Interação. Intervenção. Agressão. Essa foi a involução moral de nossa civilização, manifestada na relação do homem com a natureza, conforme postula Leonardo Boff. A Terra está cansada de ser maltratada por seus habitantes humanos e impiedosamente desumanos. O generoso lar do planeta, que tem abrigado tantos povos e gerações, vai perdendo a passos semisuicidas sua capacidade de se auto-sustentar, a não ser que as frenéticas sociedades contemporâneas descartem com urgência seus paradigmas doentios, controladores e destrutivos, pondo novamente em primeiro plano os valores universais da comunhão, da tolerância e da solidariedade, ao mesmo tempo individual e coletiva, mas também organizacional e planetária. No entanto, devemos correr e empreender avanços olímpicos nesse desiderato, antes que nosso erro se torne imperdoável e irreversivelmente catastrófico.
QUANDO COMEÇOU NOSSO ERRO?
Por Leonardo Boff - 06/10/2008
FONTE: Adital (www.adital.com.br)
Sentimos hoje a urgência de estabelecermos uma paz perene com a Terra. Há séculos estamos em guerra contra ela. Enfrentamo-la de mil formas no intento de dominar suas forças e de aproveitar ao máximo seus serviços. Temos conseguido vitórias, mas a um preço tão alto que agora a Terra parece se voltar contra nós. Não temos nenhuma chance de ganhar dela. Ao contrário, os sinais nos dizem que devemos mudar senão ela poderá continuar sob a luz benfazeja do sol, mas sem a nossa presença.
É tempo de fazermos um balanço e nos perguntarmos: quando começou o nosso erro? A maioria dos analistas diz que tudo começou há cerca de dez mil anos com a revolução do neolítico, quando os seres humanos se tornaram sedentários, projetaram vilas e cidades, inventaram a agricultura, começaram com as irrigações e a domesticação dos animais. Isso lhes permitiu sair da situação de penúria de, dia após dia, garantir a alimentação necessária através da caça e da recoleção de frutos. Agora, com a nova forma de produção, criou-se o estoque de alimentos que serviu de base para montar exércitos, fazer guerras e criar impérios. Mas se desarticulou a relação de equilíbrio entre natureza e ser humano. Começou o processo de conquista do planeta que culminou em nossos tempos com a tecnificação e artificialização de praticamente todas as nossas relações com o meio-ambiente.
Estimo, entretanto, que esse processo começou muito antes, no seio mesmo da antropogênese. Desde os seus albores, cabe distinguir três etapas na relação de ser humano com a natureza. A primeira era de interação. O ser humano interagia com o meio, sem interferir nele, aproveitando de tudo o que ele abundantemente lhe oferecia. Prevalecia grande equilíbrio entre ambos. A segunda etapa era a da intervenção. Corresponde à época em que surgiu há cerca de 2,4 milhões de anos, o homo habilis. Este nosso ancestral começou a intervir na natureza ao usar instrumentos rudimentares como um pedaço de pau ou uma pedra para melhor se defender e se assenhorear das coisas ao seu redor. Inicia-se o rompimento do equilíbrio original. O ser humano se sobrepõe à natureza. Esse processo se complexifica até surgir a terceira etapa que é a da agressão. Coincide com a revolução do neolítico da qual nos referimos anteriormente. Aqui se abre um caminho de alta aceleração na conquista da natureza. Após a revolução do neolítico sucederam-se as várias revoluções, a industrial, a nuclear, a biotecnológica, a da informática, da automação e a da nanotecnologia. Sofisticaram-se cada vez mais os instrumentos de agressão, até penetrar nas partículas subatômicas (topquarks, hadrions) e no código genético dos seres vivos.
Em todo esse processo se operou um profundo deslocamento na relação. De ser inserido na natureza como parte dela, o ser humano transformou-se num ser fora e acima da natureza. Seu propósito é domina-la e trata-la, na expressão de Francis Bacon, o formulador do método científico, como o inquisidor trata o seu inquirido: torturá-la até que entregue todos os seus segredos. Esse método é vastamente imperante nas universidades e nos laboratórios.
Entretanto, a Terra é um planeta pequeno, velho e com limitados recursos. Sozinha não consegue mais se auto-regular. O estresse pode se generalizar e assumir formas catastróficas. Temos que reconhecer nosso erro: o de nos termos afastado dela, esquecendo que somos Terra, que ela é o único lar que possuímos e que nossa missão é cuidar dela. Devemos faze-lo com a tecnologia que desenvolvemos, mas assimilada dentro de um paradigma de sinergia e de benevolência, base da paz perpétua tão sonhada por Kant.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
ATENTADO: Contra a Educação
Posto aqui um protesto justíssimo que recebi por e-mail contra a truculência midiática da Veja, que deveria se chamar Não Veja, por sua capacidade - talvez insuperável entre as revistas nacionais - de envenenar e difamar conteúdos, pessoas e ideais, cuja chama de amor projeta luzes sem fim no horizonte do universo. Até meu rosto se molhou e meu óculos embaçou diante deste ataque descarado aos princípios mais elevados e libertadores de quem tantou se empenhou em mudar o mundo e nos alfabetizar para a cidadadia através da educação. Viva Paulo Freire.
VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA
Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem 'O que estão ensinando a ele?', De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, baseada em pesquisa sobre a qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:
'Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização'
Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:
'Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE - e um dos maiores de toda a história da humanidade -, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo que a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.
Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.
A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado , contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.
Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do 'filósofo' e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos.
Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.
Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu 'Norte' e 'Bíblia'. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso País, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.
Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!
São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire'.
VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA
Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem 'O que estão ensinando a ele?', De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, baseada em pesquisa sobre a qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:
'Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização'
Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:
'Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE - e um dos maiores de toda a história da humanidade -, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo que a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.
Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.
A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado , contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.
Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do 'filósofo' e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos.
Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.
Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu 'Norte' e 'Bíblia'. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso País, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.
Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!
São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire'.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
CONJUNTURA (CAÓTICA): Um dia a casa cai
UM DIA A CASA CAI. E QUANDO OS ALICERCES SÃO VOLÁTEIS, TUDO DESABA ANTES QUE O CIMENTO DA PRÓXIMA MENTIRA SEQUE, VIRE VERNIZ E ESCONDA OS TIJOLOS CARCOMIDOS DE UMA GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA IMPLODIDA POR ESPECULAÇÕES IMPRODUTIVAS E EXCLUDENTES. QUE AS RUÍNAS DESSE ESCOMBRO (PURIFICADOR?) ENTERREM TAMBÉM O DEUS DO MERCADO ABSOLUTO E SEM FREIOS, CALANDO AS ÚLTIMAS GARGALHADAS ESTÚPIDAS DE UMA IDEOLOGIA SUICIDA.
(Comentário de Pablo Robles)
O trecho abaixo resgata as análises de um dos maiores historiadores do século XX:
"Eric Hobsbawm, há alguns anos, já havia diagnosticado que a moderna teoria econômica, ensinada nas universidades e fortemente midiatizada, não passava de uma nova teologia. Os economistas, a serviço do ‘mercado’, são como profetas do caos. Curiosamente, insistem em prever o que não sabem. Dizem até qual será a cotação tal e tal, em época determinada. Fazem ‘análises’ de conjuntura, que, em horas, viram poeira midiática. Todavia, esta postura agrada aos verdadeiros donos do poder econômico. Estes detestam qualquer interpretação fora do que acreditam, desejando ficar na obscuridade fantasiosa de seus negócios, muitas vezes, escusos."
(Fonte: extraído do artigo "Economia e a atual crise dos mercados", de Luis Carlos Lopes, em 26/09/2008)
O renomado economista Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001, volta a exercitar sua lucidez nesta passagem:
"O programa da globalização esteve estreitamente ligado aos fundamentalistas do mercado: a ideologia dos mercados livres e da liberalização financeira. Nesta crise, observamos que as instituições mais baseadas no mercado da economia mais baseada no mercado vieram abaixo e correram a pedir a ajuda do Estado. Todo mundo dirá agora que este é o final do fundamentalismo de mercado. Neste sentido, a crise de Wall Street é para o fundamentalismo de mercado o que a queda do Muro de Berlim foi para o comunismo: ela diz ao mundo que este modo de organização econômica é insustentável. Em resumo, dizem todos, esse modelo não funciona. Este momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas."
(Fonte: extraído de entrevista dada ao El País, em 25/09/2008, e traduzida por Marco Aurélio Weissheimer)
Ambas as citações estão publicadas na Agência Carta Maior (www.cartamaior.com.br)
(Comentário de Pablo Robles)
O trecho abaixo resgata as análises de um dos maiores historiadores do século XX:
"Eric Hobsbawm, há alguns anos, já havia diagnosticado que a moderna teoria econômica, ensinada nas universidades e fortemente midiatizada, não passava de uma nova teologia. Os economistas, a serviço do ‘mercado’, são como profetas do caos. Curiosamente, insistem em prever o que não sabem. Dizem até qual será a cotação tal e tal, em época determinada. Fazem ‘análises’ de conjuntura, que, em horas, viram poeira midiática. Todavia, esta postura agrada aos verdadeiros donos do poder econômico. Estes detestam qualquer interpretação fora do que acreditam, desejando ficar na obscuridade fantasiosa de seus negócios, muitas vezes, escusos."
(Fonte: extraído do artigo "Economia e a atual crise dos mercados", de Luis Carlos Lopes, em 26/09/2008)
O renomado economista Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001, volta a exercitar sua lucidez nesta passagem:
"O programa da globalização esteve estreitamente ligado aos fundamentalistas do mercado: a ideologia dos mercados livres e da liberalização financeira. Nesta crise, observamos que as instituições mais baseadas no mercado da economia mais baseada no mercado vieram abaixo e correram a pedir a ajuda do Estado. Todo mundo dirá agora que este é o final do fundamentalismo de mercado. Neste sentido, a crise de Wall Street é para o fundamentalismo de mercado o que a queda do Muro de Berlim foi para o comunismo: ela diz ao mundo que este modo de organização econômica é insustentável. Em resumo, dizem todos, esse modelo não funciona. Este momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas."
(Fonte: extraído de entrevista dada ao El País, em 25/09/2008, e traduzida por Marco Aurélio Weissheimer)
Ambas as citações estão publicadas na Agência Carta Maior (www.cartamaior.com.br)
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INFORME: Experimentando Outros Timbres
Retorno com saudade ao blog. Meus encargos profissionais têm buscado sufocar vasta extensão do meu tempo, mas nem por isso vou abandonar o impulso militante e o compromisso pessoal de postar, alimentar e fazer retumbar o “Grito Pacífico”.
Comunico que vou suspender por pelo menos três meses (setembro a novembro) as seções tradicionais e variadas que vinha me acostumando a publicar mensalmente. Mas este espaço continuará sacudindo a blogosfera e inaugurando novas manifestações estéticas e ressonâncias sociais de minha veia escrita e desejosamente engajada.
Iniciarei um estilo de postagens mais curtas, comentários mais resumidos e conteúdos mais aleatórios. A principal diferença é que, em vez de veicular textos mais elaborados, sob a forma de artigos ou crônicas, passarei a produzir e expor, com uma freqüência bem mais sistemática e assídua, mensagens de cunho mais direto, enxuto e instantâneo.
Comunico que vou suspender por pelo menos três meses (setembro a novembro) as seções tradicionais e variadas que vinha me acostumando a publicar mensalmente. Mas este espaço continuará sacudindo a blogosfera e inaugurando novas manifestações estéticas e ressonâncias sociais de minha veia escrita e desejosamente engajada.
Iniciarei um estilo de postagens mais curtas, comentários mais resumidos e conteúdos mais aleatórios. A principal diferença é que, em vez de veicular textos mais elaborados, sob a forma de artigos ou crônicas, passarei a produzir e expor, com uma freqüência bem mais sistemática e assídua, mensagens de cunho mais direto, enxuto e instantâneo.
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Informes ao Leitor
BOA NOTÍCIA: Adeus Neoliberalismo
Em alta, Lula 'decreta' fim da era neoliberal
25/09 - 04:21 - BBC Brasil
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br - 25/09/2008
Depois de ter acusado os países ricos de praticarem ''populismo nacionalista'' e de ter dito que o sistema financeiro mundial investiu em uma ''jogatina'' que resultou na atual turbulência econômica, Lula se despediu de Nova York e de sua temporada na 63ª Assembléia Geral da ONU, ''decretando'' o fim da era neoliberal.
Bush pede apoio ao pacote contra a crise econômica
Ao longo de sua estadia em Nova York, encerrada na quarta-feira, o presidente deu declarações que demonstraram a segurança de alguém cuja popularidade alcançou a marca recorde de 77,7% - de acordo com pesquisa do Instituto Sensus- e a confiança de um líder cujo país não foi fortemente atingido pelas mazelas econômicas que vêm assolando os Estados Unidos.
Lula disse acreditar que o período neoliberal ''está encerrado porque [a crise] demonstra que também no sistema financeiro é preciso ter seriedade, é preciso ter ética, não é apenas o cidadão comum que tem que ser ético''.
Os puxões de orelhas do líder brasileiro ao longo de sua estadia de três dias não se limitaram ao sistema financeiro. Lula também desferiu golpes contra os Estados Unidos e o presidente George W. Bush e ainda deu palpites na campanha eleitoral americana.
''O ideal é que os dois candidatos pudessem assinar uma carta ao povo americano, como a que eu assinei ao povo brasileiro em 2002, assumindo um compromisso para dar tranqüilidade ao povo americano e tranqüilidade para o mundo como um todo'', afirmou.
O presidente também procurou colocar o Brasil em um papel de protagonista no contexto internacional, capaz de exigir dos organismos multinacionais propostas para contornar a atual crise financeira.
''Eu cobrei do G8, cobrei do FMI e do Banco Mundial que estava na hora de eles se manifestarem porque quando um país pequeno tem crise todos eles dão palpite. Quando a maior economia do mundo entra em colapso a gente não vê nenhum palpite deles.''
O último evento de Lula em Nova York foi uma reunião sobre a crise financeira mundial da qual participou como único representante da América Latina, ao lado de líderes como o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o premiê espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero.
Repercussão
Se à primeira vista os comentários e ações do líder brasileiro poderiam dar a impressão de meras bravatas, a mídia americana tratou as observações de Lula com destaque e até reverência.
Para o New York Times, o discurso de Lula na abertura da cúpula da ONU, no qual o presidente afirmou que "o ônus da cobiça desenfreada não pode cair impunemente sobre todos" refletiu o tom do encontro.
O Wall Street Journal destacou que Lula defendeu a criação de um sistema que previna o sistema financeiro mundial de ser vítima de futuros abusos.
O jornal também definiu o presidente brasileiro como um ''defensor do meio termo entre capitalismo e socialismo'', e, em tom menos lisonjeiro, como um líder que ''anda em uma corda bamba entre as práticas da ortodoxia econômica e o financiamento de programas sociais populistas''.
Ao passo que a mídia dos Estados Unidos deu ouvidos aos comentários de Lula, o presidente também esteve atento ao pronunciamento do líder americano, George W. Bush, mas aproveitou para criticá-lo, devido ao pouco destaque que ele deu ao tema da crise econômica em seu discurso.
"Eu lamentei porque imaginei que o presidente Bush, já que é a ultima aparição dele na sede das Nações Unidas, faria um discurso de despedida, falando um pouco da crise econômica e o que o governo americano pretende fazer", afirmou.
O líder brasileiro ainda ironizou: ''Eu, como sou defensor da autodeterminação dos povos e da soberania dos discursos dos presidentes, fui obrigado então a ficar quieto".
25/09 - 04:21 - BBC Brasil
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br - 25/09/2008
Depois de ter acusado os países ricos de praticarem ''populismo nacionalista'' e de ter dito que o sistema financeiro mundial investiu em uma ''jogatina'' que resultou na atual turbulência econômica, Lula se despediu de Nova York e de sua temporada na 63ª Assembléia Geral da ONU, ''decretando'' o fim da era neoliberal.
Bush pede apoio ao pacote contra a crise econômica
Ao longo de sua estadia em Nova York, encerrada na quarta-feira, o presidente deu declarações que demonstraram a segurança de alguém cuja popularidade alcançou a marca recorde de 77,7% - de acordo com pesquisa do Instituto Sensus- e a confiança de um líder cujo país não foi fortemente atingido pelas mazelas econômicas que vêm assolando os Estados Unidos.
Lula disse acreditar que o período neoliberal ''está encerrado porque [a crise] demonstra que também no sistema financeiro é preciso ter seriedade, é preciso ter ética, não é apenas o cidadão comum que tem que ser ético''.
Os puxões de orelhas do líder brasileiro ao longo de sua estadia de três dias não se limitaram ao sistema financeiro. Lula também desferiu golpes contra os Estados Unidos e o presidente George W. Bush e ainda deu palpites na campanha eleitoral americana.
''O ideal é que os dois candidatos pudessem assinar uma carta ao povo americano, como a que eu assinei ao povo brasileiro em 2002, assumindo um compromisso para dar tranqüilidade ao povo americano e tranqüilidade para o mundo como um todo'', afirmou.
O presidente também procurou colocar o Brasil em um papel de protagonista no contexto internacional, capaz de exigir dos organismos multinacionais propostas para contornar a atual crise financeira.
''Eu cobrei do G8, cobrei do FMI e do Banco Mundial que estava na hora de eles se manifestarem porque quando um país pequeno tem crise todos eles dão palpite. Quando a maior economia do mundo entra em colapso a gente não vê nenhum palpite deles.''
O último evento de Lula em Nova York foi uma reunião sobre a crise financeira mundial da qual participou como único representante da América Latina, ao lado de líderes como o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o premiê espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero.
Repercussão
Se à primeira vista os comentários e ações do líder brasileiro poderiam dar a impressão de meras bravatas, a mídia americana tratou as observações de Lula com destaque e até reverência.
Para o New York Times, o discurso de Lula na abertura da cúpula da ONU, no qual o presidente afirmou que "o ônus da cobiça desenfreada não pode cair impunemente sobre todos" refletiu o tom do encontro.
O Wall Street Journal destacou que Lula defendeu a criação de um sistema que previna o sistema financeiro mundial de ser vítima de futuros abusos.
O jornal também definiu o presidente brasileiro como um ''defensor do meio termo entre capitalismo e socialismo'', e, em tom menos lisonjeiro, como um líder que ''anda em uma corda bamba entre as práticas da ortodoxia econômica e o financiamento de programas sociais populistas''.
Ao passo que a mídia dos Estados Unidos deu ouvidos aos comentários de Lula, o presidente também esteve atento ao pronunciamento do líder americano, George W. Bush, mas aproveitou para criticá-lo, devido ao pouco destaque que ele deu ao tema da crise econômica em seu discurso.
"Eu lamentei porque imaginei que o presidente Bush, já que é a ultima aparição dele na sede das Nações Unidas, faria um discurso de despedida, falando um pouco da crise econômica e o que o governo americano pretende fazer", afirmou.
O líder brasileiro ainda ironizou: ''Eu, como sou defensor da autodeterminação dos povos e da soberania dos discursos dos presidentes, fui obrigado então a ficar quieto".
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
EXEMPLO: Ética de Jornaleiro
"É CHEGADA A HORA DE MODIFICAR A REALIDADE"
Entrevista com o jornaleiro que decidiu parar de comercializar as revistas Veja, Época e Primeira Leitura
FONTE: http://www.fazendomedia.com/diaadia/nota100806.htm
Trinta e três anos, jornaleiro há nove. Proprietário da banca que fica num movimentado ponto de Porto Alegre, Fábio Marinho tomou uma decisão: não vai mais vender a revista Veja. "Não é mais possível ficarmos esperando que os outros venham fazer algo por nós (...). Todos somos, de alguma forma, responsáveis pelo mundo em que vivemos". Fábio está se formando em História e comunicou sua decisão em carta enviada ao jornalista Hamilton Octávio de Souza e publicada na revista Caros Amigos de julho (leia a íntegra aqui). Sua esperança é, como conta nessa entrevista, contribuir para que outros jornaleiros "também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população". Seu endereço eletrônico é: marinho147@hotmail.com. E seu endereço físico, pra quem quiser fazer uma visita, é o número 100 da Rua Dom Diogo de Souza, Cristo Redentor.
Entrevista concedida a Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com
Há quanto tempo você trabalha como jornaleiro?
Tenho 33 anos, sou jornaleiro há nove anos, sempre como proprietário e no mesmo ponto de venda.
Qual o perfil dos seus clientes?
O perfil de meus clientes é variado devido ao fato de minha banca ficar próximo a um terminal de ônibus que atravessa a cidade de norte a sul e na frente de uma instituição de ensino particular. Então, atendo desde o desempregado sem perspectiva até ao empresário de sucesso; atendo pessoas de todas as classes econômicas.
Por que a decisão de parar de comercializar a revista Veja?
A gota d'água que me fez parar com a Veja foi uma "reportagem" sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez, onde ele era retratado como um tiranete, um ser exótico, só que tudo era escrito num tom muito ofensivo, sem o menor respeito por um presidente de Estado, de uma nação soberana, eleito pelo voto popular. Aí eu pensei: a Veja foi longe demais. E tomei a decisão de não vendê-la novamente. Mas era uma decisão que vinha sendo amadurecida desde a época do "escândalo" do jornalista [Larry Rother], aquele que chamou o Lula de bêbado, quando a Veja fez uma série de reportagens tentando afirmar a mesma coisa. Olha, não sou lulista, mas a Veja foi desrespeitosa naquele momento, e comecei a pensar em não vendê-la. Essa decisão foi levada a termo a partir da tomada de consciência de que não é mais possível ficarmos esperando que os "outros" - ou o Lula, ou o "salvador" - venham fazer algo por nós, e de que todos nós, de alguma forma, somos responsáveis pelo mundo em que vivemos. Então, na minha opinião, é chegada a hora de fazermos algo para modificar a realidade que nos cerca; o que eu posso fazer é isto, então fiz.
Sua decisão se estende a alguma outra publicação ou é restrita à revista Veja?
A revista Época recebe um tratamento semelhante, embora há menos tempo, a partir da crise do "mensalão" (um ano, não é?). Também não sou petista, mas é fato que a revista forçou a barra, se calou durante os anos FHC e agora resolve praticar jornalismo investigativo? Dá licença! A revista Primeira Leitura [que fechou as portas em junho] também recebia tratamento semelhante, nem preciso dizer por quê, né?
Isso não pode prejudicar o seu trabalho, visto que a Veja é uma das publicações mais vendidas e que, portanto, gera grande retorno à banca?
Sobre perder vendas, bem, entre ganhar dinheiro com a Veja ou perder algumas vendas e contribuir para que os meus clientes descubram a Caros Amigos, a CartaCapital, a Reportagem, fico com esta segunda opção, sem falar no componente ético que em mim é muito forte.
Você não corre risco de sofrer algum tipo de boicote pelo mercado editorial como um todo, ou pela editora Abril em especial?
Realmente não dá mais para agüentar a Veja. Olha, não temo boicote, mas estou surpreso com a repercussão. Recebi vários e-mails de pessoas me cumprimentando e elogiando minha atitude. Vamos ver como a [editora] Abril vai reagir. Se me boicotarem, espero contar com sua ajuda para denunciarmos mais uma da Abril.
O que você gosta de ler, entre livros, jornais, revistas e sítios na internet?
Estou me formando em História e, portanto, gosto de tudo que esteja relacionado à política, teoria e educação. Afora isto, gosto dos grandes escritores nacionais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, João Cabral de Mello Neto, Érico Veríssimo, Mário Quintana. Enfim, ler é meu vício. Revistas eu não leio muito por ter pego o vício de ler um livro inteiro de um autor e tentar entender suas teses. As poucas revistas que leio são Caros Amigos, CartaCapital e Reportagem e só. Jornal aqui no sul não tem um que preste, pelo menos que eu conheça. Infelizmente não consegui leitores para o Brasil de Fato e a distribuidora cortou meu reparte, de modo que evito ler jornais. De internet eu não gosto muito não, só utilizo para correspondência e downloads.
Pelo que você observa entre seus clientes, há uma insatisfação com as publicações da grande imprensa? Você acredita haver espaço entre os leitores para publicações com linhas editoriais que destoam da mídia hegemônica?
Pois é, já está tão difícil vender as revistas alternativas... não sei se há espaço para novas publicações. Se você já esteve em alguma edição do Fórum Social Mundial, deve ter percebido que a indignação é maior do que a gente pensa, mas daí a sustentar uma nova revista eu já não sei, minha percepção de jornaleiro é que não, mas estou vendo a situação de um ponto de observação muito restrito que é minha banca.
Por favor, esteja à vontade para acrescentar qualquer outra informação que julgue relevante.
Olha, escrevi aquela carta para o Hamilton Octávio de Souza na esperança de vê-la publicada e que outros jornaleiros como eu fizessem algo parecido. A minha categoria é muito desunida e o sindicato (pelo menos aqui em Porto Alegre) trabalha para mantê-la desunida. Assim, espero que outros também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população.
Entrevista com o jornaleiro que decidiu parar de comercializar as revistas Veja, Época e Primeira Leitura
FONTE: http://www.fazendomedia.com/diaadia/nota100806.htm
Trinta e três anos, jornaleiro há nove. Proprietário da banca que fica num movimentado ponto de Porto Alegre, Fábio Marinho tomou uma decisão: não vai mais vender a revista Veja. "Não é mais possível ficarmos esperando que os outros venham fazer algo por nós (...). Todos somos, de alguma forma, responsáveis pelo mundo em que vivemos". Fábio está se formando em História e comunicou sua decisão em carta enviada ao jornalista Hamilton Octávio de Souza e publicada na revista Caros Amigos de julho (leia a íntegra aqui). Sua esperança é, como conta nessa entrevista, contribuir para que outros jornaleiros "também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população". Seu endereço eletrônico é: marinho147@hotmail.com. E seu endereço físico, pra quem quiser fazer uma visita, é o número 100 da Rua Dom Diogo de Souza, Cristo Redentor.
Entrevista concedida a Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com
Há quanto tempo você trabalha como jornaleiro?
Tenho 33 anos, sou jornaleiro há nove anos, sempre como proprietário e no mesmo ponto de venda.
Qual o perfil dos seus clientes?
O perfil de meus clientes é variado devido ao fato de minha banca ficar próximo a um terminal de ônibus que atravessa a cidade de norte a sul e na frente de uma instituição de ensino particular. Então, atendo desde o desempregado sem perspectiva até ao empresário de sucesso; atendo pessoas de todas as classes econômicas.
Por que a decisão de parar de comercializar a revista Veja?
A gota d'água que me fez parar com a Veja foi uma "reportagem" sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez, onde ele era retratado como um tiranete, um ser exótico, só que tudo era escrito num tom muito ofensivo, sem o menor respeito por um presidente de Estado, de uma nação soberana, eleito pelo voto popular. Aí eu pensei: a Veja foi longe demais. E tomei a decisão de não vendê-la novamente. Mas era uma decisão que vinha sendo amadurecida desde a época do "escândalo" do jornalista [Larry Rother], aquele que chamou o Lula de bêbado, quando a Veja fez uma série de reportagens tentando afirmar a mesma coisa. Olha, não sou lulista, mas a Veja foi desrespeitosa naquele momento, e comecei a pensar em não vendê-la. Essa decisão foi levada a termo a partir da tomada de consciência de que não é mais possível ficarmos esperando que os "outros" - ou o Lula, ou o "salvador" - venham fazer algo por nós, e de que todos nós, de alguma forma, somos responsáveis pelo mundo em que vivemos. Então, na minha opinião, é chegada a hora de fazermos algo para modificar a realidade que nos cerca; o que eu posso fazer é isto, então fiz.
Sua decisão se estende a alguma outra publicação ou é restrita à revista Veja?
A revista Época recebe um tratamento semelhante, embora há menos tempo, a partir da crise do "mensalão" (um ano, não é?). Também não sou petista, mas é fato que a revista forçou a barra, se calou durante os anos FHC e agora resolve praticar jornalismo investigativo? Dá licença! A revista Primeira Leitura [que fechou as portas em junho] também recebia tratamento semelhante, nem preciso dizer por quê, né?
Isso não pode prejudicar o seu trabalho, visto que a Veja é uma das publicações mais vendidas e que, portanto, gera grande retorno à banca?
Sobre perder vendas, bem, entre ganhar dinheiro com a Veja ou perder algumas vendas e contribuir para que os meus clientes descubram a Caros Amigos, a CartaCapital, a Reportagem, fico com esta segunda opção, sem falar no componente ético que em mim é muito forte.
Você não corre risco de sofrer algum tipo de boicote pelo mercado editorial como um todo, ou pela editora Abril em especial?
Realmente não dá mais para agüentar a Veja. Olha, não temo boicote, mas estou surpreso com a repercussão. Recebi vários e-mails de pessoas me cumprimentando e elogiando minha atitude. Vamos ver como a [editora] Abril vai reagir. Se me boicotarem, espero contar com sua ajuda para denunciarmos mais uma da Abril.
O que você gosta de ler, entre livros, jornais, revistas e sítios na internet?
Estou me formando em História e, portanto, gosto de tudo que esteja relacionado à política, teoria e educação. Afora isto, gosto dos grandes escritores nacionais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, João Cabral de Mello Neto, Érico Veríssimo, Mário Quintana. Enfim, ler é meu vício. Revistas eu não leio muito por ter pego o vício de ler um livro inteiro de um autor e tentar entender suas teses. As poucas revistas que leio são Caros Amigos, CartaCapital e Reportagem e só. Jornal aqui no sul não tem um que preste, pelo menos que eu conheça. Infelizmente não consegui leitores para o Brasil de Fato e a distribuidora cortou meu reparte, de modo que evito ler jornais. De internet eu não gosto muito não, só utilizo para correspondência e downloads.
Pelo que você observa entre seus clientes, há uma insatisfação com as publicações da grande imprensa? Você acredita haver espaço entre os leitores para publicações com linhas editoriais que destoam da mídia hegemônica?
Pois é, já está tão difícil vender as revistas alternativas... não sei se há espaço para novas publicações. Se você já esteve em alguma edição do Fórum Social Mundial, deve ter percebido que a indignação é maior do que a gente pensa, mas daí a sustentar uma nova revista eu já não sei, minha percepção de jornaleiro é que não, mas estou vendo a situação de um ponto de observação muito restrito que é minha banca.
Por favor, esteja à vontade para acrescentar qualquer outra informação que julgue relevante.
Olha, escrevi aquela carta para o Hamilton Octávio de Souza na esperança de vê-la publicada e que outros jornaleiros como eu fizessem algo parecido. A minha categoria é muito desunida e o sindicato (pelo menos aqui em Porto Alegre) trabalha para mantê-la desunida. Assim, espero que outros também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população.
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Exemplos
terça-feira, 9 de setembro de 2008
MENSAGEM: Falsas Armadilhas
REPRODUZO ADIANTE PARTE DE UM E-MAIL ENVIADO NO DIA 09/09/2008 A TRÊS GRANDES AMIGOS E PARCEIROS SOCIAIS, COMO EXPRESSÃO DE MINHA IMENSA GRATIDÃO POR SUAS AMIZADES E INCENTIVOS.
A VIDA É UMA ESCOLA DIÁRIA. A CADA EXPERIÊNCIA, COMUNICAÇÃO, ATIVIDADE, RELAÇÃO, CONVERSA ETC ESTAMOS SEMPRE TIRANDO LIÇÕES PARA NOSSO APRENDIZADO E AMADURECIMENTO PESSOAL E COLETIVO
Uma vez em um seminário sobre política (o primeiro da minha vida, há muitos anos atrás) escutei um pensamento que me marcou. Era um pensamento altamente profundo e não me lembro das palavras exatas, mas tento esboçar abaixo algumas vagas idéias, em três versões, desse pensamento que ouvi e nunca mais esqueci a mensagem, embora tenha esquecido a letra (caso conheçam algo desse tipo de pensamento, socializem)
"Quando somos mais jovens e temos bastante tempo livre, temos pouca experiência e não sabemos fazer quase nada; mas quando ganhamos grande experiência e sabemos fazer muitas coisas, nos tornamos mais adultos e nosso tempo livre fica bastante escasso"
"Enquanto os jovens são ricos de ideais e de tempo, mas não têm sabedoria; os adultos têm sabedoria, mas são pobres de tempo e de ideais"
"Quando somos jovens, sonhamos mas não sabemos como realizar os sonhos; quando ficamos adultos, sabemos como realizar os sonhos mas deixamos de sonhar"
QUASE TODAS AS PESSOAS TENDEM A CAIR NESSA ARMADILHA, MAS É IMPORTANTE TENTARMOS, SEMPRE QUE POSSÍVEL, ENCONTRAR SAÍDAS PARA ESSA EQUAÇÃO PARADOXAL E APARENTEMENTE INSOLÚVEL
A VIDA É UMA ESCOLA DIÁRIA. A CADA EXPERIÊNCIA, COMUNICAÇÃO, ATIVIDADE, RELAÇÃO, CONVERSA ETC ESTAMOS SEMPRE TIRANDO LIÇÕES PARA NOSSO APRENDIZADO E AMADURECIMENTO PESSOAL E COLETIVO
Uma vez em um seminário sobre política (o primeiro da minha vida, há muitos anos atrás) escutei um pensamento que me marcou. Era um pensamento altamente profundo e não me lembro das palavras exatas, mas tento esboçar abaixo algumas vagas idéias, em três versões, desse pensamento que ouvi e nunca mais esqueci a mensagem, embora tenha esquecido a letra (caso conheçam algo desse tipo de pensamento, socializem)
"Quando somos mais jovens e temos bastante tempo livre, temos pouca experiência e não sabemos fazer quase nada; mas quando ganhamos grande experiência e sabemos fazer muitas coisas, nos tornamos mais adultos e nosso tempo livre fica bastante escasso"
"Enquanto os jovens são ricos de ideais e de tempo, mas não têm sabedoria; os adultos têm sabedoria, mas são pobres de tempo e de ideais"
"Quando somos jovens, sonhamos mas não sabemos como realizar os sonhos; quando ficamos adultos, sabemos como realizar os sonhos mas deixamos de sonhar"
QUASE TODAS AS PESSOAS TENDEM A CAIR NESSA ARMADILHA, MAS É IMPORTANTE TENTARMOS, SEMPRE QUE POSSÍVEL, ENCONTRAR SAÍDAS PARA ESSA EQUAÇÃO PARADOXAL E APARENTEMENTE INSOLÚVEL
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