam ser compartilhados por todos e não por uma seleta minoria de escolhidos
Parágrafo Décimo – Somos um grupo de visionários unidos pela tarefa de encontrar, compartilhar, discutir informações e montar em conjunto recomendações de iniciativas práticas a serem implementadas por indivíduos ou grupos de pessoas em suas casas, instituições ou comunidades. Somos um processo contínuo, que começou juntamente com o primeiro homem, há milhões de anos, e que não tem fim, posto que não possui raízes mas mesmo assim ininterruptamente espalha suas sementes prevendo a colheita de uma nova cultura.
Parágrafo Décimo-Primeiro – As ferramentas, modelos e ideias para construir um brilhante futuro para todos já estão entre nós. Suas peças estão fragmentadas e espalhadas, esperando um trabalho lento, porém sistemático de agregação, síntese e compreensão, trabalho esse ao qual a Coolmeia se propõe
Parágrafo Décimo-Segundo – Somos pessoas que, passo a passo, estamos nos tornando a mudança que queremos ver no mundo. Somos seres sociais, compartilhadores de conhecimento e sentimento, pensamos globalmente e agimos localmente. Somos uma “não-entidade” instituinte vibrante, capaz de influenciar positivamente o mundo à sua volta
Parágrafo Décimo-Terceiro – A Coolmeia é também uma máquina de busca, em que você poderá encontrar não somente assuntos mas também pessoas e organizações que lidam com assuntos criticamente importantes para o bem-estar de cada um de nós. Ao encontrar o que ou quem você procura, torna-se também um ponto de encontro para o debate e aperfeiçoamento contínuo das vivências que perfazem esta nova forma de viver e existir
Parágrafo Décimo-Quarto – Fazemos um convite contínuo a mudanças em nossas vidas cotidianas e trazemos a consciência de quão poderosos somos como indivíduos, da mesma forma que não esquecemos o quanto precisamos uns dos outros. Nossas decisões devem, necessariamente, levar em conta O OUTRO. Atualmente, utilizamos o planeta, uma pessoa, um dia, uma decisão a cada tempo, sem considerar as conseqüências. Somos entretanto mais de seis bilhões de consumidores do planeta, diariamente. E nossas decisões e escolhas são insustentáveis. Não estamos deixando para as gerações seguintes o mesmo que ganhamos de nossos pais: estamos lhes deixando com menos a cada geração. São eles quem pagarão nossas dívidas.
Parágrafo Décimo-Quinto – Não achamos justo que outras pessoas paguem nossas dívidas, portanto trabalhamos para planejar estilos de vida que utilizem apenas um planeta para nossa sobrevivência. Assim, o planejamento familiar deixa de ser um problema individual ou estatal, e passa a ser uma questão global, mas que deve ser enfrentada localmente, em cada família, escola ou grupo de jovens ou adultos. Queremos pagar nossas dívidas ainda em vida.
Parágrafo Décimo-Sexto – Pessoas que vivem em barracos e choupanas podem comparar a qualidade material de suas vidas com a dos passageiros dos jatos que voam sobre eles. Como regra, eles também querem um carro, um computador com banda larga, roupas confortáveis e uma casa na praia. Precisamos criar um sistema que distribua prosperidade a todos, sem entretanto aumentar nossa pegada ecológica. Este é um desafio épico sobre o qual vamos nos debruçar
Parágrafo Décimo-Sétimo – Vivemos em um mundo em que o número de pessoas trabalhando para inventar, usar e compartilhar ferramentas, modelos e idéias para transformar o mundo está crescendo substancialmente. Para vencer a batalha contra um mundo em decomposição (social, moral, ecológica) precisamos apenas garantir que este Movimento, estas Iniciativas que hoje se encontram fragmentadas, transformem-se em um fluxo composto de milhões de pessoas comprometidas em fazer a sua parte ao adotar boas ideais, encontrar novas soluções em seu trabalho ou campo de atuação e viver e compartilhar o que aprenderam
Parágrafo Décimo-Oitavo – Cada um de nós tem uma parcela de responsabilidade. Cada um de nós pode ser um motor deste Movimento que está mudando o mundo, e a melhor parte é que não é necessário que prometamos lealdade irrestrita a um líder supremo ou que nos unamos misticamente a um culto ou sistema de crenças. Precisamos apenas que milhões de nós façam o melhor ao pensar por si mesmos e compartilhem o que já aprendemos
Parágrafo Décimo-Nono – A Coolmeia não busca ser a detentora de todas as respostas. Apenas deseja compartilhar soluções já tentadas por outras pessoas para que cada um possa se inspirar e repeti-la localmente ou então criar sua própria solução para os problemas da sua vida, da sua casa, seu trabalho ou sua comunidade
Parágrafo Vigésimo - Acreditamos que seja possível inclinar outras pessoas à mudança através do exemplo. Se organizamos nossas vidas pessoais de forma a estar fazendo as coisas certas e, fazendo assim, temos uma vida maravilhosa, estamos agindo como representantes da ideia de que ser verde pode ser inteligente. Uma das maiores barreiras mentais às mudanças de comportamento é a ideia de que a mudança pode ser desconfortável. Mas sabemos também que, cada vez que desenhamos nossas vidas de modo a causar menos impacto, damos suporte a boas iniciativas e tornamos nossas vidas mais confortáveis, bonitas e excitantes, estamos mandando uma mensagem poderosa a todos em nossa volta
Parágrafo Vigésimo-Primeiro - Boas intenções são fantásticas, mas somente a paixão muda o mundo. Comece fazendo coisas fáceis e então passe às coisas mais desafiadoras nas quais acredita e com as quais sente prazer. Quer seja seguindo os exemplos ou dando exemplos, sempre será parte de uma troca entre você, a humanidade e o ambiente que nos cerca
Parágrafo Vigésimo-Segundo – A Coolmeia não cresce continuamente com a ajuda de pessoas que sabem tudo, mas com um grupo de pessoas que trabalham para encontrar uma forma de fazer a diferença juntos. É um ponto de partida para decidir como nossa vida pode valer a pena. Descobrir qual é nossa tarefa nesta vida, para que fomos até aqui chamados é uma tarefa que somente cada um de nós poderá responder. A Coolmeia, entretanto, lhe providenciará ideias para que você possa repensar sua própria vida e também providenciará abordagens para a mudança. Desde a instalação de um sistema de compostagem em sua casa ou apartamento, a aquisição do hábito de consumir alimentos orgânicos até mudanças mais amplas como levar sua carreira a uma nova direção ou mobilizar seus vizinhos para aperfeiçoar sua comunidade, VOCÊ será o melhor juiz para arbitrar como aplicar estas idéias em sua própria vida
Parágrafo Vigésimo-Terceiro – Existe um universo inteiro de “abelhas-humanas” buscando compartilhar informações e ideias, crescendo em número dia a dia. Encontre seus aliados e suas inspirações e compartilhe conosco o que você aprendeu. É disso que tudo se trata: apreender, aprender, compartilhar, cooperar.
Parágrafo Vigésimo-Quarto – Precisamos de melhores ferramentas, modelos e idéias para mudar o mundo para melhor. Quanto mais pessoas tiverem acesso a estas ferramentas, modelos e idéias, melhor suas próprias idéias se tornarão e mais idéias se tornarão disponíveis. Qualquer um pode se juntar à conversação, e quanto mais pessoas o fizerem, melhor ela se tornará. Quanto melhor a conversação, e quanto mais pessoas utilizarem as ferramentas, mais excitante nossa aventura se tornará, e maiores as chances de sucesso.
Parágrafo Último – Considere isso um convite para juntar-se à aventura. Que tipo de futuro você criará?
Já me tornei uma abelha desta construção. Precisamor produzir e beber juntos o mel da mudança; adoçando nossas vidas de justiça, amor, esperança, paz, felicidade, saúde, harmonia, fraternidade, tolerância e altruísmo.
Divulgo na íntegra o documento que plasma com esplender os valores iniciais desta iniciativa em consolidação e difusão... Parabéns aos idealizadores e a todos e todas que estão edificando e alimentando a Coolmeia!!!
Carta de Princípios da Coolmeia
Parágrafo Primeiro – Acreditamos que através da participação, cooperação e compartilhamento de conhecimento podemos fazer a diferença em nossas vidas, das pessoas que conosco se relacionam e no ambiente em que vivemos
Parágrafo Segundo – Muito mais do que um agregador de idéias, soluções e histórias, buscamos ser uma ferramenta de mudança social e ambiental. Quer seja ajudando a orientar um consumo mais consciente, ensinando como melhorar sua comunidade, como lutar contra a pobreza material, cultural ou física (doenças) ou lhe apoiando no desenvolvimento de seus próprios projetos éticos e altruístas, fornecemos as informações e os meios para que você possa começar e seguir sua caminhada
Parágrafo Terceiro – Acreditamos que mudar o mundo não necessariamente entra em conflito com a vida que queremos. Tornar nosso consumo mais sensato, melhorar a vida de outras pessoas e ser mais gentil com o planeta nos levará a uma vida muito mais saudável, feliz, excitante e plena de significados
Parágrafo Quarto – Estamos vivendo a Era do Despertar Individual, um momento no tempo em que muitas pessoas (as que já despertaram) não querem mais um Messias, e em seu âmago se incomodam com lideranças. Estão cada vez mais conscientes que precisam (e podem) se auto-gerir e cada uma quer, de fato, ser responsável pelas mudanças que urgem.
Parágrafo Quinto - A busca da verdade é um complexo caminho de idas e vindas, onde devemos usar o conhecimento atual para produzir novos conhecimentos, com uma única certeza: de que o que sabemos "com certeza" agora, amanhã poderá ser somente uma ilusão. Devemos saber usar o novo conhecimento adquirido para voltar atrás e verificar nossas antigas idéias e crenças, evitando sempre cair no perigoso Mito do Eu Já Sei Tudo.
Parágrafo Sexto – A Coolmeia trata de encontros entre indivíduos imbuídos na tarefa comum de enfrentar os grandes desafios do nosso tempo. Enquanto ficamos anestesiados, sentados em frente aos nossos televisores com telas cada vez maiores e tecnológicas, o aquecimento global transformou-se de previsão a fato, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem em pobreza extrema enquanto uma pequena porcentagem utiliza sistemas que exploram indivíduos e o ambiente para aumentarem suas riquezas, milhões de crianças morrem devido a doenças passíveis de prevenção e má nutrição e, em boa parte do mundo, a violência, a corrupção, o terrorismo e a opressão são realidades diárias.
Parágrafo Sétimo – Vivemos um Ponto de Mutação na História da Civilização Humana, um momento em que grandes lideranças morais e a responsabilidade de toda uma geração está sendo posta à prova.
Parágrafo Oitavo - Nos organizamos de forma a produzir um Compêndio de Soluções a ser utilizado por quem ousar iniciar esta jornada de renascimento. A Coolmeia não mostrará somente o que já existe e é possível, mas também nos ajudará a imaginar uma nova casa, uma nova comunidade, uma nova aldeia global. Podemos pintar um novo mundo, não com uma visão catastrófica como hoje se nos apresenta, mas com uma outra, cheia de esperança, graças ao nosso ímpeto humanista.
Parágrafo Nono – Acreditamos que, enquanto os meios de comunicação de massa não refletirem em sua pauta – ou somente o fizerem em horários restritos e de forma insuficiente – temos a missão de divulgar ações concretas que estão sendo realizadas em nosso país e em todo mundo por pessoas que já conseguiram desvincular-se da ótica da produção capitalista e estão produzindo Capital Social, bens, serviços, espaços e atitudes que possam ser compartilhados por todos e não por uma seleta minoria de escolhidos
Parágrafo Décimo – Somos um grupo de visionários unidos pela tarefa de encontrar, compartilhar, discutir informações e montar em conjunto recomendações de iniciativas práticas a serem implementadas por indivíduos ou grupos de pessoas em suas casas, instituições ou comunidades. Somos um processo contínuo, que começou juntamente com o primeiro homem, há milhões de anos, e que não tem fim, posto que não possui raízes mas mesmo assim ininterruptamente espalha suas sementes prevendo a colheita de uma nova cultura.
Parágrafo Décimo-Primeiro – As ferramentas, modelos e ideias para construir um brilhante futuro para todos já estão entre nós. Suas peças estão fragmentadas e espalhadas, esperando um trabalho lento, porém sistemático de agregação, síntese e compreensão, trabalho esse ao qual a Coolmeia se propõe
Parágrafo Décimo-Segundo – Somos pessoas que, passo a passo, estamos nos tornando a mudança que queremos ver no mundo. Somos seres sociais, compartilhadores de conhecimento e sentimento, pensamos globalmente e agimos localmente. Somos uma “não-entidade” instituinte vibrante, capaz de influenciar positivamente o mundo à sua volta
Parágrafo Décimo-Terceiro – A Coolmeia é também uma máquina de busca, em que você poderá encontrar não somente assuntos mas também pessoas e organizações que lidam com assuntos criticamente importantes para o bem-estar de cada um de nós. Ao encontrar o que ou quem você procura, torna-se também um ponto de encontro para o debate e aperfeiçoamento contínuo das vivências que perfazem esta nova forma de viver e existir
Parágrafo Décimo-Quarto – Fazemos um convite contínuo a mudanças em nossas vidas cotidianas e trazemos a consciência de quão poderosos somos como indivíduos, da mesma forma que não esquecemos o quanto precisamos uns dos outros. Nossas decisões devem, necessariamente, levar em conta O OUTRO. Atualmente, utilizamos o planeta, uma pessoa, um dia, uma decisão a cada tempo, sem considerar as conseqüências. Somos entretanto mais de seis bilhões de consumidores do planeta, diariamente. E nossas decisões e escolhas são insustentáveis. Não estamos deixando para as gerações seguintes o mesmo que ganhamos de nossos pais: estamos lhes deixando com menos a cada geração. São eles quem pagarão nossas dívidas.
Parágrafo Décimo-Quinto – Não achamos justo que outras pessoas paguem nossas dívidas, portanto trabalhamos para planejar estilos de vida que utilizem apenas um planeta para nossa sobrevivência. Assim, o planejamento familiar deixa de ser um problema individual ou estatal, e passa a ser uma questão global, mas que deve ser enfrentada localmente, em cada família, escola ou grupo de jovens ou adultos. Queremos pagar nossas dívidas ainda em vida.
Parágrafo Décimo-Sexto – Pessoas que vivem em barracos e choupanas podem comparar a qualidade material de suas vidas com a dos passageiros dos jatos que voam sobre eles. Como regra, eles também querem um carro, um computador com banda larga, roupas confortáveis e uma casa na praia. Precisamos criar um sistema que distribua prosperidade a todos, sem entretanto aumentar nossa pegada ecológica. Este é um desafio épico sobre o qual vamos nos debruçar
Parágrafo Décimo-Sétimo – Vivemos em um mundo em que o número de pessoas trabalhando para inventar, usar e compartilhar ferramentas, modelos e idéias para transformar o mundo está crescendo substancialmente. Para vencer a batalha contra um mundo em decomposição (social, moral, ecológica) precisamos apenas garantir que este Movimento, estas Iniciativas que hoje se encontram fragmentadas, transformem-se em um fluxo composto de milhões de pessoas comprometidas em fazer a sua parte ao adotar boas ideais, encontrar novas soluções em seu trabalho ou campo de atuação e viver e compartilhar o que aprenderam
Parágrafo Décimo-Oitavo – Cada um de nós tem uma parcela de responsabilidade. Cada um de nós pode ser um motor deste Movimento que está mudando o mundo, e a melhor parte é que não é necessário que prometamos lealdade irrestrita a um líder supremo ou que nos unamos misticamente a um culto ou sistema de crenças. Precisamos apenas que milhões de nós façam o melhor ao pensar por si mesmos e compartilhem o que já aprendemos
Parágrafo Décimo-Nono – A Coolmeia não busca ser a detentora de todas as respostas. Apenas deseja compartilhar soluções já tentadas por outras pessoas para que cada um possa se inspirar e repeti-la localmente ou então criar sua própria solução para os problemas da sua vida, da sua casa, seu trabalho ou sua comunidade
Parágrafo Vigésimo - Acreditamos que seja possível inclinar outras pessoas à mudança através do exemplo. Se organizamos nossas vidas pessoais de forma a estar fazendo as coisas certas e, fazendo assim, temos uma vida maravilhosa, estamos agindo como representantes da ideia de que ser verde pode ser inteligente. Uma das maiores barreiras mentais às mudanças de comportamento é a ideia de que a mudança pode ser desconfortável. Mas sabemos também que, cada vez que desenhamos nossas vidas de modo a causar menos impacto, damos suporte a boas iniciativas e tornamos nossas vidas mais confortáveis, bonitas e excitantes, estamos mandando uma mensagem poderosa a todos em nossa volta
Parágrafo Vigésimo-Primeiro - Boas intenções são fantásticas, mas somente a paixão muda o mundo. Comece fazendo coisas fáceis e então passe às coisas mais desafiadoras nas quais acredita e com as quais sente prazer. Quer seja seguindo os exemplos ou dando exemplos, sempre será parte de uma troca entre você, a humanidade e o ambiente que nos cerca
Parágrafo Vigésimo-Segundo – A Coolmeia não cresce continuamente com a ajuda de pessoas que sabem tudo, mas com um grupo de pessoas que trabalham para encontrar uma forma de fazer a diferença juntos. É um ponto de partida para decidir como nossa vida pode valer a pena. Descobrir qual é nossa tarefa nesta vida, para que fomos até aqui chamados é uma tarefa que somente cada um de nós poderá responder. A Coolmeia, entretanto, lhe providenciará ideias para que você possa repensar sua própria vida e também providenciará abordagens para a mudança. Desde a instalação de um sistema de compostagem em sua casa ou apartamento, a aquisição do hábito de consumir alimentos orgânicos até mudanças mais amplas como levar sua carreira a uma nova direção ou mobilizar seus vizinhos para aperfeiçoar sua comunidade, VOCÊ será o melhor juiz para arbitrar como aplicar estas idéias em sua própria vida
Parágrafo Vigésimo-Terceiro – Existe um universo inteiro de “abelhas-humanas” buscando compartilhar informações e ideias, crescendo em número dia a dia. Encontre seus aliados e suas inspirações e compartilhe conosco o que você aprendeu. É disso que tudo se trata: apreender, aprender, compartilhar, cooperar.
Parágrafo Vigésimo-Quarto – Precisamos de melhores ferramentas, modelos e idéias para mudar o mundo para melhor. Quanto mais pessoas tiverem acesso a estas ferramentas, modelos e idéias, melhor suas próprias idéias se tornarão e mais idéias se tornarão disponíveis. Qualquer um pode se juntar à conversação, e quanto mais pessoas o fizerem, melhor ela se tornará. Quanto melhor a conversação, e quanto mais pessoas utilizarem as ferramentas, mais excitante nossa aventura se tornará, e maiores as chances de sucesso.
Parágrafo Último – Considere isso um convite para juntar-se à aventura. Que tipo de futuro você criará?
terça-feira, 30 de junho de 2009
O Demais Nunca Basta aos Banqueiros
O DEMAIS NUNCA BASTA AOS BANQUEIROS
Existem notícias dotadas de um poder mágico, surreal. Conseguem ser classificadas tão rapidamente na categoria do absurdo que quase ninguém do mundo real é capaz de enxergar, sentir e se indignar com esse tipo de notícia. Refiro-me particularmente à notícia Falhas de Mercado e Pobreza no Mundo, que gira em torno (pasmem!) do seguinte dado-denúncia: “Socorro a bancos em 1 ano supera ajuda a países pobres em 50, diz ONU”.
Não porque tais matérias não sejam importantes. Muito pelo contrário: elas saltam aos olhos, rasgam a alma e podem deixar todo mundo petrificado. Calma, não estou falando de bruxas, magos e feitiçarias. Mas a notícia referida (alvo desta crônica) só pode ser, no mínimo, de um outro mundo. E do pior dos mundos possíveis e imagináveis.
Eu próprio confesso que tenho medo de ler essa notícia como deveria. Me envergonho até de divulgá-la como gostaria. Que mundo é esse em que nasci (nascemos)? Que sociedade é essa na qual um dia morrerei (morreremos)? O que nossos filhos e netos haverão de pensar? “Vocês foram capazes disso, em pleno início do terceiro milênio?” Sem explicação.
Enquanto nosso ego hedonista e semi-suicida dominar nossos pensamentos, como finaliza a citada notícia, jamais o absurdo da pobreza falará ao nosso coração, pois nosso pobre coração parece ter assumido a forma de um cifrão; o cifrão do dinheiro, da ambição, da propriedade. Respiramos lucro, processamos caos e defecamos indiferença.
Como musicaria Renato Russo: “esse é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante...” Os banqueiros que o digam. Nossa felicidade, aquela medida pela órbita de nosso próprio umbigo, é a única que praticamente importa. A África, a Bolívia, o Haiti; todo o resto que se exploda. O capitalismo tornou-se o Deus terreno de nossa maior tragédia civilizatória.
Viramos escravos de uma meta obsessiva, disseminada por uma televisão que nos emburrece e alimentada por uma publicidade que nos enlouquece: consumir o máximo que puder, através do prazer insaciável do ter, na ilusão de atingir um paraíso que essencialmente não existe – ou dura muito pouco. A liberdade individualista do capitalismo produziu um egoísmo material sem precedentes. Mas nem tudo está perdido. A esperança quer nascer.
As falhas não estão simplesmente no mercado. As empresas, por serem a ponta do iceberg, são o contágio menos perigoso e por assim dizer mais curável. O grande problema é: que interesses são institucionalizados e aplicados pelas organizações? Sendo mais direto e específico: quem institucionaliza tais interesses e valores? Pois é; as falhas originais (e corrigíveis) estão, em primeira instância, dentro de nós. Perceberam? Dentro de nós.
Avançamos materialmente o suficiente para solucionar todos os problemas de cada quilômetro quadrado habitável deste planeta, de modo a ninguém precisar passar fome ou ver seu nome ignorado pelas estatísticas distantes do PIB. Por outro lado, temos cada vez menos tempo para se preocupar com o outro, aceitar o diferente e dialogar com as utopias. A urgência pragmática do hoje é a sombra que cega nosso ser para as luzes de um mundo radicalmente melhor. Sim, você adivinhou: um novo paradigma nunca foi tão necessário.
Existem notícias dotadas de um poder mágico, surreal. Conseguem ser classificadas tão rapidamente na categoria do absurdo que quase ninguém do mundo real é capaz de enxergar, sentir e se indignar com esse tipo de notícia. Refiro-me particularmente à notícia Falhas de Mercado e Pobreza no Mundo, que gira em torno (pasmem!) do seguinte dado-denúncia: “Socorro a bancos em 1 ano supera ajuda a países pobres em 50, diz ONU”.
Não porque tais matérias não sejam importantes. Muito pelo contrário: elas saltam aos olhos, rasgam a alma e podem deixar todo mundo petrificado. Calma, não estou falando de bruxas, magos e feitiçarias. Mas a notícia referida (alvo desta crônica) só pode ser, no mínimo, de um outro mundo. E do pior dos mundos possíveis e imagináveis.
Eu próprio confesso que tenho medo de ler essa notícia como deveria. Me envergonho até de divulgá-la como gostaria. Que mundo é esse em que nasci (nascemos)? Que sociedade é essa na qual um dia morrerei (morreremos)? O que nossos filhos e netos haverão de pensar? “Vocês foram capazes disso, em pleno início do terceiro milênio?” Sem explicação.
Enquanto nosso ego hedonista e semi-suicida dominar nossos pensamentos, como finaliza a citada notícia, jamais o absurdo da pobreza falará ao nosso coração, pois nosso pobre coração parece ter assumido a forma de um cifrão; o cifrão do dinheiro, da ambição, da propriedade. Respiramos lucro, processamos caos e defecamos indiferença.
Como musicaria Renato Russo: “esse é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante...” Os banqueiros que o digam. Nossa felicidade, aquela medida pela órbita de nosso próprio umbigo, é a única que praticamente importa. A África, a Bolívia, o Haiti; todo o resto que se exploda. O capitalismo tornou-se o Deus terreno de nossa maior tragédia civilizatória.
Viramos escravos de uma meta obsessiva, disseminada por uma televisão que nos emburrece e alimentada por uma publicidade que nos enlouquece: consumir o máximo que puder, através do prazer insaciável do ter, na ilusão de atingir um paraíso que essencialmente não existe – ou dura muito pouco. A liberdade individualista do capitalismo produziu um egoísmo material sem precedentes. Mas nem tudo está perdido. A esperança quer nascer.
As falhas não estão simplesmente no mercado. As empresas, por serem a ponta do iceberg, são o contágio menos perigoso e por assim dizer mais curável. O grande problema é: que interesses são institucionalizados e aplicados pelas organizações? Sendo mais direto e específico: quem institucionaliza tais interesses e valores? Pois é; as falhas originais (e corrigíveis) estão, em primeira instância, dentro de nós. Perceberam? Dentro de nós.
Avançamos materialmente o suficiente para solucionar todos os problemas de cada quilômetro quadrado habitável deste planeta, de modo a ninguém precisar passar fome ou ver seu nome ignorado pelas estatísticas distantes do PIB. Por outro lado, temos cada vez menos tempo para se preocupar com o outro, aceitar o diferente e dialogar com as utopias. A urgência pragmática do hoje é a sombra que cega nosso ser para as luzes de um mundo radicalmente melhor. Sim, você adivinhou: um novo paradigma nunca foi tão necessário.
Falhas de Mercado e Pobreza no Mundo
Essa notícia poderia ter mil títulos:
1) Bancos Capitalistas x Países Pobres
2) Quando começaremos a ser humanos?
3) Por que a pobreza não é levada a sério?
4) Quem os banqueiros pensam que são?
5) Onde estava a mídia que não disse nada?
E por aí vai, pois quanto maior o absurdo, maior é a criatividade da indignação. Mas indignação é pouco. Precisamos revisar e reformar profundamente nossos valores humanos e civilizatórios. Afirmando e vivenciando outras atitudes; com a ajuda da blogosfera, mas indo obviamente muito além dela.
[Convido-lhe depois a ler minha crônica O Demais Nunca Basta aos Banqueiros, inspirada nesta notícia tão reveladora quanto absurda.]
Comentários do GRITO PACÍFICO, mudando o mundo com você
FALHAS DE MERCADO E POBREZA NO MUNDO
Por Ricardo Young - 30/06/2009
http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4442
A manchete da semana – e talvez a do ano, de muitos anos – não mereceu sequer menção dos comentaristas, acadêmicos e autoridades monetárias de todos os países. Eu mesmo li-a quase sem querer. É a seguinte: “Socorro a bancos em 1 ano supera ajuda a países pobres em 50, diz ONU”.
De acordo com a ONU, o setor financeiro internacional foi abastecido, em um ano, com 18 trilhões de dólares de dinheiro público. Em contraste, os países em desenvolvimento receberam, por parte dos governos dos países industrializados, ajuda de 2 trilhões de dólares em 49 anos.
Estes números foram obtidos pela Campanha pelas Metas do Milênio, uma iniciativa das Nações Unidas que promove e monitora o cumprimento das metas que dizem respeito a combate à fome e à miséria, igualdade de gêneros, cuidados com a maternidade e a infância, meio ambiente e educação de qualidade para todos. Os governos de todos os países-membros da ONU se comprometeram voluntariamente a atingi-las até 2015, garantindo, assim, as bases materiais mínimas para uma vida digna a todos os habitantes deste planeta. São necessários 63 bilhões de dólares anuais para o cumprimento destas metas e a ONU já sabe que o mundo não vai chegar lá, por falta de recursos!
Não é de estarrecer! Depois de todo o derrame de dólares!
Será que os governos estão preocupados com o fato de que este recurso, vindo dos impostos dos cidadãos, não ter retornado à sociedade, muito menos contribuído para diminuir a miséria?
Levantamento da FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação da própria ONU) dá conta de que, desde o início desta crise, o número da população faminta no mundo dobrou e já ultrapassou a casa do 1 bilhão de seres humanos. Isto significa que uma em cada seis pessoas passa fome atualmente, por causa de uma combinação insidiosa de crise financeira internacional com os preços altos dos alimentos. No monitoramento realizado pela entidade, depois de setembro de 2008, mês da crise, estes preços caíram 14%. Mesmo assim, mantiveram-se 51% acima do patamar registrado dois anos antes. Em palavras simples, a comida continua cara para a maioria das pessoas, mesmo com os preços em queda.
Os dados até aqui arrolados provam que não há, no mundo de hoje, realidade mais desnecessária e abjeta do que a miséria e a fome. No entanto, ela persiste, com ou sem crise. Por quê?
Porque tais problemas deixam a nu a falha primordial do capitalismo: o mercado nunca fará uma distribuição justa dos recursos, serviços, produtos, ou seja lá o que for. Por isso, o capitalismo também não consegue solucionar os grandes problemas da humanidade. Mesmo o Estado, se atrelado à lógica do lucro, não resolve as desigualdades.
Marx dizia que, às vezes, acontecimentos prosaicos têm o poder de deixar cair o véu que encobre as iniqüidades de mercado, como é o caso da manchete aqui comentada. O fato de pouco se ter prestado atenção, muito menos haver reações a ela, demonstra o quanto estamos todos atolados numa visão de mundo que nos adormece e promove a atitude que o filósofo Jürgen Habermas chamou de “a tragédia da essência humana”. Deixamos de perceber o outro e, com isso, nos alienamos da nossa própria vida.
Por isso, este é o tempo da sociedade civil organizada. É o tempo da democratização da democracia. Precisamos construir outra civilização, na qual os cidadãos tenham real e efetivo controle sobre as instituições, os recursos e as decisões. Essa reflexão tem de ocupar a centralidade na questão do desenvolvimento sustentável. Uma coisa é buscar um modelo de desenvolvimento de baixo carbono, regenerar sistemas ambientais e redefinir qualidade de vida. Outra, é se ter a coragem de eliminar a pobreza do mundo, entendendo que a inclusão social é chave para a sustentabilidade e a justiça social. Esta questão traz à tona a redefinição do Estado na distribuição de renda, e das empresas na sua função social.
A agenda de um novo padrão de desenvolvimento é, sobretudo, uma agenda de superação, de coragem e de solidariedade. Qualidades humanas, sem dúvida, mas de uma humanidade que ainda não se expressa pelas suas virtudes mínimas, perdida ainda em seu próprio hedonismo irresponsável.
1) Bancos Capitalistas x Países Pobres
2) Quando começaremos a ser humanos?
3) Por que a pobreza não é levada a sério?
4) Quem os banqueiros pensam que são?
5) Onde estava a mídia que não disse nada?
E por aí vai, pois quanto maior o absurdo, maior é a criatividade da indignação. Mas indignação é pouco. Precisamos revisar e reformar profundamente nossos valores humanos e civilizatórios. Afirmando e vivenciando outras atitudes; com a ajuda da blogosfera, mas indo obviamente muito além dela.
[Convido-lhe depois a ler minha crônica O Demais Nunca Basta aos Banqueiros, inspirada nesta notícia tão reveladora quanto absurda.]
Comentários do GRITO PACÍFICO, mudando o mundo com você
FALHAS DE MERCADO E POBREZA NO MUNDO
Por Ricardo Young - 30/06/2009
http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4442
A manchete da semana – e talvez a do ano, de muitos anos – não mereceu sequer menção dos comentaristas, acadêmicos e autoridades monetárias de todos os países. Eu mesmo li-a quase sem querer. É a seguinte: “Socorro a bancos em 1 ano supera ajuda a países pobres em 50, diz ONU”.
De acordo com a ONU, o setor financeiro internacional foi abastecido, em um ano, com 18 trilhões de dólares de dinheiro público. Em contraste, os países em desenvolvimento receberam, por parte dos governos dos países industrializados, ajuda de 2 trilhões de dólares em 49 anos.
Estes números foram obtidos pela Campanha pelas Metas do Milênio, uma iniciativa das Nações Unidas que promove e monitora o cumprimento das metas que dizem respeito a combate à fome e à miséria, igualdade de gêneros, cuidados com a maternidade e a infância, meio ambiente e educação de qualidade para todos. Os governos de todos os países-membros da ONU se comprometeram voluntariamente a atingi-las até 2015, garantindo, assim, as bases materiais mínimas para uma vida digna a todos os habitantes deste planeta. São necessários 63 bilhões de dólares anuais para o cumprimento destas metas e a ONU já sabe que o mundo não vai chegar lá, por falta de recursos!
Não é de estarrecer! Depois de todo o derrame de dólares!
Será que os governos estão preocupados com o fato de que este recurso, vindo dos impostos dos cidadãos, não ter retornado à sociedade, muito menos contribuído para diminuir a miséria?
Levantamento da FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação da própria ONU) dá conta de que, desde o início desta crise, o número da população faminta no mundo dobrou e já ultrapassou a casa do 1 bilhão de seres humanos. Isto significa que uma em cada seis pessoas passa fome atualmente, por causa de uma combinação insidiosa de crise financeira internacional com os preços altos dos alimentos. No monitoramento realizado pela entidade, depois de setembro de 2008, mês da crise, estes preços caíram 14%. Mesmo assim, mantiveram-se 51% acima do patamar registrado dois anos antes. Em palavras simples, a comida continua cara para a maioria das pessoas, mesmo com os preços em queda.
Os dados até aqui arrolados provam que não há, no mundo de hoje, realidade mais desnecessária e abjeta do que a miséria e a fome. No entanto, ela persiste, com ou sem crise. Por quê?
Porque tais problemas deixam a nu a falha primordial do capitalismo: o mercado nunca fará uma distribuição justa dos recursos, serviços, produtos, ou seja lá o que for. Por isso, o capitalismo também não consegue solucionar os grandes problemas da humanidade. Mesmo o Estado, se atrelado à lógica do lucro, não resolve as desigualdades.
Marx dizia que, às vezes, acontecimentos prosaicos têm o poder de deixar cair o véu que encobre as iniqüidades de mercado, como é o caso da manchete aqui comentada. O fato de pouco se ter prestado atenção, muito menos haver reações a ela, demonstra o quanto estamos todos atolados numa visão de mundo que nos adormece e promove a atitude que o filósofo Jürgen Habermas chamou de “a tragédia da essência humana”. Deixamos de perceber o outro e, com isso, nos alienamos da nossa própria vida.
Por isso, este é o tempo da sociedade civil organizada. É o tempo da democratização da democracia. Precisamos construir outra civilização, na qual os cidadãos tenham real e efetivo controle sobre as instituições, os recursos e as decisões. Essa reflexão tem de ocupar a centralidade na questão do desenvolvimento sustentável. Uma coisa é buscar um modelo de desenvolvimento de baixo carbono, regenerar sistemas ambientais e redefinir qualidade de vida. Outra, é se ter a coragem de eliminar a pobreza do mundo, entendendo que a inclusão social é chave para a sustentabilidade e a justiça social. Esta questão traz à tona a redefinição do Estado na distribuição de renda, e das empresas na sua função social.
A agenda de um novo padrão de desenvolvimento é, sobretudo, uma agenda de superação, de coragem e de solidariedade. Qualidades humanas, sem dúvida, mas de uma humanidade que ainda não se expressa pelas suas virtudes mínimas, perdida ainda em seu próprio hedonismo irresponsável.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Sim, eu posso (me alfabetizar)
Não adianta reinventar a roda. Por mais que o tempo passe e reviravoltas de toda ordem modulem os ritmos civilizatórios do planeta, a educação continuará sendo a solução das soluções: o remédio mais eficaz, consistente e regenerador para os descalabros que assistimos nos quadrantes de um mundo que ainda abriga (pasmem) 774 milhões de adultos analfabetos, conforme o artigo abaixo noticia. O Brasil, diga-se de passagem, continua escorregando feio nesse quesito, e não é por falta de soluções disponíveis. Este inovador método cubano, altamente reconhecido e premiado pela Unesco, está multiplicando a dignidade social e o sabor cultural pela vida de vários países da América Latina. Seguindo-se a Cuba e Venezuela, Bolívia se tornou, no finalzinho de 2008, o terceiro país da região curado da chaga do analfabetismo. Parabéns ao protagonismo educativo e ao compromisso humanitário de Cuba!
SIM, EU POSSO
Por Iran Barbosa - 25/11/08
FONTE: http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=72146&Itemid=201
Cuba sempre foi exemplo de solidariedade. A ajuda humanitária que presta a outros países nas áreas de saúde, educação, programas de cooperação energética e esporte, segue a linha do herói cubano Jose Martí: Pátria é Humanidade. E que Pátria mais humana tem sido Cuba!
Entre tantas ações humanitárias cabe destacar o método cubano de alfabetização de jovens e adultos "Yo sí, puedo!" (Sim, eu posso!), elaborado pelo Instituto Pedagógico Latino-americano y Caribeño (Iplac), de Cuba, com a finalidade de erradicar o analfabetismo da América Latina e que ganhou da UNESCO, em 2002, 2003 e 2006, o prêmio Rey Sejong. Esse prêmio foi instituído pela UNESCO em 1989 em prol da erradicação do analfabetismo no mundo.
O prêmio foi entregue a Cuba pelo "seu esforço em fazer progredir as possibilidades individuais das pessoas e o potencial da sociedade graças a método de ensino inovador utilizado com êxito em mais de 15 países, entre eles Equador e Venezuela".
O método lançado em 2002, no Haiti, está disponível em português, inglês, francês e espanhol e é adaptado às características sociais, culturais e lingüísticas de cada país, com base num estudo local da realidade social, econômica e cultural.
A proposta metodológica do Sim, eu posso! é constituída de encontros presenciais, em que o processo de ensino-aprendizagem é mediado pela utilização de tecnologias, como aparelhos de TV e vídeo. São 17 fitas, com 65 vídeo-aulas de 30 minutos cada que totalizam 32,5 horas de gravação. Em média são necessários 3 meses para o processo de alfabetização.
No caso do Brasil, todas as 65 vídeo-aulas (disponíveis em VHS e DVD) foram gravadas em português com atores brasileiros, entre eles Chico Diaz, o Átila, da novela A Favorita.
A aprendizagem ocorre pela correspondência entre números e letras, e acontece em três fases: exercícios de coordenação motora, ensino de leitura-escrita e consolidação. Também são utilizados vídeos metodológicos que orientam os monitores, sempre presentes, a conduzir o encontro para que os alfabetizandos aprendam com mais facilidade.
O método é baseado no amplo conhecimento prévio que as pessoas têm dos números, apesar de não saberem ler. A ligação entre número e letra constitui-se em elemento motivador e facilitador da aprendizagem em um curto espaço de tempo.
Outro facilitador do aprendizado é a utilização da multimídia, um eficaz recurso para garantir a percepção e o acúmulo de conhecimento. Isso porque os recursos multimídia estimulam mais sentidos que as simples mídias. A partir do momento em que a pessoa é estimulada em mais de um sentido, a capacidade de processamento e armazenamento das informações aumentam consideravelmente.
Paulo Freire, ao trabalhar materiais audiovisuais como slides, gravuras, foi um dos pioneiros na utilização da linguagem multimídia na alfabetização de adultos. A proposta pedagógica de Paulo Freire, segundo a qual o alfabetizando deve conhecer o texto e o contexto, em um processo dialético, manifesta-se no Sim, eu posso!.
Para os/as alfabetizandos/as, o método cubano é como uma telenovela, que os estimula a assistirem às aulas e retornarem no dia seguinte para assistirem ao "próximo capítulo".
Por ser uma eficaz, rápida e atrativa ferramenta para a alfabetização de jovens e adultos, o Sim, eu posso! está contribuindo, em diversos países, para alcançar, até 2015, uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos.
Esse é um dos seis objetivos do chamado "Compromisso de Dacar", fruto do Fórum de Educação para Todos, realizado em Dacar, Senegal, em 2000, com a participação de 164 países, entre eles o Brasil.
A Venezuela é um bom exemplo da eficácia do método, graças à utilização do Sim, eu posso! e ao esforço do Presidente Chavez e sua equipe, o país atingiu a meta da agenda de Educação para Todos (EPT), relativa à alfabetização de adultos, com 10 anos de antecedência.
Em 2003, a Venezuela tinha 1,5 milhões de analfabetos, em 28 de outubro de 2005, Nicolas Maduro, então Presidente do Congresso, na presença da representante da Unesco, María Luisa Jáuregui, assinou um Ato Congressional, declarando o país Território Livre de Analfabetismo.
Segundo o Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos 2008, publicado anualmente pela UNESCO, há no mundo 774 milhões de adultos analfabetos, três quartos desses analfabetos concentram-se em 15 países, entre eles o Brasil.
Ainda conforme o Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos 2008, as projeções das taxas de alfabetização de adultos, apesar de não serem elaboradas com dados muito atuais (os dados para a projeção 2015 da taxa de alfabetização do Brasil são relativos a 2004 e, no caso da Venezuela, ao Censo de 2001), colocam o Brasil no grupo de países em risco de não alcançar, até 2015, o objetivo 4 – alfabetização de adultos.
Conforme a última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – PNAD, o país permanecia, em 2007, com uma taxa de analfabetismo de jovens e adultos de dois dígitos – 10%. A redução em relação a 2006 foi de apenas 0,4%.
O PNAD também ressalta as desigualdades regionais. No Nordeste a taxa de analfabetismo é o dobro da média nacional, enquanto na Região Sul cai para 5,4%.
Além das desigualdades regionais existe uma distância enorme entre o meio urbano e rural e entre a população em geral e determinados segmentos sociais.
No caso específico dos pescadores/as artesanais, conforme dados do Sistema de Acompanhamento Estatístico-Gerencial do Seguro Desemprego/MTE, a taxa de analfabetismo chega a 42,96%.
O Brasil tem um grande desafio pela frente e sem dúvida a utilização do Sim, eu posso! pode contribuir muito para a redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos, principalmente entre segmentos como o de pescadores, onde o método pode ser aplicado durante o período de defeso, que dura em média 4 meses, ajudando assim a reduzir a taxa de analfabetismo entre a categoria.
*Iran Barbosa é deputado federal (PT-SE), titular da Comissão de Educação e Cultura da Câmara e professor.
SIM, EU POSSO
Por Iran Barbosa - 25/11/08
FONTE: http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=72146&Itemid=201
Cuba sempre foi exemplo de solidariedade. A ajuda humanitária que presta a outros países nas áreas de saúde, educação, programas de cooperação energética e esporte, segue a linha do herói cubano Jose Martí: Pátria é Humanidade. E que Pátria mais humana tem sido Cuba!
Entre tantas ações humanitárias cabe destacar o método cubano de alfabetização de jovens e adultos "Yo sí, puedo!" (Sim, eu posso!), elaborado pelo Instituto Pedagógico Latino-americano y Caribeño (Iplac), de Cuba, com a finalidade de erradicar o analfabetismo da América Latina e que ganhou da UNESCO, em 2002, 2003 e 2006, o prêmio Rey Sejong. Esse prêmio foi instituído pela UNESCO em 1989 em prol da erradicação do analfabetismo no mundo.
O prêmio foi entregue a Cuba pelo "seu esforço em fazer progredir as possibilidades individuais das pessoas e o potencial da sociedade graças a método de ensino inovador utilizado com êxito em mais de 15 países, entre eles Equador e Venezuela".
O método lançado em 2002, no Haiti, está disponível em português, inglês, francês e espanhol e é adaptado às características sociais, culturais e lingüísticas de cada país, com base num estudo local da realidade social, econômica e cultural.
A proposta metodológica do Sim, eu posso! é constituída de encontros presenciais, em que o processo de ensino-aprendizagem é mediado pela utilização de tecnologias, como aparelhos de TV e vídeo. São 17 fitas, com 65 vídeo-aulas de 30 minutos cada que totalizam 32,5 horas de gravação. Em média são necessários 3 meses para o processo de alfabetização.
No caso do Brasil, todas as 65 vídeo-aulas (disponíveis em VHS e DVD) foram gravadas em português com atores brasileiros, entre eles Chico Diaz, o Átila, da novela A Favorita.
A aprendizagem ocorre pela correspondência entre números e letras, e acontece em três fases: exercícios de coordenação motora, ensino de leitura-escrita e consolidação. Também são utilizados vídeos metodológicos que orientam os monitores, sempre presentes, a conduzir o encontro para que os alfabetizandos aprendam com mais facilidade.
O método é baseado no amplo conhecimento prévio que as pessoas têm dos números, apesar de não saberem ler. A ligação entre número e letra constitui-se em elemento motivador e facilitador da aprendizagem em um curto espaço de tempo.
Outro facilitador do aprendizado é a utilização da multimídia, um eficaz recurso para garantir a percepção e o acúmulo de conhecimento. Isso porque os recursos multimídia estimulam mais sentidos que as simples mídias. A partir do momento em que a pessoa é estimulada em mais de um sentido, a capacidade de processamento e armazenamento das informações aumentam consideravelmente.
Paulo Freire, ao trabalhar materiais audiovisuais como slides, gravuras, foi um dos pioneiros na utilização da linguagem multimídia na alfabetização de adultos. A proposta pedagógica de Paulo Freire, segundo a qual o alfabetizando deve conhecer o texto e o contexto, em um processo dialético, manifesta-se no Sim, eu posso!.
Para os/as alfabetizandos/as, o método cubano é como uma telenovela, que os estimula a assistirem às aulas e retornarem no dia seguinte para assistirem ao "próximo capítulo".
Por ser uma eficaz, rápida e atrativa ferramenta para a alfabetização de jovens e adultos, o Sim, eu posso! está contribuindo, em diversos países, para alcançar, até 2015, uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos.
Esse é um dos seis objetivos do chamado "Compromisso de Dacar", fruto do Fórum de Educação para Todos, realizado em Dacar, Senegal, em 2000, com a participação de 164 países, entre eles o Brasil.
A Venezuela é um bom exemplo da eficácia do método, graças à utilização do Sim, eu posso! e ao esforço do Presidente Chavez e sua equipe, o país atingiu a meta da agenda de Educação para Todos (EPT), relativa à alfabetização de adultos, com 10 anos de antecedência.
Em 2003, a Venezuela tinha 1,5 milhões de analfabetos, em 28 de outubro de 2005, Nicolas Maduro, então Presidente do Congresso, na presença da representante da Unesco, María Luisa Jáuregui, assinou um Ato Congressional, declarando o país Território Livre de Analfabetismo.
Segundo o Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos 2008, publicado anualmente pela UNESCO, há no mundo 774 milhões de adultos analfabetos, três quartos desses analfabetos concentram-se em 15 países, entre eles o Brasil.
Ainda conforme o Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos 2008, as projeções das taxas de alfabetização de adultos, apesar de não serem elaboradas com dados muito atuais (os dados para a projeção 2015 da taxa de alfabetização do Brasil são relativos a 2004 e, no caso da Venezuela, ao Censo de 2001), colocam o Brasil no grupo de países em risco de não alcançar, até 2015, o objetivo 4 – alfabetização de adultos.
Conforme a última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – PNAD, o país permanecia, em 2007, com uma taxa de analfabetismo de jovens e adultos de dois dígitos – 10%. A redução em relação a 2006 foi de apenas 0,4%.
O PNAD também ressalta as desigualdades regionais. No Nordeste a taxa de analfabetismo é o dobro da média nacional, enquanto na Região Sul cai para 5,4%.
Além das desigualdades regionais existe uma distância enorme entre o meio urbano e rural e entre a população em geral e determinados segmentos sociais.
No caso específico dos pescadores/as artesanais, conforme dados do Sistema de Acompanhamento Estatístico-Gerencial do Seguro Desemprego/MTE, a taxa de analfabetismo chega a 42,96%.
O Brasil tem um grande desafio pela frente e sem dúvida a utilização do Sim, eu posso! pode contribuir muito para a redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos, principalmente entre segmentos como o de pescadores, onde o método pode ser aplicado durante o período de defeso, que dura em média 4 meses, ajudando assim a reduzir a taxa de analfabetismo entre a categoria.
*Iran Barbosa é deputado federal (PT-SE), titular da Comissão de Educação e Cultura da Câmara e professor.
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