quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Enquanto Palestina sangra, o mundo dorme

Meu blog precisou redigir e acrescentar mais uma postagem este ano, infelizmente para denunciar uma violência sem fim imune a qualquer explicação sensata.
(Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

Enquanto Palestina sangra, o mundo dorme

Palestina está revivendo acordada os piores pesadelos de um mundo sonolento e omisso.

Enquanto a imensa maioria verá alegremente fogos de artifício no céu durante a passagem do ano, a população civil de Gaza, incluindo crianças inocentes e mulheres indefesas, verá rajadas de mísseis sangrando os horizontes de suas vistas, de suas esperanças ou até de seus lares. A estratégia belicista de Israel começou há vários meses, buscando minar e fragilizar ao máximo a infra-estrutura, a economia e os programas de ajuda humanitária dirigidos a Gaza.

Só podia ser piada de final de ano: ao noticiar a escalada brutal da violência neste conflito, depois de atualizar corriqueiramente os ouvintes das incontáveis baixas palestinas, o apresentador pareceu frisar solenemente que “quatro cidadãos israelenses” também haviam sido mortos, demonstrando no tom da abordagem um constrangimento sutilmente maior, como se a vida de uma pessoa da Palestina valesse dez ou cem vezes menos do que alguém de Israel.

Muitos judeus oprimidos no passado se tornaram declaradamente opressores, como se o racismo genocida nazista tivesse reencarnado e recrudescido em Tel Aviv. Com penosos agravantes: uma ONU ajoelhada perante o veto arrogante dos EUA, uma mídia explicitamente tendenciosa e uma comunidade internacional complacente. De cada dez chefes de Estado que condenam os ataques de Israel, alguns setores da impressa escolhem a dedo os três discursos mais dóceis.

Mas é claro que todo mundo irá se mexer. Talvez quando a cifra palestina ganhar um quarto algarismo, superando as mil vítimas. O engraçado é que, para tentar salvar as montadoras norte-americanas da crise neoliberal, Obama não se faz de rogado e move todas as palhas que está a seu alcance. Agora, chamado a se posicionar com mais atitude frente ao extermínio de Gaza, ele prefere jogar golfe, limitando-se a dizer que ainda não assumiu o governo dos EUA.

Haja remédios e gazes para aliviar as dores e feridas de Gaza. Viver nesta região, tão abençoada pelas heranças cristãs, é como comprar a passagem antecipada para o inferno. Os povos de lá não precisam assistir filmes de guerra, pois Israel já os contratou para as cenas reais do abate. A comida palestina tem gosto de pólvora, temperada pelos estilhaços que por um triz não explodiram mais uma localidade civil, sitiada e novamente ameaçada como tantas outras.

Palestina está revivendo acordada os piores pesadelos de um mundo sonolento e omisso.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

POESIA ESPECIAL: Paradigmas da Esperança


PARADIGMAS DA ESPERANÇA

Ei, olha ali outro mendigo...
Tropeçamos em suas feridas,
Mas ninguém lhes dá abrigo
Nem recupera as suas vidas.

As universidades pipocam em cada esquina.
Os mercados tangem rebanhos qualificados,
Mas descartam as prostitutas e os drogados,
Deixando o narcotráfico aprontar na surdina.

O brilho estressado do Sol chega cansado.
Beija-flores engolem espinhos de fumaça.
A precavida natureza segue dando recado:
A civilização globalizada está sob ameaça.

Enquanto alguns desfilam com seu carro,
Outros passeiam a pé em galpões de lixo.
Não é questão de inveja, não se trata disso;
É o Ensaio sobre a Cegueira, diz Saramago.

A ambição envenena a razão.
A competição murcha o coração.
O egoísmo esvazia a sensibilidade.
O pessimismo bloqueia a humanidade.

Os EUA socializam as suas crises,
Que tentam entupir nossos narizes.
Prece neoliberal, por que não te calas?
Quantos países caíram em tuas valas?

Santo Deus, aonde foi parar a mensagem
De Maomé, Buda, Lao-Tsé, Kardec, Jesus?
A evolução espiritual ainda dista há anos luz!
Sem a ciência vital do amor, tudo é miragem!

***** **** *** **** *****

Um dia aprenderemos a ser humanos,
A miséria será abundantemente extinta
E nunca mais exibiremos nestes planos
Quadros com cicatriz de sangue na tinta.

Jamais pense que você é incapaz.
Saiba que ninguém sonha sozinho,
Pois cada sorriso deixado para trás
Amontoará de pedras seu caminho.
Se a televisão é inimiga da cidadania,
A internet desponta como forte aliada
Para movimentar essa platéia travada
E detonar manifestações de rebeldia.

Os negros, herdeiros da Mãe África,
Necessitam reafirmar sua gramática.

Os índios, ancestrais por excelência,
São dignos da mais gloriosa decência.

As crianças merecem brincar de verdade
E não se vestirem de adultos pela metade.

Os idosos merecem mais valor e respeito
Por tudo que já viveram e ainda têm feito.

As mulheres, misto de força e delicadeza,
Devem ser amadas em toda sua grandeza.

Os portadores de deficiência ou patologias
Detêm o direito de redescobrir a luz do dia.

A esfera política tem que ser fiscalizada!
Sociedade civil, nunca seja massa servil
Virada de costas para o futuro do Brasil!
Nenhuma corrupção deve ser absolvida!

América Latina, assume tua pujante vocação
Como potência regional em franca ascensão!
Teus solos sofridos já não são mais o quintal
Das orgias estrangeiras e voláteis do capital!

***** **** *** **** *****

Enquanto houver vida, haverá poesia;
Enquanto houver poesia, haverá magia;
Enquanto houver magia, haverá utopia;
Enquanto houver utopia, haverá alegria.

O tempo é generoso e acolhe mil sonhos.
Idealismo não é mero delírio de juventude.
Eu não admitirei lágrimas em meu ataúde.
Favor ler meu epitáfio com lábios risonhos.

Papai Noel se despediu do Natal
E agora inventou de pular Carnaval,
Mas deixou outro verso para a gente:
A tua esperança é meu maior presente!

( POETA DO SOCIAL )

Em Homenagem ao Natal de 2008 e ao Ano Novo de 2009

(de Fortaleza-Ceará para o Brasil-Mundo)

Sapatadas na Consciência


Segue a última postagem textual de meu blog em 2008, em tom de retrospectiva política pontuada pelo convite aos Paradigmas da Esperança.
(Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

SAPATADAS NA CONSCIÊNCIA

Olho para a Europa e vejo o passado. Olho para a América Latina e vejo o futuro. Os ventos estão soprando a favor de países emergentes como o Brasil. A brisa progressista da mudança está convidando nosso povo a sentir mais orgulho de si mesmo e de seu país. Esse sentimento, no meu olhar jovial da história, foi antecedido por três estágios.

A década de 80 vibrou com a transição democrática que abateu o monstro repressivo da ditadura. A chamada Constituição Cidadã de 1988 foi o estopim da vontade de reconstruirmos uma nação mais livre, madura e plural, disposta a reconhecer legalmente lutas históricas encampadas pela sociedade civil organizada e seus movimentos sociais. Eu tinha apenas 8 anos quando isso aconteceu. Tais luzes pareciam anunciar uma nova era.

Infelizmente, o fardo elitista de arrogância continuou infiltrado na política brasileira, cujas engrenagens do poder não se mostraram em nada simpáticas aos anseios populares expressos em reivindicações ligadas a reforma agrária, educação pública e democratização da mídia. Um sociólogo ideologicamente de araque, em oito anos de conservadorismo burguês, deixou tristes marcas: privatizou nossas esperanças, aprofundou nossas desigualdades e retardou nosso desenvolvimento. O desgoverno desse ex-presidente foi ótimo para as multinacionais estrangeiras, mas péssimo para muitas empresas domésticas.

Em 2002, uma espécie de “Barack Obama brasileiro”, forjado nas lides sindicais, foi eleito por uma multidão desiludida com os rumos da pátria. Mesmo sem erudição intelectual (tão sofisticada quanto inútil), suficientemente espontâneo e seguro a ponto de dar declarações informais a exemplo do “sifú” (para a alegria estúpida dos guardiões do vernáculo polido), buscou recuperar um pouco da auto-estima coletiva, do respeito internacional, da dignidade social, da prosperidade econômica e da memória histórica de nosso país. Não é à toa que sua popularidade atingiu, bem recentemente, recordes olímpicos de aprovação.

Claro que há defeitos e os principais deles, na minha visão pessoal, residem no excesso de paciência frente aos interesses bancários, às manipulações midiáticas e às conivências judiciárias que, respectivamente, oprimem nossas finanças, deturpam nossa comunicação e anulam nossa justiça. São embates que precisariam ser travados.

A boa notícia é que, nos últimos tempos, após rasgar as mordaças costuradas pela mídia oficial, venho tentando pensar com meus botões e me manifestar sem censura pelas vias da blogosfera. Ou seja, naquela época de 88, a rede Globo podia nos fazer de bobo, muito mais facilmente. Agora, levando-se em conta as benesses da globalização consubstanciadas na difusão da internet, podemos buscar - e até veicular - a informação que queremos.

Pois bem, o Brasil vive um momento ímpar em sua trajetória, pois temos a oportunidade, como dizia Mahatma Ghandi, de ser a mudança que queremos ver no mundo. Eu não tenho a menor dúvida do primeiro passo que devemos empreender, mas antes de revelá-lo cabe um alerta: é preciso deixar as picuinhas academicistas de lado e resistir aos debates marxistas, freudianos ou nietzscheanos das estéreis mesas de bar.

Nossa missão nunca foi tão clara e decisiva para o destino sustentável de nossas vidas: precisamos terminar de enterrar o atentado mais terrorista que já se institucionalizou em nossa civilização (pelo menos dentro da minha idade de quase 29 anos). Esse atentado à vida, ao amor, à justiça, à liberdade, à paz, atende pelo desgraçado nome de neoliberalismo. Aposto que se você tiver a idéia de apelidar seu cachorro, seu papagaio, seu hamster, com este maldito nome, “si-fú...”, pobres animaizinhos, eles se matariam de tanto desgosto.

Tampouco será alguém lá de cima do nosso continente, mesmo que seja afro-descendente e banque a pose de super-herói hollywoodiano, que nos salvará sozinho de qualquer catástrofe. Ademais, as peças do tabuleiro geopolítico andam meio deslocadas. Os EUA, juntamente com seus amigos europeus e seu colega japonês, estão colhendo o que plantaram. O protagonismo mundial rumo à transição para outro paradigma, portador de um novo modelo político-econômico, irmanado com os desafios sócio-ambientais do século XXI, está agora na mão dos países emergentes: Brasil, Índia, Rússia e, sobretudo, China.

Convém acrescentar que essa opção, ao ser abraçada sem vacilação, envolve dimensões altamente profundas, que vão desde o revigoramento crítico de linguagens culturais e artísticas como a música, a literatura e o cinema até a ressignificação holística e ecumênica dos valores espirituais e filosóficos que dão sentido à existência, passando radicalmente pela humanização e reintegração sistêmica dos saberes científicos e práticas institucionais que fundamentam a formação intelectual e condicionam a atuação profissional.

Conceitos como lucro, individualismo e competição precisam ser urgentemente revistos, antes que a natureza exploda e a humanidade vire pó. É um absurdo abominável aceitarmos que salários de mega-especuladores financeiros superem com folga o PIB conjunto de pequenos países africanos. Meu Deus, quando seremos verdadeiramente humanos?

Vocês já imaginaram em quantas vezes os faturamentos da indústria armamentista superam os investimentos da política alimentícia??? Não queiram saber, pois senão vocês teriam todo o direito de jogar mil sapatadas em nossa consciência, até o glorioso dia em que a gente acordar da anestesia social e se negar a deixar alguém agonizar fora de um lar.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Mensagem: O BOSQUE

Recebi no dia 26/10/2008 essa bela mensagem de uma colega. Estava esperando a mensagem criar raízes mais sólidas para divulgá-la com mais vigor em meu blog. Seu conteúdo tem tudo a ver com os desafios trazidos por um novo ano.
(Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

O BOSQUE

POR ROBERTO ROMANELLI MAIA

Tempos atrás eu observei quando estudava no exterior que numa casa onde passava diariamente eram plantadas, por um senhor de meia idade, novas árvores no seu enorme quintal.

Às vezes, eu parava para ver o esforço desse senhor para plantar árvores e mais árvores, todos os dias. E o que mais chamava a atenção, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que plantava pois nunca o vi usando água para tal fim.

Depois de algum tempo, passei a notar, que as suas árvores estavam demorando muito para crescer.

Por isso, certo dia, resolvi então aproximar-me do senhor e perguntei se ele não tinha receio de que as árvores não crescessem! Pois percebia que ele nunca as regava. Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria.

Disse-me que, se regasse as suas plantas, as raízes se acomodariam na superfície e ficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima. Como ele não as regava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a migrar para o fundo, em busca da água e das várias fontes nutrientes encontradas nas camadas mais inferiores do solo. Assim, segundo ele, as árvores teriam raízes profundas e seriam mais resistentes às intempéries. E durante anos essa foi a única conversa que tive com aquele senhor que faleceu três anos depois.

Muito tempo depois retornei ao meu país e passados vários anos decidi visitar novamente essa cidade e fui fazer uma visita a minha antiga universidade. E ao aproximar-me, notei um bosque que não existia antes. O meu amigo, que tanto apreciava a natureza, plantas, árvores e flores, havia realizado o seu sonho!

O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como se não estivessem resistindo ao rigor do inverno, mas ao aproximar-me da casa que tinha sido daquele senhor, notei como estavam sólidas as suas árvores. Elas praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente àquela ventania toda. Que efeito curioso, pensei eu... As adversidades pela qual aquelas árvores tinham passado, tendo sido privadas de água, pareciam tê-las beneficiado de um modo que o conforto e um tratamento mais fácil jamais conseguiriam.

E foi essa visão de uma parte do meu passado que me levou o observar melhor como a juventude de hoje têm crescido.

Por isso, freqüentemente, a questiono e penso que ela não sabe o que quer nem o que faz. Pois, na maioria das vezes, os jovens querem e pedem para que suas vidas sejam comodas e fáceis! E seus pais clamam ao céu: " Deus, livre meus filhos de todas as dificuldades e agressões desse mundo".

Quando deveriam alterar suas orações. E essa mudança teria a ver com o fato que é inevitável que os ventos gelados e fortes os atinjam e aos seus filhos. Pois eles encontrarão inúmeros problemas e, portanto, as suas orações para que as dificuldades não ocorram, são, no mínimo, ingênuas demais. Sim, sempre haverá uma tempestade, ocorrendo em algum lugar, e por isso já é hora de muitos pais mudarem as suas orações.

E farão isso porque, quer eles queiram ou não, a vida não é tão fácil como muitos acham e querem que seja. Assim, ao contrário do que fazem, regularmente, deveriam passar a orar para que os seus filhos cresçam com raízes profundas, de tal forma que possam retirar energia das melhores fontes e das mais fortes, que se encontram nos locais mais remotos.

Sim, está na hora de muitos entenderem que orar demais para se obter facilidades, não leva a lugar nenhum! Pois, na verdade, o que precisa, a maioria dos seres humanos, é desenvolver raízes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades chegarem e os ventos gelados do inverno soprarem, eles possam resistir, bravamente. Ao invés de serem subjugados e varridos para longe.

Direitos autores reservados a Roberto Romanelli Maia

POESIA ESPECIAL: Castelos de Areia

CASTELOS DE AREIA

Primeiro ameaçam o teu berço e depois o teu destino.
Primeiro interrompem teu lazer e depois tua respiração.
Primeiro roubam o teu pirulito e depois a tua esperança.
Primeiro ignoram a tua opinião e depois a tua educação.

Primeiro censuram a tua piada e depois a tua indignação.
Primeiro abreviam a tua alegria e depois a tua existência.
Primeiro assustam o teu amiguinho e depois a tua cidade.
Primeiro negam os teus direitos e depois a tua identidade.

Primeiro sacrificam o teu cachorro e depois a tua família.
Primeiro corrompem a tua inocência e depois o teu corpo.
Primeiro tomam o teu brinquedo e depois a tua cidadania.
Primeiro ignoram tua alimentação e depois o teu emprego.

Primeiro destroem os teus heróis e depois os teus valores.
Primeiro derrubam o teu bombom e depois a tua confiança.
Primeiro arruínam a tua felicidade e depois tua auto-estima.
Primeiro desfazem teus castelos de areia e depois teus lares.

( POETA DO SOCIAL )

Em Homenagem ao Dia das Crianças em 2007

Primeiro Impulso Poético


Cada verso é uma ponte entre a magia e a realidade. Em toda rima jaz uma nota cristalina de subjetividade, compondo qual tijolo a arquitetura lingüística de mais uma estrofe, esculpida pela inspiração e sensibilidade dos poetas, que estão sempre de almas abertas para captar o que muitos não conseguem expressar ou sequer enxergar.

Mas engana-se quem pensa que a poesia é um mero escape ultrapassado da razão ou uma esfera povoada unicamente pelo lirismo de gente apaixonada. Os versos também existem para questionar esse mundo pelo avesso, contaminado por valores perversos como o egoísmo e a indiferença. Vivemos uma sociedade afetivamente asfixiada pela ditadura da razão.

O neoliberalismo pode afundar o planeta e explodir a economia, mas nunca deixarei que sistemas suicidas e excludentes arranhem sequer um centímetro de minhas utopias e arranquem pelo menos uma pétala de altruísmo dos jardins de minha alma. Dentro de mim idealizo cenários belos e perfeitos: mundos mais humanos, pessoas mais felizes, relações mais sinceras, povos mais unidos, países mais solidários, líderes mais atuantes.

E foi assim, de tanto sonhar, que comecei a desabafar, me armando de versos para protestar e militar através da arte poética. Essa tendência ganhou concretude quando tive a idéia de criar a seção Minuto Poético em meu Orkut, onde me identifico como “Pablo Robles”. Desde então, sem exceção, venho postando uma nova poesia a cada semana no meu perfil de apresentação desta rede social (na parte “quem sou eu?”... me localizem e confiram!).

Contudo, tem um grande detalhe que fez e faz toda a diferença para mim. Optei por priorizar, neste espaço e em minha práxis literária, a produção e difusão de poesias de caráter social, a fim de promover reflexões, atitudes e mensagens em prol de um mundo melhor. Apesar de me empolgar com diferentes coisas e ter uma vida profissional pouco estável, nunca abandonei tal compromisso virtual. Prova disso é que já publiquei 86 poesias desde março de 2007.

Para fixar e consolidar minha imagem como poeta de conteúdos e causas sociais, tomei então a liberdade de adotar um pseudônimo que fizesse jus inequívoco a esta finalidade. Dessa forma nasceu o “Poeta do Social”. Preparei certa feita um artigo destinado a me apresentar poeticamente para o mundo, inicialmente junto aos meus amigos e depois na blogosfera. Foi uma espécie de anúncio de um novo poeta. Algo amador, mas bem intencionado.

Meses depois tive a grata oportunidade de ser convidado, através do próprio Orkut, a participar como co-autor da terceira edição de uma Antologia dos Poetas Virtuais, um Projeto de ousada envergadura levado a cabo por Magali Oliveira, uma batalhadora mulher que, além de escritora e poeta, também vem materializando sua veia empreendedora no campo da cultura. Vejam maiores informações no site: http://www.poetasvirtuais.com.br.

O excelente incentivo ensejado por esta antologia, que já se encontra em sua terceira edição, permitiu que oito poemas meus fincassem seus versos e recados sociais em uma primeira publicação impressa: “Dialogando com a sensibilidade”, “Pingos do céu”, “Resto de fé”, “Parábola das indagações”, “Castelos de Areia”, “Seja a sua metamorfose”, “Podemos mudar o mundo”, “Irmãos de utopia”. Algumas destas peças estão hospedadas aqui em meu blog, no marcador “Poesias Especiais”, em homenagem a comemorações marcantes.

Não posso deixar de registrar a presença dos vinte poetas (co-autores) da referida obra coletiva - quem tiver blog/site será guiado para lá: Magali Oliveira, Thony Pereira, Mone Carmo, Jane Rossi, Neneca Barbosa, Rosane Silveira, Soninha Porto, Eliza Gregio, Delince, Maira Cervi, Poeta do Social, Marineves Rodrigues, Andrea Lucia, O Trovador, Pavann, Sandra L. Stabile, Espedita Barros, Sigrid Spolzino, Monica Rosenberg e Leila Wermeling.

Encontram-se neste volume poetas de três quadrantes do sertão nordestino (Catunda - CE; Cocal - PI; e Riacho dos Cavalos - PB) e de oito recantos estaduais do Brasil: CE, PA, SP, RJ, PE, RS, PR e MG. O lançamento aconteceu em novembro, em Santo Antônio de Pádua - RJ. Eis a referência da obra: Antologia dos poetas virtuais: 3.° livro de poesias dos poetas virtuais (208 p.) - Organização de Magali Oliveira / Fortaleza: Premius, 2008. O valor de aquisição do livro pelo correio, incluindo frete, custa R$ 25,00 (vinte e cinco reais) e pode ser encomendando junto a Magali, através do e-mail magalioliveira@poetasvirtuais.com.br.

Um grande mérito do Projeto reside em encorajar e projetar novos talentos e dizeres poéticos, consagrados pela singularidade de quem os teceu e decidiu espalhá-los, rompendo o anonimato de escritos que poderiam morrer empoeirados e frustrados. A jornalista Marília Falcão, ao apresentar a antologia, enaltece sua inevitável diversidade: “alguns, essencialmente românticos, colocam algo como mel em suas palavras (...) outros falam de coisas da vida com tal profundidade que (...) sempre encerram grandes lições”.

Para não esticar mais o texto, cabe a mim uma promessa que você, amigo(a) leitor(a), deverá ser o(a) primeiro(a) a me cobrar no futuro: pretendo lançar, possivelmente em 2009, um primeiro livro solo de poesias sociais, de modo que esta publicação coletiva representa uma poderosa alavanca capaz de me impulsionar para vôos e desafios maiores.

Por fim, devo ainda confessar que eu não planejava exatamente chegar até aqui desse jeito. Quando lancei o Minuto Poético em meu Orkut, fazia seis meses que eu tinha terminado um longo namoro de seis anos, que foi bonito e poético enquanto durou. Mas a roleta do destino girou e aqui estou. Outro acontecimento foi a perda do meu acervo de poesias da mocidade, varridas por um vírus que infectou um computador insensível para backups. Sem falar que minha trajetória profissional no campo das ONGs passou por tropeços e superações.

Afinal de contas, não é fácil voltar a escrever cem poesias, nos atribulados anos de 2007 e 2008 que tive, quando você descobre que a grande maioria das poesias de seu passado (mais de cem), que remonta aos tempos áureos e férteis de adolescência, se evaporou por um descuido evitável. Foi nesse espírito que dei à luz uma das poesias inaugurais desta minha nova empreitada artística. “Consolos e Recomeços”. Acabei de socializá-la, em primeira mão, aqui em meu blog. Quem a ler, captará melhor a dimensão do que expus.

Transcrevo enfim, sem por nem tirar uma só interjeição, o depoimento que recebi de uma gentil e querida amiga, cujas palavras me tocaram tanto que nunca as demiti da caixa postal de torpedos do meu celular: “Fiquei feliz por ter me enviado suas poesias...são lindas e sensíveis e conseguem atingir a alma...vc escreve mto bem, parabéns! Não apenas pela escrita mas principalmente pelo conteúdo!! Vc tem que publica-las!!! Bjos!! Tudo de bom pra vc! Fica bem!” Despeço-me com um PS que não quer calar: Obrigado a todas e todos que, com os olhos de sua alma, educaram e engrandeceram minha sensibilidade e militância poética.

sábado, 20 de dezembro de 2008

POESIA: Consolos e Recomeços

Sumiram minhas poesias, mas me restou a inspiração.
Perdi meu grande amor, mas reencontrei meu coração.
Abalaram minha religião, mas fortaleceu-se minha fé.
Antes estava caído, mas agora estou novamente de pé!

A dor que faz sofrer também tem a vocação de curar.
A saudade que faz lembrar deve aprender a esquecer.
O tempo que aprisiona é o mesmo que ajuda a libertar.
A morte que ameaça também inspira um melhor viver.

O sofrimento que afunda contém a mola que impulsiona.
Ao fim de cada tropeço, um convite ao eterno recomeço.
As lágrimas, ao encharcar o leito, vão secando a angústia do peito.
Mesmo o pior tormento que avança cede ao consolo da esperança.