segunda-feira, 8 de março de 2010

ANJOS DE SAIA, TE CONVOCAMOS

Precisamos de ti, como a vida da luz!
Mulheres haitianas, iraquianas, palestinas...
Rugas de sofrimento já em rostos de meninas?
Biografias e provações cortejadas pela cruz.

Quantas fúrias sacodem as entranhas do universo?
Mundos divididos pela ambição, pelo ódio, pelo medo.
O choro da natureza descansa em seios femininos.
Entre terremotos físicos e bélicos, escoam-se destinos.
Enquanto isso, casamentos instáveis degeneram cedo.
Vão-se esperanças e sequer ficam os versos!

Terras tremem, sobretudo com as guerras.
Discursos impecáveis tecem loas à democracia.
Dedos sujos de óleo apontam valores modernos.
As lutas por petróleo mancham a nossa utopia.
A política “branca” e masculina está em trevas.
Alternativas sensíveis precisam sair dos cadernos.

A poesia do Obama dissolveu-se na lama.
Enquanto soldados privatizam o Oriente Médio,
Planos afetivos e pacíficos se diluem no tédio
Sofrido por jovens viúvas norte-americanas.

Oh mulheres deste novo e nebuloso século,
Estamos grávidos de soluções mais humanas!
A racionalidade ocidental e patriarcal fracassou.
Chega de omitir, fingir, perambular em círculo!
Aqui no país, a oportunidade feminina chegou?
Corações ousados devem elevar mentes planas.

As teorias da Europa perderam fôlego.
As iniciativas dos EUA caíram em descrédito.
A mídia deste lado ignora a Ásia do outro.
A África ainda rasteja em descompasso trôpego.
A arredia Oceania parece oferecer pouca sintonia.
A América Latina vivencia eras de grande mérito.

Mulheres, tua participação é nossa salvação.
Ensina-nos como se regenera a civilização.
A natureza está ferida e quer ser melhor cuidada.
Oh anjos de saia, abençoem a nossa caminhada!

( Por Pablo Robles - POETA DO SOCIAL )

Em homenagem ao Dia das Mulheres - 08/03/2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Educação: o gargalo crítico do Brasil

Quando algo é óbvio demais, parecemos ficar cegos, como se embasbacados pelo excesso de uma luz difusa, preguiçosa e desmobilizadora. O caminho está na frente do nosso nariz, mas preferimos desviar o olhar, mirando-o, talvez, no umbigo atrofiado de nossa mentalidade coletivamente analfabeta.

Qual é o gargalo crítico que está atrasando nosso grandioso mas ainda nebuloso destino como potência inscrita nas fileiras soberanas do desenvolvimento mundial? O texto abaixo tenta balançar nossa consciência para aquele velho e renovado assunto que já ouvimos, concordamos e ignoramos “n” vezes ou mais...

EDUCAÇÃO. Essa é a senha para brilharmos sem medo. Para vencermos com dignidade. Para elevarmos o padrão precário, pontual e estreito de nossa cidadania. Para combatermos o monstro da corrupção, a chaga moral que estraga democracias com baixa consistência, transparência e participação.

Comentários do Grito Pacífico - "mudando o mundo com você"


O ÚLTIMO "GARGALO" DO BRASIL

Por Eduardo Guimarães - 04/03/2010

FONTE: http://edu.guim.blog.uol.com.br

Esse emburrecimento galopante que a guerra política entre tucanos e petistas está impondo ao país poderia dar uma trégua para que se discutisse alguma coisa de útil para o conjunto da sociedade. Por exemplo: poder-se-ia discutir qual é o próximo passo que o Brasil requer nesse processo desenvolvimentista em que se encontra.

Para o país chegar até o ponto em que está teve que vencer o que os economistas chamam de “gargalos”. É uma figura de retórica que simboliza problemas econômicos e carências sociais maiores do que as saídas existentes.

Até 15 anos atrás, havia vários problemas no caminho do desenvolvimento brasileiro: inflação descontrolada, miséria extrema, uma população dramaticamente deseducada e uma dívida externa aparentemente impagável. De lá para cá, quase todos esses problemas-baleia foram sendo equacionados por políticas públicas.

Durante os anos 1990, hiperinflação como a brasileira foi desaparecendo do cenário mundial. Hoje, são raros os países que têm aquelas inflações de mil, dois mil ou mais por cento que flagelavam o Terceiro Mundo.

No fim do século XX e início do século XXI, países como o Brasil implantaram programas sociais de transferência de renda que praticamente erradicaram ao menos a fome. Não se fala mais nessa tragédia social hoje no país.

Nos últimos anos, o Brasil, em particular, conseguiu anular o maior de seus problemas econômicos, a sua dívida externa, que era jocosamente chamada de dívida “eterna”. Hoje, o país se encontra na situação, antes inimaginável, de ter deixado de ser devedor para ser credor internacional.

Mas nos resta um último grande gargalo. Nos últimos dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que são referentes a 2008, os estudantes brasileiros ficaram na 53ª posição em matemática, entre 57 países, e na 48ª em compreensão de texto, em um ranking de 56 países.

Aí a explicação para notícias recentes de que sobram vagas de empregos no país por falta de qualificação dos candidatos. Essa é, claramente, a única barreira que o Brasil precisa transpor para se transformar em potência.

Com a economia aumentando de ritmo a cada dia, além de técnicos especializados em áreas como tecnologia da informação, por exemplo, onde os salários são estupendos, também já faltam padeiros, açougueiros, serralheiros, mestres de obras e tantos outros.

As vagas chegam a ficar abertas por até 4 meses. Oportunidades para esses profissionais não faltam. Nos centros estaduais e municipais de apoio ao trabalhador existem centenas de vagas a espera de candidatos qualificados, mas eles não existem.

É aí que o país ainda trava. Como crescer e se desenvolver com uma mão-de-obra de baixa qualidade?

O problema decorre de um sistema de ensino entre os piores do mundo. Sim, houve universalização do ensino básico. Atualmente, é desprezível o contingente de crianças fora da escola, ainda que nenhuma criança nessa situação possa ser desprezada.

O problema reside na qualidade do ensino. Não há professores, por exemplo. Os poucos que existem são, em grande parte, despreparados por conta dos baixos salários. É uma profissão que, no Brasil, em vez de atrair afasta. Muita responsabilidade e esforço para pouca remuneração.

Dizer-se professor, em países desenvolvidos, é um privilégio. No Brasil, é uma profissão sem passado, sem presente e, até aqui, sem futuro.

O país deveria estar buscando fórmulas de como melhor aproveitar o momento magnífico que atravessa. E tal discussão deveria priorizar esse que é o seu último grande entrave. Seria sonhar alto demais esperar que os candidatos a presidente debatessem seus planos para a Educação em vez de se engalfinharem?

terça-feira, 2 de março de 2010

ALTERCOM: Associação da Mídia Alternativa

Outra mídia é necessária e uma organização nacional para esse fim está nascendo, prometendo fazer contraponto ao poderio desproporcional da grande mídia elitista e conservadora.

A caminhada será longa e os obstáculos desafiadores. A bandeira que impulsionou esta associação é fruto do acúmulo de debates da Conferência Nacional de Comunicação.

Uma boa e inovadora característica da Altercom é que ela abrirá espaço para a representação de blogueiros que estão ajudando a descentralizar a informação.

Devemos divulgar esta iniciativa, apoiar seus passos e perenizar sua missão!

(Comentários do Grito Pacífico - mudando o mundo com você)


Criada a Altercom -- associação da "outra" mídia

por Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador

Fonte: http://www.rodrigovianna.com.br - 01/03/2010

Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação.

Esse foi o nome aprovado no sábado, para a entidade que deve reunir editoras, sites, produtoras de vídeo, de rádio, revistas, jornais, blogueiros, agências de comunicação e tantos outros que não se sentem representados pelo condomínio comandado por Abril/Globo/Folha/Estadão, nem tem peso econômico para atuar junto às grandes teles.

O nome fantasia da nova associação será ALTERCOM.

A entidade é fruto de quase seis meses de debate. Mais que tudo, é fruto da experiência concreta.

A ALTERCOM surgiu como resultado das articulações inciadas durante a Confecom - Conferência Nacional de Comuncação.

Como já escrevi aqui, um grupo de pequenos empresários da comuncação conseguiu eleger uma bancada de 20 delegados por São Paulo, para participar da Confecom. O grupo, conhecido como G-20, não se alinhava nem com as teles (conglomerados milionários que chegaram ao Brasil recentemente, e também estão em guerra contra os velhos barões da mídia), nem com o setor tradicional de jornais/revistas e radiodifusão no Brasil.

O G-20 ajudou a aprovar muitos princípios importantes na Confecom - incluindo a criação do "Conselho Nacional de Comunicação".

A turma do G-20 percebeu, então, que havia espaço e necessidade para se criar uma entidade que articulasse permanentemente esse setor.

No último sábado, o G-20 ficou maior. Um grupo de 40 ou 50 pessoas (o pessoal da "CartaMaior" deve divulgar depois um balanço mais detalhado) se reuniu em São Paulo e tomou a decisão de criar a entidade, que terá uma dupla função: defender as posições políticas e os interesses econômicos dos pequenos empresários (alguns nem tão pequenos assim) e dos empreendedores individuais da comunicação.

Defender as posições políticas significa participar do debate nacional. Exemplo: se a ABERT (que representa a Globo) ou a ANER (que representa a Abril, basicamente) divulgam uma carta criticando a Confecom, por atentar contra a "liberdade de expressão", nosa entidade poderia fazer o contraponto, em nomes dos empresários e empreendedores que não se alinham com o grande capital.

A defesa dos intereses econômicos significa luta para que a repartição das verbas públicas de publicidade seja mais justa, ajudando a incentivar uma diversidade maior de vozes no Brasil. Num segundo momento, pode significar também uma articulação para que os pequenos conquistem parte da verba dos grandes anunciantes privados - por que, não?

Alguns dos presentes na reunião do último sábado propuseram que a entidade trouxesse em seu nome a marca da "midia alternativa". Queriam que a entidade fosse a Associação da Midia Alternativa. O argumento é que essa marca "alternativa" é usada no mundo todo, e seria também uma referência à "imprensa alternativa" (jornais como Opinião, Movimento, Pasquim, Em Tempo, EX, e tantos outros) que cumpriu papel importante na passagem dos nos 70 para os 80 no Brasil.

Mas a maioria preferiu manter essa marca de "alternativo" fora do nome, por entender que poderia trazer a impressão de algo precário, sem qualidade. No Brasil atual, quando falamos em "alternativo", muita gente pensa em algo feito de improviso, sem muita técnica.

Sabemos que não é uma visão justa. Mas a maioria preferiu deixar claro que esse grupo não reúne gente amadora, mas um pessoal disposto a comprar a briga com os grandes - de forma séria, competente, e profissional sempre que possivel.

De toda forma, a referência ao "alternativo" de outros tempos (que muito nos orgulha) ficou implícita na sigla - ALTERCOM.

O "alter" pode ser lido também como "outro", diferente. E aí há uma associação direta com a idéia do "outro mundo é possível" - tão presente no Forum Social Mundial.

Não vou me adiantar mais. Até porque tudo isso deve constar da carta de princípios e do estatuto da entidade - que devem estar prontos em 15 dias. Aí, nova assembléia será convocada, para aprovação oficial da ALTERCOM.

A idéia é que dela façam parte revistas (como "Caros Amigos" e "Fórum"), sites (como "CartaMaior"), editoras (como "Boitempo" e "Paulinas"), webTVs (como "allTV"), jornais do interior (como "ABCD Maior"), além de agências de comunicação e produtoras de conteúdo para cinema, teatro, rádio. Todas essas são empresas constituídas, de forma convencional, com CNPJ, funcionários, sede, contrato em cartório. O que as diferencia é o conteúdo que oferecem, e o posicionamento polítco de seus proprietários.

Mas a ALTERCOM vai abrir espaço também - e aí, parece-me, está um grande diferencial da nova associação - para centenas de "empreendedores" individuais surgidos nos últimos anos no Brasil. Quase todos são blogueiros (como esse "Escrevinhador") que ajudaram a quebrar a lógica da comunicação verticalizada.

Blogueiros como Eduardo Guimarães ("Cidadania.com"), Marcelo Salles ("Fazendo Media") e Luiz Carlos Azenha ("VioMundo") já avisaram que vão participar da ALTERCOM.

Quem se associar pagará uma pequena contribuição (certamente, haverá valores diferenciados para "empresas" e "empreendedores individuais").

A ALTERCOM pretender ser uma entidade nacional, aberta. Pode ser um embrião para muitas experiências inovadoras. Tenho certeza.

Em 20 ou 30 dias, ela deve estar funcionando oficialmente, com registro em cartório, site, escritório de representação.

Blogueiros de todo o país que quiserem participar devem ficar atentos. Em duas semanas, teremos mais novidades.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

OPINANDO: Por uma oposição menos "suja"

Exponho abaixo o comentário que fiz sobre o texto "Por que Serra deverá concorrer", redigido e postado por Eduardo Guimarães, nos primeiros minutos do dia 28/02/2010, no seu blog http://edu.guim.blog.uol.com.br, que por sinal lhes recomendo.

A tese sobre a qual me posiciono refere-se ao entendimento de que a oposição precisa do Serra para continuar existindo e que todo governo de situação precisa de uma oposição atuante que o fiscalize.


"Tendo a discordar em parte com o teor de sua reflexão.

Oposição política é saudável e sempre necessária, mas ela deve ser mais qualificada; em outras palavras, jogar menos sujo.

O estilo Serra e a postura de sua mídia, que também é a mídia que pauta grandemente a opinião média do brasileiro, não ajudam em nada a garantir e fazer valer uma oposição digna, à altura da democracia política que merecemos.

Além disso, o "controle político" não se resume apenas à intervenção partidária. Em uma perspectiva pública e coletiva mais ampla, a sociedade civil como um todo, através de suas associações, movimentos e grupos organizados, deve participar ativamente, mesmo que indiretamente, da fiscalização do poder executivo, de forma a evitar desmandos e inibir totalitarismos."

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

HAITI: a pátria circunstancial dos EUA

"O compromisso com o Haiti não é novo nem circunstancial", disse recentemente o governo brasileiro em uma nota na qual informa que essa é a terceira vez que Lula viaja ao país, o qual já visitou em agosto de 2004 e em maio de 2008, o que "confirma a prioridade conferida ao Haiti pela política externa brasileira".

Fui um pouco “oportunista”, pois decidi começar esta crônica com um parágrafo ao qual eu nunca fui explicitamente chamado, retirado a propósito desta notícia ("Lula chega ao Haiti para expressar apoio e assinar acordos"), que acabei de ler no Portal Ig. Aproveitando meu momento “cafajeste”, cometerei um novo “pecado”, se bem que atenuado o suficiente para ser logo perdoado, pois a nova referência que evoco consiste em uma outra crônica minha sobre o mesmo assunto: "Militarizando o desserviço ao Haiti".

Façamos agora um exercício hipotético de turismo patriótico. Imagine-se acordando brasileiro, no transcorrer do dia se tornando norte-americano para depois dormir haitiano. É possível assumir nacionalidades diferentes como quem muda de roupa? Até as máscaras bonitinhas que camuflam nossas eventuais intenções mesquinhas precisam de um tempo mínimo para decantarem, se ajustarem e se acostumarem com os padrões dominantes de hipocrisia que se prestam a dissimular.

Vamos dar um zoom na frase primeira e central que motivou esse texto: “o compromisso com o Haiti não é novo vem circunstancial”. Em outras palavras, o Brasil não tem essa mania cinematográfica (hollyudiana mesma, literalmente falando, e belicamente também) de se arvorar na condição pop de superpaís, de superpotência aventureira que sai distribuindo bases militares mundo afora a pretexto, por exemplo, de proteger e vigiar os mares alheios contra monstros terroristas e ocasionalmente atômicos que ameacem perturbar as fronteiras “modernamente democráticas” dos países aliados; como Israel no Oriente Médio e Colômbia na América Latina.

Como todo super-herói tem poderes extraordinários e se acha imbuído de missões as mais diversas - ainda que novas e circunstanciais, frise-se bem -, os EUA nunca mais seriam os mesmos se não tivessem estendido seus tapetes altruístas e caridosos para o Haiti, duramente vitimado por um terremoto cujos impactos parecem ter sacudido espiritualmente o coração de toda a diplomacia norte-americana. (Vale acrescentar que essa triste sina do Haiti, como o escritor Eduardo Galeano relembrou, remonta às políticas sujas e invasivas que os mesmos EUA já aprontaram.)

Pois bem, a reação dos EUA foi olímpica, peremptória, esplendorosa, digna do Oscar do Oportunismo, sequer se lembrando de dialogar com a ONU e planejar melhor as coisas com a missão brasileira que já vinha liderando as operações por lá: instituíram um fundo Clinton-Bush (usando o nome indigesto do Bush) para arrecadar donativos, se apossaram do espaço aéreo para controlar do jeito deles a ajuda estrangeira e, o que foi efetivamente controverso, mandaram 12.000 soldados para “passear” no Haiti, como se o povo nativo fosse apático e não tivesse braços para acolher os feridos e pernas para avançar no enfrentamento de seus dramas, contando necessariamente com o suporte já estabelecido (e que passaria por emergencial ampliação) de vários organismos e serviços humanitários, incluindo relevantes ações cubanas de saúde.

Essa é a lição de ética (geralmente pelo avesso) que aprendemos com os EUA. Surge (ou fabrica-se) uma propagação de epidemia (como a gripe suína), suas indústrias de remédio são as primeiras a “ajudar” e lucrar. Quando sentem cheiro de petróleo no ar, rasgam soberanias de países frágeis para com novos negócios “cooperar” e lucrar. Quando algum presidente não lhes diz amém e ousam remar na maré oposta ao neo-liberalismo, dão uma aula-show de anti-jornalismo, visando “desinformar” e lucrar.

Portanto, em vez de terem mobilizado um “exército verde” de ambientalistas sérios e competentemente autorizados a evitar o fracasso da Conferência do Clima ocorrida ano passado em Copenhage, na Dinamarca; os EUA valeram-se da “sorte geopolítica” trazida pela fúria da natureza contra o Haiti, e, da noite para o dia, metamorfosearam-se (como se iluminados provisoriamente por um mandato divino imperial) em seus superanjos salvadores, carregando nessa travessia pseudocivilizatória as asas manchadas sabe-se lá com quantos interesses inconfessáveis, diabólicos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OPINANDO: o povo não é tão bobo

Li o texto linkado abaixo, da autoria do jornalista e blogueiro Azenha.

http://www.viomundo.com.br/opiniao/jose-serra-o-presidente-acidental

Reproduzo, aqui, o comentário que fiz lá no blog dele:


"Acho o texto pessimista e exponho três considerações:

1) Mesmo as pessoas despolitizadas são capazes de pensar um pouquinho antes de votar, nem que seja numa roda de bar entre amigos na véspera da eleição, onde é muito fácil qualquer pessoa minimamente informada mostrar o abismo que separa a Dilma de Lula do Serra de FHC

2) A aparente despolitização não sinaliza necessariamente uma fraqueza política capaz de ameaçar a estabilidade do país. Pode significar também que as pessoas estão economicamente menos aflitas, mais preocupadas competitivamente com suas carreiras e mais confiantes nos rumos gerais que o Brasil está tomando, inclusive mundo afora.

3) Marqueteiros, por mais influentes que sejam, não podem fazer mágicas o tempo todo e lutar contra o “marketing” diário e cotidiano feito pela inquestionável realidade."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A Política da Esperança Não Será Televisionada

A Política da Esperança Não Será Televisionada

É difícil viver sorrindo em um mundo estampado de tristezas, tragédias e mentiras. Abrimos a televisão e o que vemos e ouvimos, não poucas vezes, é puro lixo, da pior espécie, pois além de não poder ser reciclado em informação nem conhecimento, contamina e apodrece a consciência; a sua, a minha, a nossa consciência – um tanto quanto inconsciente.

Concluímos que não dá para continuar com a bunda anexada ao sofá, assistindo de camarote os absurdos disparados dia após dia pela mídia, enquanto o mundo vai adoecendo, estremecendo e afundando, de omissão em omissão. Quantas drogas são necessárias para se ignorar o drama da realidade? Quantos vícios precisam ser fabricados ou reeditados para que nossos sentidos mantenham-se imunes e indiferentes aos problemas dos outros?

Pessimismos e descalabros à parte, é proibido esquecer que a magia da esperança dança, feito criança pura, em todo lugar do mundo, em cada ternura da gente, nas epopéias e agruras dos povos, apesar dos tropeços e recomeços de suas revoluções, ideologias, instituições e nações. Sem esperança, o amor não tem cura e a paz nunca dura.

Não deixem que a sensação de fracasso e a epidemia da perdição escureçam seus passos, suas luzes, seus impulsos regeneradores de rebeldia e ousadia, sua vocação humanitária, seus ideais de melhoria embalados pela dança da mudança, aquela que jamais se cansa de avançar, de ensinar e de nos convidar a encarnar suas coreografias.

Para que novos valores, paradigmas e civilizações floresçam, urge que reciclemos nossos olhares, revisemos nossas decisões e repensemos nossas atitudes, antes que até a esperança desista da humanidade – ou pelo menos do pouco dela que conseguimos reter no decurso de nossas indevassáveis monstruosidades. Ninguém pode se dar ao luxo de nascer e conviver em sociedade para não fazer nada pelo bem-estar da coletividade.

Sem os políticos que dizem (retoricamente ou não) nos representar, o cotidiano seria refém do caos e as relações se rebaixariam a uma disputa infinita e incontrolável de interesses. No entanto, sem a devida participação ativa dos cidadãos comuns na formulação, acompanhamento e fiscalização de suas próprias demandas e aspirações coletivas, a população civil não passaria de uma massa servil, amorfa, desprovida de consistência crítica e substância autônoma.

Esse é o tipo de “povo” que as TVs, em geral, buscam forjar: um povo bobo, tangido pelo medo, identificado globalmente pela negligência local. E o grande problema é que essa mídia tradicional, conservadora, parcial, elitista, sensacionalista, entreguista – dogmaticamente privada e sutilmente golpista – busca nos governar (ou “desgovernar”) a qualquer custo, filtrando e transmitindo apenas o que lhes convém e deformando o resto.

Não basta simplesmente entrar no ringue das baixarias e competir com a oposição quem tem mais “denúncias na manga”, quem fede e vacila menos, quem sai menos mascarado na foto, quem reúne mais pontos em sua biografia. Chega de dejetos. O Brasil precisa é de projetos que levem seus moradores a patamares ainda mais sólidos de inclusão social, cuidado ambiental, equidade econômica, democracia científica e grandeza ética.