segunda-feira, 14 de abril de 2008

CRÔNICA: Olhares na Multidão



Consulto o relógio para ver se dá tempo de olhar outras coisas. O relógio diz que sim. Investigo o tempo para ver se o clima não será hostil à minha caminhada. O Sol não está escaldante e, se chover (segundo as previsões) não será preciso usar guarda-chuva. E assim meu olhar continua em ação, fotografando a realidade que se apresenta para mim e filmando as pessoas que se exibem para os outros, mas não para alguém em especial.

Meu olhar vai percorrendo o mundo que se desdobra a minha volta. De repente, meu olhar se impressiona, se comove, se vê hipnotizado por outros olhares. Olhares na multidão. Olhares de mendigos que pedem esmolas sem estender a mão. De quem já esgotou o estoque de lágrimas para lavar a alma. Olhares que narram pesadelos, que encenam tragédias, que expõem chagas, que refletem dores agudas e profundas.

Aqueles olhares, dispersos na multidão, estão lá, mirando um ponto vazio no espaço. Passamos diariamente por eles, mas raras vezes os vemos piscar, não só porque tendemos a ignorar sua existência, mas também porque tais olhares parecem imóveis, distantes e mortiços. Nossos passos apressados e indiferentes evitam enxerga-los. São capazes até de atravessar a rua apenas para não correr o risco de encará-los de perto.

Um olhar anônimo que carrega e transmite imagens do absurdo. Denunciam tantas contradições. Significam tantas coisas. Uma prece muda. O eufemismo do desespero. A humilhação comportada. A vela agonizante de um semblante perdido na escuridão. Olhares cravados num tempo que conspira a favor de sua extinção. Tentam comunicar algo, mas ninguém atenta para a sua mensagem, como se tivessem se transformado em uma linguagem hieroglífica, portando segredos condenados ao degredo.

E assim o tempo passa. As estações se revezam. As ruas ganham novas maquiagens. O lixo da calçada intensifica o cheiro e exigem o socorro imediato dos garis. O poder público recolhe com eficiência duvidosa os entulhos amontoados na esquina. Porém, aqueles olhares na multidão continuam ali, aterrorizados com governos inermes e cidadãos egoístas, incapazes de perceber que tais olhares ainda são animados por vidas que merecem ser - além de observadas - ouvidas, cuidadas, protegidas, respeitadas, amadas.

Apesar de tudo, da desatenção curável dos transeuntes e da omissão indesculpável das instituições, os olhares na multidão, mesmo que saturados de incompreensão e escassos de expressão, não perdem de todo o brilho derradeiro da esperança. 99% do futuro que tais olharem conseguem enxergar está manchado pelas trevas da miséria e atraído para os abismos da morte, mas 1% ainda tem luz, ainda vê horizontes leves e risonhos.

Você já mirou algum destes olhares por mais de três segundos? Já tentou captar a cor de sua íris? Você já se perguntou quantos canais de lágrimas transbordaram através destas vistas cansadas e abatidas? Já tentou decifrar o sofrimento fatal que emoldura com tonalidades psicológicas de sangue a circunferência alongada, elíptica e disforme de tais olhares. Você já cumprimentou, amparou e dialogou com os olhares na multidão?

O sujeito desses olhares virou objeto. Em outras palavras, é um ser abjeto, desses que amaldiçoam as estatísticas sociais e ninguém faz nada para reverter tal descalabro. Você já teve a curiosidade de contar quantos olhares na multidão existem no seu bairro, no centro da cidade, nas adjacências do viaduto mais próximo, ou mesmo no caminho habitual de seu trabalho, escola, igreja, academia de ginástica ou shopping center. Como seria a sensação de ver e padecer o pior dos pesadelos com o organismo plenamente acordado?

Todavia, se fosse uma mulher bonita, um homem esbelto, um casal apaixonado, uma família de mãos dadas, as pessoas olhariam para tais cenas sem cerimônia nem repugnância. Os mais carentes, inclusive, olhariam até demais, forjando automaticamente alguma fantasia ou deixando escapar pelos poros imperfeitos de sua mente algum pensamento mal contido de inveja. Mas a beleza também tem o seu avesso. Nem sempre aquilo que vemos é normal e aceitável. Há paisagens tristes: olhares na multidão.

Chegue um pouco mais perto. Os olhares deles não assustam nem um mosquito. Não soltam um único palavrão. Esses olhares querem ser vistos por você. Veja a pessoa humana que está atrás desses olhares e também na sua frente. Observe há quantas horas essa pessoa não bebe água, há quantos dias ela não tem uma alimentação digna, há quantas semanas ela não toma banho, há quantos meses ela não corta as unhas, há quantos anos ela deixou de viver; e agora apenas luta, com o restinho que sobrou de sua fé, para tentar sobreviver.

E se esses olhares fossem seus, o que você viria e o que você não viria? Talvez então você desejasse ficar cego para fugir pelo menos da amargura material de ver tanta gente passando por você e sequer te olhar, tampouco sorrir, e quase nunca fazer alguma coisa para te ajudar. Como se você fosse uma formiga que cresceu demais, foi expulsa da espécie animal, esqueceram de enterrar e não encontrou vaga neste mundo que se diz humano – embora qualquer turista civilizado de outros planetas deduziria o contrário.

MENSAGEM: Nossos Mundos Virtuais


RECEBI DE UMA AMIGA NO DIA 10/04/2008 ESTA TOCANTE MENSAGEM, QUE NOS FAZ REFLETIR SOBRE AS VIRTUALIDADES QUE COSTUMAM DOMINAR NOSSAS VIDAS E ANESTESIAR NOSSOS SENTIDOS PARA OS DRAMAS REAIS E COTIDIANOS DA SOCIEDADE. SEGUE O CONTEÚDO NA ÍNTEGRA:


Por favor leiam com atenção


Recebendo e Repassando.


Tenha o prazer de ler até o fim... (pense e opte também pelo número 1)


INÍCIO DA HISTÓRIA


Entrei apressado e com muita fome no restaurante.


Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.


Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga,uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:


-Tio, dá um trocado?

- Não tenho, menino.

- Só uma moedinha para comprar um pão.

- Está bem, compro um para você.


Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.


- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?


Percebo que o menino tinha ficado ali.


- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?


Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.


- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.


Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:


- Tio, o que está fazendo?

- Estou lendo uns e-mails.

- O que são e-mails?

- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.


Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:


- É como se fosse uma carta, só que via Internet.

- Tio, você tem Internet?

- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.

- O que é Internet, tio?

- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.

- E o que é virtual, tio?


Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.


- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.


- Legal isso. Gostei!

- Mocinho, você entendeu o que é virtual?

- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.

- Você tem computador?


- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?


Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado.


Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'. Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!


FIM DA HISTÓRIA


Você agora tem duas escolhas:

1 - Enviar esta mensagem aos amigos e amigas

2 - Apagá-la, fazendo de conta que não foi tocado por ela.

Como você pode ver, escolhi a nº 1.


Uma provocação

Para uma reflexão

E uma decisão

Não custa fazermos a nossa parte

Abraço

PENSAMENTOS: Frases Próprias (IV)

31. “Sorria, nem que seja para variar o trajeto de suas lágrimas”.

32. “Na poesia, o riso se faz leve e o imponderável destoa”.

33. “Seja quem você é: agora e sempre, com todas as pessoas e em todo lugar”.

34. “A televisão geralmente não passa de um circo cuja platéia não precisa pagar ingresso para assistir aos seus espetáculos sensacionalistas”.

35. “Diz-me com quem andas e eu te direi para onde irás”.

36. “O destino mesmo a gente só conhece quando se está dentro dele”.

37. “O que seria da realidade se não fossem os sonhos?”.

38. “Vontade sem ação é inércia. Ação sem vontade é alienação”.

39. “Sábio é aquela pessoa cuja humildade aumenta em proporção ao seu conhecimento”.

40. “Você decide: ou se afunda no abismo do fracasso ou voa firme para as alturas do sucesso”.

domingo, 30 de março de 2008

CONTO: Espelhos da Desgraça


Já era noite, de um gênero tão silencioso e mórbido que assustava até as corujas veteranas. Apesar de tudo, vez por outra um gemido sombrio e indecifrável ameaçava romper a monotonia reinante, nem que fosse pelo curto intervalo de meia dúzia de segundos. Foi também esse o tempo que José Francisco Antônio das Chagas precisou para concluir que sua atual matéria-prima de trabalho era o reflexo trágico de sua desgraça.

Quem era este homem e por que respirava sensações tão fracassadas e pessimistas? Vamos chamá-lo simplificadamente de Seu Zé das Chagas. Até os 35 anos ele nunca bebera no cálice da miséria. Como os fumantes indiretos que desenvolvem as noções mínimas do cigarro sem jamais ter colocado um só deste produto na boca, Seu Zé - vamos tirar também o “das Chagas” para não tornar as coisas ainda mais deprimentes - já tinha tragado lateralmente algumas pitadas da miséria através da convivência com alguns amigos, cujas biografias tratavam de mantê-los entre os patamares econômicos mais rasteiros e humildes da condição humana (ou, melhor dizendo, aliás, pior dizendo, desumana).

Pois bem, sem maiores comparações melodramáticas, vamos descascar logo o segredo de Seu Zé. Começou trabalhando como caixa de um pequeno mercadinho, até que juntou coragem para denunciar o “caixa dois” operado pelo outro caixa que alternava os turnos com ele. Porém, como o dono do estabelecimento tinha ido bem mais longe, manejando uma espécie de “caixa três ao quadrado”, as versões foram manobradas de tal modo que o corrupto da história acabou sendo o próprio Seu Zé.

Isso posto, sua demissão foi instantânea, inversamente ao alcance de sua inverídica fama de lalau, que grassava como uma epidemia de fogo e parecia contribuir implacavelmente para inviabilizar qualquer nova oportunidade de emprego formal na azarada carreira laboral deste sujeito, desprovido de diploma de nível superior e com o segundo grau tardio, mal-feito e incompleto. Era como se houvessem frases no currículo profissional de Seu Zé que somente os tradicionais e burocráticos setores de Recursos Humanos das empresas contratantes conseguissem ler – algo como “ele não presta”, “não o contrate”, “rasgue o currículo dele” (dentre outras variações não menos preconceituosas).

O tempo foi passando. O dinheiro foi sumindo. A família foi reclamando. A dívida foi se amontoando. Os colegas foram se afastando. A insônia foi se repetindo. A depressão foi se instalando. E, finalmente, a paciência e o orgulho do Seu Zé despencaram para o nível extremo do desespero não-violento (pois nunca ele havia roubado sequer um pirulito). O único filho que tinha foi passar as férias na casa da sogra e curiosamente essas “férias” já duravam três meses e nada de deixarem a criança voltar para o colo do pai.

Seis meses depois que aquela bodega (esqueci de informar que se chamava “boa vida”, título por demais sugestivo) o colocou no olho vesgo e estrábico da rua, a vida de Seu Zé estava arruinada, tanto financeiramente quanto afetivamente, uma vez que sua mulher desaprendeu a conjugar o verbo amar na frente dele. Essa frieza, essa rejeição feminina passou a dominar as relações com o marido desde o dia em que ela fora subitamente impedida de passar o dia no cabeleireiro e a noite no shopping, como tanto gostava de fazer duas semanas sim, uma não. Não deu nem tempo da mulher inventar a desculpa intelectualmente vaidosa que tinha passado numa faculdade qualquer e que não podia mais acompanhar o ritmo ocioso e perdulário de suas companheiras igualmente dondocas. As más línguas não mentiriam se imaginassem que na cabeça angustiada de Seu Zé brotava uns caules pontiagudos em formato de chifre.

A nova residência de Seu Zé não tinha teto, não tinha segurança e não tinha mais mulher. Ele mesmo se convenceu de que o coração de sua ex-amada havia estado sempre dividido: metade se voltava para a conta bancária dele e a outra banda mirava o bolso do infeliz, precisamente quando portava uma carteira recheada com alguma grana. Enfim, a morada contemporânea de Seu Zé não tinha quase nada. Situava-se num terreno baldio duplamente abandonado: pela favela contígua que se urbanizou e pelos traficantes de baixa patente que migraram em busca de refúgios mais estratégicos. O lugar era predominantemente ocupado por duas espécies de seres quase não-vivos: cachorros vira-lata que nunca foram paparicados num ambiente doméstico e banhados numa clínica veterinária; e gente mais ou menos idosa que tinha como principal passatempo esperar a morte chegar (aqueles gemidos revelados no primeiro parágrafo têm a ver com essa rotina da despedida).

Seu Zé, no entanto, apesar de carregar o sobrenome “das Chagas”, queria voltar a ser gente de verdade. Queria voltar a acreditar em si mesmo, reconstruindo os cacos de sua felicidade temporariamente inexistente. Ao ler um livro sem capa intitulado “O que é miséria?”, publicado pela editora “Justiça Social”, ele foi descobrindo que seu futuro era um lixo que precisa ser reciclado. Metade das vinte e quatro horas do seu desafortunado dia era cotidianamente e literalmente dedicado ao lixo. Matéria-prima que, definitivamente, no alvorecer de suas auto-reflexões conscientes e transformadoras, era o espelho de sua desgraça: a imagem vívida e descolorida da tragédia que levou este ex-caixa honesto de uma corrupta mercearia a tentar sobreviver a partir da vistoria mendicante de caixas de lixo. Um espelho que urgia ser quebrado.

Enfim, Seu Zé era uma categoria de lixeiro que, além de vasculhar resquícios de comida e farrapos de roupa entre os detritos, fazia questão de catar livros, cidadania, esperança. Este homem começou a reconhecer e entender, com a devida lucidez e altivez, o sentido catastrófico de sua presente existência. O ato de olhar para o lixo, introduzindo algum farelo na boca e vendendo algum objeto aproveitável na esquina, significava enxergar a face mais triste, cruel e desprezível de sua decadente trajetória. Com uma Bíblia debaixo de um braço (seria a Constituição da justiça espiritual?) e uma Constituição (seria a Bíblia da justiça material) debaixo do outro, Seu Zé acordou, se levantou e foi à luta. Voltou a mudar de endereço e alterou radicalmente suas atitudes. Recuperou uma dignidade pessoal tão grande quanto o tamanho recorde de sua auto-estima, confiantemente reerguida e pujante de vitalidade.

Seu Zé foi convidado a participar da Associação Comunitária ligada ao pequeno e combativo bairro de periferia onde agora ele resida. Em dois anos, tornou-se uma liderança popular respeitada, carismática e empreendedora. Ostentava uma fibra ética ilibada, imune a qualquer retórica de vereador que frequentemente tentava seduzi-lo com recursos fáceis e ilegítimos em troca de seu quinhão demagógico de votos naquela comunidade. Como todo cidadão que se preza (e é prezado, ouvido e valorizado pelos demais cidadãos), Seu Zé readquiriu um trabalho melhor. Conquistou a vaga de professor da creche comunitária de seu bairro e agora, beirando seus quarentas anos mal vividos e bem sofridos, Seu Zé realizou um sonho aparentemente aposentado quando deixou de ser caixa e quase destruído quando se tornou lixeiro: passou no Vestibular para o curso de Educação Social, da Universidade Livre do Ceará.

E ele já alimenta novos planos: ser um professor especializado nos processos de alfabetização e qualificação escolar, conscientização política e reinserção sócio-econômica de adultos desempregados e sem instrução, os quais ainda não conseguiram quebrar os espelhos de sua desgraça, rompendo as algemas de ideologias submissas e estóicas. O primeiro passo já está sendo dado nessa direção: todo sábado, lá está Seu Zé, ensinando voluntariamente as pessoas do terreno baldio (onde ele mesmo se exilara por uns dois anos) a gostarem de ler, a não terem medo de viver e a aprenderem (ou reaprenderem) a ver - em cada pensamento, em cada sentimento, em cada comportamento - o reflexo iluminado e autônomo de sua própria luz.

PENSAMENTOS: Frases Próprias (III)

21. “Ser livre não é uma questão de conhecimento e tampouco de experiência; é uma questão basicamente de escolha e sobretudo de atitude”.

22. “Prefiro mil vezes ser infeliz num mundo razoavelmente justo do que ser feliz num planeta aberrantemente injusto”.

23. “Uma boa música, além de fazer nosso corpo dançar, tem o dom de fazer nossa alma, mente e coração se destravarem, se encantarem e se reinventarem flutuantemente”.

24. “Quem nunca consegue chorar, sequer interiormente; além de insensível, é de certa forma desumano, no sentido mais emotivo da palavra”.

25. “Não sigo ideologias totalizantes e tampouco cartilhas dogmáticas. Sigo apenas a minha melhor consciência, aquela que respinga do infinito da perfeição”.

26. “Adiar para amanhã aquilo que você pode, deve e sabe fazer hoje, não raro, é uma demonstração gratuita, ingênua e persistente de irresponsabilidade”.

27. “Quanto mais as lembranças do passado se sobrepujarem às expectativas do futuro, mais tênue vai ficando a fronteira entre o presente e a morte.”

28. “Excessos de bom-senso mais parecem absurdos.”

29. “Escrever é brincar com as palavras de forma conseqüente.”

30. “Os momentos mais felizes e marcantes da vida parecem ser os menos planejados e compreendidos.”

COMENTÁRIOS: O Ponto de Mutação


FONTE: Livro “O Ponto de Mutação”, de Fritjof Capra (Ed. Cultrix)

>>> págs. 14 a 23 >>>

“As últimas décadas de nosso século vêm registrando um estado de profunda crise mundial. É uma crise complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos de nossa vida – a saúde e o modo de vida, a qualidade do meio ambiente e das relações sociais, da economia, tecnologia e política. (...)

Estocamos dezenas de milhares de armar nucleares, suficientes para destruir o mundo várias vezes. (...)

Os custos dessa loucura nuclear coletiva são assustadores. Em 1978, antes da mais recente escalada de custos, os gastos militares mundiais orçavam em cerca de 425 bilhões de dólares – mais de um bilhão de dólares por dia. (...)

Enquanto isso, mais de 15 milhões de pessoas – em sua maioria crianças – morrem anualmente de fome; outros 500 milhões de seres humanos estão gravemente subnutridos. Cerca de 40 por cento da população mundial não tem acesso a serviços profissionais de saúde; entretanto, os países em desenvolvimento gastam três vezes mais em armamentos do que em assistência à saúde da população. Trinta e cinco por cento da humanidade carece de água potável, enquanto metade de seus cientistas e engenheiros dedica-se à tecnologia da fabricação de armas. (...)

Um sinal impressionante do nosso tempo é o fato de as pessoas que se presume serem especialistas em vários campos já não estarem capacitadas a lidar com os problemas urgentes que surgem em suas respectivas áreas de especialização. Os economistas são incapazes de entender a inflação, os oncologistas estão totalmente confusos acerca das causas do câncer, os psiquiatras são mistificados pela esquizofrenia, a polícia vê-se impotente em face da criminalidade crescente, e a lista vai por aí afora. (...)

Como causas de sua confusão ou renúncia os intelectuais citaram ´novas circunstâncias` ou ´o curso dos acontecimentos` - Vietnam, Watergate e a persistência de favelas, pobrezas e criminalidade. Nenhum deles, entretanto, identificou o verdadeiro problema subjacente à nossa crise de idéias: o fato de a maioria dos intelectuais que constituem o mundo acadêmico subscrever percepções estreitas da realidade, as quais são inadequadas para enfrentar os principais problemas de nosso tempo. (...)

Precisamos, pois, de um novo ´paradigma` - uma nova visão da realidade, uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores. Os primórdios dessa mudança, da transferência da concepção mecanicista para a holística da realidade, já são visíveis em todos os campos e suscetíveis de dominar a década atual. (...)

Os anos 60 e 70 geraram uma série de movimentos sociais que parecem caminhar, todos, na mesma direção, enfatizando diferentes aspectos da nova visão da realidade. Até agora, a maioria desses movimentos ainda opera separadamente, eles ainda não reconheceram que suas intenções se inter-relacionam. (...)

Assim que isso acontecer, podemos esperar que os vários movimentos fluam juntos e formem uma poderosa força de mudança social. A gravidade e a extensão global de nossa crise atual indicam que essa mudança é suscetível de resultar numa transformação de dimensões sem precedentes, um momento decisivo para o planeta como um todo.”

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MEUS COMENTÁRIOS

Diante dessa mensagem tão clara, profunda e emblemática trazida pelo autor, Fritjof Capra - físico, cientista, escritor e um dos mais renomados militantes do pensamento sistêmico – qualquer comentário feito corre o risco de parecer simplório, superficial e desnecessário. Isso posto, prometo que minhas palavras serão curtas.

Uma das passagens iniciais que me impressiona e inclusive me assusta é o paralelo absurdo entre os gastos mundiais voltados para a qualidade de vida (como saúde) e aqueles dirigidos à destruição da vida (como armamentos).

Outra colocação que salta aos olhos é a incapacidade dos ditos especialistas em compreenderem, diagnosticarem e solucionarem tantos problemas, questões e desafios que envolvem as suas áreas específicas, mas que estão muito longe de serem objetos exclusivos e estanques de uma disciplina ou campo de saber específicos.

Em vez disso, precisam ser encarados a partir de um novo paradigma, representado pela visão sistêmica, que representa uma abordagem apta a reconhecer as relações dinâmicas, interdependentes e plurais que conectam em rede todos os fenômenos da vida.

O aspecto interessante e mais revolucionário das implicações práticas de tal concepção se traduz nas possibilidades de convergência e unificação das demandas, propostas e bandeiras reivindicadas pelos movimentos e atores sociais que começaram a ganhar expressão nos anos 60 e 70, atingindo uma relevância crescente nos tempos atuais, como é o caso das organizações não-governamentais.

MENSAGEM: Pisando no Chão do Céu


RECEBI DE UMA AMIGA NO DIA 23 DE MARÇO DE 2007 A MENSAGEM EM POWERPOINT “SONHAR OU MANTER OS PÉS NO CHÃO”. TRANSCREVO ADIANTE SEU CONTEÚDO. A ÚNICA OBSERVAÇÃO QUE FAÇO É QUE O REALISMO E O IDEALISMO NÃO SÃO CARACTERÍSTICAS IRRECONCILIÁVEIS; POIS ASSIM COMO UM BOM SONHADOR NÃO PODE PERDER DE TODO O CONTATO COM A REALIDADE, UMA PESSOA PRAGMÁTICA PRECISA TER ALGUM HORIZONTE FUTURO PARA DAR SENTIDO À SUA AÇÃO. DAÍ O TROCADILHO QUE PROPONHO: “PISANDO (REALISTICAMENTE) NO CHÃO (IDEALIZADO) DO CÉU”.


“Outro dia, um amigo fez um comentário que me deixou pensativo... disse que eu era um eterno sonhador e que deveria pensar se não seria melhor manter os pés no chão.

Confesso que, embora não fosse necessário, até porque sempre fui convicto em relação às minhas atitudes, naquele momento resolvi parar e pensar a respeito daquela colocação. Comecei perguntando pra mim mesmo o que seria melhor:

Sonhar ou manter os pés no chão!

Por eu reconhecer que, realmente, era um sonhador convicto, acreditava que não precisando negar aquela característica pessoal, seria mais fácil encontrar uma resposta.

A primeira conclusão foi que eu não conseguiria sair do lugar sem fazer algumas comparações com outras pessoas, tão sonhadoras quanto eu.

Lembrei-me de Monteiro Lobato: “Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos”.

Quem sabe por aí, eu poderia encontrar a minha resposta!

Santos Dumont sonhou que podia voar. Deu asas à imaginação e hoje temos o avião. Dessa forma, diminuímos a distância.

Alexandre Graham Bell sonhou em conversar com alguém distante, e hoje temos o telefone. Outra vez, diminuímos a distância.

Henry Ford sonhou em produzir carros em série, e hoje temos inúmeras fábricas produzindo e, mais uma vez, diminuímos a distância.

A mesma situação aconteceu com muitas outras invenções. Alguém teve um sonho, o sonho de criar algo que pudesse melhorar a nossa qualidade de vida, e quem sabe, diminuir cada vez mais, as distâncias, que separam as pessoas.

Portanto, vamos sonhar à vontade, vamos construir nossos castelos no ar.

Com certeza, logo mais à frente, vamos também conseguir construir os alicerces, que possam transformar nossos castelos e sonhos, em realidade.
Quem sabe, dentro de cada um deles, vamos encontrar a nossa felicidade.

Se, na escola da vida, não conseguimos aprender o que nos é ensinado, pelo menos podemos aceitar que, no “Baile da Vida, a felicidade seja nosso eterno Par”.”

Formatação: Prado Slides
Texto: Jesus Prado Amador