sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Nadando a Favor da Verdade

O que seria do mundo se a cada tosse e a cada espirro que déssemos, testemunhas apocalípticas apontassem seus dedos enrugados de pessimismo para a gente e dissessem: Você está doente! Você precisa ir ao médico! Você precisa comprar remédios! Essa mídia retrógrada - essa sim doente, míope e desequilibrada – está querendo, desculpe o sensacionalismo da metáfora (acho que peguei essa mania da Globo), colocar em coma a economia de um país que acabou de receber alta com conquistas históricas paras os trabalhadores e outros avanços bastante saudáveis para a musculatura sustentável de nosso grande país, conforme estatísticas sérias de órgãos como o IBGE registram. Brasileiros e brasileiras, não podemos nos deixar deprimir e se abater por grupos conservadores que querer recuperar seu poder e devolvê-lo possivelmente para José Serra. Leiam e reflitam sobre esse ótimo texto.

Comentários do Grito Pacífico, mudando o mundo com você

NADANDO A FAVOR DA CORRENTE

Por Miguel do Rosário

FONTE: http://oleododiabo.blogspot.com/2008/12/nadando-contra-corrente.html

A politização dos números da economia está enlouquecendo as redações. O que houve hoje, quarta-feira 10 de dezembro, não foi outra coisa que não uma sabotagem midiática organizada. O IBGE divulgou que o crescimento da economia brasileira no terceiro trimestre bateu um recorde histórico. Mais que isso. Registrou-se um crescimento de qualidade, com ampliação do parque industrial, aumento da massa salarial, do nível de emprego, e com melhores índices entre as regiões e as camadas sociais mais pobres - portanto com distribuição de renda. O que seria uma excelente oportunidade para melhorar o astral e incentivar um clima de otimismo às vésperas do Natal, quando as vendas costumam ganhar ritmo, incentivando a economia e gerando mais empregos, foi transformado, por uma operação alquímica típica de nossa mídia, em augúrio de novas desgraças. Nem o bom senso está sendo mais respeitado. Miriam Leitão entrevista analistas - certamente escolhidos a dedo entre a turma urubunômana - que chegam ao cúmulo de afirmar que a alta na economia no terceiro trimeste tem um ponto negativo: de que formarão uma base alta para uma queda abrupta no quarto trimestre. Nem consigo explicar direito, de tão estúpido. Quer dizer que os milhões de empregos gerados, a felicidade nos lares, os eletrodomésticos, tão sonhados, que foram adquiridos, têm um ponto negativo? Tudo tem um lado negativo, ok, mas neste caso, é como dizer que viver tem um lado negativo, que é a constante possibilidade de morrer. Morrer também é uma "queda abrupta".

"Crise freia país no auge de seu crescimento econômico"

Esta é a manchete do Globo. No entanto, como ele pode afirmar, peremptoriamente, que a crise "freia país", se o referido recuo na economia é apenas uma previsão? O que é científico, comprovado, é o crescimento do país.

Na tentativa de desculpar-se por ter previsto tanta desgraça e agora ser obrigado a vir a público com a notícia do maior crescimento da história recente, a mídia diz que a crise financeira iniciou-se somente em setembro, ao final do terceiro trimestre, com a falência do Lehman Brothers, e que afetaria a economia brasileira apenas no quarto trimestre. É mentira. A crise econômica mundial, e mais especificamente nos EUA, iniciou-se há dois anos, com a quebra de várias grandes corporações. Recentemente, a própria imprensa noticiou que os EUA vivem recessão há um ano.

Houve um estouro de bolha a partir de setembro, está certo, mas, apesar dos trilhões envolvidos, não adveio de queda na demanda mundial. Ao contrário, a demanda global prossegue crescendo. Essa crise tem sido uma crise de marcas famosas. Uma crise de bancos privados, estatizados pelos governos europeus e, parcialmente, também pelo governo americano. Os trilhões de dólares mudaram de mãos.

Os profetas do apocalipsse, aqui no Brasil e lá fora, subestimam o poder criativo da raça humana, que já enfrentou crises infinitamente piores que essa. Andaram comparando com o crash da bolsa de Nova York. Outra incorreção histórica. Em 1929, não havia uma Ásia industrializada e pujante. Não havia uma América Latina industrializada e pujante. Não havia uma União Européia unida e forte. Não havia um Brasil industrializado e com petróleo! O Brasil, em 1929, não possuía uma gota de petróleo e, pior, ainda éramos acossados pela propaganda - apoiada por Globo, como sempre - de que não havia possibilidade de haver petróleo no país!

Em 1929, éramos uma grande fazenda monocultura de café. Hoje o Brasil exporta centenas de produtos e todos são importantes para nossa balança comercial. O café, e o Brasil continua sendo o maior produtor e exportador mundial, representa menos de 1% de nossas exportações.

A crise financeira mundial serviu a vários propósitos interessantes. Ajudou a eleger Obama, um negro de esquerda, para a presidência dos EUA, um fato que terá desdobramentos geopolíticos em todo planeta. E servirá para reduzir o desequilíbrio entre as nações, com redução proporcional do PIB americano em relação aos PIBs de outros países. O Brasil ficará melhor na foto. O Brasil deverá sair da crise com uma graduação mais alta entre as maiores economias do mundo, saindo décima posição para a oitava ou sétima, superando Espanha e Itália e emparelhando com França e Inglaterra.

Na década de 30, nossa única riqueza, o café, atingiu preços tão baixos que Getúlio achou melhor manda queimar quase 100 milhões de sacas estocadas. Com as exportações paralisadas, passamos a investir no mercado interno, e diante de um mundo que afundava em crises e hostilidades, que culminariam na II Guerra Mundial, o Brasil viveu momentos gloriosos em sua economia e cultura, com a implantação de indústrias de base e o surgimento de grandes gênios da literatura, como Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade.

Há que se refletir algumas coisas. Primeiro: mesmo se o PIB brasileiro levar um tombo no quarto trimestre, o crescimento acumulado em 2008 terá sido o maior em décadas. Segundo: um país não vive só de PIB. Teremos vivido mais um ano de melhora na distribuição de renda. Regiões pobres, como o Norte e Nordeste, continuam experimentando um crescimento muito acima da média nacional. Criamos a TV Brasil, que deverá se consolidar em breve como a maior TV pública das Américas. Mais de 43 milhões de brasileiros estão acessando a internet, um número incrível, quase metade da população economicamente ativa. As vendas pela internet explodiram. A blogosfera brasileira ganhou autonomia e densidade política, possuindo hoje, provavelmente, mais leitores do que a mídia impressa tradicional. Com um detalhe: se no início, a blogosfera era dominado por playboyzinhos branquelas e mimados, geralmente do Sul e Sudeste, hoje atingiu um amadurecimento muito mais democrático e diversificado, com produtores e leitores de todas as idades, classes sociais, raças e regiões.

Repito: não podemos pensar o Brasil apenas em termos econômicos. O país amadureceu politicamente. Ainda falta amadurecer culturalmente, livrar-se de alguns entulhos do regime militar, sendo o principal deles a paranóia anti-comunista da grande mídia. E o golpismo político. Eliminadas as possibilidades de novos golpes militares contras as forças de "esquerda", a direita avançou sobre as redações de jornal e revista para tentar aprovar sua agenda mafiosa e anti-nacionalista.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Blogs podem mudar o Mundo

Por que não? Diante desse mundo tão caótico em que vivemos, que globaliza crises em vez de unificar soluções, a blogosfera pode sim refundar os paradigmas da esperança, pelo menos antes que a dança da humanidade termine em tragédia e ninguém mais esteja presente para chorar a nossa derradeira catástrofe. Os blogs não surgiram apenas para enfeitar a internet, apimentar a fogueira das vaidades e sofisticar as garras da publicidade.

Me perdoem, mas prefiro acreditar que os blogs têm uma missão maior a cumprir. O circo de contradições da vida real, que deixa milionários e mendigos dividirem o mesmo picadeiro, não merece ser levado muito a sério. O que quero dizer é que a blogosfera, além de fazer rir e entreter, também pode e deve nos fazer refletir e perceber que não somos inúteis. Um blogueiro inconsciente escreve apenas o que pensa, não importando o que os outros esperam ler, mas um blogueiro consciente escreve ainda o que não se diz, tentando despertar os leitores da sonolência induzida e fisgada pela teia dos poderes conservadores de plantão.

Não é preciso quebrar muito a cabeça para chegarmos à urgente conclusão de que o planeta está gravemente comprometido pelas insanidades, injustiças, egoísmos e hipocrisias humanas; ou melhor (pior) dizendo, desumanas. E uma das fontes cruciais dessa sucessão de barbáries reside na falta de informações livres, autênticas e ousadas, comprometidas com a busca e difusão altruísta da verdade, despidas por assim dizer dos interesses e melindres que freqüentemente regem as relações institucionais e poluem as convivências formais.

As escolas não costumam ensinar o que queremos aprender. A mídia não se interessa em informar o que precisamos ver, ler e ouvir. Os lucros do mercado são proporcionais à nossa ignorância. Os políticos se deixam hipnotizar muito fácil pelos cantos corruptores da sereia. A cidadania do povo brasileiro é preguiçosa, difusa e continua demorando para acordar. A responsabilidade social das empresas não vai muito além do discurso e de algumas iniciativas pontuais e impotentes, suficientemente discretas para não ameaçarem seus faturamentos. As igrejas estão mais preocupadas em arrebanhar fiéis do que em promover a espiritualidade, gerando abismos quando deveriam edificar pontes. A arte, após ser triturada pelas engrenagens da modernidade, está sendo engolida pelas etiquetas da moda.

Quanta escuridão exterior assusta nossas luzes interiores. Não culpemos o universo por estes versos tão desafinados. Mas nem tudo são tristezas nesse véu de incertezas. Por outro lado, os blogs estão abrindo espaço para novos atores e vozes, outras cores e valores; tantas vezes abafadas, hipnotizadas e burocratizadas. Os milhões de blogs que invadiram a internet não passam de ensaios da grande revolução que está por vir, alavancada e democratizada pelas conquistas científico-tecnológicas. Os jornais já perceberam esta mudança e estão passando a valorizar mais o papel, a mensagem e o talento dos blogueiros, aos quais não cabem se deixar curvar pela escravidão publicitária.

Aquele ou aquela adolescente que se habituou a biografar os detalhes diários de seu passado, com o tempo, tenderá a amadurecer seus conceitos e ampliar suas pretensões como blogueiro, isto é, como cidadão de um mundo virtual que ainda não se deu conta do gigantismo incalculável que se lhe avizinha em ritmo galopante e arrebatador. Os blogs também existem para antecipar utopias, catalisar transformações, semear sonhos, partilhar lições, orquestrando novas canções - embaladas e rimadas pela vocação grandiosa de mudar o mundo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

POESIA: Por Cores Mais Floridas

POR CORES MAIS FLORIDAS

O mundo arde em profundas dores
A humanidade é carente de amores
A televisão se alimenta de horrores
A natureza teme perder suas cores

Preciso de sua mão para tocar o céu
E de seu ombro para escalar abismos
Somos grávidos de bondades infinitas
Abortadas por cruéis neoliberalismos

Antes que as lágrimas lhe afoguem
Antes que tantas luzes se apaguem
Antes que todas as rimas murchem
Antes que apareçam outros Bushs

A esperança é a última a desistir
Sua alma não pode parar de sorrir
A mudança é a vocação do sentir
Já começo a ver seu coração florir

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A Crise da Desintegração

Quem dera se dez por cento da grande mídia fizesse eco a este lúcido alerta de Leornado Boff. Já que as sociedades ricas exploram tanto a indústria de entretenimento do futebol, deviam pelo menos seguir seu exemplo nas outras movimentações, muito mais sérias, da vida cotidiada. Ou seja, falta trabalho em equipe, articulação em rede, estratégia coletiva, complementação de papéis, treinamentos sistemáticos. Cada problema não deve virar a bola da vez e fazer com que os "jogadores geopolíticos" corram afoitos e desorientados atrás dela. Assim ninguém "faz gol" e muita coisa fica atolada na mesmice. A crise econômica não pode diminuir o combate à problemática ambiental. O aquecimento global não pode desviar o foco dos conflitos locais. A mente não pode ser divorciada do coração. A fé, nem que seja pelo menos a esperança em si mesmo, não pode ser externalizada e institucionalizada pelas religiões. E por falar em fé, como dói fundo na alma da consciência saber que investimentos sociais não passam de esmolas frente aos astronômicos orçamentos bélicos. O primeiro remédio, o mais essencial para salvarmos o futuro, é universalmente gratuito e insuperavelmente potente: amar a vida, conforme a sensibilidade ecumênica deste escritor prescreve à humanidade.
(Comentários do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

ELES NÃO AMAM A VIDA

Por Leornardo Boff

FONTE: Agência Carta Maior - 02/12/2008
LINK: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4042&boletim_id=499&componente_id=8726

A busca de uma saída para a crise econômico-financeira mundial está cercada de riscos. O primeiro é que os países ricos busquem soluções que resolvam seus problemas, esquecendo do caráter interdependente de todas as economias. A inclusão dos países emergentes pouco significou, pois suas propostas mal foram consideradas. Prevaleceu ainda a lógica neoliberal que garante a parte leonina aos ricos.

O segundo é perder de vista as demais crises, a ecológica, a climática, a energética e a alimentar. Concentrar-se apenas na questão econômica, sem considerar as outras, é jogar com a insustentabilidade a médio prazo. Cabe recordar o que diz a Carta da Terra: "nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções includentes" (Preâmbulo).

O terceiro risco, mais grave, consiste em apenas melhorar as regulações existentes em vez de buscar alternativas, com a ilusão de que o velho paradigma neoliberal teria ainda a capacidade de tornar criativo o caos atual.

O problema não é a Terra. Ela pode continuar sem nós e continuará. A magna quaesto, a questão maior, é o ser humano voraz e irresponsável que ama mais a morte que a vida, mais o lucro que a cooperação, mais seu bem estar individual que o bem geral de toda a comunidade de vida. Se os responsáveis pelas decisões globais não considerarem a inter-retro-dependência de todas estas questões e não forjarem uma coalizão de forças capaz de equacioná-las aí sim estaremos literalmente perdidos.

Na verdade, se houvesse um mínimo de bom senso, a solução do cataclismo econômico e dos principais problemas infra-estruturais da humanidade seria encontrada. Basta proceder a um amplo e geral desarmamento já que não há confrontos entre potências militares. A construção de armas, propiciada pelo complexo industrial-militar, é a segunda maior fonte de lucro do capital. O orçamento militar mundial é da ordem de um trilhão e cem bilhões de dólares/ano. Já se gastaram somente no Iraque dois trilhões de dólares. Para este ano, o governo norte-americano encomendou armas no valor de um trilhão e meio de dólares.

Estudos de organismos de paz revelaram que com 24 bilhões de dólares/ano - apenas 2,6% do orçamento militar total - poder-se-ia reduzir pela metade a fome do mundo. Com 12 bilhões - 1,3% do referido orçamento - poder-se-ia garantir a saúde reprodutiva de todas as mulheres da Terra.

Com grande coragem, o atual Presidente da Assembléia da ONU, o padre nicaragüense Miguel d’Escoto, denunciava em seu discurso inaugural em meados de outubro: existem aproximadamente 31.000 ogivas nucleares em depósitos, 13.000 distribuidas em vários lugares no mundo e 4.600 em estado de alerta máximo, quer dizer, prontas para serem lançadas em poucos minutos.

A força destrutiva destas armas é aproximadamente de 5.000 megatons, força que é 200.000 vezes mais avassaladora que a bomba lançada sobre Hiroshima. Somadas com as armas químicas e biológicas, pode-se destruir por 25 formas diferentes toda a espécie humana. Postular o desarmamento não é ingenuidade, é ser racional e garantir a vida que ama a vida e que foge da morte. Aqui se ama a morte.

Só este fato mostra que a atual humanidade é feita, em grande parte, por gente irracional, violenta, obtusa, inimiga da vida e de si mesma. A natureza da guerra moderna mudou substancialmente. Outrora "morria quem ia para a guerra". Agora não, as principais vítimas são civis. De cada 100 mortos em guerra, 7 são soldados, 93 são civis, dos quais 34, crianças.

Na guerra do Iraque já morreram 650.00 civis e apenas cerca de 3.000 soldados aliados. Hoje assistimos algo absolutamente inédito e de extrema irracionalidade: a guerra contra a Terra. Sempre se faziam guerras entre exércitos, povos e nações. Agora, todos unidos, fazemos guerra contra Gaia: não deixamos um momento sem agredi-la, explorá-la até entregar todo seu sangue. E ainda invocamos a legitimação divina para o nosso crime, pois cumprimos o mandato: "multiplicai-vos, enchei e subjugai a Terra"(Gen 1,28).

Se assim é, para onde vamos? Não para o reino da vida.

Lula supera próprio Recorde

Façamos um exercício de futurologia. O filho, no auge de suas aulas e tarefas escolares de História do Brasil, pergunta intrigado para seus pais: “Quem foi aquele homem barbudo, chamado por um nome simples e estranhamente impopular, que alguns coleguinhas meus preconceituosos disseram que não tinha sequer curso superior e ainda tinha um dedo a menos?”. A resposta não tarda e vem transbordando de orgulho: “Querido filho, esse homem foi o Lula, o presidente melhor avaliado que nosso país já teve, aplaudido pela maioria de todos os segmentos populacionais. Sua sabedoria diplomou-se nas lutas sindicais legitimadas pelo povo. O dedo que lhe falta na mão foi como que transplantado para o coração, de onde soube apontar, apostar e assinalar um Brasil mais soberano, maduro e confiante, capaz de brilhar entre as potências emergentes e renovadoras do planeta”. O filho, babando de contentamento, dispara apenas uma dúvida: “Mas, pelo que andei pesquisando nos jornais de grande circulação impressa e televisiva da época, não entendo porque ele era tantas vezes criticado e ridicularizado”. Os pais, mal contendo a vergonha que sentiam e sentem pela abordagem manipuladora e conservadora da Rede Globo, preocupada em precipitar e alarmar crises internacionais em vez de denunciar e debater suas causas, tentam dissipar a angústia perspicaz do filho: “A mídia não sabe o que diz”.
(Comentários crônicos do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)

LULA BATE RECORDE DE APROVAÇÃO

FONTE: Porta de Notícias do Ig
LINK: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/12/05/aprovacao_do_presidente_lula_bate_recorde_mostra_datafolha_3111985.html

SÃO PAULO - A taxa de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu novo recorde em novembro, atingindo o maior patamar já registrado por um presidente brasileiro desde a redemocratização do País, mostrou pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira.

De acordo com levantamento publicado no jornal "Folha de S.Paulo", a avaliação positiva (soma de notas ótimo e bom) do presidente atingiu 70%, batendo o recorde anterior, que também já era de Lula, de 64% de aprovação em setembro.

O levantamento mostra que 23% avaliam o presidente como regular e 7% como ruim ou péssimo.

A pesquisa, feita entre os dias 25 e 28 de novembro, mostra que Lula conta com avaliação positiva em todos os segmentos socioeconômicos e regiões do País.

O levantamento foi publicado em uma semana em que foram feitos anúncios de demissões em grandes companhias do País, como a Vale, e em que a indústria informou que as vendas de veículos despencaram pelo segundo mês consecutivo em novembro.

De acordo com o Datafolha, o resultado da nova avaliação positiva foi influenciado principalmente pela diminuição dos que responderam que o governo tem desempenho regular: de 28% na última pesquisa, em setembro, o índice caiu para 23%. De 0 a 10, a nota média do governo ficou em 7,6, contra 7 no levantamento passado.

A pesquisa mostra ainda que a Região Nordeste continua como a que mais bem avalia a gestão de Lula. Dos entrevistados, 81% dos nordestinos avaliam o governo como ótimo ou bom. No levantamento de setembro, a marca foi de 75% na região.

De todas as áreas do governo petista avaliadas, a econômica foi a que teve um resultado melhor na avaliação espontânea, segundo os brasileiros consultados: 17% apontaram a economia como o setor de melhor desempenho. Educação foi citada por 12% dos entrevistados e o combate à fome e à miséria, por 11%. Na pergunta estimulada sobre as áreas do governo, 61% avaliaram a gestão Lula na economia como ótima ou boa. Ainda de acordo com a pesquisa, 27% disseram não ter tomado conhecimento da crise financeira mundial e 14% afirmaram estar bem informados sobre o assunto.

O levantamento apurou, também, que 27% dos brasileiros ainda não tomaram conhecimento da atual crise financeira internacional.

O Datafolha ouviu 3.486 pessoas, com mais de 16 anos de idade, em todo País. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Presidentes anteriores

As melhores notas obtidas pelos presidentes que antecederam Lula no cargo depois da redemocratização do Brasil no final dos anos de 1980 estão longe do patamar alcançado pelo petista.

O melhor desempenho registrado pelo tucano Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, foi 47% de aprovação em dezembro de 1996. Itamar Franco obteve 41% de avaliação positiva em dezembro de 1994, seguido por Fernando Collor, que em junho de 1990 registrava 36% de avaliação postiva entre os brasileiros.

(Com informações da Reuters e da Agência Estado)

POESIA EVENTUAL: Coreografia Cíclica das Mãos

COREOGRAFIA CÍCLICA DAS MÃOS

Quantas mãos desenvolvem
As virtudes de seus toques?

Quantas mãos se encolhem
Perante a frieza dos ventos?

Quantas mãos ainda jovens
Precisarão ganhar retoques?

Quantas mãos se conhecem
E reconhecem seus talentos?

Mãos que se anunciam para nascer
Mãos que se encontram para brincar
Mãos que se disciplinam para aprender
Mãos que se lapidam para trabalhar
Mãos que se entregam ao ato de criar
Mãos que se aproximam para brindar
Mãos que se entrelaçam para passear
Mãos que se humilham para sobreviver
Mãos que se arriscam para se vingar
Mãos que se energizam para orar
Mãos que se unificam para protestar
Mãos que se mobilizam para votar
Mãos que se associam para ajudar
Mãos que se fundem para amar

* * * * * * * * *

Mãos que se esboçam no ventre
Mãos que decoram novo quarto
Mãos que estão para aparecer
Mãos que participam do parto
Mãos que erguem um novo ser
Mãos que emocionam a gente

Mãos que fazem coisas erradas
Mãos que aprontam macacadas
Mãos que emolduram caretas
Mãos que ganham palmadas
Mãos que passam pomadas
Mãos que largam as chupetas

Mãos que adoram bolas
Mãos que jogam bilas
Mãos que soltam pipas
Mãos que giram peões
Mãos que imitam pistolas
Mãos que fingem ser aviões
Mãos que trocam figurinhas
Mãos que embaralham cartas
Mãos que vestem as bonecas
Mãos que espatifam brinquedos
Mãos que mudam canais de TV
Mãos que descobrem a internet
Mãos que escalam os arvoredos
Mãos que desembrulham matas
Mãos que cavam buracos na areia
Mãos que furam bolhas de chiclete
Mãos que montam quebra-cabeças
Mãos que desmontam as trancinhas
Mãos que se lambuzam de chocolate

Mãos que utilizam a lousa
Mãos que realizam as tarefas
Mãos que preenchem a chamada
Mãos que rabiscam as letrinhas
Mãos que facilitam as continhas
Mãos que sinalizam dúvidas
Mãos que corrigem provas
Mãos que recebem o boletim

Mãos que produzem arte
Mãos que tecem histórias
Mãos que pintam aquarelas
Mãos que guiam orquestras
Mãos que desfilam no piano
Mãos que dançam nas águas
Mãos que aprumam as velas
Mãos que modelam esculturas

Mãos que batem no peito
Mãos que afirmam valores
Mãos que levantam troféus
Mãos que hasteiam bandeiras
Mãos que acendem fogueiras
Mãos que agradecem aos céus
Mãos que aplaudem espetáculos
Mãos que se soltam nos carnavais
Mãos que celebram aniversários
Mãos que evoluem a cada estação
Mãos que exercitam uma profissão
Mãos que anotam fatos nos diários

* * * * * * * * *

Mãos que adubam a terra
Mãos que cultivam hortas
Mãos que plantam árvores
Mãos que fornecem grãos

Mãos que misturam ingredientes
Mãos que operam engrenagens
Mãos que enfeitam prateleiras
Mãos que selecionam produtos
Mãos que processam pedidos
Mãos que empacotam compras
Mãos que recolhem as gorjetas
Mãos que abastecem geladeiras
Mãos que preparam as comidas
Mãos que descartam embalagens

Mãos que varrem o chão
Mãos que catam lixos
Mãos que afastam fezes
Mãos que agarram o pão
Mãos que duelam com bichos
Mãos que assinalam reveses

Mãos que abafam gritos
Mãos que simulam apitos
Mãos que pedem esmola
Mãos que solicitam carona

Mãos que concentram riquezas
Mãos que praticam corrupções
Mãos que assinam demissões
Mãos que repudiam gentilezas

Mãos que matam muriçocas
Mãos que espremem piolhos
Mãos que usam baladeiras
Mãos que derrubam gaivotas
Mãos que traficam drogas
Mãos que se fazem valentes
Mãos que apontam armas
Mãos que desferem facadas
Mãos que lançam granadas
Mãos que costuram feridas
Mãos que atingem inocentes
Mãos que enxugam lágrimas

Mãos que pedem clemência
Mãos que suplicam proteção
Mãos que aplacam a violência
Mãos que acalmam a multidão

Mãos que agitam os sinos
Mãos que levam oferendas
Mãos que folheiam a bíblia
Mãos que canalizam preces
Mãos que contabilizam fiéis
Mãos que organizam a liturgia
Mãos que tangem peregrinos

Mãos que carregam bebidas
Mãos que perdem a direção
Mãos que sacrificam vidas
Mãos que tampam o caixão

Mãos que amparam doentes
Mãos que efetuam curativos
Mãos que socializam carinhos
Mãos que acolhem as crianças
Mãos que atendem os carentes
Mãos que indicam os caminhos

Mãos que assentam cimentos
Mãos que enfileiram tijolos
Mãos que pavimentam estradas
Mãos que erigem monumentos

Mãos que exercem a cidadania
Mãos que escolhem os políticos
Mãos que consultam os direitos
Mãos que tateiam outra coreografia

* * * * * * * * *

Mãos que escovam dentes
Mãos que vestem uniformes
Mãos que passam batom
Mãos que ajeitam gravatas
Mãos que abrem escritórios
Mãos que batem o ponto
Mãos que cumprem funções
Mãos que despacham ofícios
Mãos que remexem gavetas
Mãos que seguem padrões

Mãos que driblam a rotina
Mãos que distribuem beijos
Mãos que disfarçam sorrisos
Mãos que acenam esperanças
Mãos que se tocam na surdina
Mãos que acenam saudades
Mãos que enlaçam amizades
Mãos que despertam desejos

Mãos que ligam o chuveiro
Mãos que passam perfume
Mãos que arrumam cabelos
Mãos que atiçam as brasas
Mãos que desligam as luzes
Mãos que desarrumam os lençóis
Mãos que se misturam com os pés
Mãos que repousam em comunhão

* * * * * * * * *

Mãos frágeis de gestação
Mãos vivas de experimentação
Mãos precoces de adestramento
Mãos amordaçadas de apatia
Mãos calejadas de cansaço
Mãos reluzentes de vaidades
Mãos amputadas de desilusão
Mãos crispadas de indignação
Mãos insufladas de rebeldia
Mãos gratificantes de superação
Mãos febris de arrebatamento
Mãos abençoadas de inspiração
Mãos cheias de generosidades
Mãos enrugadas de sabedoria
Mãos comovidas de realização
Mãos magnetizadas de utopia

Quantas mãos desenvolvem
As virtudes de seus toques?

Quantas mãos se encolhem
Perante a frieza dos ventos?

Quantas mãos ainda jovens
Precisarão ganhar retoques?

Quantas mãos se conhecem
E reconhecem seus talentos?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Responsabilidade Social no Orkut

Conheci uma iniciativa bastante interessante, através da Rede 3setor - Rede de Informação e Discussão do Terceiro Setor (http://br.groups.yahoo.com/group/3setor). Chama-se Mutirão Virtual e foi fundada há exatamente quatro anos. É o exemplo mais empreendedor, engajado e inovador de militância sócio-virtual que eu já vi no orkut, pois foi justamente nesta rede social (subutilizada ou mal utilizada por muitos) que este projeto se notabilizou e atingiu destacada maturidade.

Segue texto de apresentação da comunidade no orkut, gerida solidariamente por Cristina Dumont e moderada pelos colaboradores Paulo André e Martha Brum.

(Comentário e indicação do Grito Pacífico, mudando o mundo com você)


MUTIRÃO VIRTUAL - AÇÃO SOCIAL

"O Mutirão Virtual já beneficiou vários projetos sociais totalizando mais de 41 mil reais em doações mensais. Foi fundado em nov/2004 e posteriormente transferido para esse endereço.

Todos os participantes aqui concordam em doar um valor mínimo de r$ 5,00 (cinco reais) mensais para um projeto social que será eleito através de votação mensal na comunidade.

O depósito é feito diretamente pelo participante na conta bancária da entidade. Queremos oferecer ao virtual um caráter humanitário, intensificando a responsabilidade social do internauta, aproximando-o das causas sociais.

(...)

Solicitamos que cada pessoa faça ao menos um depósito trimestral e comprove no devido tópico. Quem não cumprir esta regra pode ser deletado, retornando quando puder reassumir o compromisso.

Seja bem-vindo(a), apresente o seu projeto e/ou colabore com os demais!"

[Fim da descrição]


Visitem também o site do Mutirão Virtual (http://www.mutiraovirtual.kit.net), que organiza, centraliza e dá subsídio à dinâmica de solidariedade praticada no orkut. Trascrevo adiante um texto de divulgação, extraído da seção "inicial" do site.


Organizações sociais se beneficiam de doações de comunidade virtual

"Engana-se quem pensa que as redes de relacionamento não têm utilidade prática. Ações sociais podem lucrar com a troca de idéias virtual – e muito.

Se o Brasil fica muito atrás de outros países em termos de política social, o mesmo não se pode dizer da cultura tecnológica. Os 10% da população brasileira que tem acesso à Internet são responsáveis por transformar o país em um dos líderes mundiais em horas de acesso à rede. Segundo informações do Ibope, o número de brasileiros internautas com mais de 16 anos ultrapassa os 20 milhões de pessoas. Entre as classes sociais mais altas, 80% das pessoas usam regularmente a web. Neste cenário, começam a surgir iniciativas capazes de unir o gosto do brasileiro pelo mundo virtual à disposição para mudar o quadro de desigualdade social do país.

Um exemplo bem-sucedido de mobilização social acontece dentro da rede de relacionamentos Orkut – que já freqüentou a mídia por fomentar a divulgação de temas como violência e racismo na net. O lado bom da rede de relacionamentos está na comunidade Mutirão Virtual, criada em dezembro de 2004 pela moderadora Cristina Dumont. A idéia é utilizar o potencial de contato e troca de idéias do site para ajudar instituições beneficentes de forma organizada e idônea, além de ampliar contatos para novas ações sociais.

Mensalmente, os associados da comunidade apresentam duas ou mais organizações sociais, que são analisadas de acordo com seu perfil de atuação. Aquela que recebe mais votos dos associados, concentrará as doações do mês, cuja comprovação também é veiculada nesse site. A aplicação dos recursos arrecadados é discriminada pela própria organização na comunidade que, implicitamente, passa a colaborar com as demais instituições.

“O Mutirão Virtual se diferencia dos sites de doações comuns por se tratar de um fórum que proporciona uma relação mais próxima entre os seus integrantes”, explica a moderadora Cristina. “O formato de comunidade estimula o melhor conhecimento entre as organizações beneficiadas, já que os responsáveis por elas também são membros da comunidade e isso fornece um aporte para a transparência das aplicações mensais.""

Texto da jornalista Juliana W. Santos