PROCURA-SE SIMPLESMENTE EVOLUIR
Procura-se sorrir, apesar das lágrimas que sufocam as alegrias
Procura-se viver, apesar dos vícios que roubam nossas energias
Procura-se sentir, apesar das indiferenças que povoam os sentidos
Procura-se gozar, apesar dos pudores que reprimem nossas libidos
Procura-se se achar, apesar dos labirintos impostos pelo mundo
Procura-se arriscar, apesar dos medos que nos vigiam lá no fundo
Procura-se ser livre, apesar das ideologias que oprimem as escolhas
Procura-se mudar, apesar das tradições que nos cerceiam feito bolhas
Procura-se sonhar, apesar dos medos insistirem em tampar os horizontes
Procura-se ser amigo, apesar dos interesses apodrecerem nossas pontes
Procura-se perdoar, apesar dos ressentimentos ressuscitarem de repente
Procura-se ser coerente, apesar das contradições que enlouquecem a gente
Procura-se cooperar, apesar das competições nos tornarem calculistas demais
Procura-se ser humano, apesar das violências nos igualarem aos piores animais
Procura-se ser herói, apesar dos incentivos que poderão nos abandonar
Procura-se escrever, apesar das palavras que não ousam se movimentar
Procura-se enxergar, apesar das maldades que escurecem nosso amanhecer
Procura-se ser poeta, apesar das inspirações que desperdiçamos sem saber
(Pablo Robles - POETA DO SOCIAL)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Militarizando o desserviço ao Haiti
MILITARIZANDO O DESSERVIÇO AO HAITI
Meu grito, nunca calado, hoje, embalado pelo novo ano e refeito de alguns hiatos pessoais, volta a esgoelar-se, mais sedento de paz e sobretudo mais cônscio de que, enquanto houver injustiças, vozes não poderão dormir, para denunciar o silêncio da omissão... seja ela real, virtual, mundial, local e - a propósito - haitiana.
Lula anunciou, no evento do Fórum Social Mundial ocorrido recentemente em Porto Alegre, que irá ao Haiti no final de fevereiro. Propôs inclusive um ano de solidariedade a este país. O mês de janeiro, enfim, derramou-se em choros de dor, lágrimas de luta, gestos de fraternidade, explosões de compaixão.
Para a mídia (convencional), o assunto Haiti praticamente saiu de pauta. Esta mídia parece ter cumprido seu objetivo ideológico: divulgar o caos para justificar medidas de ordem. E em matéria de botar ordem na casa - ou no mundo ocidental - o super Tio Sam foi convocado. No entanto, este império em declínio meteu os pés pelas mãos, pela enésima vez.
Imagine-se dentro de uma imensa casa, quando de repente um incêndio ameaça a vida de seus familiares e amigos mais caros. Você pede ajuda desesperada aos vizinhos, no entanto, em vez de trazerem prioritariamente uns 12 bombeiros, enviam-lhe de forma oportunista mais 12 litros de combustível. Os filhos e amigos dos amigos que sobreviveram jamais entenderam a loucura da "solução" indicada para o acidente.
Não vou lembrar o que todos já sabem. Nem é sadio ficar contabilizando sangue. Mas vou atentar para a reflexão de que, por trás do fatídico terremoto natural e involuntário que se abateu sobre o já historicamente abatido Haiti, um terremoto político e voluntário sacudiu - como tantas vezes o faz - o bom-senso do governo norte-americano.
Como o trecho abaixo noticia, o Tio Sam bateu a porta na cara (sinta-se coração) de seus sobrinhos enfermeiros. Em vez de curativos, as malas de primeiros-socorros enviadas ao pobre Haiti estavam pesadas de equipamentos bélicos, carregadas por 12.000 soldados ianques, que por lá tem chegado e "ocupado" novamente o país, à revelia oficial da ONU, da missão brasileira no Haiti e do senso humano de paz (e justiça).
E por que fazem isso? O último Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça (onde Lula recebeu, representado pelo Min. Celso Amorim, o prêmio - inédito nos 40 anos deste Fórum - de Estadista Global), foi marcado por um alerta revelador: a economia norte-americana registra recuperação estatística mas ainda padece de recessão humana. Ou seja, o desemprego por lá (na mansão do Tio Sam) continua feio, insolúvel. E as contas do novo orçamento deles bateram o déficit recorde de 1,5 trilhão de dólares (fico até tonto só em digitar esta cifra).
Vou arriscar um palpite. O seu também vale. Por que salvar um país como o Haiti em um mês se você pode salvá-lo a prestação, em doze meses, ou dozes anos, com doze vezes mil soldadinhos americanos ociosos para trabalhar e girar a engrenagem meio carcomida da economia (nada econômica) dos EUA. Eles globalizaram as empresas (civis ou não), espalhando pelo mundo multinacionais famintas e bases militares antipáticas. Enfraqueceram com suas doutrinas neoliberais o papel e a força dos Estados-Nação (os quais hoje tentam se ressuscitar no xadrez geopolítico da América Latina e dos outros tabuleiros do planeta), tudo em nome do lucro fácil, concentrado e sutil, sem leis, transparências e “burocracias”.
No entanto, quando surge uma nova oportunidade de faturarem (nos vários sentidos lícitos e ilícitos do termo, como é o caso daqueles espertinhos que estão traficando criancinhas órfãs), os EUA, acima do bem e do mal, contra tudo e todos, rasgam sem pudor a bíblia de Adam Smith que cultuam da boca para fora: burocratizam a ajuda humanitária, burocratizam a cooperação internacional, burocratizam a reconstrução emergencial do Haiti, e ainda ousam burocratizar nossa livre capacidade de se indignar – sejamos enfermeiros(as) ou não.
Grito Pacífico - "mudando o mundo com você"
Michael Moore: Vergonha dos democratas
Fonte brasileira: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/michael-moore-vergonha-dos-democratas/ - 02/02/2010
Michael Moore: "Os Democratas envergonham-me"
Fonte original: Democracy Now, via Esquerda.Net - 31/01/2010
Amy Goodman: Hoje entrevistamos Michael Moore, um dos realizadores de cinema independente mais famosos do mundo. Nestes últimos vinte anos, Moore tem sido um dos realizadores mais provocadores, bem sucedidos e politicamente activos. Podemos destacar da sua cinematografia, entre outros, títulos como "Roger and me" (Roger e Eu), "Fahrenheit 9/11", "Bowling for Columbine" - que lhe granjeou o prémio da Academia - e "Capitalism: A Love Story" (Capitalismo: Uma História de Amor), o seu filme mais recente.
(...) Tive a oportunidade de o entrevistar... Comecei com uma pergunta sobre a situação no Haiti.
Michael Moore: O mais espantoso acerca "da resposta norte-americana" - conforme disse - foi a reacção individual, de cada norte-americano. Mobilizaram-se no próprio dia do terramoto, doaram com mensagens de telemóvel para a Cruz Vermelha, ofereceram-se como voluntários, queriam ajudar. As campanhas de recolha de donativos começaram nesse mesmo instante.
Quando se deu o terramoto eu estava em Miami. Testemunhei este esforço. Sobretudo por parte da comunidade haitiana e de outras comunidades do Sul da Flórida. Houve até o caso de um médico de Fort Lauderdale, proprietário de um avião, que não esperou por autorizações oficiais. Chegou ao aeroporto, saltou para o cockpit, foi ao Haiti, trouxe todos os feridos que podia - cerca de quinze pessoas - e levou-os para o hospital de Fort Lauderdale. Eu pensei então, "Meu Deus, porque é que não assistimos a isto todos os dias?"
Mas a resposta do governo, digamos, foi desajeitada, soou mais uma vez a "Somos demasiado poderosos para falhar". Que é o mesmo que dizer, "Somos demasiado poderosos para sermos bem sucedidos". Pelo menos foi assim que deram a entender.
Mas também lhe digo: de imediato, e em poucas horas, Barack Obama tentou organizar uma resposta, o que contrasta, e muito, com o que assistimos durante os mandatos de Bush, como no caso do Katrina e de outras tragédias do género. De tal modo que me recordo de me ter sentido bastante satisfeito com esta reacção.
Mas depois, no segundo e no terceiro dia, quando se percebeu que não estava a chegar ao Haiti qualquer ajuda significativa e que nessa altura era mais importante resolver a situação dos norte-americanos que lá estavam, na Embaixada, no Hotel Montana, etc. etc... Com certeza, é natural ocuparmo-nos primeiro dos nossos compatriotas, mas eu esperava que estivéssemos ali para ajudar toda a gente e que ninguém fosse considerado mais humano do que o seu semelhante.
Amy Goodman: Não sabia de um grupo de enfermeiras que queria ir - ou seria mais do que um grupo?
Michael Moore: Meu Deus... O Sindicato Nacional dos Enfermeiros. Esse é o episódio mais triste de todos. Espero que quem me esteja a ouvir, e a ver, reaja e faça pressão sobre a administração Bush. O Sindicato Nacional dos Enfermeiros...
Amy Goodman: ...A administração Obama?
Michael Moore: Sim, a de Obama. O que é que eu disse? A...
Amy Goodman: Administração Bush.
Michael Moore: Certo, certo. Já estamos a pressioná-los. Já não estão entre nós. Mas isso não era só freudiano, este é o meu estado de espírito. Porque eu não aceito a agradável diferença entre as administrações Bush e Obama, é ilusória. À primeira vista, se compararmos a actualidade com o que aconteceu nos últimos oito anos, tudo nos parece fantástico, mas na essência, na prática... Não lhe consigo dizer o quanto estou desiludido.
E o que sucedeu com o Sindicato Nacional dos Enfermeiros revela o empenho deste corpo de profissionais. Quantos estavam dispostos a partir imediatamente para o Haiti? Quase doze mil enfermeiros, note bem, doze mil enfermeiros deste país estão dispostos a seguir para o Haiti. E um enfermeiro poderia cuidar de muitas pessoas. Imagine então quantas pessoas poderíamos ajudar se pudéssemos enviar doze mil enfermeiros devidamente equipados. E esta oferta já foi feita há muitos, muitos dias, está a perceber?
Amy Goodman: A quem?
Michael Moore: À administração Obama, pela dirigente do sindicato. Ela entrou em contacto com o governo e foi ignorada, de início ninguém lhe respondeu. Mas lá acabaram por encaminhá-la para alguém que não tinha qualquer poder de decisão. Então, depois de tudo isto, ela contactou-me e disse-me "Você saberá, porventura, como poderemos chegar até ao presidente Obama?"Eu respondi, "É patético o facto de vocês serem forçados a ligar-me, quer dizer, vocês são o maior sindicato de enfermeiros. Tanto quanto sei asseguram a vice-presidência da AFL-CIO [Federação Americana do Trabalho - Congresso de Organizações Industriais], e mesmo assim não conseguem que a Casa Branca vos autorize o envio de doze mil enfermeiros para o Haiti? Não sei o que fazer por vocês... Não sei, vou ligar também".
O que é certo é que até hoje pouco mais foi feito. É angustiante. E é só um exemplo do que se passa. Na última semana você fez a cobertura deste estado de coisas quando lá esteve - falharam redondamente.
Meu grito, nunca calado, hoje, embalado pelo novo ano e refeito de alguns hiatos pessoais, volta a esgoelar-se, mais sedento de paz e sobretudo mais cônscio de que, enquanto houver injustiças, vozes não poderão dormir, para denunciar o silêncio da omissão... seja ela real, virtual, mundial, local e - a propósito - haitiana.
Lula anunciou, no evento do Fórum Social Mundial ocorrido recentemente em Porto Alegre, que irá ao Haiti no final de fevereiro. Propôs inclusive um ano de solidariedade a este país. O mês de janeiro, enfim, derramou-se em choros de dor, lágrimas de luta, gestos de fraternidade, explosões de compaixão.
Para a mídia (convencional), o assunto Haiti praticamente saiu de pauta. Esta mídia parece ter cumprido seu objetivo ideológico: divulgar o caos para justificar medidas de ordem. E em matéria de botar ordem na casa - ou no mundo ocidental - o super Tio Sam foi convocado. No entanto, este império em declínio meteu os pés pelas mãos, pela enésima vez.
Imagine-se dentro de uma imensa casa, quando de repente um incêndio ameaça a vida de seus familiares e amigos mais caros. Você pede ajuda desesperada aos vizinhos, no entanto, em vez de trazerem prioritariamente uns 12 bombeiros, enviam-lhe de forma oportunista mais 12 litros de combustível. Os filhos e amigos dos amigos que sobreviveram jamais entenderam a loucura da "solução" indicada para o acidente.
Não vou lembrar o que todos já sabem. Nem é sadio ficar contabilizando sangue. Mas vou atentar para a reflexão de que, por trás do fatídico terremoto natural e involuntário que se abateu sobre o já historicamente abatido Haiti, um terremoto político e voluntário sacudiu - como tantas vezes o faz - o bom-senso do governo norte-americano.
Como o trecho abaixo noticia, o Tio Sam bateu a porta na cara (sinta-se coração) de seus sobrinhos enfermeiros. Em vez de curativos, as malas de primeiros-socorros enviadas ao pobre Haiti estavam pesadas de equipamentos bélicos, carregadas por 12.000 soldados ianques, que por lá tem chegado e "ocupado" novamente o país, à revelia oficial da ONU, da missão brasileira no Haiti e do senso humano de paz (e justiça).
E por que fazem isso? O último Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça (onde Lula recebeu, representado pelo Min. Celso Amorim, o prêmio - inédito nos 40 anos deste Fórum - de Estadista Global), foi marcado por um alerta revelador: a economia norte-americana registra recuperação estatística mas ainda padece de recessão humana. Ou seja, o desemprego por lá (na mansão do Tio Sam) continua feio, insolúvel. E as contas do novo orçamento deles bateram o déficit recorde de 1,5 trilhão de dólares (fico até tonto só em digitar esta cifra).
Vou arriscar um palpite. O seu também vale. Por que salvar um país como o Haiti em um mês se você pode salvá-lo a prestação, em doze meses, ou dozes anos, com doze vezes mil soldadinhos americanos ociosos para trabalhar e girar a engrenagem meio carcomida da economia (nada econômica) dos EUA. Eles globalizaram as empresas (civis ou não), espalhando pelo mundo multinacionais famintas e bases militares antipáticas. Enfraqueceram com suas doutrinas neoliberais o papel e a força dos Estados-Nação (os quais hoje tentam se ressuscitar no xadrez geopolítico da América Latina e dos outros tabuleiros do planeta), tudo em nome do lucro fácil, concentrado e sutil, sem leis, transparências e “burocracias”.
No entanto, quando surge uma nova oportunidade de faturarem (nos vários sentidos lícitos e ilícitos do termo, como é o caso daqueles espertinhos que estão traficando criancinhas órfãs), os EUA, acima do bem e do mal, contra tudo e todos, rasgam sem pudor a bíblia de Adam Smith que cultuam da boca para fora: burocratizam a ajuda humanitária, burocratizam a cooperação internacional, burocratizam a reconstrução emergencial do Haiti, e ainda ousam burocratizar nossa livre capacidade de se indignar – sejamos enfermeiros(as) ou não.
Grito Pacífico - "mudando o mundo com você"
Michael Moore: Vergonha dos democratas
Fonte brasileira: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/michael-moore-vergonha-dos-democratas/ - 02/02/2010
Michael Moore: "Os Democratas envergonham-me"
Fonte original: Democracy Now, via Esquerda.Net - 31/01/2010
Amy Goodman: Hoje entrevistamos Michael Moore, um dos realizadores de cinema independente mais famosos do mundo. Nestes últimos vinte anos, Moore tem sido um dos realizadores mais provocadores, bem sucedidos e politicamente activos. Podemos destacar da sua cinematografia, entre outros, títulos como "Roger and me" (Roger e Eu), "Fahrenheit 9/11", "Bowling for Columbine" - que lhe granjeou o prémio da Academia - e "Capitalism: A Love Story" (Capitalismo: Uma História de Amor), o seu filme mais recente.
(...) Tive a oportunidade de o entrevistar... Comecei com uma pergunta sobre a situação no Haiti.
Michael Moore: O mais espantoso acerca "da resposta norte-americana" - conforme disse - foi a reacção individual, de cada norte-americano. Mobilizaram-se no próprio dia do terramoto, doaram com mensagens de telemóvel para a Cruz Vermelha, ofereceram-se como voluntários, queriam ajudar. As campanhas de recolha de donativos começaram nesse mesmo instante.
Quando se deu o terramoto eu estava em Miami. Testemunhei este esforço. Sobretudo por parte da comunidade haitiana e de outras comunidades do Sul da Flórida. Houve até o caso de um médico de Fort Lauderdale, proprietário de um avião, que não esperou por autorizações oficiais. Chegou ao aeroporto, saltou para o cockpit, foi ao Haiti, trouxe todos os feridos que podia - cerca de quinze pessoas - e levou-os para o hospital de Fort Lauderdale. Eu pensei então, "Meu Deus, porque é que não assistimos a isto todos os dias?"
Mas a resposta do governo, digamos, foi desajeitada, soou mais uma vez a "Somos demasiado poderosos para falhar". Que é o mesmo que dizer, "Somos demasiado poderosos para sermos bem sucedidos". Pelo menos foi assim que deram a entender.
Mas também lhe digo: de imediato, e em poucas horas, Barack Obama tentou organizar uma resposta, o que contrasta, e muito, com o que assistimos durante os mandatos de Bush, como no caso do Katrina e de outras tragédias do género. De tal modo que me recordo de me ter sentido bastante satisfeito com esta reacção.
Mas depois, no segundo e no terceiro dia, quando se percebeu que não estava a chegar ao Haiti qualquer ajuda significativa e que nessa altura era mais importante resolver a situação dos norte-americanos que lá estavam, na Embaixada, no Hotel Montana, etc. etc... Com certeza, é natural ocuparmo-nos primeiro dos nossos compatriotas, mas eu esperava que estivéssemos ali para ajudar toda a gente e que ninguém fosse considerado mais humano do que o seu semelhante.
Amy Goodman: Não sabia de um grupo de enfermeiras que queria ir - ou seria mais do que um grupo?
Michael Moore: Meu Deus... O Sindicato Nacional dos Enfermeiros. Esse é o episódio mais triste de todos. Espero que quem me esteja a ouvir, e a ver, reaja e faça pressão sobre a administração Bush. O Sindicato Nacional dos Enfermeiros...
Amy Goodman: ...A administração Obama?
Michael Moore: Sim, a de Obama. O que é que eu disse? A...
Amy Goodman: Administração Bush.
Michael Moore: Certo, certo. Já estamos a pressioná-los. Já não estão entre nós. Mas isso não era só freudiano, este é o meu estado de espírito. Porque eu não aceito a agradável diferença entre as administrações Bush e Obama, é ilusória. À primeira vista, se compararmos a actualidade com o que aconteceu nos últimos oito anos, tudo nos parece fantástico, mas na essência, na prática... Não lhe consigo dizer o quanto estou desiludido.
E o que sucedeu com o Sindicato Nacional dos Enfermeiros revela o empenho deste corpo de profissionais. Quantos estavam dispostos a partir imediatamente para o Haiti? Quase doze mil enfermeiros, note bem, doze mil enfermeiros deste país estão dispostos a seguir para o Haiti. E um enfermeiro poderia cuidar de muitas pessoas. Imagine então quantas pessoas poderíamos ajudar se pudéssemos enviar doze mil enfermeiros devidamente equipados. E esta oferta já foi feita há muitos, muitos dias, está a perceber?
Amy Goodman: A quem?
Michael Moore: À administração Obama, pela dirigente do sindicato. Ela entrou em contacto com o governo e foi ignorada, de início ninguém lhe respondeu. Mas lá acabaram por encaminhá-la para alguém que não tinha qualquer poder de decisão. Então, depois de tudo isto, ela contactou-me e disse-me "Você saberá, porventura, como poderemos chegar até ao presidente Obama?"Eu respondi, "É patético o facto de vocês serem forçados a ligar-me, quer dizer, vocês são o maior sindicato de enfermeiros. Tanto quanto sei asseguram a vice-presidência da AFL-CIO [Federação Americana do Trabalho - Congresso de Organizações Industriais], e mesmo assim não conseguem que a Casa Branca vos autorize o envio de doze mil enfermeiros para o Haiti? Não sei o que fazer por vocês... Não sei, vou ligar também".
O que é certo é que até hoje pouco mais foi feito. É angustiante. E é só um exemplo do que se passa. Na última semana você fez a cobertura deste estado de coisas quando lá esteve - falharam redondamente.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O que eu gostaria de ganhar...
O que eu gostaria de ganhar nos meus 30 anos?
1. Gostaria de ganhar o desdobramento e o revigoramento contínuo de sua amizade, pois sem isso – em sentido radicalmente ampliado - seríamos pessoas indiferentes, insensíveis e desumanas.
2. Gostaria de ganhar, com mais freqüência e facilidade, informações e notícias sobre as trajetórias de meus amigos, pois quanto menos as pessoas se conhecem, maiores as dificuldades de se sustentar e reciclar amizades ao longo do tempo.
3. Gostaria de ganhar, ainda nesta vida, o dobro do tempo que estou completando agora, para que eu possa ser ainda melhor: mais útil, mais produtivo, mais idealista e mais sincero do que pude ser até então.
4. Gostaria de ganhar, para a vida concreta de meu país e Estado nos próximos quatro anos de mandato político, governantes preparados e comprometidos com as necessidades e aspirações das maiores populares.
5. Gostaria de ganhar uma passagem completa para dentro de mim mesmo, para que eu possa conhecer, enfrentar e driblar melhor minhas limitações, minhas imperfeições e minhas turbulências.
6. Gostaria de ganhar mais tempo, incentivo e inspiração para eu aprimorar e aprofundar minha faculdade de escrever – seja em prosa e/ou versos – minha história, meu mundo e minhas mensagens.
7. Gostaria de ganhar um estoque inesgotável de esperanças para abastecer a militância social das gerações vindouras e curar o pessimismo presente daqueles que acham erroneamente que o Brasil não tem jeito e que é impossível mudar o mundo.
8. Gostaria de ganhar uma vacina contra meus medos, especialmente de três deles: o medo dos meus sonhos se aposentarem de mim; o medo de algum dia ser obrigado a me tornar aquilo que eu não sou; e o medo de que a violência das pessoas tranque os outros dentro das fronteiras omissas de seu próprio ego.
9. Gostaria de ganhar o poder mágico de me teletransportar quando quiser para a Bolívia, terra de minha família paterna biológica e palco político de exemplares avanços sociais e populares protagonizados pelo atual presidente indígena deste instigante país.
10. Gostaria de ganhar um álbum para guardar e eternizar, como figurinhas teimosamente grudadas nos poros da alma, todas as lembranças felizes que me fizeram sorrir e brilhar, lado a lado com todas as lembranças tristes que me fizerem evoluir e sentir.
11. Gostaria de ganhar um projetor de livros, a fim de exibir nas paredes do meu quarto (ou melhor, do meu lar, já que um e outro se confundem) as páginas de livros que o destino exige que eu leia, incorpore e vivencie.
12. Gostaria de ganhar um kit de sensibilidade composto por dois equipamentos: um microscópio para eu enxergar com a maior profundidade possível tudo que as pessoas trazem e fazem de bem; e um telescópio para poder captar as dores mais distantes que afetam o universo único de cada pessoa.
13. Gostaria de ganhar uma receita de valores para cozinhar, digerir e distribuir em todas as refeições individuais e coletivas de meu caráter: doses cavalares de amor, tempero picante de justiça e pitadas a gosto de esperança.
14. Gostaria de ganhar um arsenal de picaretas e explosivos para derrubar e destruir todos os muros do preconceito, da hipocrisia, da arrogância e da maledicência.
15. Gostaria de ganhar uma tabuada mágica para multiplicar o tempo de convivência com as pessoas amigas, somar as energias das pessoas ousadas, diminuir as distâncias que separam as pessoas inimigas e dividir exemplos positivos entre as pessoas negativas.
16. Gostaria de ganhar uma ponte ecumênica, edificada pelo idioma da tolerância, para que todos os religiosos, agnósticos e ateus possam cruzar, na democracia de seu próprio ritmo, o abismo igualmente legítimo das crenças e descrenças inerentes a cada povo e cultura.
17. Gostaria de ganhar a capacidade de poder sempre dialogar e aprender com cada momento vivido, morrido e ressuscitado de mim mesmo, ampliando percepções e ganhando experiências, inclusive junto a outras pessoas, que me possibilitem errar menos e ser mais.
18. Gostaria de ganhar um foguete para conseguir acessar os horizontes elevados e imponderáveis de mim mesmo e assim adquirir o discernimento que ainda me falta para separar, dentre outras dicotomias paradoxais, o supérfluo do necessário, a essência da aparência, o encontro da fuga, a vocação da alienação, bem como a plenitude da carência.
19. Gostaria de ganhar um freio para desacelerar a correria desnecessária e doentia das pessoas, como se vivêssemos todos em uma estressante maratona e não tivéssemos mais tempo e habilidade para contemplar e desfrutar, em câmera lenta, as belezas gratuitas e comoventes da natureza e os mistérios imprevisíveis e apaixonantes das relações humanas.
20. Gostaria de ganhar uma cesta gigante para sair escavando, colhendo, fermentando e devolvendo os ideais perdidos e as utopias abandonadas de todas as pessoas que se tornaram realistas, egoístas e inúteis demais.
21. Gostaria de ganhar um detector de mentiras, instalável sem burocracia na consciência de cada cidadão de bem, para que sejam impiedosamente desmascaradas todas as farsas semeadas ideologicamente nos livros oficiais e parciais de história, nas mídias prostituíveis e hipnotizantes do presente e nas voláteis promessas de futuro dos políticos inconseqüentes.
22. Gostaria de ganhar um bolo do tamanho da tragédia do Haiti para que cada vela dramaticamente apagada lá faça nascer, em proporções multiplicadas, uma criança mais solidária no mundo, capaz de se indignar com a gula desmedida de pouquíssimas pessoas que teimam em concentrar para si a enorme maioria das riquezas, propriedades, benefícios e oportunidades já nascidas e ou grávidas em cada labirinto intragável do planeta.
23. Gostaria de ganhar pequenas, eventuais e singelas participações nos fenômenos da natureza, mediante as seguintes performances principais: ser um pouco a gota da chuva que banha as tuas aventuras; ser um pouco o raio de luz que tateia teus caminhos; ser um pouco a nota de silêncio que povoa tuas reflexões; e ser também um pouco a partícula de energia que movimenta tuas atitudes.
24. Gostaria de ganhar uma vaga dentro do coração feminino de quem tenha coragem de me amar (e vice-versa), para que meus pensamentos racionais e sentimentos irracionais se tornem aliados e cúmplices um do outro.
25. Gostaria de ganhar uma tonelada de sementes de humanidade altruisticamente modificada para plantá-las no solo quase estéril - mas ainda recuperável - dos seres desumanos que matam, que roubam e que mentem; para não confessar as mil canalhices em pequena escala.
26. Gostaria de ser pelo menos um centímetro quadrado da folha biográfica de papel em branco que imprime e sintetiza, na superfície ao mesmo tempo caraquenta e cristalina de cada dia, os avanços e recuos, flores e espinhos, asas e algemas, regras e descompassos, certezas e dilemas, bem como as prosas e poesias de meus amigos, familiares e colegas de internet.
27. Gostaria de ganhar um cinema personalizado e portátil para exibir, sempre que eu desejar, as glórias de superação, as marchas de revolução, os banquetes de realização e as coreografias ensaiadas na contra-mão de todos os mestres, líderes e celebridades que souberam se apequenar diante da grandeza de seus liderados, discípulos e multidões anônimas.
28. Gostaria de ganhar a autorização do Banco Periférico Central para esculpir em todas as cédulas de dinheiro comercializáveis em todas as economias, gastanças e poupanças o seguinte alerta de negação máxima, “eu não sou Deus”, para que um dia as criaturinhas darwinianas (pré-macacóides e pós-capitalóides) entendam que o dinheiro, se for apropriado e administrado em doses neoliberais e excludentes, trará malefícios irreversíveis à dieta do umbigo e sobretudo à saúde do planeta, que poderá amanhã ser rebatizado para Enterra.
29. Gostaria de ganhar o prêmio da loteria proveniente daqueles que apostam que não faz sentido sermos individualmente felizes enquanto formos coletivamente tão infelizes.
30. Gostaria de ganhar suas múltiplias e contagiantes presenças: a presença de sua voz em minha música, de seu olhar em meu arco-íris, de seu espírito em minhas introspecções e de seu corpo em minha festa magma de aniversário de 30 anos para a qual estou convidando 30 amigos e amigas extraordinários(as).
1. Gostaria de ganhar o desdobramento e o revigoramento contínuo de sua amizade, pois sem isso – em sentido radicalmente ampliado - seríamos pessoas indiferentes, insensíveis e desumanas.
2. Gostaria de ganhar, com mais freqüência e facilidade, informações e notícias sobre as trajetórias de meus amigos, pois quanto menos as pessoas se conhecem, maiores as dificuldades de se sustentar e reciclar amizades ao longo do tempo.
3. Gostaria de ganhar, ainda nesta vida, o dobro do tempo que estou completando agora, para que eu possa ser ainda melhor: mais útil, mais produtivo, mais idealista e mais sincero do que pude ser até então.
4. Gostaria de ganhar, para a vida concreta de meu país e Estado nos próximos quatro anos de mandato político, governantes preparados e comprometidos com as necessidades e aspirações das maiores populares.
5. Gostaria de ganhar uma passagem completa para dentro de mim mesmo, para que eu possa conhecer, enfrentar e driblar melhor minhas limitações, minhas imperfeições e minhas turbulências.
6. Gostaria de ganhar mais tempo, incentivo e inspiração para eu aprimorar e aprofundar minha faculdade de escrever – seja em prosa e/ou versos – minha história, meu mundo e minhas mensagens.
7. Gostaria de ganhar um estoque inesgotável de esperanças para abastecer a militância social das gerações vindouras e curar o pessimismo presente daqueles que acham erroneamente que o Brasil não tem jeito e que é impossível mudar o mundo.
8. Gostaria de ganhar uma vacina contra meus medos, especialmente de três deles: o medo dos meus sonhos se aposentarem de mim; o medo de algum dia ser obrigado a me tornar aquilo que eu não sou; e o medo de que a violência das pessoas tranque os outros dentro das fronteiras omissas de seu próprio ego.
9. Gostaria de ganhar o poder mágico de me teletransportar quando quiser para a Bolívia, terra de minha família paterna biológica e palco político de exemplares avanços sociais e populares protagonizados pelo atual presidente indígena deste instigante país.
10. Gostaria de ganhar um álbum para guardar e eternizar, como figurinhas teimosamente grudadas nos poros da alma, todas as lembranças felizes que me fizeram sorrir e brilhar, lado a lado com todas as lembranças tristes que me fizerem evoluir e sentir.
11. Gostaria de ganhar um projetor de livros, a fim de exibir nas paredes do meu quarto (ou melhor, do meu lar, já que um e outro se confundem) as páginas de livros que o destino exige que eu leia, incorpore e vivencie.
12. Gostaria de ganhar um kit de sensibilidade composto por dois equipamentos: um microscópio para eu enxergar com a maior profundidade possível tudo que as pessoas trazem e fazem de bem; e um telescópio para poder captar as dores mais distantes que afetam o universo único de cada pessoa.
13. Gostaria de ganhar uma receita de valores para cozinhar, digerir e distribuir em todas as refeições individuais e coletivas de meu caráter: doses cavalares de amor, tempero picante de justiça e pitadas a gosto de esperança.
14. Gostaria de ganhar um arsenal de picaretas e explosivos para derrubar e destruir todos os muros do preconceito, da hipocrisia, da arrogância e da maledicência.
15. Gostaria de ganhar uma tabuada mágica para multiplicar o tempo de convivência com as pessoas amigas, somar as energias das pessoas ousadas, diminuir as distâncias que separam as pessoas inimigas e dividir exemplos positivos entre as pessoas negativas.
16. Gostaria de ganhar uma ponte ecumênica, edificada pelo idioma da tolerância, para que todos os religiosos, agnósticos e ateus possam cruzar, na democracia de seu próprio ritmo, o abismo igualmente legítimo das crenças e descrenças inerentes a cada povo e cultura.
17. Gostaria de ganhar a capacidade de poder sempre dialogar e aprender com cada momento vivido, morrido e ressuscitado de mim mesmo, ampliando percepções e ganhando experiências, inclusive junto a outras pessoas, que me possibilitem errar menos e ser mais.
18. Gostaria de ganhar um foguete para conseguir acessar os horizontes elevados e imponderáveis de mim mesmo e assim adquirir o discernimento que ainda me falta para separar, dentre outras dicotomias paradoxais, o supérfluo do necessário, a essência da aparência, o encontro da fuga, a vocação da alienação, bem como a plenitude da carência.
19. Gostaria de ganhar um freio para desacelerar a correria desnecessária e doentia das pessoas, como se vivêssemos todos em uma estressante maratona e não tivéssemos mais tempo e habilidade para contemplar e desfrutar, em câmera lenta, as belezas gratuitas e comoventes da natureza e os mistérios imprevisíveis e apaixonantes das relações humanas.
20. Gostaria de ganhar uma cesta gigante para sair escavando, colhendo, fermentando e devolvendo os ideais perdidos e as utopias abandonadas de todas as pessoas que se tornaram realistas, egoístas e inúteis demais.
21. Gostaria de ganhar um detector de mentiras, instalável sem burocracia na consciência de cada cidadão de bem, para que sejam impiedosamente desmascaradas todas as farsas semeadas ideologicamente nos livros oficiais e parciais de história, nas mídias prostituíveis e hipnotizantes do presente e nas voláteis promessas de futuro dos políticos inconseqüentes.
22. Gostaria de ganhar um bolo do tamanho da tragédia do Haiti para que cada vela dramaticamente apagada lá faça nascer, em proporções multiplicadas, uma criança mais solidária no mundo, capaz de se indignar com a gula desmedida de pouquíssimas pessoas que teimam em concentrar para si a enorme maioria das riquezas, propriedades, benefícios e oportunidades já nascidas e ou grávidas em cada labirinto intragável do planeta.
23. Gostaria de ganhar pequenas, eventuais e singelas participações nos fenômenos da natureza, mediante as seguintes performances principais: ser um pouco a gota da chuva que banha as tuas aventuras; ser um pouco o raio de luz que tateia teus caminhos; ser um pouco a nota de silêncio que povoa tuas reflexões; e ser também um pouco a partícula de energia que movimenta tuas atitudes.
24. Gostaria de ganhar uma vaga dentro do coração feminino de quem tenha coragem de me amar (e vice-versa), para que meus pensamentos racionais e sentimentos irracionais se tornem aliados e cúmplices um do outro.
25. Gostaria de ganhar uma tonelada de sementes de humanidade altruisticamente modificada para plantá-las no solo quase estéril - mas ainda recuperável - dos seres desumanos que matam, que roubam e que mentem; para não confessar as mil canalhices em pequena escala.
26. Gostaria de ser pelo menos um centímetro quadrado da folha biográfica de papel em branco que imprime e sintetiza, na superfície ao mesmo tempo caraquenta e cristalina de cada dia, os avanços e recuos, flores e espinhos, asas e algemas, regras e descompassos, certezas e dilemas, bem como as prosas e poesias de meus amigos, familiares e colegas de internet.
27. Gostaria de ganhar um cinema personalizado e portátil para exibir, sempre que eu desejar, as glórias de superação, as marchas de revolução, os banquetes de realização e as coreografias ensaiadas na contra-mão de todos os mestres, líderes e celebridades que souberam se apequenar diante da grandeza de seus liderados, discípulos e multidões anônimas.
28. Gostaria de ganhar a autorização do Banco Periférico Central para esculpir em todas as cédulas de dinheiro comercializáveis em todas as economias, gastanças e poupanças o seguinte alerta de negação máxima, “eu não sou Deus”, para que um dia as criaturinhas darwinianas (pré-macacóides e pós-capitalóides) entendam que o dinheiro, se for apropriado e administrado em doses neoliberais e excludentes, trará malefícios irreversíveis à dieta do umbigo e sobretudo à saúde do planeta, que poderá amanhã ser rebatizado para Enterra.
29. Gostaria de ganhar o prêmio da loteria proveniente daqueles que apostam que não faz sentido sermos individualmente felizes enquanto formos coletivamente tão infelizes.
30. Gostaria de ganhar suas múltiplias e contagiantes presenças: a presença de sua voz em minha música, de seu olhar em meu arco-íris, de seu espírito em minhas introspecções e de seu corpo em minha festa magma de aniversário de 30 anos para a qual estou convidando 30 amigos e amigas extraordinários(as).
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
POEMITO XII: Versos em Grito
"Vestido de prosa,
Caminho,
Entre pedras racionais,
No céu emocional de mim mesmo,
Para me perder e desnudar-se em versos"
VEIA ESTOURADA do Poeta do Social
PS.: Mini poesia inspirada no Projeto140 (http://projeto140.blogspot.com), criado para divulgar e incentivar a poesia via twitter (@Projeto140 - Que poesia você está fazendo?)
Caminho,
Entre pedras racionais,
No céu emocional de mim mesmo,
Para me perder e desnudar-se em versos"
VEIA ESTOURADA do Poeta do Social
PS.: Mini poesia inspirada no Projeto140 (http://projeto140.blogspot.com), criado para divulgar e incentivar a poesia via twitter (@Projeto140 - Que poesia você está fazendo?)
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Poemitos
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
POESIA: Não Importa Se Voamos
NÃO IMPORTA SE VOAMOS
Levantem, cantem, enlouqueçam...
Esqueçam logo essa normalidade
(idiota, impotente, hipócrita, demente)
Que nos adoece, diminui, envelhece!
Coloquem a razão no fogo da emoção!
Deixem a sensibilidade ganhar asas
E os ideais invadirem as suas casas!
Façam do amor o lema de toda geração!
Arranquem os cabelos da maldade!
Ponham suas dúvidas de castigo!
Aposentem a egolatria do umbigo!
Ecoem ao infinito o grito da verdade!
A realidade é escrava dos sonhos.
A indiferença é o veneno da arte.
Xeque-mate para povos tristonhos:
A arte de sonhar veio nos salvar!
Enquanto o vento da ousadia passava,
Embarcamos nos sonhos e decolamos.
Quando a gente parava, tudo afundava;
Mas chegamos, não importa se voamos...
O medo aqui de cima não vale nada.
O preconceito aqui de longe é uma piada.
Onde estamos agora, a beleza é perfeita.
Fruto nenhum estraga mais a colheita.
Quanto mais escuro, maior é o muro.
Sem fé, qualquer topada machuca o pé.
O peso da cruz depende do fluxo da luz,
Da força interior que funda a exterior.
Se não fosse o roteiro da utopia,
Nenhuma noite alcançaria o dia.
Se o impossível fosse absoluto,
Viver seria relativamente um luto.
Somente com Deus o poeta duela
Na criação inexplicável de mundos
Onde o mistério dos versos profundos
E obras imponderáveis nunca se revela.
Enquanto o vento da ousadia passava,
Embarcamos nos sonhos e decolamos.
Quando a gente parava, tudo afundava;
Mas chegamos, não importa se voamos...
(Pablo Robles - POETA DO SOCIAL)
Em homenagem à minha primeira participação no sarau do Templo da Poesia
Levantem, cantem, enlouqueçam...
Esqueçam logo essa normalidade
(idiota, impotente, hipócrita, demente)
Que nos adoece, diminui, envelhece!
Coloquem a razão no fogo da emoção!
Deixem a sensibilidade ganhar asas
E os ideais invadirem as suas casas!
Façam do amor o lema de toda geração!
Arranquem os cabelos da maldade!
Ponham suas dúvidas de castigo!
Aposentem a egolatria do umbigo!
Ecoem ao infinito o grito da verdade!
A realidade é escrava dos sonhos.
A indiferença é o veneno da arte.
Xeque-mate para povos tristonhos:
A arte de sonhar veio nos salvar!
Enquanto o vento da ousadia passava,
Embarcamos nos sonhos e decolamos.
Quando a gente parava, tudo afundava;
Mas chegamos, não importa se voamos...
O medo aqui de cima não vale nada.
O preconceito aqui de longe é uma piada.
Onde estamos agora, a beleza é perfeita.
Fruto nenhum estraga mais a colheita.
Quanto mais escuro, maior é o muro.
Sem fé, qualquer topada machuca o pé.
O peso da cruz depende do fluxo da luz,
Da força interior que funda a exterior.
Se não fosse o roteiro da utopia,
Nenhuma noite alcançaria o dia.
Se o impossível fosse absoluto,
Viver seria relativamente um luto.
Somente com Deus o poeta duela
Na criação inexplicável de mundos
Onde o mistério dos versos profundos
E obras imponderáveis nunca se revela.
Enquanto o vento da ousadia passava,
Embarcamos nos sonhos e decolamos.
Quando a gente parava, tudo afundava;
Mas chegamos, não importa se voamos...
(Pablo Robles - POETA DO SOCIAL)
Em homenagem à minha primeira participação no sarau do Templo da Poesia
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Poesias Especiais
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Amando para Mudar & Mudando para Amar
Amando para Mudar & Mudando para Amar
Ah se não fosse essa mania insistente e comovente
De se gostar tanto das coisas e sobretudo de gente!
De repente descobrimos, pela pedagogia da dor, que o amor
É a única força que nos salva, nos humaniza e nos transcende.
Que o melhor de cada um cresça e prevaleça entre todos nós!
Que nenhum obstáculo exterior desligue a essência da tua voz!
Sejamos personagens mais reais no palco da(s) vida(s),
Descartando as máscaras dos interesses que tiranizam
E reciclando os discursos que nos libertam, os enredos
Que (nos) evoluem e as performances que nos uni-ci-zam.
Que os sorrisos e as lágrimas descubram a sintonia perfeita
Nessa atmosfera de aparências mil e sensibilidade rarefeita!
Que a sutileza do detalhe e a riqueza do silêncio não sejam diluídas
Por diálogos vazios, sentidos superficiais e relações estereotipadas!
Que o veneno do preconceito nunca escoe pelos teus lábios
E a hipocrisia jamais se esconda nos bastidores do teu olhar!
Que o caos de tudo que não precisamos e secretamente nos mata
Seja reordenado pela simplicidade profunda daquilo que nos basta!
Se a televisão te emburrece, não tenha medo de dispensá-la,
Antes que a sua consciência seja globalizada e condicionada.
Desconfie das notícias que muito deformam e pouco informam.
Para conhecer a realidade, sinta o cheiro do povo a espreitá-la.
Nada que não passe pelo coração encontra eco na razão!
O mistério da felicidade não cabe em fórmulas calculadas!
A economia dos números que contabiliza nossa civilização
Será nocauteada pela magia das pessoas “descontroladas”!
Que a fé em qualquer Deus comece pela fé na humanidade
E que rituais tradicionais se convertam em obras de verdade!
Que a arte de ser quem você é não seja comercializada
E a neutralidade omissa da ciência seja logo eletrocutada!
Quando nem tudo parecer correto, coerente, justo e decente;
Abriga-te dentro dos teus sonhos, daquilo que é incorruptível!
Que a tristeza dos que tem menos derreta o ego das pessoas frias!
Que a vontade de mudar o mundo seja o refrão eterno das utopias!
Bendito o tempo que cicatriza feridas, peneira saudades,
Enterra absurdos, inverte paradigmas, renova esperanças;
Amadurecendo as “crianças” em suas idades e prioridades,
Além de nos ensinar a amar para mudar e mudar para amar!
Que os prêmios Nobel da Paz não façam hinos à guerra
E a olimpíada suicida do PIB não sacrifique mais a Terra!
Que os medos da noite abram alas para os triunfos do dia!
Que a tua alma nunca se feche para o orgasmo da poesia!
(Por Pablo Robles – POETA DO SOCIAL)
Em homenagem ao Natal de 2009 e ao Ano Novo de 2010
Ah se não fosse essa mania insistente e comovente
De se gostar tanto das coisas e sobretudo de gente!
De repente descobrimos, pela pedagogia da dor, que o amor
É a única força que nos salva, nos humaniza e nos transcende.
Que o melhor de cada um cresça e prevaleça entre todos nós!
Que nenhum obstáculo exterior desligue a essência da tua voz!
Sejamos personagens mais reais no palco da(s) vida(s),
Descartando as máscaras dos interesses que tiranizam
E reciclando os discursos que nos libertam, os enredos
Que (nos) evoluem e as performances que nos uni-ci-zam.
Que os sorrisos e as lágrimas descubram a sintonia perfeita
Nessa atmosfera de aparências mil e sensibilidade rarefeita!
Que a sutileza do detalhe e a riqueza do silêncio não sejam diluídas
Por diálogos vazios, sentidos superficiais e relações estereotipadas!
Que o veneno do preconceito nunca escoe pelos teus lábios
E a hipocrisia jamais se esconda nos bastidores do teu olhar!
Que o caos de tudo que não precisamos e secretamente nos mata
Seja reordenado pela simplicidade profunda daquilo que nos basta!
Se a televisão te emburrece, não tenha medo de dispensá-la,
Antes que a sua consciência seja globalizada e condicionada.
Desconfie das notícias que muito deformam e pouco informam.
Para conhecer a realidade, sinta o cheiro do povo a espreitá-la.
Nada que não passe pelo coração encontra eco na razão!
O mistério da felicidade não cabe em fórmulas calculadas!
A economia dos números que contabiliza nossa civilização
Será nocauteada pela magia das pessoas “descontroladas”!
Que a fé em qualquer Deus comece pela fé na humanidade
E que rituais tradicionais se convertam em obras de verdade!
Que a arte de ser quem você é não seja comercializada
E a neutralidade omissa da ciência seja logo eletrocutada!
Quando nem tudo parecer correto, coerente, justo e decente;
Abriga-te dentro dos teus sonhos, daquilo que é incorruptível!
Que a tristeza dos que tem menos derreta o ego das pessoas frias!
Que a vontade de mudar o mundo seja o refrão eterno das utopias!
Bendito o tempo que cicatriza feridas, peneira saudades,
Enterra absurdos, inverte paradigmas, renova esperanças;
Amadurecendo as “crianças” em suas idades e prioridades,
Além de nos ensinar a amar para mudar e mudar para amar!
Que os prêmios Nobel da Paz não façam hinos à guerra
E a olimpíada suicida do PIB não sacrifique mais a Terra!
Que os medos da noite abram alas para os triunfos do dia!
Que a tua alma nunca se feche para o orgasmo da poesia!
(Por Pablo Robles – POETA DO SOCIAL)
Em homenagem ao Natal de 2009 e ao Ano Novo de 2010
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Poesias Especiais
sábado, 12 de dezembro de 2009
Uma literária possibilidade real
De repente ela apareceu para ele. Ou vice-versa. Passaram a existir um para o outro. Os nomes principais dos dois cabem numa mesma quantidade de letras. Embora também identificados pela mesma idade, apresentam mundos necessariamente diferentes. Na verdade únicos, pois a singularidade sem limites da espécie humana não admite cópias.
Meia hora depois que se falaram à distância, ele se põe a ouvir a voz dela por telefone. O timbre um pouco ansioso dele foi dissolvido pela candura infantil exalada no outro lado da linha. Rápida no gatilho, acionado pela troca de mensagens via celular, ela vai ao encontro dele, de modo que um dia depois, no palco convidativo de uma praça, as personagens começavam a se revelar, se descobrir, se medir.
As impressões iniciais entre os dois se confrontam e se ajustam, mas possivelmente um segundo encontro será necessário para que as imagens que um está metabolizando sobre o outro se tornem mais nítidas e reveladoras. Enfim, não tardará para que o clima de estranhamento ganhe personalidade e seja nocauteado pela espontaneidade.
O que falaram quando se sentaram juntos pela primeira vez? Certamente priorizaram temas mais objetivos: estudos, trabalho, famílias, afazeres, namoros anteriores. Afinal de contas, a subjetividade precisa de mais tempo para ser desembrulhada. Palavras subtraídas por silêncios. Silêncios sacudidos por palavras. Dialética essa realçada por gestos denunciadores e testemunhada por olhares avaliadores.
O tempo dessa vez não foi generoso para esse par experimental de amigos, pois já estava tarde e tiveram que se apressar. Voltaram saboreando sorvetes, ao mesmo tempo em que degustavam suas preferências musicais e literárias. E assim despediram-se. Por enquanto ou para sempre? Ainda é muito cedo para um palpite razoável. Dormiram, sonharam e acordaram embalados por uma miríade consciente e inconsciente de incertezas.
Já não seria surpresa informar que ele e ela estavam solteiros, o que significa dizer que o magnetismo da esperança, no sentido afetivo do termo, desde o princípio os unira. Mas tal expectativa não foi administrada de forma idêntica: ele, mais idealista e decididamente mais explícito em seus anseios; ela, mais realista e sobretudo implícita em suas intenções. A empolgação do homem foi neutralizada pela cautela da mulher.
Quem é ele? Quem é ela? Por que não outro? Por que não outra? Dúvidas, naturalmente, dominavam os primeiros passos de destinos imprevisíveis e talvez conciliáveis. O fato é que o convite do amanhã houvera sido feito. Era uma vez uma possibilidade fecundada pelo tempo presente de ambos, nublado pelo desconhecimento quase total de seus passados.
Mereciam avançar, vencer eventuais medos e lançar os dados da sorte? O desafio do novo é a resistência do antigo. O risco é o ingrediente inevitável da felicidade. Sem a cor poética e democrática do mistério, o futuro não seria tão colorido e belo. Ela e ele, jovens já moldados pelas responsabilidades adultas, não embarcariam em armadilhas efêmeras.
Estariam habilitados a partilhar um mesmo horizonte, nem que fosse apenas durante uma estação, uma espécie de estágio probatório? Esta moça e este jovem beirando os trinta anos aprovariam o processo de metamorfose que seus mundos afetivos teriam que passar? Ou tudo não passaria de ilusões perdidas? Uma legião de dilemas tão agitados como a rotina urbana rondava o labirinto de suas mentes - ou, melhor dizendo, corações.
Estariam dispostos a sincronizar seus sorrisos e deslizarem algumas lágrimas nas mãos um do outro? Saberiam inventar carícias e colecionar emoções para o acervo de suas almas? Ou não! Alguma incompatibilidade, preconceito ou insensibilidade cortaria, sem paciência e sem piedade, as asas da esperança deste casal em potencial?
Há momentos em que a ficção literária confunde-se com a realidade da vida, como se um movimento atraísse o outro para virarem sinônimos. Caberão aos protagonistas anônimos deste breve conto, baseado a propósito numa cena verídica e bem recente, escolherem o desfecho que julgarem mais apropriados. No entanto, se ambos enxergarem nos próximos dias e conversas um atalho comum e convergente dentro de si mesmos, a vida, em vez de se contentar imitando a arte, poderá efetivamente transcendê-la.
Assim sendo, para a alegria dos leitores que acreditam na humanidade do amor (visto que sua essência original tem algo de divino e imponderável), um conto aparentemente sem pretensão poderá, nos bastidores da blogosfera, dar as boas-vindas para um romance autêntico, maduro, promissor e apaixonadamente real.
Meia hora depois que se falaram à distância, ele se põe a ouvir a voz dela por telefone. O timbre um pouco ansioso dele foi dissolvido pela candura infantil exalada no outro lado da linha. Rápida no gatilho, acionado pela troca de mensagens via celular, ela vai ao encontro dele, de modo que um dia depois, no palco convidativo de uma praça, as personagens começavam a se revelar, se descobrir, se medir.
As impressões iniciais entre os dois se confrontam e se ajustam, mas possivelmente um segundo encontro será necessário para que as imagens que um está metabolizando sobre o outro se tornem mais nítidas e reveladoras. Enfim, não tardará para que o clima de estranhamento ganhe personalidade e seja nocauteado pela espontaneidade.
O que falaram quando se sentaram juntos pela primeira vez? Certamente priorizaram temas mais objetivos: estudos, trabalho, famílias, afazeres, namoros anteriores. Afinal de contas, a subjetividade precisa de mais tempo para ser desembrulhada. Palavras subtraídas por silêncios. Silêncios sacudidos por palavras. Dialética essa realçada por gestos denunciadores e testemunhada por olhares avaliadores.
O tempo dessa vez não foi generoso para esse par experimental de amigos, pois já estava tarde e tiveram que se apressar. Voltaram saboreando sorvetes, ao mesmo tempo em que degustavam suas preferências musicais e literárias. E assim despediram-se. Por enquanto ou para sempre? Ainda é muito cedo para um palpite razoável. Dormiram, sonharam e acordaram embalados por uma miríade consciente e inconsciente de incertezas.
Já não seria surpresa informar que ele e ela estavam solteiros, o que significa dizer que o magnetismo da esperança, no sentido afetivo do termo, desde o princípio os unira. Mas tal expectativa não foi administrada de forma idêntica: ele, mais idealista e decididamente mais explícito em seus anseios; ela, mais realista e sobretudo implícita em suas intenções. A empolgação do homem foi neutralizada pela cautela da mulher.
Quem é ele? Quem é ela? Por que não outro? Por que não outra? Dúvidas, naturalmente, dominavam os primeiros passos de destinos imprevisíveis e talvez conciliáveis. O fato é que o convite do amanhã houvera sido feito. Era uma vez uma possibilidade fecundada pelo tempo presente de ambos, nublado pelo desconhecimento quase total de seus passados.
Mereciam avançar, vencer eventuais medos e lançar os dados da sorte? O desafio do novo é a resistência do antigo. O risco é o ingrediente inevitável da felicidade. Sem a cor poética e democrática do mistério, o futuro não seria tão colorido e belo. Ela e ele, jovens já moldados pelas responsabilidades adultas, não embarcariam em armadilhas efêmeras.
Estariam habilitados a partilhar um mesmo horizonte, nem que fosse apenas durante uma estação, uma espécie de estágio probatório? Esta moça e este jovem beirando os trinta anos aprovariam o processo de metamorfose que seus mundos afetivos teriam que passar? Ou tudo não passaria de ilusões perdidas? Uma legião de dilemas tão agitados como a rotina urbana rondava o labirinto de suas mentes - ou, melhor dizendo, corações.
Estariam dispostos a sincronizar seus sorrisos e deslizarem algumas lágrimas nas mãos um do outro? Saberiam inventar carícias e colecionar emoções para o acervo de suas almas? Ou não! Alguma incompatibilidade, preconceito ou insensibilidade cortaria, sem paciência e sem piedade, as asas da esperança deste casal em potencial?
Há momentos em que a ficção literária confunde-se com a realidade da vida, como se um movimento atraísse o outro para virarem sinônimos. Caberão aos protagonistas anônimos deste breve conto, baseado a propósito numa cena verídica e bem recente, escolherem o desfecho que julgarem mais apropriados. No entanto, se ambos enxergarem nos próximos dias e conversas um atalho comum e convergente dentro de si mesmos, a vida, em vez de se contentar imitando a arte, poderá efetivamente transcendê-la.
Assim sendo, para a alegria dos leitores que acreditam na humanidade do amor (visto que sua essência original tem algo de divino e imponderável), um conto aparentemente sem pretensão poderá, nos bastidores da blogosfera, dar as boas-vindas para um romance autêntico, maduro, promissor e apaixonadamente real.
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