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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Por mais tolerância nos corações

Abro o noticiário na internet para ver repercussões saudáveis (quer da situação ou oposição) sobre a posse da Dilma e deparo-me com comentários "doentes", incitando o assassinato de nossa atual presidenta. Ela que inclusive enfatizou no seu discurso a união nacional, estendendo a mão a todos os políticos de qualquer sigla para erradicar a miséria, consolidar o sistema de saúde, valorizar os professores, combater o crack e tantas outras prioridades dignas de qualquer país desenvolvido ou perto de chegar lá, como o nosso.

Eis o link da triste notícia: http://www.blogcidadania.com.br/2011/01/jovens-pregam-assassinato-de-dilma-no-twitter/

Há brincadeiras que escondem os preconceitos mais funestos e ódios mais ameaçadores. Repasso essa mensagem em caráter de alerta com a convicção de que práticas (mesmo virtuais) de cunho nazista não podem ser toleradas. Sequer combinam com a tradição pacífica do Brasil e a índole igualmente serena que inspira este blog. Espero que vocês, caso tenham oportunidade, em seus ambientes educativos, conversas juvenis, debates em grupos organizados, dentre outros espaços, ajudem a comentar e refletir sobre esta grave questão.

A propósito, um dos comentaristas da referida notícia nos lembra que "Todo tipo de crime na web pode ser denunciado aqui http://www.safernet.org.br/site/ ou aqui no Ministério Público Federal http://denuncia.pf.gov.br/

Oremos pela paz a partir de nossos corações, abençoando com doses de ternura e tolerância o novo ano que desponta...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O esconde-esconde da mídia podre

A pedagogia da desgraça. É isso que a grande mídia gosta de "ensinar". Mal sabe ela que ao exacerbar o lado podre da vida, do país e das lideranças políticas identificadas com a maioria popular, esta mídia é cada vez mais atraída para o lodo de sua própria ruína.

Se o Brasil é o país do empreendedorismo e da criatividade, urge então aplicar toda sua capacidade inventiva e inovativa na exploração de canais alternativos de comunicação e estratégias democratizantes de marketing e publicidade para causas sociais - e também nacionais. A blogosfera é uma das boas saídas.

Se Lula ganhar em seguida o prêmio Nobel, a contragosto da mídia mal cheirosa, não tenham dúvida de uma coisa: os jornalistas da desinformação e os colunistas da perversão farão mil e um malabarismos para emoldurar, sufocar e exaurir o esplendor desta conquista com uma saraivada de críticas vazias, ironias ressentidas e denuncismos calculados.
Por isso volto a relançar a campanha "Folha - não dá para não rasgar"
Agora em parceria com o "Estadão - tudo contra o cidadão"
E com o patrocínio da revista "Veja - como você é bobo"
Enfim, a campanha é livre: grite pacificamente a sua!

Comentários do Blog Grito Pacífico, mudando o mundo com você


PRÊMIO DE LULA ORGULHA O PAÍS, MAS IMPRENSA ESCONDE

Por Ricardo Kotscho - 08/07/2009

http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2009/07/08/premio-de-lula-orgulha-o-pais-mas-imprensa-esconde/

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).

Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”.

Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.

Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.

Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.

Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, “o senhor assume novas responsabilidades na história”.

Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.

Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. “Ambientalistas protestam durante premiação de Lula”, foi o título da página A7 do Estadão.

O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e “reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório”.

“O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amaz}ônia tem que ser realmente preservada”, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.

“Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro”, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.

A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.

É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.

Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.

Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.

Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.

“O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.

Valeu, Lula. Parabéns!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Que tal 10 perguntinhas básicas?

Adiante 10 perguntinhas básicas muito bem postas pelo sociólogo, cientista político, escritor e blogueiro Emir Sader, num estilo que lembra a verve ímpar e antenadíssima do uruguaio Eduardo Galeano.

Tais indagações esclarecem muito mais a consciência do que a tradicional verborragia dialeticamente inútil de muitos pseudocolunistas (diplomados ou não) de plantão.

E em homenagem à primeira pergunta, vale até uma dica: vejam o link deste vídeo - http://www.youtube.com/watch?v=4mvp0x2oznw - onde Obama acerta na mosca infeliz e desnorteada da Folha de São Paulo. Quem mandou ela vender o que não é?

Pois este jornal (que faz a ponte entre a matriz ideológica norte-americana e as marionetes brasileiras da mídia comprada), ao contrário do que a publicidade linkada mostra, não tem nada de:
- CRÍTICO (a não ser tantaz vezes do povo); nem de
- PLURAL (exceto para abrandar a ditadura); e tampouco de
- INDEPENDENTE (e se por acaso o for, é antes de tudo da verdade).

Por isso, o seu slogan deveria ser:
"FOLHA - Não Dá Para Não Rasgar"

Comentários do Grito Pacífico: mudando o mundo com você!

PERGUNTINHAS

FONTE: Blog do Emir - 22/06/2009
LINK: www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=320

Perguntinhas que a gente se faz neste tempos. Façam as suas.

1. Otavio Frias é o melhor jornalista da FSP (Força Serra Presidente) e por isso é o editor chefe há mais de 20 anos? Ou é porque recebeu o cargo do seu pai, Otavio Frias, dono da empresa familiar?

2. O Senado deve investigar – a Petrobras, entre outros temas – ou deve ser investigado?

3. A Dora Kramer é uma analista política ou uma das tantas viúvas do FHC?

4. O Artur Virgilio, como sabe – pela votação ridícula que teve para prefeito de Manaus – que não vai mais ser eleito senador, o que vai fazer? Dedicar-se à Zona Franca?

4. O Gabeira, atendendo os apelos do seu palanque – coincidentemente o mesmo de Alckmin e de Serra – vai ser candidato ao governo do Rio de Janeiro? Ou tem medo de ficar sem mandato e por isso vai no certo ou provável: deputado ou senador?

5. Que outras publicações o Serra deveria financiar, comprando exemplares, para evitar sua falência e garantir seu apoio na campanha presidencial?

6. Se com todo o espaço e o tempo na imprensa contra o governo Lula, as pesquisas dão apenas 6% de rejeição ao governo, revelando baixíssima produtividade de escribas das empresas midiáticas de oposição, o que deveriam fazer os patrões: despedir a todos?

7. Serra não deveria passar diretamente a USP para a Secretaria de Segurança Pública, para facilitar o tratamento que dá às universidades?

8. Se FHC mudou a Constituição durante seu mandato, com muitas evidências que tenha comprado votos para isso, sem que a imprensa protestasse e Uribe vai para o terceiro mandato, o caso de Lula é diferente por que razão?

9. Os que insinuavam que o Adriano estava envolvido com alcoolismo, drogas ou coisas mais graves, deveriam se render às evidencias e confessar que ele de fato está mais feliz?

10. Se o crescimento da economia e dos empregos formais fizeram diminuir o déficit da previdência – razão pela qual saiu da pauta da direita -, não é esse o caminho e não cortes nos benefícios?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Um Vivo (de Cultura) na Roda (de Censura)

Como blogueiro amador e recém-twitteiro, sensibilizei-me com o relato abaixo e elaborei a crônica Perguntas que silenciam hipocrisias, visando aprofundar a relevância deste gesto, ao mesmo tempo simples e grandioso, para a construção de outras mídias; sintonizadas com os anseios sociais e coletivos do povo, e não com os interesses econômicos e pessoais das elites.

A grande maioria dos participantes e produtores do programa Roda Viva, a julgar pelo testemunho lúcido e corajoso de Eduardo, já "sacrificaram" suas consciências e deixaram "morrer" sua integridade ética pelo jornalimo sério e isento de partidarismos. O PSDB "dopou" a TV Cultura, mas não nos deixará "tontos".

DENÚNCIA: UM VIVO NA RODA

Por EDUARDO GUIMARÃES, em 19/05/2009

FONTE: http://edu.guim.blog.uol.com.br

Na última segunda-feira, participei do programa Roda Viva, da TV Cultura, que entrevistou o senador tucano pelo Paraná, Álvaro Dias. Fui convidado pela produção do programa para enviar perguntas e comentários via Twitter e chat da página da emissora na internet. Essas perguntas, feitas pelos três twitters convidados pelo programa, caíam diretamente no computador da jornalista Lia Rangel, que as repassava ao mediador, Heródoto Barbeiro.

Tive dificuldade de avaliar se valeu a pena perder uma tarde de trabalho profissional remunerado para participar graciosamente do programa. Concluí que valeu apenas por eu ter podido ver as entranhas do polêmico Roda Viva e da própria TV Cultura, que há anos vem sendo acusada de ser usada politicamente pelos governos do PSDB paulista.

Pela participação que tive no programa, penso que não valeu. Consegui ter apenas uma única pergunta emplacada, e quem a veiculou – pois a bancada de três twitters (que integrei) não tinha permissão para se manifestar verbalmente - foi o mediador. E, como se não bastasse, aquela bancada foi tratada com desprezo pela produção do programa, que nem se deu ao trabalho de apresentar as três pessoas que abriram mão de seus afazeres para estar ali.

A pergunta que fiz, e que aqueles que acompanharam o programa pelo Twitter e pelo chat puderam ler, foi a seguinte:

Senador [Álvaro Dias], por que esse ímpeto investigativo do PSDB [de se empenhar tanto para criar a CPI da Petrobrás] não se reproduz no governo Serra, que veta todas as CPIs [da oposição na Assembléia Legislativa paulista]?

O mediador do programa, Heródoto Barbeiro, recebeu minha pergunta em seu computador repassada pela jornalista Lia Rangel (alguém se lembra da participação dela nos bastidores do Roda Viva durante as entrevistas de Gilmar Mendes e de Protógenes Queiroz?). Contudo, o mediador distorceu a pergunta omitindo a menção ao governo Serra, mudando para “governos do PSDB”.

O senador tucano, autor do requerimento da CPI da Petrobrás no Senado, pôde mentir e distorcer os fatos com grande desenvoltura graças à leniência da bancada de entrevistadores, que, diante de respostas do senador como a de que não poderia falar pelos governos do PSDB nos Estados quando bloqueiam CPIs, foi poupado de maiores questionamentos.

Só vendo por dentro o Roda Viva pude verificar esse tipo de distorção, que só não foi maior talvez por que eu, de lá da segunda bancada, não podendo falar limitava-me a fazer caras e bocas e a dar sorrisos irônicos. Cheguei, em certo momento, a fazer menção de levantar e deixar o programa, mas, sob o olhar temeroso da evidentemente séria jornalista Lia Rangel, optei por ser educado e não causar tumulto.

Não foi por outra razão que, ao fim do programa, quando Lia veio até os “twiters” (eu, o filho de Wladimir Herzog e um estudante do Mackenzie) para gravar o que o programa chama de “bastidores”, a produção cortou a energia dos holofotes, das câmeras e tudo mais, de forma que aquela edição do Roda Viva ficou sem aqueles “bastidores” que são sempre apresentados pela internet.

No entanto, durante o intervalo comercial do segundo bloco do programa, Lia gravou comigo uma entrevista relâmpago sob o pedido de que eu dissesse o que estava achando. Respondi a ela que estava presenciando uma “comédia”, que o PSDB tenta sabotar o Brasil para eleger Serra e que, por isso, aquele homem que ali estava, bem como seu partido, constituíam uma ameaça ao país.

Álvaro Dias e todo o resto dos que ali estavam ouviram claramente o que eu disse, pois estávamos todos separados por poucos metros de distância num ambiente fechado e que, naquele momento, mergulhara num estrepitoso silêncio.

Para mim, ficou cristalino o uso político que os governos tucanos de São Paulo vêm dando à TV Cultura durante os últimos 15 anos. É um abuso a utilização do dinheiro dos impostos dos paulistas para manter uma emissora pública que foi colocada a serviço de um partido político, o PSDB.

Tudo aquilo de que a oposição tucano-pefelê e a mídia acusam reiteradamente a TV Brasil (de ser “tevê do Lula” e outras bobagens) vale apenas para a TV Cultura, que, por estar sendo usada ilegalmente como arma política, afirmo que está sendo gerida como se fosse de propriedade do PSDB de São Paulo. Em vez de CPI da Petrobrás, o Congresso Nacional deveria fazer uma CPI da TV Cultura.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Novelinha" da Globo é desmascarada

Telespectadores não têm cara de palhaço e não é sempre que a Rede Globo, com suas histórias malcontadas, consegue fazer o Brasil de bobo. A emissora armou uma encenação para culpabilizar o MST e tentar minar (pela enésima vez) este movimento social perante a opinião pública. Tirando as balas truculentas que atingiram alguns integrantes do MST, pode-se dizer que o "tiro" midiático da Globo saiu pela culatra. A Globo não teve a "competência" de comprar, usar e calar todos os atores dessa sua novelinha de final infeliz e motivação criminosa. Palmas para o repórter Victor Haor, cuja consciência sentiu mais fundo, falou mais alto e ficou mais leve.

(Comentários do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

CAIU A FARSA DA GLOBO SOBRE O CONFLITO COM O MST

Por MAX COSTA

FONTE: Texto circulado pela Rede 3 Setor no dia 26/04/2009 (http://br.groups.yahoo.com/group/3setor)

Desde o início, a história estava mal contada. Um novo conflito agrário no interior do Pará, em que profissionais do jornalismo teriam sido usados como escudo humano pelo MST e mantidos em cárcere privado pelo movimento, em uma propriedade rural, cujo dono dificilmente tinha seu nome revelado. Quem conhecia e acompanhava um pouco da história desse conflito sabia que isso se tratava de uma farsa. A população, por sua vez, apesar de aceitar a criminalização do MST pela mídia e criticar a ação do movimento, via que a história estava mal contada.

As perguntas principais eram: Como o cinegrafista, utilizado como escudo humano - considero aqui a expressão em seu real sentido e significados -, teria conseguido filmar todas as imagens? Como aconteceu essa troca de tiros, se as imagens mostravam apenas os "capangas" de Daniel Dantas atirando? Como as equipes de reportagem tiveram acesso à fazenda se a via principal estava bloqueada pelo MST? Por que o nome de Daniel Dantas dificilmente era citado como dono da fazenda e por que as matérias não faziam uma associação entre o proprietário da fazenda e suas rapinagens?

Para completar, o que não explicavam e escondiam da população: as equipes de reportagem foram para a fazenda a convite dos proprietários e com alguns custos bancados - inclusive tendo sido transportados em uma aeronave de Daniel Dantas - como se fossem fazer aquelas típicas matérias recomendadas, tão comum em revistas de turismo, decoração, moda e Cia (isso sem falar na Veja e congêneres).

Além disso, por que a mídia considerava cárcere privado o bloqueio de uma via? E por que o bloqueio dessa via não foi impedimento para a entrada dos jornalistas e agora teria passado a ser para a saída dos mesmos? Quer dizer então que, quando bloqueamos uma via em protesto, estamos colocando em cárcere privado, os milhares de transeuntes que teriam que passar pela mesma e que ficam horas nos engarrafamentos que causamos com nossos legítimos protestos?

Pois bem, as dúvidas eram muitas. Não apenas para quem tem contato com a militância social, mas para a população em geral, que embora alguns concordassem nas críticas da mídia ao MST, viam que a história estava mal contada. Agora, porém, essa história mal contada começa a ruir e a farsa começa a aparecer. Na tarde de ontem, o repórter da TV Liberal, afiliada da TV Globo, Victor Haor, depôs ao delegado de Polícia de Interior do Estado do Pará. Em seu depoimento, negou que os profissionais do jornalismo tenham sido usados como escudo humano pelos sem-terra, bem como desmentiu a versão - propagada pela Liberal, Globo e Cia. - de que teriam ficado em cárcere privado.

Está de parabéns o repórter - um trabalhador que foi obrigado a cumprir uma pauta recomendada, mas que não aceitou mais compactuar com essa farsa. Talvez tenha lhe voltado à mente o horror presenciado pela repórter Marisa Romão, que em 1996 foi testemunha ocular do Massacre de Eldorado dos Carajás e não aceitou participar da farsa montada pelos latifundiários e por Almir Gabriel, vivendo desde então sob ameaças de morte.

A consciência deve ter pesado, ou o peso de um falso testemunho deva ter influenciado. O certo é que Haor não aceitou participar até o fim de uma pauta encomendada, tal quais os milhares de crimes que são encomendados no interior do Pará. Uma pauta que mostra a pistolagem eletrônica praticada por alguns veículos de comunicação e que temos o dever de denunciar.

MAX COSTA

Jornalista/Belém

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bate-boca no STF ecoa insatisfação...

Juntei aqui no blog três notícias sobre o recente mal-estar do STF (Supremo Tribunal Federal) que chocou a opinião pública. A primeira matéria sintetiza a discussão. A segunda expressa uma reação amenizadora dos ministros que testemunharam o incidente. A terceira ilustra posicionamentos distintos de senadores sobre o caso em tela.

Venho comunicar que não sou um dos 8 ministros que, por cordialidade protocolar, apoiou o ministro Gilmar Mendes. Porém, de forma mil vezes mais soberana e legítima, estou (estamos) entre os (prováveis) 180 milhões de brasileiros e brasileiras que, por almejarem um mundo melhor, reivindicam conseqüentemente um país mais justo; e isso passa pela sensibilização e renovação ética do STF (Supremo Tribunal Federal).

Utilizemos nossas listas de contatos e espaços comunicativos para propagar essa corrente em prol da moralidade e integridade na Justiça, de forma a aplaudir e respaldar o exemplo de firmeza manifestado pelo ministro Joaquim Barbosa, ao externar uma insatisfação que estava há muito engasgada na consciência agredida dos cidadãos de nosso querido Brasil, ainda tão injusto em matéria de justiça.

FAVOR REENCAMINHAR ESSA POSTAGEM PARA PELO MENOS OITO PESSOAS, A FIM DE QUE ESSA ONDA MOBILIZADORA RAPIDAMENTE SE MULTIPLIQUE...

( Eco extraordinário do Grito Pacífico, mudando o mundo com você )

MINISTROS DO STF BATEM BOCA; BARBOSA DIZ QUE MENDES DESTRÓI CREDIBILIDADE DA JUSTIÇA

FONTE: por Gabriela Guerreiro, da Folha Online - 22/04/2009
LINK: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u554762.shtml (com o vídeo da discussão)

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa bateram boca nesta quarta-feira no plenário do tribunal. Barbosa acusou o presidente da Corte de estar "destruindo a credibilidade da Justiça brasileira" durante o julgamento de duas ações --referentes ao pagamento de previdência a servidores do Paraná e à prerrogativa de foro privilegiado. Veja o vídeo da discussão. [no link informado]

"Vossa excelência me respeite. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim. Saia à rua, ministro Gilmar. Faça o que eu faço", afirmou Barbosa.

Em resposta, Mendes disse que "está na rua". Barbosa, por sua vez, voltou a atacar o presidente do STF. "Vossa Excelência não está na rua, está na mídia destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro."

Irritado, Mendes também pediu "respeito" a Barbosa. "Vossa Excelência me respeite", afirmou. "Eu digo a mesma coisa", respondeu o ministro.

Os ministros Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello atuaram como "bombeiros" para tentar encerrar o bate boca. "A discussão está descambando para um campo que não coaduna com a disciplina do Supremo", disse Marco Aurélio ao pedir o encerramento da sessão.

Barbosa chegou a afirmar que Mendes não estava falando com os seus "capangas de Mato Grosso". O ministro disse que decidiu reagir depois que Mendes tomou decisões incorretas sobre os dois processos analisados pela Corte.

"É uma intervenção normal regular. A reação brutal, como sempre, veio de Vossa Excelência. Eu simplesmente chamei a atenção da Corte para as conseqüências dessa decisão", afirmou Barbosa.

Mas Mendes reagiu: "Não, não. Vossa Excelência disse que faltei aos fatos. Não é verdade."

Em tom irônico, o Barbosa disse que o presidente do STF agiu com a sua tradicional "gentileza" e "lhaneza". Mendes reagiu ao afirmar que Barbosa é quem deu "lição de lhaneza (afabilidade)" ao tribunal. "Vamos encerrar a sessão", disse Mendes para encerrar o bate-boca.

A discussão ocorreu enquanto o plenário do STF analisava dois recursos apresentados ao tribunal contra leis julgadas inconstitucionais pela Corte. Uma das ações questiona a lei que criou o Sistema de Seguridade Funcional do Paraná, em 1999. O segundo recurso questiona lei, considerada inconstitucional pelo STF, que definiu que processos contra autoridades com foro privilegiado continuam sob análise do tribunal mesmo após o réu não estar mais na vida política.

Após o fim da sessão, os ministros se reuniram para discutir o episódio.

LEIA ÍNTEGRA DA NOTA DE APOIO DOS MINISTROS DO STF A GILMAR MENDES
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FONTE: Folha Online - 23/04/2009
LINK: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u555039.shtml

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) divulgaram nesta quarta-feira nota oficial para reafirmar a confiança no presidente da Corte, Gilmar Mendes, que hoje trocou ofensas com o ministro Joaquim Barbosa no plenário do tribunal. A nota é assinada por oito dos 11 ministros do STF, uma vez que Barbosa e o próprio Mendes não subscrevem o comunicado. A ministra Ellen Gracie também não assinou o texto porque está fora de Brasília, em viagem ao exterior.

Gilmar Mendes nega crise institucional no STF e diz que bate-boca está superado
Blog do Josias: Bate-boca de ministros abre crise inédita no STF

Leia abaixo a íntegra da nota de apoio dos ministros do STF a Gilmar Mendes:

"Os ministros do Supremo Tribunal Federal que subscrevem esta nota, reunidos após a sessão plenária de 22 de abril de 2009, reafirmam a confiança e o respeito ao senhor ministro Gilmar Mendes na sua atuação institucional como presidente do Supremo, lamentando o episódio ocorrido nesta data."

A nota é assinada pelos ministros: Celso de Mello, Marco Aurélio, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Menezes Direito.

SENADORES CRITICAM BATE-BOCA NO STF E SE DIVIDEM EM APOIO A MENDES E BARBOSA

FONTE: por Gabriela Guerreiro, da Folha Online - 23/04/2009
LINK: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u555269.shtml

Senadores criticaram nesta quinta-feira o bate-boca entre o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa. Parlamentares da base aliada governista e da oposição se mostraram surpresos com o bate-boca que suspendeu as atividades da Corte previstas para hoje. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) cobrou "respeito" dos integrantes do STF.

"Todos nós nos preocupamos com a forma como se conduziu ontem o áspero diálogo entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Será importante que os ministros do Supremo Tribunal Federal, mesmo quando em desacordo, possam refletir e tratarem-se todos com o respeito que caracterize o Supremo Tribunal Federal", afirmou.

Os senadores José Nery (PSOL-PA) e Paulo Paim (PT-RS) manifestaram solidariedade a Barbosa. Nery afirmou que o ministro "teve a felicidade de dizer o que muitos brasileiros gostariam de ter tido" ao acusar Mendes de arranhar a imagem do Judiciário.

"Ele mandou libertar duas vezes o banqueiro Daniel Dantas, com agilidade assombrosa. Recriminou e pediu punição contra o Juiz Federal Fausto De Sanctis e reforçou as acusações contra o delegado Protógenes Queiroz. O ministro presidente do Supremo Tribunal Federal deveria salvaguardar a nossa Constituição e deixar de apoiar o que tem de mais retrógrado na política brasileira. Ataca os movimentos sociais, ataca o Legislativo, ataca as ações da Polícia Federal, tenta intimidar governadores estaduais, tudo com grande apoio da mídia conservadora", disse Nery.

Paim, por sua vez, afirmou que o episódio comprova a necessidade do Poder Judiciário aumentar a transparência dos seus atos. "Por que o Judiciário não pode também mostrar o que acontece lá dentro, as divergências e quem é quem? Pode-se falar aqui, todos os dias, quem é o presidente do Senado, quem é o presidente da Câmara, quem é cada deputado, quem é cada senador. Mas alguém abre a caixa preta do Judiciário? Ninguém, ninguém, ninguém abre. Pela primeira vez na história eu ouvi um ministro com coragem de dizer", afirmou.

Na defesa de Mendes, o senador Valter Pereira (PMDB-MS) disse que a conduta do presidente do STF "tem sido irretocável" desde que assumiu o cargo. "O Estado democrático de direito só opera em toda a sua plenitude quando figuras másculas, que têm a função institucional do tamanho daquela que é enfeixada pelo Ministro Gilmar Mendes, pontificam", afirmou.

Irritado com a onda de denúncias que o Legislativo, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) disse que o episódio deve ser "minimizado" para que a população brasileira "não fique desacreditada" em mais um Poder. "Eu vejo com preocupação os nossos Poderes, principalmente o Legislativo e o Judiciário, serem massacrados, acredito até com intenções políticas", disse o tucano.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Repúdio à infeliz "ditabranda" da Folha

Violência não se negocia, se relativiza e se revisa. A Folha de São Paulo, em editorial recente, prestou um péssimo desserviço aos leitores. Ao atenuar as mazelas da ditadura que aterrorizou o Brasil durante 21 anos, a Folha demonstra indisfarçável cumplicidade e insensibilidade frente a este capítulo infame de nossa história política. As profundas perdas que ficaram para trás e os vestígios dolorosos que sobreviveram não autorizam qualquer concessão nessa matéria. Enquanto finalizo este comentário, o manifesto eletrônico já conseguiu reunir mais de 2600 assinaturas virtuais. A minha foi a de número 2609. Participe também! Encerro com as palavras bem felizes de outro signatário: "Ao tentar esconder o seu passado no presente, a FOLHA DE SÃO PAULO consegue, no máximo, enterrar o seu próprio futuro".

(Comentários indignados de Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

REPÚDIO À "DITABRANDA" DA FOLHA DE SÃO PAULO

FONTE: http://vermelho.org.br/base.asp?texto=51452 - 24/02/2009

Circula pela internet um manifesto [veja adiante], aberto à adesão dos interessados, de repúdio ao editorial da Folha de S. Paulo publicado na semana passada. Na ocasião, para desqualificar a vitória de Hugo Chávez num referendo democrático sobre a possibilidade da reeleição o jornal da família Frias escancarou toda a sua postura autoritária ao insinuar que o governo bolivariano seria pior do que a ditadura militar brasileira que prendeu, matou e torturou milhares de patriotas entre 1964-1984.

O asqueroso editorial chega a qualificar a ditadura brasileira de ''ditabranda''. Já em relação à Itália de Berlusconi que, com suas ''rondas de cidadãos'' e sua pretensão de que nos médicos delatem estrangeiros em situação irregular, transita perigosamente para o fascismo e a ditadura que o caracteriza, a Folha e seus notórios editorialistas calam-se significativamente. Será o fascismo também uma ''ditabranda''?

Além do repúdio, a petição também presta solidariedade à professora Maria Victoria Benevides e ao jurista Fabio Konder Comparato, os primeiros a condenarem o editorial na sessão de cartas do jornal, tendo sido insultados pela direção daquele jornal. ''Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de 'ditabranda'?'', questionou Benevides. ''O autor do vergonhoso editorial e o diretor que o aprovou deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça púbica e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada'', afirmou Comparato.

A resposta do jornal lembrou a reação de Bush, Cheney e Rumsfeld aos críticos de suas políticas terroristas. ''A Folha respeita a opinião dos leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas delas. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio às ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua 'indignação' é obviamente cínica e mentirosa''. Juntos, o editorial fascista e a resposta arrogante indicam a urgência da coleta de adesões ao manifesto de repúdio à Folha de S. Paulo.

Como afirma o documento, que já colheu mais de mil adesões, ''ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 64, os abaixo-assinados manifestam o seu mais firme e veemente repúdio a arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S. Paulo de 17 de fevereiro. Ao denominar de 'ditabranda' o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país... O estelionato semântico manifesto pelo neologismo 'ditabranda' é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964''.

CONTEÚDO DO MANIFESTO DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

FONTE: http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/index.html

Ante a viva lembranca da dura e permanente violencia desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repudio a arbitraria e inveridica revisao historica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime politico vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direcao editorial do jornal insulta e avilta a memoria dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratizacao do pais. Perseguicoes, prisoes iniquas, torturas, assassinatos, suicidios forjados e execucoes sumarias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no periodo mais longo e sombrio da historia política brasileira. O estelionato semantico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisao historica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensao das liberdades e direitos democraticos no pos-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redacao, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razoes ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrarios e irresponsaveis a atuacao desses dois combativos academicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insolitas criticas pessoais e politicas contidas na infamante nota da direcao editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fabio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Distorções sobre o Oriente Médio

A hipocrisia da grande mídia não tem limites e tampouco princípios. Embora um tanto caricatural, estas doze regras parecem ser aplicadas em muitos casos por jornalistas subordinados aos interesses elitistas do mercado, que não têm coragem de romper suas algemas e mordaças para produzirem, veicularem e analisarem notícias com maior isenção profissional, rigor intelectual, independência ideológica e fibra ética.
(Comentários do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

Doze regras infalíveis para redigir notícias sobre o Oriente Médio para os grandes meios de comunicação

AUTORIA: Texto anônimo, originalmente em francês
FONTE: Pátria Latina
LINK: http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=ae1d2c2d957a01dcb3f3b39685cdb4fa&cod=2987

1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro, e é sempre Israel que se defende. Esta defesa se chama "represália".

2) Nem os árabes nem os palestinos nem os libaneses têm o direito de matar civis. Essa prática se chama "terrorismo".

3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama "legítima defesa".

4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais moderado. Isso se chama "reação da comunidade internacional"

5) Nem os palestinos nem os libaneses têm o direito de capturar soldados israelenses dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso deve ser chamado de "seqüestro de pessoas indefesas".

6) Israel tem o direito de seqüestrar, em qualquer hora e lugar, quantos palestinos e libaneses lhe der na telha. A cifra atual está em torno de 10 mil, dos quais 300 são crianças e 1.000, mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os presos indefinidamente seqüestrados, ainda que eles sejam autoridades democraticamente eleitas pelos palestinos. A isso se chama "encarceramento de terroristas".

7) Quando se mencionar a palavra "Hezbollah", é obrigatório acrescentar na mesma frase: "apoiados e financiados pela Síria e pelo Irã".

8) Quando se mencionar "Israel", está terminantemente proibido acrescentar: "apoiados e financiados pelos Estados Unidos". Isso poderia dar a impressão de que o conflito é desigual e de que a existência de Israel não corre perigo.

9) Nas informações sobre Israel sempre é preciso evitar que apareçam as seguintes expressões: "territórios ocupados", "resoluções da ONU", "violações dos Direitos Humanos" e "Convenção de Genebra".

10) Os palestinos, assim como os libaneses, são sempre "covardes" que se escondem entre a população civil, "que não gosta deles". Se dormem na casa de suas famílias, isso tem um nome: "covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles dormem. A isso se chama "ação cirúrgica de alta precisão".

11) Os israelenses falam inglês, francês, espanhol ou português melhor que os árabes. Por isso merecem ser entrevistados com maior freqüência, e ter mais oportunidades que os árabes para explicar ao grande público as referidas regras de redação (de 1 a 10). Isso se chama "neutralidade jornalística".

12) Todas as pessoas que não concordam com as supramencionadas regras são, e assim devem ser chamadas, "terroristas antissemitas de alta periculosidade".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Brasil deveria oficializar seu repúdio a Israel

Segue um artigo corajoso, lúcido e direto que apela diretamente à consciência dos governantes e cidadãos brasileiros. A péssima notícia é que, no momento em que faço esse comentário, a contabilidade sangrenta do genocício nazi-sionista contra Gaza já está beirando a marca de 1000 vítimas, fato que duplica a urgência reivindicada pelo texto e amplia incotestavelmente sua legitimidade. Nem as alas conservadoras e subservientes têm o direito de fazer vista grossa frente à esta barbárie. Os discursos vagos devem ser convertidos em atitudes concretas. O Brasil já não é mais tão capacho dos EUA como antigamente. Chegou a hora dos parlamentares, intelectuais e forças progressistas de nosso país repudiarem diplomaticamente a arrogância cínica e criminosa de Israel. Como as palavras abaixo deixam claro: a questão não é ser cúmplice do Hamas; o que não se pode admitir é ver o extermínio de um povo de camarote, como se o terrorismo de Estado perpetrado tivesse lugar em outro planeta.

(Comentários indignados do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

PELO IMEDIATO ROMPIMENTO COM ISRAEL!

Por Maurício Thuswohl

FONTE: Agência Carta Maior - 07/01/2009
LINK: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4069&boletim_id=513&componente_id=8910

“Muitas crianças palestinas estão morrendo e quase nenhuma criança israelense foi morta. Por quê? Porque nós cuidamos das nossas crianças.” (Shimon Peres, presidente de Israel, em 6 de janeiro de 2009)

De acordo com os dados divulgados periodicamente pela ONG internacional Save the Children, foi ultrapassada na terça-feira (6) a marca de 100 crianças palestinas assassinadas desde o início da última onda de agressões perpetrada por Israel. No mesmo dia, ataques aéreos israelenses destruíram três escolas da ONU na Faixa de Gaza, deixando cerca de 30 mortos. Horas antes, uma bomba caiu sobre uma casa onde cerca de 20 jovens recebiam de dois militantes dos Hamas treinamento de primeiros-socorros para ajudarem parte das milhares de vítimas palestinas. Não houve sobrevivente.

Ocorridos num único dia de combate, em meio aos milhares de episódios estarrecedores vividos em Gaza na última semana, esses eventos mereceram o repúdio internacional e fizeram crescer a pressão sobre o governo israelense para um cessar-fogo imediato. Respaldado pelo sólido apoio político e diplomático dos Estados Unidos, no entanto, os falcões-de-guerra israelenses, até o momento em que escrevo estas linhas, admitiram apenas a abertura de um “corredor humanitário” durante três horas por dia para que comida e medicamentos finalmente cheguem aos palestinos.

Face à impotência do Conselho de Segurança da ONU e ao bloqueio das discussões exercido pelos EUA, a tentativa de costura de uma solução que leve ao fim imediato das hostilidades sobrou para a União Européia. Capitaneados pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, os esforços europeus, no entanto, têm encontrado maior eco junto aos países árabes, Egito à frente, do que propriamente junto a Israel, que, como faz nos últimos 60 anos, mantém postura de arrogância e desprezo em relação à via diplomática multilateral.

Os países árabes, por sua vez, também repetem o velho cenário que se divide entre os regimes aliados dos Estados Unidos, liderados pela Arábia Saudita, e os regimes inimigos declarados ou velados de Israel, como Síria e Jordânia, entre outros. A história ensina que, na hora em que Israel resolve atacar com A maiúsculo, nenhum dos dois lados da elite árabe costuma mover uma palha em favor de palestinos, libaneses ou quem quer que seja.

Qual papel deve assumir o Brasil, postulante a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, diante dessa paralisia? O melhor e mais corajoso caminho a ser seguido é o imediato rompimento de relações diplomáticas com o governo assassino de Israel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem diante de si a oportunidade de fazer valer todo o capital político acumulado no cenário internacional ao longo dos últimos seis anos e indicar claramente que a construção de um novo patamar de entendimento entre as nações, desejo manifesto de seu governo, não mais tolerará demonstrações unilaterais e desproporcionais de força militar.

É possível romper relações com Israel sem declarar apoio ao Hamas ou abandonar a posição neutra em relação ao conflito palestino-israelense. O que não dá mais é para assistir calado ao extermínio de um povo. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como bem demonstrou o governo da Venezuela. No mesmo dia em que foi ultrapassada a marca de 100 crianças palestinas mortas, o presidente Hugo Chávez declarou o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países e expulsou de Caracas o embaixador de Israel. Para justificar seu ato, Chávez afirmou que “Israel está promovendo um holocausto na Faixa de Gaza”.

Seguir o mesmo caminho da Venezuela consolidaria o papel político de liderança entre os países emergente exercido pelo Brasil no cenário diplomático internacional. Significaria também, mesmo que isso traga pouca conseqüência prática e imediata para quem está recebendo bomba na cabeça, um importante gesto de solidariedade do “mundo real” face ao martírio do povo palestino. Lula, se tomar essa atitude corajosa, mais uma vez colocará a política externa de seu governo a serviço da construção de um mundo menos injusto.

A simpatia do presidente brasileiro pela causa palestina não é segredo para ninguém. Em entrevista ao jornal Valor publicada na segunda-feira (5), o assessor especial de Política Externa da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, classificou a ofensiva israelense em Gaza como “terrorismo de Estado”. Em nota assinada por seu presidente, Ricardo Berzoini, o PT também condenou a ofensiva israelense e rechaçou o argumento de “autodefesa” utilizado por Israel. O rompimento temporário com Israel nas atuais circunstâncias seria, portanto, um caminho natural e coerente para o governo Lula.

Maurício Thuswohl é jornalista.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ATENTADO: Contra a Educação

Posto aqui um protesto justíssimo que recebi por e-mail contra a truculência midiática da Veja, que deveria se chamar Não Veja, por sua capacidade - talvez insuperável entre as revistas nacionais - de envenenar e difamar conteúdos, pessoas e ideais, cuja chama de amor projeta luzes sem fim no horizonte do universo. Até meu rosto se molhou e meu óculos embaçou diante deste ataque descarado aos princípios mais elevados e libertadores de quem tantou se empenhou em mudar o mundo e nos alfabetizar para a cidadadia através da educação. Viva Paulo Freire.

VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem 'O que estão ensinando a ele?', De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, baseada em pesquisa sobre a qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:
'Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização'

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

'Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE - e um dos maiores de toda a história da humanidade -, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo que a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado , contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do 'filósofo' e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos.

Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu 'Norte' e 'Bíblia'. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso País, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire'.